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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte final 5


VAMOS REVISAR O REVISIONISMO

Em vista das esmagadoras evidências, publicar um artigo na Harpers referente à Bíblia Hebraica como Falso Testemunho é claramente um ultraje. Uma caricatura naquele artigo, mostrando a Bíblia sendo destruída com vastos corredores cortando seu texto, é apropriadamente uma falsa caricatura como o restante do artigo.

Isto, contudo, é completamente típico da forma como a matéria bíblica é veiculada na mídia hoje. Uma extraordinária descoberta bíblica que confirma o registro bíblico é abertamente recebida como uma notícia qualquer na imprensa, como as evidências dos ossos da primeira personalidade bíblica descoberta em novembro de 1990. Geralmente, apenas um em cem sabe que os restos de Caifás, o maior sacerdote que acusou Jesus perante Pôncio Pilatos na sexta-feira santa, foi encontrada nesta época em um ossuário no Bosque da Paz, em Jerusalém, ao sul da área do Templo. Os escritores “procuradores de emoção” afirmam, contudo, que os patriarcas são mitos, que Davi foi um insignificante chefe de tribo, isto se ele realmente existiu, que Jesus casou com Maria Madalena, ou que Deus predisse o assassinato do premier Israelita Isaac Rabin através de um enigmático código da Bíblia (não há nada sobre isto), e a imprensa faz a cobertura solidariamente e na sua inteireza. De forma alguma isto é justo, ético ou mesmo lógico. Também não está sozinha a imprensa nesta decepção. Estudiosos e pseudo-estudiosos bíblicos revisionistas radicais, como os membros do Seminário Jesus, são bem conscientes desta triste fórmula sensasionalista para o sucesso e a exploram regularmente. Isto pode, admitidamente, estar impugnando o motivo de alguns naquela categoria em que são conduzidos ao invés por um desejo de ser meramente politicamente correto quando estiver com estudiosos bíblicos; isto é, ser ultracrítico de qualquer coisa bíblica. Nesta conexão, infelizmente, historiadores seculares do mundo antigo freqüentemente tem uma maior opinião de confiança das origens bíblicas do que os próprios estudiosos bíblicos!

Tomando o cuidado para que esta crítica seja escrita sem o palavreado sem significado de alguns mesquinhos conservadores, eu devo afirmar que, realmente, ela representa a visão majoritária do conhecimento bíblico hoje. O arqueólogo da Universidade do Arizona, William Dever, por exemplo, é bem conhecido por sua objeção ao termo arqueologia bíblica, uma vez que parece transmitir um preconceito pró-bíblico; até o momento, ele ataca algumas das não-comprovadas conclusões dos minimalistas bíblicos em uma enérgica manifestação em um artigo da BAR, “Salvem-nos da estupidez pós-modernistas”. Ele não poupa palavras para os minimalistas no seu livro, “O que os escritores bíblicos sabem e quando eles souberam?”, também. “Eu sugiro”, ele escreve, “que os revisionistas são niilistas não somente no sentido histórico, mas também no sentido filosófico e moral”.
A revista BAR, a qual provê a arena literária para as batalhas tradicionais X minimalistas e tenta manter-se neutra durante o processo, semelhantemente constata que o artigo da Harpers é unilateral em um debate que é muito quente.

Em nenhuma parte (o autor) tenta avaliar os méritos do outro lado. De fato, ele não dá nenhuma indicação que ele esteja ciente da existência do outro lado.
Deixemos o debate continuar, mas todas as evidências serão admitidas. Desde que a ciência arqueológica começou, há um século e meio, o padrão consistente tem sido este: as fortes evidências da terra fazer brotar o registro bíblico vez após vez, vez após vez. A Bíblia não tem medo da pá!
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 5 0

Código de Hamurabi
A EVIDÊNCIA REAL

Os achados arqueológicos que contradizem as discussões de minimalistas bíblicos e outros revisionistas foram mencionadas anteriormente. Há muitas mais, contudo, que corroboram com a evidência bíblica, e a seguinte lista provê somente as descobertas mais importantes:

Uma história de dilúvio em comum

Não somente os hebreus (Gn. 68), mas mesopotâmios, egípcios e gregos reportaram um dilúvio em tempos remotos. Uma lista de reis sumérios de 2100 a.C. divide-se em duas categorias: aqueles reis que governaram antes do grande dilúvio e aqueles que reinaram após ele. Um dos exemplos mais recentes da literatura Sumero-Acadio-Babilônica, o épico Gilgamesh, descreve uma grande inundação enviada como punição pelos deuses, com a humanidade salva somente quando o piedoso Utnapishtim (o mesopotâmico Noé) construiu um barco e salvou os animais da Terra lá. Uma contrapartida grega, a história de Deucalião e Pirra, conta que um casal que sobreviveu a uma grande enchente enviada pelo irado Zeus. Eles se refugiaram no topo do monte Parnassus (grego de Ararat), e supostamente repovoaram a Terra deslocando pedras escondidas que se transformaram em seres humanos.

O código de Hamurabi

Este monolito, descoberto em Susan e atualmente localizado no Museu do Louvre, contém encravadas 282 leis do rei babilônico Hamurabi (1750 a.C). A base comum para este código de leis é a Lei do Talião, mostrando que havia uma lei semítica comum de retribuição no antigo oriente, a qual é claramente refletida no Pentateuco. Êxodo 21:23-25, por exemplo, diz: “Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.”

Tábuas de Nuzi

As cerca de 20000 tábuas de argila descobertas nas ruínas de Nuzi, leste do Rio Tigre e datado em 1500 a.C., revela instituições, práticas, e costumes extraordinariamente congruentes com aqueles de Gênesis. Estas tábuas incluem festas, acordos de casamento, regras a respeito de herança, adoção e assim por diante.

A existência dos hititas

Gênesis 23 relata que Abraão enterrou Sara em uma caverna em Macpela, a qual foi comprada de Efrom, o hitita. II Samuel 11 conta do adultério de Davi com Batseba, a esposa de Urias, o hitita. Há um século atrás os hititas eram desconhecidos fora do Antigo Testamento, e os críticos afirmam que eles eram uma invenção de imaginação bíblica. Em 1906, contudo, escavações arqueológicas ao leste de Ankara, Turquia, descobriram as ruínas de Hattusas, a antiga capital hitita que hoje é chamada de Boghazkoy, bem como sua vasta coleção de registros históricos, os quais mostraram um império próspero na metade do segundo milênio antes de Cristo. Esta disputa crítica, entre muitas outras, foi imediatamente demonstrada sem valor, um padrão que se repetiria freqüentemente nas próximas décadas.

Estela de Merenpta

Uma placa lavrada com hieróglifos, também chamada de Estela de Israel, vangloria-se das conquistas dos faraós egípcios sobre os líbios e outros povos da Palestina, incluindo os israelitas: “a semente de Israel já não existe”. Esta é a referência mais recente a Israel em fontes não-bíblicas e demonstra que, a partir de 1230 a.C., os hebreus já habitavam a Terra Prometida.

Cidades bíblicas atestadas arqueologicamente

Em adição à Jericó, lugares com Haran, Hazor, Dã, Megido, Siquém, Samaria, Siló, Gezer, Gibeá, Beth-Semes, Beth-Shean, Berseba, Láquis, e muitas outras cidades urbanas foram escavadas, completamente à parte dos maiores e mais óbvias locações como Jerusalém ou Babilônia. Tais marcos geográficos são extremamente significantes em demonstrar que fatos, não fantasias, permeiam as narrativas históricas do Antigo Testamento; de outra forma, a especificidade relativa a estes lugares urbanos poderia ser substituída por narrativas “Era uma vez...” com somente nebulosos parâmetros geográficos, ou talvez nenhum.
Inimigos israelitas na Bíblia hebraica do mesmo modo não são inventados, mas historicamente sólidos. Entre os mais perigosos deles estavam os filisteus, o povo de quem a Palestina herdou o nome. Sua mais recente representação está no Templo de Ramsés III em Tebas, cerca de 1150 a.C., como povo do mar que invadiu a área do Delta e mais tarde a costa de Canaã. A Pentápolis (cinco cidades) que eles estabeleceram, nomeadas como Asquelon, Asdod, Gaza, Gate e Ecron foram escavadas, pelo menos em parte, e algumas cidades restantes até estes dias. Tais evidências precisas conta favoravelmente quando comparada com os lugares geográficos afirmados nos livros sagrados de outros sistemas religiosos, os quais geralmente não tem nenhuma base na realidade.

Invasão de Judá por Sisaque

I Reis 14 e II Crônicas 12 fala da conquista de Judá pelo Faraó Sisaque no quinto ano do reino de Roboão, o desmiolado filho de Salomão, e como o Templo de Salomão em Jerusalém foi saqueado dos seus tesouros naquela ocasião. A vitória foi comemorada também em paredes com hieróglifos esculpidos no Templo de Amon em Tebas.

A pedra moabita

II Reis 3 reporta que Mesa, rei de Moabe, se rebelou contra o Rei de Israel em seguida à morte de Acabe. Uma placa de pedra, também chamada de Estela Mesa, confirma a revolta por afirmar o triunfo sobre a família de Acabe, cerca de 850 a.C., e que Israel pereceu para sempre.

O obelisco de Shalmaneser III

Em 2 Reis 9 e 10, Jeú é mencionado como Rei de Israel (841-814 a.C). Que o crescente poder da Assíria já estava prejudicando os reis do norte antecedendo a sua última conquista em 722 a.C. é demonstrado por um obelisco preto descoberto nas ruínas do palácio de Ninrod em 1846. Nele, Jeú é mostrado ajoelhado perante Shalmaneser III e oferecendo tributo ao rei da Assíria, a única assistência que nós temos para datar a monarquia hebraica.

Lápide mortuária do Rei Uzias

De Judá, o Rei Uzias governou de 792 a 740 a.C., um contemporâneo de Amós, Oséias e Isaías. Como Salomão, ele começou bem e terminou mal. Em II Crônicas 26 seu pecado está registrado, o qual resultou em ser afetado com lepra mais tarde. Quando Uzias morreu, ele foi enterrado num cemitério que pertenceu aos reis. Sua lápide foi descoberta no Monte das Oliveiras, e diz: “Aqui, os ossos de Uzias, Rei de Judá, foram trazidos. Não abra”.

Inscrição no Túnel de Siloé de Ezequias

O Rei Ezequias de Judá governou de 721 a 686 a.C. Assustado com o cerco feito pelo rei assírio, Senaqueribe, Ezequias preservou o suprimento de água de Jerusalém cavando um túnel com cerca de 533 metros através da rocha sólida desde a fonte de Giom até o reservatório de Siloé, dentro dos muros da cidade (II Reis 20, II Crônicas 32). Ao final do túnel de Siloé, uma inscrição, atualmente em exposição no Museu Arquológico de Istambul, Turquia, celebra a marcante realização. O túnel é, provavelmente, o único lugar bíblico que não alterou sua aparência nos últimos 2700 anos.

Prisma de Senaqueribe

Após ter conquistado 10 tribos no norte de Israel, os assírios marcharam para o sul para fazer o mesmo com Judá (II Reis 18;19). O profeta Isaías, entretanto, avisou Ezequias que Deus iria proteger Judá e Jerusalém contra Senaqueribe (II Crônicas 32; Isaías 36;37). Os registros assírios virtualmente confirmam isto. Inscrições cuneiformes em um prisma hexagonal feito de barro encontrado na capital assíria Nínive descreve a invasão de Senaqueribe em Judá em 701 a.C. no qual declara que o rei assírio cercou Ezequias em Jerusalém como em uma gaiola de pássaros. Semelhante o registro bíblico, contudo, ele não afirma que conquistou Jerusalém, cujo prisma poderia ter sido feito se fosse este o caso. Os assírios, realmente, deixaram de lado Jerusalém no seu caminho para o Egito, e a cidade não caiu até o tempo de Nabucodonozor e os neo-babilônios em 586 a.C. Senaqueribe retornou para Nínive onde seus próprios filhos o assassinaram.

O Cilindro de Ciro, o grande

II Crônicas 36:23 e Esdras 1 reportam que Ciro o grande da Pérsia, após conquistar Babilônia, permitiu que Judeus no cativeiro babilônico retornassem para sua terra natal. Isaías tinha profetizado isto (Isaías 44:28). Esta política de tolerância do fundador do Império Persa nasceu pela descoberta de um cilindro de barro encontrado na Babilônia da época de sua conquista, 539 a.C., o qual reporta a vitória de Ciro e sua subseqüente política de permitir aos cativos babilônicos retornar para suas casas e reconstruir seus templos.

***

E assim vai. Esta lista de correlações entre os textos do Antigo Testamento e as sólidas evidências arqueológicas do oriente poderia facilmente ser triplicada em tamanho. Quando vem para as eras intertestamental e nova-testamental, como poderíamos esperar, a agulha do medidor das correlações positivas simplesmente ultrapassa a escala.
Para usar termos, tais como falso testemunho para a Bíblia Hebraica, e vaporizar suas personalidades mais recentes em inexistência, consequentemente, não há nenhuma justificativa, qualquer que seja, nos termos das massas de evidência histórica, arqueológica e geográfica que se correlacionam tão admiravelmente com as escrituras.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 4 3



Metodologia Errada


Nos processos como os anteriormente descritos, os erros no conteúdo, procedimento e até mesmo de lógica empregados pelos revisionistas são aparentes e podem ser listados como se segue:


1. Abuso no uso de argumentos do silêncio ou ausência de evidência arqueológica. Tais argumentos têm freqüentemente rendido debates pelas subseqüentes descobertas que providenciam as tais evidências faltantes.

2. Assumir que a Arqueologia pode nos dizer mais do que é justificado pelo que é encontrado, porque é necessário também ser suplementado por dados relevantes tanto da história secular quanto da sacra.

3. Assumir que a Arqueologia é não-passional e objetiva, quando, na verdade, alguns escavadores são completamente o oposto; infelizmente, recentes pressões políticas têm, também, atingido a disciplina.

4. Assumir que há concordância entre os arqueólogos quando à grade de tempo envolvendo estratos descobertos e os artefatos lá encontrados. De fato, suas interpretações das evidências escavadas diferem grandemente.

5. Sugerir que o revisionismo crítico representa a mais recente e melhor pesquisa arqueológica e acadêmica sobre as origens bíblicas atualmente. Para ser mais racionalmente verdadeiro, recentes tópicos de jornais tais como o BAR e a Bible and Spade estão bem preparados contra o criticismo da posição minimalista, e o debate entre as visões tradicional e radical entre os estudiosos bíblicos continua com furor.

6. Fechar os olhos para relatórios, como Lazares e Harpers, que são tão desesperadoramente unilaterais que influenciam de forma gritante cada parágrafo.

7. Optar pelas sensações ao invés da razão, como é o caso com extremistas em qualquer assunto.

8. Usar os resultados muito seletivamente ao invés de atentar para todas as evidências. Falha em avaliar evidências no outro lado ou até mesmo representar falsamente pela força, não pela verdade.


Isto não é afirmar que não há nenhum problema no registro do Antigo Testamento; mesmo tradicionalistas admitirão que certamente haja. Nós podemos todo afetuosamente desejar que o autor de Gênesis tivesse dado os nomes de mais associações contemporâneas de Abraão para que a era patriarcal pudesse ser datada com mais precisão; e porque, oh, porque nós não temos os nomes reais dos reis egípcios envolvidos na opressão e êxodo ao invés de somente o seu título genérico, faraó? Mais tarde, o Antigo Testamento claramente nos dá os nomes próprios de faraós tais como Sisaque (920 a.C., I Reis 14:25) e Neco (600 a.C., II Reis 23:29). Tivessem aparecido estes nomes individuais no Êxodo, nós teríamos poupado centenas de tomos e milhares de artigos debatendo sua identidade. Nós todos anelamos, além do mais, muitíssimo mais detalhes específicos sobre os hebreus no período pré-1000 a.C. e poderia provavelmente sacrificar vários capítulos da lei cerimonial judaica no Levítico e em Deuteronômio em troca destas descrições.

Talvez, penso, nós podemos questionar muitos dos antigos escritos sagrados. Nenhuma religião ou cultura na terra tem, de fato, mais especificidade em seus antigos registros históricos do que a Torá, e é sempre o caso que registros recentes de quaisquer povos serão mais “distorcido” e comprimido do que os mais antigos. Nós certamente vemos no Antigo e no Novo Testamento, não uma progressiva historicidade no sentido que os registros mais recentes não são históricos e os registros antigos são como os revisionistas radicais afirmam, mas antes uma especificidade histórica progressiva.
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sábado, 27 de setembro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 3 0


FALSAS AFIRMAÇÕES

Abraão é um mito?
Críticos recentes, de 1800, negavam a existência da cidade natal de Abraão, Ur dos Caldeus (Gn 11:31). Isto continuou até que escavações sistemáticas de Sir Leonard Woolleys, de 1922 a 1934, descobriram o imenso zigutato ou torre do templo em Ur perto do monte do Eufrates, na Mesopotâmia. O nome Abraão aparece nos registros mesopotâmicos, e as várias nacionalidades que os patriarcas encontraram, como registrado em Gênesis, são totalmente consistentes com as pessoas conhecidas naquele tempo e lugar. Outros detalhes no registro bíblico referentes à Abraão, tais como os pactos feitos com os governantes vizinhos e até mesmo o preço dos escravos, combina bem com o que sabemos em outras partes na história do oriente antigo.

Não houve migração da Mesopotâmia?


Tribos semíticas da época estavam continuadamente se movendo pra dentro e fora da Mesopotâmia. De fato, Abraão registrou sua viagem à Terra Prometida ao longo do vale do Eufrates até Haram, ao sul da Turquia, os quais foram também identificados e escavados, e, portanto, a descida através da Síria até Canaã é geograficamente acurada. Usar a rota do ‘Crescente Fértil’ era a única forma de viajar com sucesso da Mesopotâmia até o Mediterrâneo naqueles dias.

E os patriarcas?

Nada no registro de Gênesis contradiz a forma nômade de viver, repleta de multidões e de rebanhos, que eram característicos na vida do século 18 e 19 a.C. As concordâncias e pactos da época, tais como encontrar uma noiva para membros da mesma tribo e outros detalhes, são bem conhecidos em outros lugares do antigo oriente. Argumentar que os patriarcas não existiram porque seus nomes não foram encontrados arqueologicamente é meramente um argumento baseado no silêncio, uma fraca forma de argumentação que pode ser usada. Para os historiadores mais esclarecidos, ausência de evidência não é necessariamente evidência de ausência.

Não houve permanência israelita no Egito ou êxodo de lá?

Críticos fazem muito mais do que supor fatos de que não há nenhuma menção dos Hebreus em inscrições hierocligráficas, nenhuma menção de Moisés, e nenhum registro de uma movimentação de população em massa como afirmada no registro bíblico do êxodo do Egito. Este fato é questionável. A famosa placa de pedra de Israel (uma pedra ou tábua com inscrições) do faraó Merenptah (descrita mais completamente abaixo) declara, Israel não é descendência deles. Além disso, mesmo se não houvesse nenhuma menção qualquer dos hebreus nos registros egípcios, isto também não provaria nada, especialmente na visão da bem conhecida propensão egípcia de nunca registrar contratempos ou derrotas ou nada que embarace a majestade da monarquia corrente. Poderia qualquer faraó ter delineado as seguintes palavras em seu monumento: “Sob minha administração, uma grande multidão de escravos hebreus escapou com sucesso para o deserto do Sinai quando nós tentamos impedi-los”?
Os egípcios antigos, de fato, transformaram alguns de seus contratempos em vitórias. Um dos mais imponentes monumentos no Egito consiste de quadro bem colocados colossos de Ramsés II contemplando o rio Nilo (agora, o lago Nasser) em Abu-Simbel. Ramsés erigiu o colosso para intimidar os etíopes para o sul, que tinham corretamente ouvido que ele abertamente fugiu com sua esposa da batalha de Kadesh contra os hititas, e então eles tiveram a oportunidade de invadir pelo Egito. A história contada nas paredes de dentro do monumento, contudo, é que foi uma maravilhosa vitória egípcia!

Moisés não existiu?

O real nome Moisés é egípcio, como indícios dos nomes faraônicos tais como Thut-mose e Ra-mses. A vida ambiente como descrita no Gênesis e Êxodo é completamente consonante com o que nós conhecemos do antigo Egito no período dos hicsos e dos impérios: a comida, as festas, as rotinas cotidianas, costumes, os nomes dos lugares, as divindades locais e outros equivalentes são familiares em ambas as literaturas, hebraica e egípcia.

Não houve êxodo?

É verdadeiro que poucos vestígios dos acampamentos e artefatos da época do êxodo foram descobertas arqueologicamente no Sinai, mas uma migração tribal e nômade dificilmente deixaria para trás fundações permanentes de pedra de construções na sua rota. Dificilmente qualquer arqueólogo tomaria lugar no Sinai, e se isto mudasse, evidências da migração poderiam muito bem ser descobertas. Novamente, deve-se ter cuidado com o argumento do silêncio.

Josué não conquistou Canaã?

A Batalha de Jericó continua sendo disputada! Quando Dame Kathleen Kenyon escavou Jericó na década de 1950, ela afirmou não ter encontrado qualquer ruína de paredes ou mesmo qualquer evidência de vida civilizada em Jericó durante a época da invasão de Josué, nada para ser conquistado por ele. Ela, ao invés disto, encontrou uma Jericó recente e pesadamente fortificada que em 1550 a.C. foi objeto de uma violenta conquista com paredes caídas e uma espessa camada de cinzas, indicando destruição por fogo. Que, na visão dela, foi antes de Josué e da chegada dos israelitas. Os críticos imediatamente aproveitaram a interpretação dela como uma sólida evidência que a conquista de Jericó por Josué deve ter sido folclore.
O arqueólogo Bryant G. Wood, entretanto, editor da Bible and Spade, percebeu que Kenyon datou mal as suas descobertas e que a destruição de Jericó realmente teve lugar em 1400 a.C. quando Josué estava em cena, de acordo com as mais recentes datações (1400 a 1200 a.C.) da invasão israelita. Em um brilhante artigo de 1990 em BAR, Wood baseou sua cronologia na estatigrafia, tipos de cerâmica, datações com carbono 14, e outras evidências, incluindo ruínas de paredes, para mostrar uma surpreendente confirmação arqueológica do detalhamento bíblico registrado em Juízes, capítulo 6 e seguintes.

Os Reis Davi e Salomão são históricos ou apenas mitos?

Os críticos novamente confiam muito no argumento do silêncio ou da ausência. Eles contendem que para toda a grandeza e majestade dos reinos de Davi e Salomão, algumas das taças de ouro e outros itens luxuosos dos seus palácios deveriam ter vindo à luz nas escavações, mas não vieram. Lazzare acusa, ainda nenhuma taça, nenhuma peça, foi encontrada para indicar que tal reino existiu. Se Davi e Salomão foram importantes agentes poderosos regionais, uma poderosa racionalidade espera que os nomes deles apareçam em monumentos e na correspondência diplomática da época. Até o momento, mais uma vez o registro silencia.
Esta argumentação, contudo, é desesperadamente falha, por causa de um simples fato: Jerusalém foi destruída e reconstruída em torno de 15 a 20 vezes desde os dias de Davi e Salomão, e cada conquista teve suas taxas em artefatos valiosos. O que, além do mais, Belsazar usou como utensílios para suas famosas festas na Babilônia (Dn. 5.23)? Copos de ouro e de prata que Nabucodonosor havia pilhado do Templo em Jerusalém!
Já o nome de Davi, o registro não é nenhum um pouco silencioso. Em 1993, o arqueólogo Avraham Biran, cavando em Tel Dan, no norte de Israel, descobriu um monólito de vitória em três grossas pedras nas quais o nome de Davi está inscrito, a primeira evidência arqueológica a Davi fora do Antigo Testamento. A inscrição Aramaica contém uma ostentação por o rei de Damasco (provavelmente Hazael) ter derrotado pelo rei de Israel (provavelmente Jorão, filho de Acabe) e o rei da casa de Davi (provavelmente Acazias, filho de Jeorão, 842 a.C.).
Esta descoberta sozinha deveria ter calado as afirmações minimalistas de que não houve nenhum Davi, mas nunca devemos subestimar a inflexibilidade de mentes bloqueadas atualmente no revisionismo. Eles ainda tentam desesperadamente retraduzir a mensagem nas pedras ou afirmar que o nome de Davi é uma falsificação compondo outra!

O rei Acabe de Israel como o principal construtor do Templo de Jerusalém ao invés de Davi e Salomão?

Esta é a conclusão favorita do arqueólogo Finkelstein, mas sua grade de tempo arqueológico defere dos modelos padrões em torno de 150 anos, a qual é, não surpreendentemente, precisamente a diferença entre Davi em 100 a.C. e Acabe, em 850 a.C.
Um que é, também, igualmente chocante pelo silêncio repentino dos críticos revisionistas é relativo ao registro do tempo do Rei Ezequias (700 a.C). Neste ponto, evidentemente, o Antigo Testamento instantaneamente traz mais história para eles. Esta concessão, naturalmente, é forçada por eles por causa do predominante número de correlações da arqueologia, registros das nações vizinhas, e a história em geral que corrobora completamente a evidência bíblica. Os assírios não conquistaram um norte israelita mítico em 722 a.C., nem Nabucodonosor deportou para o cativeiro babilônico um bando de judeus lendários, folclóricos que nunca existiu. Nós deixamos para os críticos explicar como fatos repentinamente aparecem da suposta fantasia do Antigo Testamento.
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Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 2 0


AGRESSÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

O novo criticismo do registro bíblico é corrosivo e categórico do começo ao fim. Afirma, por exemplo, que não há nenhuma evidência que pessoas como Abraão viveram ou poderiam ter vivido na nova versão das origens israelitas antigas. Não houve migração da Mesopotâmia para qualquer Terra Prometida. Histórias sobre os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, argumenta, foram grosseiramente “costurados” com vários pedaços de tradições locais. Moisés não foi mais historicamente real do que Abraão, por não ter havido nenhuma estadia israelita no Egito e o êxodo ter sido uma ficção; nenhum Josué conquistou a Terra Prometida, uma vez que os antigos israelitas foram uma cultura indígena que já habitava naquelas terras.

E os monarcas Saul, Davi e Salomão e seus impérios regionais? Certamente eles são históricos, não são? Não. De acordo com este revisionismo, sacerdotes de Jerusalém nos séculos 70 e 80 a.C. provavelmente os inventaram. Nas palavras de Lazare, se Davi foi histórico, ele foi
Não um poderoso potentado cujo poder era reconhecido do Nilo ao Eufrates, mas antes um “pirata” que de destacou, que foi quando muito um pequeno duque nas montanhas do sul ao redor de Jerusalém e Hebrom. Entretanto, a principal discordância entre os estudiosos hoje em dia é entre aquele que sustenta que Davi foi um insignificante chefe de tribo cujos territórios se estenderam não mais que umas poucas milhas em qualquer direção e um pequeno, mas barulhento, grupo de minimalistas bíblicos que ele dizem que ele nem mesmo existiu.
Nunca houve uma monarquia hebraica nesta visão extremista e, de acordo com Finkelstein, as realizações arquitetônicas de Davi e Salomão deveriam ser mais propriamente imputadas ao Rei Acabe, de Israel. Quanto às crenças religiosas, o judaísmo monoteísta teve um desenvolvimento tardio novamente, em contraste à evidência bíblica quando também as histórias heróicas dos patriarcas e juízes foram hábeis em mostrar que Israel se apropriou da terra pelo ritual da conquista. Provavelmente não até que nós alcancemos o Rei Ezequias no século VIII a.C. faremos as críticas extremas darem início a conceder historicidade para as narrativas no Antigo Testamento.
Este ataque às escrituras do Antigo Testamento é de uma variedade emplumada e não-barrável. Tais visões extremistas convidam à dispensa deste ataque como o trabalho de uma estrutura de quase-estudiosos experimentalistas aos quais o revisionismo radical já garante atenção na mídia. Esta é uma trilha bem conhecida, depois de tudo, por membros do então chamado Seminário Jesus e suas notórias deliberações se Jesus disse ou não algo que pode ser creditado a Ele nos evangelhos. Os minimalistas bíblicos mais radicais certamente se engajaram no sensacionalismo, mas o balanço de tais estudiosos baseia seus casos já completamente no que eles consideram ser a ausência de evidência arqueológica que corrobora materialmente nas recentes eras do Antigo Testamento. Por causa de que suas argumentações são supostamente baseadas no conhecimento acadêmico, nós devemos examinar suas alegações mais de perto.
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Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - Parte 1 0

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - Parte 1 [Foto: Escavações da cidade de Jericó]

Por Paul L. Maier

Traduzido por Leandro Teixeira. O artigo original pode ser encontrado aqui.

Obs.: Este é um artigo bastante extenso; portanto, estarei dividindo-o em partes para melhor leitura.

SINOPSE

É geralmente assumido que as escavações arqueológicas no oriente normalmente confirmam o registro bíblico. Em anos recentes, entretanto, muitos grupos de revisionistas radicais tem afirmado exatamente o oposto: escavações em Israel e proximidades mostram que a história antiga dos Hebreus é muito diferente do que é afirmado no Pentateuco e no resto no Antigo Testamento. Alguns dos críticos mais extremos, conhecidos como minimalistas bíblicos, negam até mesmo a historicidade de Abraão e dos patriarcas, a permanência dos israelitas no Egito, o Êxodo e a conquista da Terra Prometida feita por Josué. Eles, além disto, questionam se Davi e Salomão realmente existiram, ou pelo menos como os poderosos soberanos descritos no Antigo Testamento.

Escavações arqueológicas de 150 anos pra cá, contudo, produziram resultados mais do que suficientes para demonstrar que tais revisionistas estavam enormemente ultrapassados e sensacionalistas. O produto de tal metodologia inferior, de fato, confia muito nos argumentos do silêncio ou ausência. Vez por vez, o que foi encontrado na terra tem se entrosado notavelmente bem com o que é afirmado no Antigo Testamento, e a verdade não é servida quando revisionistas radicais ignoram ou mal-interpretam evidências irrefutáveis. Elas afirmam que eles atualmente se encontram na vanguarda da pesquisa bíblica, porém completamente oposto é o caso, e muitos, se não a maioria, arqueólogos mais rígidos e estudiosos da Bíblia rejeitam suas conclusões extremistas. A pá continua sendo melhor amiga da Bíblia.
Organizações cristãs freqüentemente investiam nas recentes escavações no oriente, e um retrato de arqueólogos cheios de fé marchando para suas escavações com a Bíblia em uma mão e a uma pá na outra era completamente familiar. Grandes arqueólogos, como William Foxwell Albrigth virtualmente inventaram a disciplina chamada Arqueologia Bíblica, então asseveravam eles que aquelas pedras, de fato, exclamavam a verdade das escrituras.
Uma série de impressionantes descobertas arqueológicas que confirmaram lugares, personalidades e eventos no Antigo e no Novo Testamento somente confirmam a impressão geral que os registros bíblicos são historicamente confiáveis. Publicações como Biblical Archaeology Review (BAR) e Bible and Spade implicam em mais do que seus títulos.
Na última década, porém, uma forte contra-corrente foi desenvolvida entre alguns estudiosos do oriente que afirmam completamente o oposto. Um grupo, freqüentemente nomeado como minimalistas bíblicos, vê poucas ou nenhumas correlações entre a evidência bíblica e arqueológica e não há nenhuma história confiável na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). Os principais porta-vozes dos minimalistas são Thomas L. Thompson e Niels P. Lemche da Universidade de Copenhagem, Dinamarca, com colegas simpatizantes pós-modernistas do oriente e ocidente.
Em 2201, Israel Finkelsen, um arqueólogo revisionista com visão similar, em companhia de Neal A. Silberman, escreveu um extenso livro: The Bible Unearthed: Archaeologys New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts (A Bíblia Revelada: Nova Visão Arqueológica do Israel Antigo e a Origem dos seus Textos Sagrados). Esta nova visão controverteu a tradicional visão cristã e judaica da confiabilidade da Bíblia Hebraica e como ela se formou. Um mais popular detalhamento da sua visão foi um muito discutido artigo escrito por Daniel Lazare em 1º de março de 2002, entitulada Harpers. Unilateral, ácida e tendenciosa ao extremo, o artigo segue um título sensacionalista que diz tudo: Falso Testamento: arqueólogos refutam as afirmações bíblicas históricas. Harpers tem uma imponente história que remonta à época de Abraham Lincoln, para dar credibilidade ao seu conteúdo. Como resultado, muitos dos leitores cristãos e judeus mais conservadores estão agora alarmados que muitas dos fundamentos da sua fé foram questionadas, e esta crise de fé foi exarcebada por uma Torahe um comentário (Etaz Hayim) recentemente publicados pela United States Synagogue of Conservative Judaism, que incorporou estas visões revisionistas.
Este (não-sensacionalista) artigo examinará as afirmações feitas por Lazare e outros críticos revisionistas, ponderando contra os resultados arqueológicos bíblicos e estudiosos atualmente em voga, e então descrever como eles são decisivamente insuficientes em substância e metodologia.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Deus, moralidade e o mal – parte 5 1


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira

Debate Craig-Nielsen:

Segunda Refutação do Dr.Craig



Argumento moral

Falemos novamente sobre se valores objetivos existem se Deus não existir. Eu não penso que Professor Nielsen respondeu minhas respostas adequadamente.

Eu sugeri primeiro que a distinção "propósito de vida / propósito em vida" não provê base alguma para determinar o valor moral do propósito em vida que nós escolhemos. Fica puramente arbitrário. E eu não vi nenhuma resposta àquele ponto.

Eu então disse que conduz ao relativismo moral e dei os exemplos de extraterrestres e estupro. A resposta dele é que nós só nos preocupamos com moralidade para seres humanos. Mas obviamente a ilustração dos extraterrestres é destinada a mostrar que isto é puramente relativo, que há nenhuma necessidade de uma afirmação objetiva de valor moral para seres humanos. Os extraterrestres simplesmente são uma hipótese para revelar aquele relativismo. Ele disse que se pudesse convencê-los de valores objetivos dizendo, " Você considera o ser humano" - e então ele se respondeu e disse, " Você considera degradação como uma coisa ruim?" Isso foi uma nota importante porque estes extraterrestres bem poderiam dizer, "Não, nós não consideramos a degradação humana ou o sofrimento como uma coisa ruim", não mais do que nós consideramos o sofrimento de mosquitos como uma coisa ruim. O ponto é que eu não posso ver qualquer base moral objetiva na qual estes extraterrestres devam estar interessados sobre como eles se comportam para os seres humanos. E Dr. Nielsen mais ou menos admite isto, então. Ele diz, "você não pode argumentar com eles. Você não pode provar isto a eles". E esse é exatamente o meu ponto. Não há nenhuma base objetiva para moralidade humana em uma visão de mundo ateísta. Eles não considerariam estupro como degradante, de forma que isto não ajudaria os convencer que degradação está errada porque no sistema moral deles não é degradante.

Dr. Nielsen diz, "Mas e sobre os mandamentos divinos?". E eu disse que estes estavam baseados na natureza de Deus. Ele não voltou naquele ponto.

Eu disse que ele confundiu a ordem de saber com a ordem de ser. Ele realmente não defende lá o ponto dele, mas ele diz, "eu tenho uma razão por que nós deveríamos ser morais". Ele diz, "é do nosso interesse ser moral." Eu realmente fui pego de surpresa por isto ter vindo dele. Este tipo de motivação puramente de interesse próprio para a moralidade é, penso eu, fatal à posição ateísta, porque para alguém que é suficientemente poderoso para não estar preocupado com o que os outros fazem, o interesse próprio só pode conduzir a um tipo de hedonismo auto-alimentado. Conduz ao tipo de vida de um Marcos, um Papa Doc Duvalier, um Mbbutu, e assim sucessivamente. Interesse próprio nunca poderá justificar uma moral de compaixão. E assim, eu penso que isso foi uma admissão fatal da parte do Dr. para a visão de mundo ateísta.

Ele diz, "Mas se não houver nenhum Deus, sofrer não continua sendo mal?" Não, eu não vejo por que deveria. Por que sofrimento humano seria mais mal do que qualquer sofrimento de ratos ou insetos é mal? Sem Deus como o padrão absoluto, eu não vejo que os valores humanos sejam diferentes do que estas outras adaptações biológicas.

Ele sugeriu que nós partimos de truísmos morais. Eu disse que você pode ter padrões diferentes, contraditórios, e eu não vi uma resposta a isso. Eu também disse que não há nenhuma razão para adotar o ponto de vista moral em qualquer condição, para o qual nós obtivemos esta fatal resposta do interesse próprio.

Deixe-me, além disto, só dizer que há um par de elementos da filosofia de Nielsen que é especialmente incompatível com o valor moral objetivo dos seres humanos. Primeiro seria o seu materialismo. Na visão do Dr. Nielsen, não há nenhuma distinção entre corpo e alma ou mente e corpo. Seres humanos não são essencialmente diferentes dos animais, de forma que não há nada neles além de substâncias químicas. Nós somos somente bolsas de água em esqueletos, em essência, - muito complexos, mas não há nada distinto do corpo material. Quando uma bomba destrói um ser humano, simplesmente rearranja os átomos que uma vez eram uma pequena menina.

Segundo, seria o determinismo de Nielsen. Derivando do seu materialismo está a sua negação do livre arbítrio. Porém, para ser moralmente significante, as escolhas têm que ser livres. Se nossas escolhas morais simplesmente são o resultado de estímulos que nós recebemos pelos cinco sentidos, então nossas escolhas morais são de nenhuma forma mais significantes que o crescimento de um galho em uma árvore.

Por último, o seu nominalismo. Ele nega que haja qualquer objetivo, tipo de padrão Platônico de valores morais. Mas valores morais claramente não são coisas físicas; assim eu não vejo de onde no mundo ele obtém os valores morais objetivos na sua metafísica.

Assim, nessas três áreas - seu materialismo, seu determinismo e o seu nominalismo, parece-me que não há simplesmente nenhuma razão para pensar que sem Deus há valor moral objetivo.

Imortalidade

Lembre-se dos pontos sobre imortalidade da mesma forma. Eu disse que não há nenhuma razão para adotar o ponto de vista moral porque todos nós morremos e terminamos o mesmo modo. Secundariamente, não há nenhuma base para abnegação no ponto de vista ateísta, e ele não respondeu isto ainda.

O Problema do mal

Ele disse algumas coisas sobre o problema do mal. Deixe-me só responder a este - primeiro, com respeito ao problema probabilístico do mal. A pergunta aqui não é se Deus é misterioso. Isso foi um erro de interpretação. Meu ponto era que, por causa de nossas limitações em espaço e história, nós podemos não ver os propósitos de Deus emergindo em nossa vida. Então nós não estamos em uma boa posição para calcular as probabilidades de por que Ele permitiu certo mal. Mas eu não vejo nenhuma base na visão ateísta por pensar que é improvável que Deus pudesse ter razões moralmente suficientes para os males que acontecem.

Por que, então, tanto mal acontece? Novamente, eu escreveria isto fora do livre arbítrio humano. Como para o sofrimento animal, isto é provavelmente devido simplesmente às leis da natureza – leis geológicas e meteorológicas que Deus colocou em ação. Mas lembre-se que quando os humanos sofrerem estes tipos de desastres naturais, eles serão recompensados na vida após a morte.

Meu tempo acabou, mas eu não penso que o debate aqui esteja focalizando o problema do mal. Parece-me estar focalizando dentro da área de valores morais objetivos sem Deus. E eu não vejo nenhuma esperança em colocar uma base moral objetiva para a afirmação de valores humanos além do próprio Deus.


O artigo original, em inglês, pode ser acessado aqui.

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Deus, moralidade e o mal – parte 4 0


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira

Debate Craig-Nielsen:

A Primeira Refutação de Dr. Nielsen



Valores morais sem Deus

Dr. Craig diz que se você usar a metodologia lógica que eu uso (e muitos outros filósofos morais também o fazem) terminaria em relativismo moral. Eu penso que isso é completamente questionável. Pegue o caso do estupro. Ele diz, "Suponha que para alguns seres extraterrestres, o estupro seja louvado por eles como uma coisa desejável." Isso poderia ser possivel. Primeiro, eu quero dizer uma coisa: a moralidade com a qual nós estamos preocupados é a moralidade para seres humanos com certas naturezas. Como o filósofo legal H. L. A. Hart disse, se nós cultivássemos exoesqueletos, nosso conceito de dano mudaria. Eu só estou interessado em moralidade para seres humanos, como nós os reconhecemos ou poderiam se tornar.

Dr. Craig diz, "Suponha estes seres extraterrestres, com concepções bastante diferentes de nós, viessem interagir conosco. Nós consideramos estupro como mal. (Pelo menos é o que nós dizemos. Eu espero que sim.) Mas eles não. O que poderíamos dizer nós?" É um exemplo perfeito para um argumento lógico. Eu poderia dizer a eles (assumindo eles falam a mesma linguagem), "Olhe, você considera sofrimento como uma coisa ruim? Você considera degradação humana - degradação de pessoas tais como vocês e os humanos - como uma coisa ruim?" Se eles disserem assim, eu posso mostrar de forma razoavelmente fácil para eles que a convicção sobre o estupro ser desejável é uma convicção enganada usando a metodologia padrão que eu mostrei. Eu posso lhes dar uma razão muito boa, não somente uma razão subjetiva. Suponha que eles digam, "Nós não vemos nada errado com sofrer. Nós não vemos nada errado com a dor ou com a degradação humana." Se eles disserem isto, então, como disse Wittgenstein, eu não posso “achar meus pés" com tais pessoas. Seria como pessoas em ciência que dizem que não prestariam atenção a uma experiência corretamente conduzida. Se você realmente tem pessoas que dizem isto, não há nada que você possa dizer a eles. Mas isto seria igualmente verdade para o crente. Você tem as pessoas que estão fora completamente do jogo moral, como nós o entendemos. Não há modo de argumentar com eles. Mas porque não há nenhum modo de argumentar com tal extraterrestre se eles tivessem aquela concepção - eles nem mesmo tem uma concepção de moralidade (da mesma maneira que a pessoa que não tem uma concepção de ciência e não presta nenhuma atenção a uma experiência bem dirigida), então Craig poderia dizer, "O que eles realmente estão perguntando é 'Por que ser moral?' E você, Nielsen ou qualquer ateu não pode dar uma resposta para 'por que ser moral?'"

Hobbes deu uma resposta muito direta: se nós os seres humanos não somos morais (a maioria do tempo pelo menos), a vida seria "sórdida, bruta e curta". Só isso. Moralidade pode não pagar em toda instância por todo indivíduo; egoísmo e moralidade às vezes podem conflitar. Mas se as pessoas geralmente não forem morais, as suas vidas seriam completamente miseráveis. Não é a única razão por ser moral, mas é uma razão - uma razão extremamente poderosa. É completamente objetiva e não tem nada que ver com crer em Deus e nem descansa em tal concepção problemática na crença em Deus.

Craig diz, "Dr. Nielsen, você pensa de alguma maneira que os seres humanos são a única fonte de valor moral." Eu não sei o que é a fonte de valor moral. Eu sei que nós, os seres humanos, nos preocupamos com certas coisas; nós avaliamos certas coisas. Nós podemos dar sentido a esses valores.

Ele pergunta, "Por que você pensa que estupro é errado? Ou por que você pensa que, se houver alguma catástrofe no mundo, você deveria ajudar as pessoas?" Bem, a resposta parece ser muito simples. Nós nos preocupamos uns com os outros. Nós amamos uns aos outros. Como nós fazemos isto? Nós viemos a fazer, se tivermos sorte, por meio de nossos pais ou certos tipos de interação social com outros seres humanos.

Ele diz que eu confundo a ordem de saber com a ordem de ser. Eu penso que ele se obriga a algo repetidamente, tal como a falácia genética. Eu não me preocupo como nós chegamos a estas coisas. O ponto é que nós consideramos amor e preocupação como coisas que são intrinsecamente valiosas. Se a pessoa tenta provar este valor intrínseco, a pessoa fica em círculos. Não há como provar.

Outro modo de olhar para isto é este: se Deus não existe, sofrer não seria mau? Se você acredita em Deus, e suponha que você esteja enganado nesta convicção - se não há nenhum Deus, sofrer ainda é mau; a felicidade e a compreensão e solidariedade humana ainda são boas. Isto mostra que você pode saber estas coisas e estas são boas. Elas não ficam boas porque Deus é bom. Elas são boas em si mesmas. Nós podemos reconhecer que estas são boas. (Ou se você não gosta do verbo reconhecer porque ele é muito cognitivo, nós podemos apreciar que estas coisas são boas.) Nós podemos ser mais confiantes nisto do que em qualquer convicção religiosa enigmática que tivermos, que são inacreditavelmente problemáticas quando olharmos para o mundo (particularmente o mundo atual). Há consenso sobre estas concepções morais subjacentes. Há consenso muito pequeno sobre convicções religiosas se você olhar além das placas.

Há grandes dissensões entre os crentes religiosos. Muitos crentes religiosos, distintamente os Drs. Craig e Plantinga, pensam que é tolice até mesmo tentar provar a existência de Deus. Eles pensam que isso é um completo engano, embora eles acreditem em Deus. Alguns têm concepções diferentes de Deus. Há outras religiões diferentes do Cristianismo. Alguns, como eu mostrei para você, nem mesmo têm uma concepção de Deus. Há um montante enorme de dissensões sobre isto - e sem chão claro para definir que é certo e que é errado. Por outro lado, a classificação de "truísmos morais" e o modo nós podemos usá-los para definir regras morais é mais objetivo do que aquele.

O Problema do mal

Deixe-me voltar ao problema do mal porque eu realmente não falei sobre isto. Eu te falei que eu não vejo por que, se eu não tiver alguma razão para acreditar em Deus, eu não poderia conjurar alguma razão. Eu poderia finalmente usar o que Craig fez primeiramente. "Deus é misterioso. Os poderes dele estão além de nossos poderes. Como nós poderíamos compreender os modos de Deus agir? Assim nós aceitamos o mal e concluimos que 'Deus sabe a razão.'" Sim, você pode fazer isto se tiver alguma razão para crer. Mas se você não tem qualquer razão antecedente para crer e olhar para o mundo que nós vemos (uma observação que Hume fez há muito tempo), você nunca concluiria que este mundo foi feito pelo Deus cristão. Você pensaria que algum tipo de deus aprendiz imperfeito o fez, se qualquer um fizesse. Só é porque você tem alguma outra razão para acreditar em Deus que você poderia pensar, "O problema do mal não contesta a existência de Deus". Não se houver estas outras razões. Não também porque você sempre pode falar sobre mistério.

Uma coisa que eu vi nos argumentos positivos dele foi onde ele disse, "Um das coisas cruciais para nós é o valor do conhecimento de Deus." É dito freqüentemente que o que é tão incrivelmente importante sobre o conhecimento de Deus e o conhecimento da natureza dele é que isto nos conduz a uma crença em uma vida de felicidade eterna. Eu não vejo nada tão intrinsecamente valioso no conhecimento de Deus. É porque crer em Deus nos conduz a uma oportunidade de vida eterna que parece desejável, e isso nos devolve a felicidade ou algo muito parecido com felicidade.

Deixe-me colocar isto deste modo. Talvez Deus não pudesse ter evitado criar um mundo em qual haveria mal porque ele precisou nos permitir algum sentido de liberdade. (Isto foi declarado no segundo argumento.) Se nós não fôssemos livres, se nós não pudéssemos fazer o mal, então nos faltaria uma qualidade essencial do ser moral. Assim um Deus bom, todo poderoso, onisciente não poderia criar um mundo que fosse perfeitamente bom. Ele não poderia ter feito o homem perfeitamente bom. Isso assume que só um tipo de análise de livre arbítrio está correto e nenhuma análise compatível poderia ser aceita. Isto não é óbvio. Mas deixaremos assim. Até mesmo se Deus não nos pudesse ter feito seres perfeitos e ainda nos permitisse ser livres, por que ele nos fez como suínos? Nós realmente fazemos coisas perfeitamente terríveis neste mundo. Como isto é possível para um Deus que é todo poderoso, onisciente e bom? Por que tanto mal? Eu concedo que pudesse haver um pouco de mal, mas por que tanto? Então você recorreria à primeira observação – “Deus é totalmente misterioso”. Uma vez dito isto, você pode evitar todo o argumento: “Os caminhos dele não são os nossos caminhos". Você pode dizer isto, mas não vai me convencer ou qualquer pessoa que não acredita na existência de Deus.

Em segundo lugar, que falar sobre o sofrimento animal? O que dizer sobre o sofrimento de filhos deformados que não têm nenhuma capacidade para agir justamente ou injustamente? Eles sofrem inacreditavelmente. Animais sofrem inacreditavelmente neste mundo. Por que um Deus bom e todo poderoso permite isso? Além disso, por que Deus criou os seres humanos (ou o mundo) como um todo? Para adorá-lo? Isso parece uma razão bem egoista.


O artigo original, em inglês, pode ser acessado aqui.

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Deus, moralidade e o mal - parte 3 0


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira

Debate Craig-Nielsen:

Primeira Refutação de Dr.Craig

Em minha primeira fala, eu defendi três teses relativas ao problema do mal. Dr. Nielsen não se preocupou em discutir os dois primeiros ou, de certo modo, até mesmo o terceiro (que refere-se que a evidência total da existência de Deus é provável). Mas ele discute meu argumento moral para a existência de Deus.

Argumento moral

Eu discuti:

1. Se Deus não existir, então valores morais objetivos não existem.

2. Mal existe.

3. Então, valores morais objetivos existem.

4. Então, Deus existe.


Vejamos como ele discorda deste argumento e veja como rebato as objeções dele.

Primeiro, ele sugere que nós podemos dar sentido às nossas vidas moralmente até mesmo se nós não acreditarmos em Deus. Nós podemos ter um propósito na vida até mesmo se não houver nenhum propósito para a vida. Agora eu tenho duas respostas a isto.

Em primeiro lugar, eu nunca neguei que o senhor possa ter propósitos subjetivos na vida, mas o que eu estou discutindo é que não há nenhuma base objetiva para assumir o valor moral de seu propósito na vida em uma visão ateística. Todos os propósitos na vida que você escolhe são moralmente iguais - se você quer viver uma vida como um médico que se preocupa com os pobres ou escolhe, ao invés disto, ser um Ferdinand Marcos. Não há nenhuma base objetiva por avaliar o valor moral desses propósitos.

Professor J.P. Moreland, no seu debate com Dr. Nielsen intitulado “Deus Existe?”, colocou isto muito bem. Ele escreve,

A natureza radical da tese de Nielsen. . . é que se não há nenhuma verdade moral a ser descoberta e se eu tenho simplesmente que escolher o ponto de vista moral porque aquele tipo de vida é o que eu acho que vale a pena para mim, então a decisão é arbitrária, racionalmente falando. E a diferença entre, digamos, Madre Teresa e Hitler está aproximadamente igual à diferença entre tocador de trompete ou um jogador de beisebol. Há nenhum fator racional ou verdade no assunto em jogo.{9}

Em segundo lugar, isto conduz a um relativismo moral, como eu expliquei. Pense na prática hindu de queimar viúvas vivas. No sistema ético deles isto está certo. Em que base objetiva esta prática pode ser condenada como injustiça simplesmente porque nós não compartilhamos dela no Oeste democrático? Ou, para usar outro exemplo provido por Michael Ruse. Ele, em uma composição intitulada "Estupro é Errado em Andrômeda?", pergunta se estupro estaria errado ou não para uma raça inteligente em algum outro planeta. E ele diz, "Não necessariamente!" Ele escreve, "Nós não podemos assumir automaticamente que extraterrestres pensariam que estupro é imoral". Por quê?

Porque embora a imoralidade do estupro seja uma constante humana, nós não podemos assumir assim que seria uma constante para outros organismos incluindo organismos inteligentes extraterrestres. Certamente se nós olharmos em outro lugar no mundo animal, nós veremos que atos que se parecem muito com estupro acontecem em uma base regular. Além disso, há boas razões biológicas por que este tipo de comportamento freqüentemente acontece. Se um animal macho está preparado para tentar estuprar numa ocasião, então é mais provável para ele se reproduzir do que caso contrário {10}.


Agora isto levanta duas perguntas muito problemáticas:

(1) como este extraterrestre (que considera que o estupro é moral) deveria se comportar para nós? Suponha que eles são suficientemente semelhantes a mamíferos ao ponto de poder copular com fêmeas humanas; e suponha que eles vieram a terra e começaram a estuprar ao longo da terra. Se nós protestássemos, "Mas nós, os humanos, não pensamos que seja certo!" Eles responderiam, "Sua moralidade é um produto efêmero do processo evolutivo, da mesma maneira que são suas outras adaptações. Não tem nenhuma existência além disto e qualquer significado mais profundo é ilusório." Na realidade, suponha que estas criaturas eram tão superiores a nós como nós somos ao gado e aos cavalos, e eles decidiram cultivar a terra para nos usar como comida ou trabalhando como animais. O que você poderia dizer para mostrar que o que eles estão fazendo está moralmente errado? Eles têm o seu próprio sistema coerente de moralidade. Por que eles deveriam adotar o ponto de vista humano? Na visão ateística, eu não posso pensar em qualquer razão por que os seres humanos deveriam ser considerados como a fonte de todo o valor moral objetivo.

(2) o segundo que pergunta problemática que levanta é, "Por que eu não deveria estuprar se eu acho isto certo? Extraterrestres fazem isto. Animais fazem isto. É biologicamente vantajoso. Por que eu não deveria fazê-lo?” Na visão ateística, eu não posso ver nenhuma resposta a esta pergunta. Nós podemos ter sentimentos, como seres humanos, que estupro é errado, mas no ponto de vista do evolucionista moderno, este é simplesmente um mecanismo de adaptação biológica inculcado em nós por milhões de anos de evolução biológica e social. Não há nenhuma razão para considerar estes valores como absolutamente certos ou errados.

Desta forma, me parece que não é suficiente falar sobre haver estes truísmos morais, como o Dr. Nielsen faz. Ele diz, "Nós justificamos nossos truísmos morais os reunindo em um padrão coerente." Isso significa que você pega seus sentimentos morais - as intuições que você tem - e tenta colocá-los em um pacote que é internamente consistente, que faz sentido.

Mas há duas coisas erradas com isto. Primeiro, o que dizer sobre alguém que tem um pacote coerente de valores mutuamente exclusivos dos seus? Pense no extraterrestre ou nos hindus antes de colonização britânica. Você pode ter sistemas morais coerentes que são incompatíveis. Na visão dele, não há nenhum modo para julgar o que é certo ou errado. De fato, realmente não há nenhuma verdade sobre qual uma coisa é certa ou errada. E em segundo lugar, por que adotar um ponto de vista moral? Por que não simplesmente ser niilista e assumir, como Ruse e Mackie o fazem, que estes sentimentos morais que nós temos simplesmente são os produtos de evolução biológica e social? Assim Nielsen realmente não pode justificar as suas convicções morais. Ele tem estas intuições morais e eu disse em minha primeira fala que certamente sem Deus nós podemos construir sistemas de moralidade. Nós podemos reconhecer valores morais objetivos sem Deus. Mas o que nós não podemos fazer, eu penso, é afirmar consistentemente que os seres humanos retêm valor moral objetivo na ausência de Deus.

Agora Nielsen responde neste momento, "Mas veja, que base você, crente cristão, tem para afirmar valores morais objetivos? Se você diz que é há somente mandamentos divinos, isso é arbitrário." Eu não diria que está baseado em mandamentos divinos. Eu diria que está arraigado na natureza de Deus, o qual Platão chama de "o Bom." Está arraigado no caráter de Deus. Mas Dr. Nielsen diz, "Mas você ainda tem que julgar aquele Deus então é bom. Como você sabe que Deus é bom?" Aqui eu penso que ele está claramente confundindo a ordem de saber com a ordem de ser. Para reconhecer que Deus é bom, eu terei que ter um pouco de conhecimento anterior do que o bem é para ver que Deus é bom. Mas isso não afeta o fato que, na ordem de ser, os valores derivam a suas fontes de Deus. Ele está confudindo a ordem de saber com a ordem de ser. Simplesmente porque você pode reconhecer valores morais sem convicção em Deus, você não pode deduzir disto que valores morais objetivos podem existir sem Deus. Assim eu diria que nós temos intuições morais fundamentais. Na realidade, a Bíblia diz que Deus plantou estes no coração de toda pessoa humana de forma que nós intuitivamente reconhecemos valores morais objetivos. Estes valores são ontologicamente arraigados no ser e natureza do próprio Deus.

Imortalidade

Finalmente, ele toca no assunto da imortalidade e diz, "Morte não arruina os valores morais. Na realidade, as coisas que nós damos valor ficam mais preciosas ainda". Bem, em um sentido ele tem razão. É a ausência de Deus que arruina a objetividade de valores morais, não a morte. Mas suponhamos que haja valores morais objetivos. O que seria arruinado pela falta de imortalidade? Eu penso duas coisas.

Primeiro, eu penso que não haveria nenhuma razão para adotar o ponto de vista moral. Considerando que você vai morrer, todo o mundo termina da mesma forma. Não faz nenhuma diferença se você vive como um Hitler ou uma Madre Teresa. Não há nenhuma relação entre sua vida moral e seu último destino. E assim naquele sentido, a morte arruina a razão tanto para adotar o ponto de vista moral tanto para ser um egoísta e viver para seu ego.

Segundo, não há nenhuma base para abnegação neste ponto de vista. Por que deveria um ateu, que sabe que tudo vai terminar em morte, fazer coisas que são moralmente certas, indo contra o egoísmo? Por exemplo, alguns anos atrás houve um terrível desastre aéreo, durante o inverno, em Washington, DC, quando um avião colidiu com uma ponte que atravessa o Rio Potomac, jogando seus passageiros nas águas geladas. E como os helicópteros vieram salvar estas pessoas, a atenção focalizou-se em um homem que passava sua vez, várias e várias vezes, deixando a segurança dele. Sete vezes ele fez isto e quando eles vieram novamente, ele tinha sumindo. A nação inteira atentou para este homem, em respeito e admiração pelo ato nobre de abnegação que ele tomou. Mas na visão ateística, aquele homem não era nobre. Ele fez a coisa mais estúpida possível. Ele deveria ter ido primeiro pela escada de corda, repelindo os outros, se necessário para sobreviver! Mas renunciar toda a breve existência que ele teria por outros que nem mesmo conhecia? Por quê? Parece-me, então, que não simplesmente a ausência de Deus arruina valores morais objetivos, mas o viver eticamente também é arruinado pelo ponto de vista ateístico porque você não tem nenhuma razão para adotar o ponto de vista moral, e então não terá nenhuma base para atos de abnegação.

Por contraste, na visão cristã onde você tem Deus e imortalidade, há as pressuposições necessárias para a afirmação dos valores morais objetivos e para viver consistentemente uma vida ética.


Notas

{9} J. P. Moreland e Kai Nielsen, Deus existe? (Nashville: Thomas Nelson, 1991), pp. 117.

{10} Ruse, " Estupro é Errado em Andrômeda?" pp. 236-237.


Artigo original em inglês aqui.
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Deus, moralidade e o mal - parte 2 0


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira

Debate Craig-Nielsen:

Considerações Iniciais do Dr. Nielsen

Eu estou bastante desnorteado sobre como faremos isto. A forma que Dr. Craig define o problema sobre o qual nós vamos nos preocupar esta noite é muito diferente da forma que eu farei - e não porque eu sou um ateu e ele é um crente cristão, mas nós vemos o problema de perspectivas muito, muito diferentes, independentemente disso.

O Problema do mal

Dr. Craig, lendo meus escritos (me sinto honrado que ele os tenha em alta estima), poderia ter refletido no fato de que eu nunca discuti o problema do mal, ou, se eu faço, só incidentalmente. Eu não me lembro de ter discutido isto detalhadamente. E a razão por que eu não faço isto é porque, ao contrário de muitos ateus, e ao contrário do Dr. Craig, eu nunca pensei que o problema do mal seja o maior obstáculo para a crença em Deus. Eu penso que algumas das razões ou provas independentes para acreditar em Deus - ou por via de revelação ou aceitando certas coisas em fé - que Plantinga ou que algum outro trouxer (entretanto não estou particularmente convencido do tratamento do Dr. Craig acerca destes problemas), você pode se iludir acerca das premissas, modificando-as de uma maneira ou de outra. Como o grande lógico Quine diz, modificando certas premissas de uma grande inconsistência ou alegada inconsistência de certo modo, você normalmente pode evitar esta inconsistência.

Da Idade Média em diante, os teólogos cristãos acharam modos de dissolver ambos os problemas probabilísticos e lógicos do mal no mundo em vários graus de satisfação e não totalmente improváveis. Para mim, não há um problema da solução do mal. O mal, como disse Dr. Craig, está aí, inevitável, inescapável. A pergunta é como você o ataca, como você o minimiza, como você luta contra isto. Para o ateu, não há tal coisa como o problema do mal. Há somente mal no mundo, contra o qual nós lutamos eternamente, e só.

Valores morais sem Deus

O meu problema, e talvez aí seja onde nós começamos nos encontrar, é que você pode, de um modo perfeitamente racional, dar uma concepção de valores objetivos. Que significado "valores absolutos" tem eu não sei, mas o senso de " valores morais justificáveis e objetivos", pode ser dado independentemente de qualquer compreensão de Deus ou crença em Deus ou assemelhados. Agora Craig não se preocupou com este problema, mas muitos cristãos - particularmente cristãos fideístas – o fazem. Muitos cristãos ficam ansiosos em saber da existência de Deus ou provar sua existência. Eles são muito desconfiados, e eu penso que há boas razões para isto. Há uma forte e difundida tendência (eu penso em Kierkegaard ou Haman ou Pascal) entre a elite intelectual e outras pessoas acreditar que em um mundo sem Deus, nada importa. (É coisa de Nietzsche.) Em um mundo sem Deus, tudo é permitido; nossas vidas serão fragmentadas e sem sentido. Nossa própria moralidade será sem sentido. Nós não podemos saber se qualquer coisa é boa ou ruim. E assim, eles se sentem pressionados a postular a existência de Deus para resolver este problema.

O que eu quero dizer a esses seus que são céticos sobre a existência de Deus é que você não precisa nada disso. Você pode fazer perfeitamente dar um bom sentido para sua vida e suas convicções morais sem crer em Deus. Talvez Deus exista; talvez não. Talvez nós possamos provar que ele existe; talvez não. Eu penso que nós não podemos. Eu nem mesmo penso que o conceito de Deus é muito coerente, por não ser antropomórfico. Mas talvez eu esteja errado sobre isso. É tudo o que farei esta noite. Eu permitirei que você possa provar a existência de Deus - algo que eu não acredito no momento. Eu considerarei que o conceito de Deus é coerente. O que eu quero tentar convencer você é que, com ou nenhum Deus, você pode dar sentido a sua vida sem crer na sua existência.

Agora, como eu disse, algumas pessoas acreditam que se Deus estiver morto, nada importa e nossas vidas serão fragmentadas. Eu sei que algumas – na verdade, muitas - pessoas acreditam nisso. Mas algumas pessoas acreditam que em algumas culturas isto não seja necessário. Por exemplo, nós sabemos que há umas poucas religiões antigas e distintas do Judaísmo, Cristianismo e Islã - por exemplo, Budismo - com muitos partidários que não têm nem Deus nem adoração. Os budistas, até onde eu posso ver, podem dar sentido às suas vidas e achar um senso de valor objetivo. Até mesmo dentro de nossa cultura, enquanto muitas pessoas sentem que não podem dar sentido às suas vidas sem Deus, muitas conseguem, como eu. Elas não são somente da elite intelectual, mas pessoas comuns em várias culturas. No Canadá e nos Estados Unidos, as pessoas são muito dependentes de Deus. Na Islândia e na Dinamarca, as pessoas acham isto muito estranho. (Tem algo a ver com o nível de riqueza e educação da sociedade). Você pode achar que não pode dar sentido à sua vida sem Deus, mas muitas pessoas o fazem.

Mas agora eu quero mudar de assunto, de uma observação sociológica para uma observação moral e conceitual. Mesmo que você se sinta desta forma, eu quero tentar começar a persuadir você de que você não precisa se sentir desta forma. A primeira coisa que você deveria reconhecer é que pode haver propósitos na vida perfeitamente intactos mesmo se não houver nenhum propósito para viver. Se não houver um Deus ou divindades de qualquer tipo, não há nenhum propósito para a vida; você não foi feito com um propósito. Mas até mesmo não sendo feito com um propósito, você poderia achar muitos propósitos na vida, dar valor às coisas, tê-las, acreditar e lutar por elas. Algumas pessoas religiosas dirão, "Isso é certo para pequenos propósitos individuais, mas você não pode ter nenhum propósito nobre na vida sem crer em Deus. Você pode ter coisas bem pouco triviais, mas não realmente uma profunda e penetrante concepção de um propósito na vida sem Deus". Mas isso não é verdade. Há muitos ateus que tiveram tais propósitos nobres. Eles combateram "a pestilência" (usando a metáfora de Camus) implacavelmente. Eles buscaram minorar a soma total do sofrimento humano, da degradação humana, das esperanças destruídas; eles buscaram positivamente trazer um mundo com mais felicidade nele e entendendo mais um ao outro - florescendo mais humano, uma solidariedade mais humana, uma fraternidade e irmandade. Em resumo, eles buscam trazer um mundo sem classes, sem raças, sem gêneros. Esses grandes propósitos - propósitos nobres na vida - são perfeitamente disponíveis para qualquer um que seja ateu como também para alguém que seja teísta. Eu não nego que os crentes não fazem isto também, mas você não precisa de Deus para ter quaisquer propósitos, pequenos ou nobres, na vida.

Alguém poderia dizer, "Oh, isso está certo, mas o ateu realmente não tem qualquer fundamento, base ou chão para fazer isto, enquanto o crente tem". Bem, há duas linhas (nenhuma de que Dr. Craig mencionou) que tipicamente tentam mostrar que o crente tem uma base que o ateu não tem. Uma, particularmente popular em círculos protestantes, diz que algo é bom ou ruim se Deus delega mandamentos ou ordenações. Se Deus comanda ou ordena, é obrigatório, ou bom, ou desejável. Se ele proibir, está errado. Esta é chamada de a "teoria do mandamento divino".

A primeira coisa para se ver [sobre este fato] é que algo mandado não faz [isto] bom ou ruim. Eu poderia te falar, se todos vocês fumassem aqui, "Deixe de fumar", ou se nenhum de vocês estivesse fumando, eu poderia dizer, "Acenda um". Meu comando, até mesmo se eu tivesse a autoridade para mandar, não justifica o comando. Tem que ser alguma razão independente para fazer o comando. Não é só meu comando que é assim. Assim, [o fato] de que algo é ordenado não o faz desejável ou indesejável, obrigatório ou não-obrigatório. Alguém dirá, "Mas é Deus quem está comandando, e isto faz toda a diferença." Ledo engano. Não é porque Deus é todo poderoso que faz algo ser desejável, ou bom, ou ruim. Quando Deus disse "Onde você estava quando eu pus as fundações da terra?" tudo o que Deus mostra é seu poder. Mas o poder é compatível com mal. Se um ser é poderoso não significa que você deveria obedecê-lo, exceto por medo. Não dá uma razão moral para obedecer ao ser.

"Mas Deus é onisciente; ele tem conhecimento perfeito [considerando que] nós não” o que é, por definição, verdadeiro. Se houver tal Deus, isto não dá a você nenhuma razão para obedecer, porque conhecimento perfeito é compatível com o mal perfeito. "Bem, é porque Deus é bom". Agora eu pergunto aos cristãos, "Como você sabe que Deus é bom?" Eu sei que você acredita, você aceita, mas como você sabe? Provavelmente, a resposta mais comum é isto: "Bem, você lê a Bíblia e vê o tipo de exemplar que o Jesus era, a morte dele na cruz, e assim por diante". Você esquece-se de coisas como "quem não está comigo está contra mim". Mas lendo a Bíblia seletivamente, há muitas passagens nas quais Jesus mostra ser um exemplar incrível. Mas note que para ver que ele já é que um exemplar pressupõe que você tem um entendimento anterior do que é bom e ruim. Porque você tem uma compreensão do que é bom e ruim, você vê Jesus como um ser exemplar desejável. Assim você tem uma compreensão moral e conhecimento independentes que não descansam em sua crença em Deus.

Suponha que alguém diga, "Olhe, Deus é por definição o Bem perfeito". Alguns filósofos chamavam isto de verdade analítica - como "Filhotes de cachorro são cachorros jovens". Mas se você não soubesse o que "jovem" significa, você poderia nem mesmo saber que "filhote de cachorro" significa. Se você não soubesse o que "bem" significa, você não poderia nem mesmo saber o que "Deus" quer dizer. Você tem que ter um pouco de compreensão de "bem" para julgar que Deus é o Bem perfeito. Novamente, você precisa de um critério moral que é seu próprio e não vem de Deus. Pode vir causativamente de Deus, mas não entra em um senso justificatório, que é a coisa pertinente quando se discute sobre moralidade.

Se você pensa que isto é muito sofisma--ou quase sofisma (e a coisa é realmente mais complexa que eu pude mostrar), deixe-me dar a você uma razão mais simples para ver que crer em moralidade e dar sentido de moralidade é independente da crença em Deus. Suponha que você acredite em Deus e que tenha filhos; você reconhece que seus filhos dependem de ti, e há certas coisas que você lhes deve - proteção, cuidado e amor. Você ama seus filhos; quer protegê-los e gosta deles. Mas você também é um crente. Suponha que - por boas ou más razões - você perde sua fé. Você tem alguma mínima razão para deixar de amar seus filhos, deixar de gostar deles, deixar de protegê-las? Nem um pouco. Se você teve razão para se preocupar para e amar suas crianças antes, você continuará a ter muita razão depois que você perdesse sua fé. E enormemente simples mostrar como a moralidade é bastante independente da religião.

Ainda suponha que alguém me pressione: "Que tipo de bases para valores morais objetivos você tem? Não é tanto o que nós queremos dizer por valores de moral objetivos, mas que tipo de base nós poderíamos ter para reivindicá-los. Como você prova ou estabelece que algo seja bom ou mal, certo ou errado?" Isso é um problema que é igualmente um problema para o crente e o não-crente. A teoria do mandamento divino não funciona. Agora a outra teoria que é usada, principalmente pelos católicos e círculos anglicanos (mas não exclusivamente), é apelar à "lei moral natural". A lei moral natural é algo que é implantado presumivelmente em nossos corações. Agora eu estou perfeitamente preparado para dizer que, embora eu não pense que isto seja uma lei ou que emana de Deus ou que não haja excessões, há muitos truísmos morais. Eu não estou desacreditando-os chamando-os de truísmos morais. [Eles são] coisas tais como "sofrimento desnecessário é uma coisa ruim"; "estupro é ruim", enquanto "manter suas promessas é bom"; "integridade é boa"; "verdade é algo a ser valorizado". Coisas deste tipo, que eu chamo de truísmo moral, são pensadas freqüentemente como parte da lei moral. Elas estão disponíveis tanto para mim ou para qualquer ateu quanto aos crentes. Agora o que você faz na forma de justificá-los é iniciar com estes truísmos morais; você pode ser mais confiante na correção ou, se você quiser, na verdade {7} destas expressões morais; [quer dizer,] eles estão justificados. Eles estão mais justificados do que qualquer teoria filosófica cética - J. L. Mackie ou outro qualquer a quem você questionasse. O que você faz do modo de justificação é o que o filósofo Rawls chama de tentar obter suas convicções morais dentro do "equilíbrio reflexivo amplo". Você inicia com estes truísmos morais - as coisas em que você mais confia - e os coloca junto com tudo você conhece do mundo (por exemplo, sobre a natureza humana, sobre a sociedade), com todo pedaço de conhecimento que você possui; e você obtém um padrão coerente. [Então] você obtém este padrão coerente; um tipo de acordo intersubjetivo sobre o que fazemos (ou o menos discutível que fazemos).

Mackie trata o problema dos valores objetivos como algum tipo de pergunta ontológica. Não precisa ser uma pergunta ontológica. É uma pergunta sobre se certos valores morais são racionalmente aceitáveis. Essa é a pergunta crucial – tal pergunta crucial não é sobre o significado de verdade (Tarski definiu - ou se não foi Tarski, Davidson, para falar um jargão técnico por um momento), mas como você justifica certas reivindicações ser verdade e você os justifica rigidamente neste molde coerente. Você faz exatamente isto com valores morais como com qualquer outro tipo de valores. E valores morais são tão objetivos, até onde eu posso ver, quanto concepções científicas e são justificadas do mesmo modo. Não há nenhuma razão para ter um tipo profundo de ceticismo niilista. Nietzsche é uma boa diversão quando você é adolescente, mas há nenhuma razão para pensar que, de alguma maneira, sem Deus, o niilismo está se aproximando a nossa porta. Isso é puro romanticismo; é o ateísmo que é tomado da linha suja da religião (e muitos ateus fazem isso). Não são todos os ateus subjetivistas como Ardil ou como Mackie; alguns são, mas muitos deles não.

Assim eu indiquei a você um modo que você pode dar sentido à sua vida moral e dar um fundamento coerente para os valores morais, independentemente da existência ou não de Deus.

Imortalidade

Suponha que alguém me diga, "Mas uma coisa, Nielsen, se você é um ateu, uma das coisas que você vai ser é um negador da imortalidade{8}. Se ao final, a morte é seu [último] destino, então isto não arruinaria todos os nossos valores?" Não, eu digo - só o inverso. Se algo como o amor entre as pessoas é importante, acabar na nossa morte faz aquele amor ainda mais importante, porque é finito, porque se acaba. Da mesma forma isto é verdadeiro para a felicidade ou até mesmo a realização de seus projetos e assemelhados. Seria agradável se houvesse alguma razão para acreditar em nossa imortalidade. Até onde eu posso ver, não há a mais leve razão para acreditar nisto.

Assim eu acredito que você pode dar um sentido para os valores objetivos sem invocar Deus. E se você puder operar com uma concepção mais simples, então opere com uma concepção mais simples. Não multiplique concepções ou entidades além do necessário.



Notas

{7} Eu não gosto de usar a palavra “verdade” com respeito à ética puramente por razões técnicas, mas tem um perfeito sentido inofensivo se você disser que expressões morais são verdadeiras. Só que eu não quero falar sobre algum tipo de correspondência que ninguém entenda – particularmente em consideração a moral e expressões matemáticas.

{8) Ainda que não seja estritamente verdadeiro, um famoso ateu acreditou na imortalidade – J.M.E McTaggart. Mas eu penso que é bastante tolo, de uma forma ou outra. A maior parte dos ateus não acredita em imortalidade.


O artigo original em inglês pode ser encontrado aqui.

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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Deus, moralidade e o mal - parte 1 2

Traduzido por Leandro Teixeira

Original em inglês: http://www.leaderu.com/offices/billcraig/docs/craig-nielsen1.html

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Eu me sinto privilegiado por estar debatendo com o Dr. Nielsen. Você provavelmente nunca ouvirá um argumento mais convincente apresentado pelo lado ateu e eu espero que eu possa fazer da mesma maneira apresentando bem o lado teísta no debate de hoje à noite.


O Problema do mal

O problema do mal é certamente o maior obstáculo a convicção na existência de Deus. Quando eu pondero a extensão e a profundidade do mal no mundo - se devido à desumanidade do homem ou catástrofes naturais -, então eu tenho que confessar que eu acho difícil acreditar em Deus. Sem dúvida, muitos de vocês sentem-se do mesmo modo. Talvez nós todos devessemos nos tornar ateus. Mas este é um passo bem grande para se dar. Como nós podemos estar seguros de que Deus não existe? Talvez haja uma razão para Deus permitir todo o mal no mundo. Talvez isto de alguma maneira preencha o esquema de coisas que nós só podemos perceber vagamente. Como nós saberemos?

Como um teísta cristão, estou convencido de que o problema do mal, terrível como é, não constitua uma refutação da existência de Deus. Pelo contrário, eu acredito que teísmo cristão é, na realidade, a última e melhor esperança da humanidade como uma solução para o problema do mal. Para explicar por que eu penso deste modo, será útil desenhar algumas distinções para manter nosso pensamento claro. Primeiro, nós temos que distinguir entre o problema intelectual do mal e o problema emocional do mal. O problema intelectual do mal envolve como dar uma explicação racional da coexistência de Deus e o mal. O problema emocional do mal envolve como dissolver a antipatia de pessoas com um Deus que permitiria sofrimento.



Problema intelectual do mal

Versão lógica

Agora olhemos primeiro para o problema intelectual do mal. Há duas versões deste problema: primeiro, o problema lógico do mal e, secundariamente, o problema probabilístico do mal. De acordo com o problema lógico do mal, é logicamente impossível para Deus e mal coexistirem. Se Deus existir, então mal não pode existir. Se mal existir, então Deus não pode existir. Considerando que mal existe, segue que Deus não existe.

Porém, o problema com este argumento é que não há qualquer razão para pensar que Deus e mal são logicamente incompatíveis. Afinal de contas, não há nenhuma contradição explícita entre eles. E se o ateu indicar que há alguma contradição implícita entre Deus e mal, então ele tem que estar pressupondo algumas premissas ocultas para chegar a esta contradição implícita. Mas o problema é que nenhum filósofo pôde identificar tal postulado. Então, o argumento do problema do mal falha ao provar alguma inconsistência entre Deus e mal.

Mas mais que isto, nós podemos de fato provar que Deus e o mal são logicamente compatíveis. Veja, o ateu pressupõe que Deus não pode ter razões moralmente suficientes por permitir o mal no mundo. Mas esta suposição não é necessariamente verdade. Tanto quanto é possível que Deus tem razões moralmente suficientes para permitir o mal, Deus e o mal são logicamente consistentes. E então eu tenho o prazer de informar a você que é extensamente reconhecido entre filósofos contemporâneos que o problema lógico do mal foi dissolvido. A coexistência de Deus com o mal é logicamente possível.

Versão probabilística

Mas nós não estamos fora do ringue ainda, porque nós confrontaremos o problema probabilístico do mal agora. De acordo com esta versão do problema, a coexistência de Deus e o mal é logicamente possível, mas não obstante é altamente improvável. A extensão e profundidade do mal no mundo são tão grandes que é improvável que Deus pudesse ter razões moralmente suficientes para permití-lo. Então, verificado o mal no mundo, é improvável que Deus exista. Este é um argumento muito mais poderoso, e então no debate desta noite eu quero focalizar nossa atenção nisto.

Com respeito a esta versão do problema do mal, eu quero dar três opiniões.

  1. Nós não estamos em uma boa posição para avaliar a probabilidade de se Deus tem uma razão moralmente suficiente para os males que acontecem: Nós estamos providencialmente limitados em espaço, tempo, inteligência e perspicácia, mas o Deus onisciente e soberano, que vê o término desde o princípio, coordena a história de forma que os Seus propósitos são alcançados, no final das contas, por decisões humanas livres. Para alcançar os Seus fins, Deus pode ter que aguentar males no caminho, os quais os humanos livremente perpetram. Podem ser vistos males que nos parecem insensatos dentro de nossa estrutura limitada, mas ser justamente permitidos dentro da estrutura ‘mais larga’ de Deus. Um assassinato brutal de um homem inocente, por exemplo, poderia produzir todo tipo de ondulação ao longo da história tal que a razão moralmente suficiente de Deus por permitir isto poderia não emergir ou talvez até séculos depois em outra terra. Quando você pensar na providência de Deus em cima da história toda, então eu penso que você pode ver como é desesperador para observadores limitados especularem na probabilidade que Deus pudesse ter uma razão moralmente suficiente por permitir um mal particular. Nós não estamos em uma boa posição avaliar tais probabilidades.

  2. A fé cristã requer doutrinas que aumentam a probabilidade da coexistência de Deus e o mal. Fazendo assim, diminuem estas doutrinas qualquer improbabilidade da existência de Deus em razão da existência de mal. Quais são algumas destas doutrinas? Me deixe mencionar quatro.

  • O propósito principal da vida não é a felicidade em si, mas o conhecimento de Deus. Uma razão do problema do mal parecer confuso assim é porque nós tendemos a pensar que a meta da vida humana é a felicidade neste mundo. Mas na visão cristã isto é falso. O fim do homem não é felicidade como tal, mas o conhecimento de Deus - o qual no fim trará verdadeira e perpétua perfeição humana. Muitos males que acontecem na vida parecem totalmente insensatos com respeito a produzir felicidade humana, mas eles podem não ser injustificados com respeito a produzir o conhecimento de Deus. Sofrimento humano inocente provê uma ocasião para uma dependência e confiança mais profunda em Deus, ou por parte do sofredor ou talvez dos que estão ao redor dele. Se o propósito de Deus é alcançado por nosso sofrer tudo depende em como nós respondemos livremente.

  • O Gênero humano está em um estado de rebelião contra Deus e o Seu propósito. Em lugar de se submeter e adorar a Deus, as pessoas se rebelam contra Deus e vão ao seu próprio modo e assim se acham alienadas de Deus, moralmente culpados diante dEle, e tateiam em escuridão espiritual, procurando falsos deuses da sua própria fabricação. Os males humanos terríveis no mundo são testemunho à depravação de homem neste estado de alienação de Deus. O cristão não está surpreso com os males humanos no mundo. Pelo contrário, ele os espera! A Bíblia diz que Deus entregou o gênero humano para o pecado que escolheu. Ele não interfere para parar isto mas deixa a depravação humana executar seu curso. Isto só serve tanto para levantar a responsabilidade moral do gênero humano perante Deus como também nossa maldade e nossa necessidade de perdão e limpeza moral.

  • O conhecimento de Deus derramado em cima da vida eterna. Na visão cristã, esta vida não é tudo. Jesus prometeu vida eterna a todos que crerem e confiarem nele como Salvador e Deus. Na vida após a morte Deus recompensará esses que carregaram o sofrimento com coragem e que confiaram com uma vida eterna de alegria indizível. O apóstolo Paulo, que escreveu muito do Novo Testamento, viveu uma vida de sofrimento incrível e ainda ele escreveu: " Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. " (II Cor. 4. 16-18). Paulo imagina uma escala, na qual são investidos os sofrimentos desta vida em um lado, enquanto no outro lado é investido a glória que Deus dará aos filhos dEle no céu. O peso de glória é tão grande que os sofrimentos desta vida podem literalmente nem mesmo serem comparados! Além disso, levando em conta o longo tempo da eternidade, os maiores sofrimentos desta vida encolhem para um momento infinitésimo. É por isso que Paulo pode se referir a eles como uma aflição "leve" e "momentânea." Apesar do que ele sofreu, os sofrimentos dele estavam simplesmente subjugados pelo oceano de eternidade divina e alegria que Deus esbanja nos que confiam nEle.

  • O conhecimento de Deus é um bem incomensurável. Conhecer Deus, a fonte de bondade infinita e amor, é um bem incomparável—a perfeição da existência humana. Os sofrimentos desta vida podem nem mesmo ser comparados a isto. Assim, a pessoa que conhece Deus--não importa o que ele sofra, não importa quão terrível seja a sua dor--ainda pode dizer, "Deus simplesmente é bom a mim" em virtude do fato que ele conhece Deus, um bem incomensurável.

Estas quatro doutrinas cristãs reduzem grandemente qualquer dúvida de que o mal pareceria lançar na existência de Deus.

  1. Relativo ao âmbito de aplicação da prova, a existência de Deus é provável. Probabilidades são relativas ao grau de informação que você considerar. Por exemplo, suponha que Joe é um estudante da University of Western Ontario. E agora suponha que noventa por cento dos estudantes da Western Ontario esquiam. Relativo a esta informação, é altamente provável que Joe esquie. Entretanto, suponha também que sabemos que Joe tem um dos membros amputado e que noventa e cinco por cento dos amputados na University of Western Ontario não esquiam. De repente a probabilidade de Joe ser um esquiador é invertida dramaticamente!

Semelhantemente, se tudo o que você considerar como base de conhecimento for o mal no mundo, então dificilmente será surpreendente que a existência de Deus seja improvável, considerando isto. Mas a pergunta real é se a existência de Deus é improvável em relação à prova total disponível. Eu estou convencido de que quando você considerar a prova total, a existência de Deus é provável.

Agora em lugar de ensaiar os muitos argumentos diferentes neste momento para a existência de Deus, me deixe só mencionar um. É aquele em que Deus provê a melhor explicação para valores morais objetivos no mundo.

Se Deus não existir, então valores morais objetivos não existem. Muitos teístas e ateus concordam neste ponto. Sem Deus, não há nenhum bem absoluto que se impõe em nossa consciência. Professor Michael Ruse, filósofo da ciência e um ateu na Universidade de Guelph, explica,

A posição do evolucionista moderno é que os humanos têm uma consciência de moralidade porque está é uma consciência de valor biológico. Moralidade é uma adaptação biológica tanto quanto a são mãos e pés e dentes. Considerada como um conjunto racionalmente justificável de regras sobre um algo objetivo, ética é ilusória. Eu aprecio quando alguém diz, ‘ame seu próximo como a si mesmo’, eles pensam que eles estão se referindo acima e além deles mesmos. Não obstante, tal referência é verdadeiramente sem fundamento. Moralidade é apenas uma ajuda à sobrevivência e reprodução. . . e qualquer significado mais fundo é ilusório.{1}

Ou considerando o recente J. L. Mackie, professor de filosofia a Universidade de Oxford e um dos ateus mais influentes de nosso tempo. De acordo com Mackie, "se. . . há. . . valores objetivos, eles fazem a existência de um deus mais provável do que haveria sem eles. Assim nós temos. . . um argumento defensável de moralidade para a existência de um deus."{2} para evitar a existência de Deus, Mackie recusou admitir aqueles valores de moral existam. Ele escreveu, "é mais fácil explicar este senso moral como um produto natural de evolução biológica e social do que como ter sido implantado por um autor da natureza."{3}

Mas se esse for o caso, então a ética objetiva sai pela janela junto com o teísmo. Então seres humanos não teriam nenhum valor moral intrínseco. Por exemplo, na Índia, era tradicional que as mulheres fossem queimadas vivas nas piras funerárias dos seus maridos falecidos. Os britânicos acabaram com esta prática. Mas Michael Ruse, discutindo esta prática, diz bastante francamente e constantemente, "Obviamente, tal prática é totalmente estranha aos padrões ocidentais de moralidade. Na realidade, nós pensamos que o sacrifício da viúva é totalmente imoral. Claramente não há nada particularmente objetivo sobre esta moralidade, nem é algo esperado como um produto inevitável de seleção natural."{4} em outras palavras, tudo fica simplesmente relativo e não há nenhum valor absoluto objetivo.

Friedrich Nietzsche, o grande ateu do último século que proclamou a morte de Deus, entendeu muito bem isto tudo. "O término do Cristianismo", escreveu o Nietzsche, "significa o advento de niilismo". Só o homem que pode viver além do bem e do mal adquirirá domínio na era do niilismo, que já está à porta. Eu penso que o fantasma de Friedrich Nietzsche tem que assombrar todo ateu. Para se não há nenhum Deus, então por que o niilismo não seria verdade?

Note o que nós estamos perguntando cuidadosamente. A pergunta não é, "Nós temos que acreditar em Deus para viver vidas morais?" Eu diria, "Não." Nem seria esta a questão, “Nós podemos reconhecer valores morais objetivos sem acreditar em Deus?" Eu diria que nós podemos. Nem a pergunta é, "nós podemos formular um sistema coerente de éticas sem referênciar a Deus?" Isso é perfeitamente possível. Entretanto, a pergunta é, "valores morais objetivos existem se Deus não existir?" Eu não vejo qualquer razão para pensar que, na ausência de Deus, seres humanos teriam valor moral objetivo. Afinal de contas, se não houver nenhum Deus, o que há de tão especial nos seres humanos? Eles são apenas subprodutos acidentais da natureza que evoluiu de forma relativamente recente em infinitésima mancha de pó perdida em algum lugar no coração de um universo hostil e descuidado e são sentenciados a morrer individualmente e coletivamente em um tempo relativamente curto. E se colocarmos deste jeito, eu penso que o Professor Nielsen concordaria. Embora ele diga que aceita valores de moral objetivos, ele está usando esses termos de um modo idiossincrático. Dizer que valores morais objetivos existem é afirmar que instruções de valor moral como "Estupro é errado" é independentemente verdade para qualquer um que acredita nelas ou não. Mas o Professor Nielsen recusa discutir a verdade das instruções morais. E assim ele, como Ruse e J. L. Mackie, parece não poder afirmar o valor objetivo de seres humanos.

Mas o fato é aqueles valores objetivos existem e todos nós os conhecemos. Não há mais nenhuma razão para negar a realidade objetiva de valores morais , tanto quanto há para negar a realidade objetiva do mundo físico. Em particular, é evidente que o mal existe. Algumas coisas estão realmente erradas! E assim, paradoxalmente, o mal serve para na verdade estabelecer a existência de Deus. Porque se valores objetivos não podem existir sem Deus, e valores objetivos existem - como é evidente a realidade do mal -, então decorre inevitavelmente que Deus existe. Assim, embora o mal conseqüentemente crie a pergunta acerca da existência de Deus, em um sentido mais fundamental demonstra a existência de Deus, sendo que o mal não pode existir sem Deus.

Estes [argumentos] são só parte da prova que Deus existe. O proeminente filósofo Alvin Plantinga recentemente expôs mais ou menos duas dúzias de argumentos para a existência de Deus.{5} A força cumulativa destes argumentos torna provável que Deus existe.

Em resumo, se minhas três teses estiverem corretas, então o mal não torna improvável a existência do Deus cristão. Pelo contrário, considerando o âmbito completo da evidência, a existência de Deus é provável. E, assim, o problema intelectual do mal falha para subverter a existência de Deus.

Problema emocional do mal

Mas isso nos leva ao problema emocional de mal. Eu penso que a maioria das pessoas que rejeitam Deus por causa do mal no mundo não faz assim por causa de dificuldades intelectuais. Provavelmente, é um problema emocional: eles só não gostam de um Deus que permita sofrimento e portanto não querem nada com Ele. É simplesmente um ateísmo de rejeição. A fé cristã tem algo que dizer a estas pessoas?

Certamente que sim! Fala que Deus não é um Criador distante ou um Ser Impessoal da Terra, mas um Pai amoroso que reparte nossos sofrimentos e machucados conosco. O Professor Plantinga escreveu,

Da forma como o cristão vê as coisas, Deus não está à toa, observando friamente o sofrimento das Suas criaturas. Ele entra adentro e compartilha nosso sofrimento. Ele suporta a angústia de ver o Filho dele, a segunda Pessoa do Trindade, destinado à morte amargamente cruel e vergonhosa da cruz. . . Cristo estava preparado para suportar as agonias do inferno. . . aceitando superar o pecado e a morte e os males que afligem nosso mundo e conferir a nós uma vida mais gloriosa que nós podemos imaginar. . . ele estava preparado para sofrer em nosso lado, para aceitar sofrimento do qual nós não podemos formar nenhuma concepção.{6}

Veja, Jesus suportou um sofrimento além de toda a comparação porque ele agüentou o castigo para os pecados do mundo inteiro. Nenhum de nós pode compreender aquele sofrimento. Embora ele fosse inocente, ele levou voluntariamente nele o castigo que nós merecíamos. E por que? Simplesmente porque ele nos ama. Quando nós compreendemos o Seu amor e sacrifício por nós, isto põe o problema do mal em uma perspectiva nova. Porque agora nós vemos claramente que o problema de mal realmente é o nosso problema do mal. Cheios de pecados e moralmente culpados diante de Deus, nós enfrentamos a pergunta, não de como Deus pode se justificar a nós, mas como nós podemos ser justificados perante Ele.

Assim, paradoxalmente, embora o problema do mal seja a maior objeção à existência de Deus, ao final do dia, Deus é a única solução ao problema do mal.

William Lane Craig

Notas:

{1}Michael Ruse, "Evolutionary Theory and Christian Ethics," in The Darwinian Paradigm (London: Routledge, 1989), pp. 262-269.

{2}J. L. Mackie, The Miracle of Theism (Oxford: Clarendon Press, 1982), pp. 115-116.

{3}Ibid., pp. 117-118.

{4}Michael Ruse, "Evolutionary Theory and Christian Ethics," in The Darwinian Paradigm (London: Routledge, 1989), pp. 262-269.

{5}Alvin Plantinga, "Two Dozen (or so) Theistic Arguments," Lecture presented at the 33rd Annual Philosophy Conference, Wheaton College, Wheaton, Illinois, October 23-25, 1986.

{6}Alvin Plantinga, "," in Alvin Plantinga, ed. James Tomberlin and Petr van Inwagen, Profiles 5 (Dordrecht: D. Reidel, 1985), p. 36.



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