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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se Ele já falou, porque o universo não se convenceu? 0


Há duas revelações de Deus: a geral e a especial


Esta pergunta esconde um sentido mais profundo do que a pura e simples provocação que insinua. O que ela quer dizer na verdade é que Deus falhou. Se Deus falhou, Ele não é onipotente. Logo, o Deus cristão não existe.

Esta é uma questão que nos leva a buscar a compreensão da natureza de Deus e da natureza do homem. Sem este entendimento das naturezas, e da interação entre elas, é muito difícil explicar o problema.

Inicialmente, vou dividir a frase em duas partes, para lidar com algumas pressuposições que podem estar intrínsecas na sua elaboração.

“Se ele já falou (...)”

O autor coloca esta condicional “se ele já falou” de uma maneira que põe em dúvida o fato do Senhor ter realmente se manifestado de uma forma definitiva e suficiente. “Será que Ele realmente falou? E se falou, o que revelou foi o bastante?”

Deus se revelou de duas principais formas: através da revelação geral da natureza (das coisas criadas) e através da revelação especial, a qual temos documentada no livro que chamamos de Bíblia. A revelação geral declara a todo homem que há um Deus, e que ele é indesculpável no que se refere ao sentimento da Sua existência.

A revelação especial foi trazida muitas vezes no decorrer da história humana, conforme a necessidade do povo e a vontade de Deus, em diversas quantidades ou porções. A vontade do Senhor foi também revelada de variadas maneiras, às vezes diretamente, outras por sonhos, visões, através de anjos, teofanias, entre outros. Por fim, Deus se revelou de forma derradeira, pessoalmente, pelo Seu próprio Filho, na pessoa de Jesus Cristo. Toda esta revelação especial trata sobre o Ser divino e a Sua vontade; mostra Deus dirigindo o desenvolvimento da história humana; declara a condição do homem perante Ele e manifesta o plano da sua grandiosa salvação. A Bíblia afirma que a voz do Senhor foi plenamente anunciada. Deus, portanto, já falou (Hebreus 1.1).


“(...) porque o universo não se convenceu?”

Natureza: revelação geral de Deus

Temos uma mentira aqui. O autor usou a palavra “universo” dando a entender que ninguém (ou sendo um pouco condescendente, uma minoria insignificante) creu naquilo que Deus revelou, seja através da natureza, seja através da Bíblia. Contudo, a revelação geral de Deus nas coisas criadas é tão forte que não há notícias de que alguma civilização, existente hoje ou já extinta, não tenha (ou tivesse) alguma forma de culto ao divino. O sentimento religioso está bem arraigado dentro do homem desde os seus primórdios. Negar isto é tolice (Salmos 14.1).

Mas como saber qual é o Deus verdadeiro? Já que a religiosidade é tão marcante assim, e a imaginação do homem é pródiga em produzir ídolos, é necessário que haja uma forma inconfundível de saber qual é o verdadeiro Deus dentro de miríades de entidades. Para isto temos a Revelação Especial de Deus, que está na Bíblia. Nela, O Deus Jeová assume a responsabilidade pela criação do mundo e do homem, mostrando o propósito desta; fala de Si mesmo, revelando a Sua vontade perfeita; fala da justiça e da misericórdia, buscando o relacionamento com a humanidade no desenrolar da história. Ele fala de coisas que ainda não aconteceram como se já houvessem ocorrido; realiza milagres incontestáveis para exibir Sua majestade soberana. Ele conta o passado, explica o presente e determina o futuro. Ela fala de homens - de pastores de ovelhas a reis - que tiveram experiências incríveis com o Senhor, atestando, assim, aquilo que Ele falou.

Nenhum outro deus se manifestou assim. O primeiro mandamento que Ele deixou para nós foi este: “não tereis outros deuses diante de mim”; o que é muito pertinente, já que realmente não existe outro! E Ele não precisaria se revelar, se não quisesse. Entretanto, Deus agiu com amor e misericórdia, dando-nos o conhecimento que pode salvar-nos de uma justa punição.

Então temos este ambiente: pelas coisas criadas, sabemos que há um Deus. E, pela Bíblia, sabemos qual Deus é o verdadeiro. Isto seria prova suficiente para convencer um pecador a entregar sua vida ao Senhor?

Logicamente, a resposta seria SIM. Contudo, argumentos, por melhores que sejam, não tem o poder de fazer a pessoa aceitá-los, mesmo que não haja base racional para agir desta maneira. A rejeição ao Deus verdadeiro não está baseada na racionalidade (ou irracionalidade) da proposta cristã, mas tem sua origem no seu ‘órgão’ moral. O apóstolo João nos fala acerca deste problema quando afirma em João 3.19 que os homens não vem à luz porque suas obras são más, pois amam mais as trevas. Este é o cerne do verdadeiro motivo de toda negação à Cristo.

O autor tentou induzir o leitor ao erro quando escreveu a frase que dá título à este texto. Fez pensar que, como ele não ficou convencido com os ‘argumentos’ do Senhor, Deus falhou. E como a Palavra diz que que Ele não falha, a Bíblia não é inerrante. Se ela tem erros, como podemos confiar nas suas declarações? Resumindo, o Deus cristão não deve existir porque Ele não foi persuasivo o suficiente como Ele revelou que seria!

Entretanto, esta é exatamente a reação esperada de TODO homem natural diante de Deus: rebeldia. Romanos 1.21-32 relata uma série de adjetivos totalmente desagradáveis aos ouvidos dos não-crentes, mas que são decorrentes do abandono a Deus:


Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.

Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem - Romanos 1:21-32


Percebam, portanto, o tamanho da insolência. O quadro descrito na passagem acima pinta com perfeição o nosso estado antes da conversão. Mas graças a Deus, há um remanescente. Por sua infinita misericórdia, o Senhor elegeu para si pessoas de todas as nações. O Espírito Santo de Deus transforma com poder a vida daqueles que foram escolhidos antes da fundação do mundo. Tais indivíduos “nascem de novo”. Depois da conversão, os ouvidos, antes surdos, agora ouvem a voz do Senhor, e os seus olhos estão abertos para ver as Suas obras. O coração dos eleitos também anseia pela retidão, e odeiam toda iniquidade. E estes recebem a Seu Senhor com alegria no coração, totalmente convencidos pelas Palavras de Vida Eterna proferidas pelo seu Salvador.

Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder - 1 Coríntios 4:20.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Depravação Total - Implicações 0

O que é o homem?

No post anterior, fiz um breve apanhado do que é a doutrina da depravação total. Mas, como apenas conhecimento teórico não basta, é necessário que alguma aplicação prática decorra do entendimento. Buscarei fazer isto a partir de agora.

Descobrir a Verdadeira Identidade

Filósofos de todas as eras têm insistido em que o homem conheça a si mesmo. Não há nada errado nisto. Juntamente com Terêncio, dramaturgo da Roma Antiga, deveríamos declarar que “nada do que é humano nos é estranho”. Seria mesmo uma irresponsabilidade ignorar quaisquer aspectos relacionados à humanidade. Entretanto, parece que alguns ficaram tão maravilhados consigo mesmos que pensaram acerca de si muito mais do que convém. Friedrich Nietzsche, por exemplo, via fraqueza no homem, causada por um grande potencial inexplorado. Pensava ele que se o homem anelasse e vivesse além de todos os seus valores, por meio de uma sede de poder criativo, num processo contínuo de superação, ele seria um super-homem, ou o homem superior. Para isto, é claro, ele teria de abandonar a ideia de Deus: super-homens não precisam dele.

O que a Bíblia ensina sobre o homem? Diz que ele foi criado bom, mas que a queda em Adão comprometeu as suas capacidades de uma forma tão profunda que qualquer ideal de "homem superior" (no sentido de ser um homem perfeito) por esforço unicamente humano é impossível de ser alcançado. Ela é enfática ao afirmar que o problema humano está dentro dele, mas não a solução. Mostra que o homem não está no trono, mas chafurdado na lama. Que ele não é livre, mas escravo. Que não é autônomo, mas dependente. Que ele não é bom, mas mau. E, principalmente, o poder de resgatar a sua própria vida está tão afastado de suas capacidades quanto erguer-se do solo puxando-se pelos cabelos.

Não há necessidade de ser um sociólogo para perceber que a nossa civilização é muito instável. Qualquer mudança significativa no status quo facilmente levaria a “sociedade” a entrar num estado primitivo de selvageria. Podemos ver isto nas outras pessoas. Por melhores que sejam os avanços do conhecimento humano, e ainda que a nossa ciência e tecnologia sejam notáveis, social e moralmente não estamos nem um pouco melhores do que há milênios. E podemos ver isto também em nós mesmos; todos os dias, diante do espelho. Basta uma análise pessoal sincera tendo por modelo a Lei de Deus: os 10 mandamentos.

Mudar de Paradigma

O que é certo e o que é errado?
Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus (Romanos 3:19)

Como o homem é facilmente convencido das suas qualidades! Se tem algo que prontamente aceita, sem muito questionar, é o afago ao seu ego. Quão rápido se convence! Quão rapidamente pensa que é merecedor de honra! De glória em glória, ele começa a acreditar em si mesmo. E ainda que ele não tenha o aplauso do mundo, é possível que ele crie para si uma redoma de autoglorificação, atribuindo aos outros deficiência pela falta do reconhecimento que entende lhe ser merecido. Mas como vimos antes, não temos do que nos gloriar, porque não há nada propriamente humano que não esteja maculado pelo pecado.

De fato, cada indivíduo usa uma régua própria para medir a si e aos outros, pela qual ele sempre está aprovado. Mas não é por esta norma particular que somos julgados. Quando Moisés desceu do monte com as tábuas da Lei (Êxodo 20), ganhamos um padrão absoluto para aferir nossa integridade. A Lei nunca serviu como meio para salvar pessoas, mas sim como instrumento de condenação (Deuteronômio 28), porque nunca houve alguém (excetuando Jesus) que a cumprisse integralmente. A lei veio para nos servir de aio até que Cristo chegasse (Gálatas 3.24).

A doutrina da depravação total tem este mérito: mostrar quão grave é o pecado para Deus, e quão grave é a nossa maldade. Se os nossos atos de justiça são como trapos de imundícia para Ele (Isaías 64.6), o que se dirá das nossas injustiças!

Reconhecer a impotência

O que faremos? (At 2.37)
Penso que o primeiro sentimento que alguém deveria ter ao conhecer esta doutrina é o de humilhação. Ela retira o homem do pedestal, destronando o ser humano, colocando-o num estado de desesperança completa. Joga-o com força ao chão. Abole a confiança exacerbada em suas próprias capacidades, e que a solução dos problemas está dentro de si - como a psicologia moderna, por exemplo, ensina. Arranca o manto de glória própria que oculta a maldade por trás das boas ações. Incute a culpa, e não a releva. Mostra aquilo que realmente somos, não o que aparentamos ser.

A vide se secou, a figueira se murchou; a romeira também, e a palmeira e a macieira, sim, todas as árvores do campo se secaram; e a alegria esmoreceu entre os filhos dos homens (Joel 1:12)

Repentinamente, portanto, o homem natural se sente no vale da morte. Vê tudo a sua volta esmorecer, falhar, cair. Não há nada que possa servir de apoio para mantê-lo de pé. E então começa a perceber que a sua vitalidade é falsa. Parafraseando Spurgeon, é apenas pompa funerária de uma alma morta; velando a si mesmo, lamenta pelo modo de viver que, inevitavelmente, o jogou nos braços da morte. Para o não-convertido, tudo isto é tão horrível que ele fica atônitamente incrédulo. Ressente-se e não aceita que isto possa ser verdade. Por isso que a Palavra diz em João 3.19-20 que os homens não vêm à luz: para que suas obras más não sejam manifestas. Neste momento de perplexidade, o Espírito pode agir e convencê-lo do pecado e do juízo. Se Ele o fizer, a pessoa perderá completamente a esperança em si mesmo; apercebe-se-á que nada do que ele é ou possa fazer poderá salvá-lo da justa ira de Deus. E no momento seguinte, a maravilhosa graça do Senhor estará brilhando diante dele dizendo: “- Arrependa-se e venha!”.

Receber a cura

E quem quiser, receba a água da vida (Ap. 22.17)
Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores (Marcos 2:17)

Esta palavra é para todo homem natural. A lei mostra que ele está mais do que doente: está morto. Mas o evangelho traz mais do que cura: traz uma nova vida. Esta é a boa nova: Deus entregou seu Filho, Jesus, e este voluntariamente se dispôs à cruz, o lugar que nos era merecido, e pagou pela nossa dívida. Jesus Cristo morreu a nossa morte, e a Sua ressurreição é a esperança que temos de um dia também reviver (Romanos 6.5-9). Para assegurar esta expectativa, o Espírito Santo nos foi enviado para habitar dentro de cada um que crer, servindo como penhor da promessa, e para relembrar tudo aquilo que Cristo ensinou, com vistas a andar em retidão e a crescer em santidade.

Para o crente, reconhecer sua depravação é o caminho que leva a honra, pois Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6). A doutrina o coloca na posição correta diante do seu Criador: a de total dependência. O entendimento da depravação total é o ponto final na arrogância típica da nossa raça.


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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Depravação Total - Introdução 0

O que é a Depravação Total

Depravação Total é um nome dado para uma das cinco doutrinas da graça que tratam da operação salvífica de Deus para a humanidade. A saber, as cinco doutrinas são:

- Depravação Total (Total Depravity)
- Eleição Incondicional (Uncondicional Election)
- Expiação Limitada (Limited Atonement)
- Graça Irresistível (Irresistible Grace)
- Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

Em inglês, as sentenças formam um acróstico, TULIP (tulipa, em português), figura que é usada como referência à doutrina destes cinco pontos. Não é sem significado que as doutrinas sejam representadas por uma flor; afinal, elas exalam o cheiro suave do amor gracioso do Senhor. Mas algumas de suas pétalas são mais difíceis de serem admiradas. É o caso da Depravação Total. Minha intenção é elaborar vários textos, reunidos pelo mesmo marcador (Depravação Total), tentando extrair a essência desta pétala, elaborar um perfume e aplicá-la na vida cristã.

Entendendo a doutrina

Pois bem. Lendo rapidamente a expressão, ela parece dizer que todo homem é tão mal quanto o poderia ser. Mas o significado é outro. Ela quer dizer que cada parte componente do homem está corrompida: o corpo físico, as emoções, a vontade e o intelecto. Ou seja, a humanidade padece debaixo de corpos, sentimentos, desejos e mentes arruinadas. Isto não se deu na criação original de Deus, mas pela desobediência de nosso representante-mor.

Adão foi este representante. Deus o havia avisado: “no dia em que comeres do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás ). Desobedecendo, ele pecou. Neste momento, Adão não quebrou a perna, nem machucou o braço: ele morreu. O seu espírito morreu. Perdeu totalmente a comunhão com o Criador (Isaías 59:2 mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.). O fruto foi tão amargo em seu ventre que mesmo apresentar-se diante de Deus lhe era motivo de pavor e vergonha. Ele e sua mulher Eva descobriram quão horrível é exporem-se nus e pecaminosamente sujos perante a Divindade (Gn 3:10 Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me ).

E o legado desta miséria foi passado, deles para seus filhos, e para os filhos dos seus filhos. Toda a humanidade herdou a natureza caída e corrompida pelo pecado cometido em Adão. Alguns até podem questionar se ele foi o melhor representante para a nossa raça. Eu tenho certeza que foi, por três motivos bem simples: primeiro, porque ele foi criado perfeito; segundo, porque ele estava num lugar perfeito, o Éden. E terceiro, ele foi a escolha do próprio Deus, e não há motivo para desconfiar que o Senhor não tenha feito a melhor escolha possível. Na verdade, o fato do melhor homem ter errado desta maneira só agrava a situação da humanidade em relação a Deus.

O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um (Salmos 14:2-3).

A Bíblia ensina que todos os homens, exceto Jesus Cristo (Hebreus 4:15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.), são depravados física e espiritualmente (Salmos 53:3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um). Ela também declara que cada parte do ser humano é depravada. Não somente os atos das pessoas são condenáveis, mas os seus pensamentos, seus desejos e emoções (Gênesis 6:5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente). A Bíblia ainda acrescenta que cada uma destas partes é totalmente decaída. Não parcialmente, mas completamente. Pois o ser humano está morto espiritualmente.

Quando o homem se torna pecador? Quando comete o primeiro pecado, ou antes? A resposta é que o ser humano já nasce com disposição para pecar, ou seja, ele peca porque É pecador (Salmos 51:5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe., Salmos 58:3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.). Ao contrário do que algumas filosofias ensinam, o homem não nasce como uma tabula rasa, isto é, como se fosse um papel em branco, sem nenhum conhecimento inato (cf. Aristóteles). Há quem advogue que o homem nasce bom, e a sociedade ou o ambiente é que o corrompe (cf. Rousseau). Como se isto não fosse enganoso o suficiente, pensam que o homem deveria ser a medida de todas as coisas (cf. Protágoras). Quão torto será este mundo se o tomarmos pelo nosso padrão arruinado!

É tudo muito sério e drástico o que esta doutrina bíblica ensina. Veja que, por causa do pecado, há uma maldição sobre a humanidade e sobre toda a ordem criada. E a imprecação vem de Deus (Deuteronômio 28:15-68 Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão: Maldito serás na cidade, e maldito serás no campo. Maldito o teu cesto, e a tua amassadeira. Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saíres. O Senhor mandará sobre ti a maldição, a derrota e o desapontamento, em tudo a que puseres a mão para fazer, até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste. O Senhor fará pegar em ti a peste, até que te consuma da terra na qual estás entrando para a possuíres. O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que pereças O céu que está sobre a tua cabeça será de bronze, e a terra que está debaixo de ti será de ferro. O Senhor dará por chuva à tua terra pó; do céu descerá sobre ti a poeira, ate que sejas destruído. O Senhor fará que sejas ferido diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás deles; e serás espetáculo horrendo a todos os reinos da terra. Os teus cadáveres servirão de pasto a todas as aves do céu, e aos animais da terra, e não haverá quem os enxote. O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, com sarna e com coceira, de que não possas curar-te; o Senhor te ferirá com loucura, com cegueira, e com pasmo de coração. Apalparás ao meio-dia como o cego apalpa nas trevas, e não prosperarás nos teus caminhos; serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve. Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não a desfrutarás. O teu boi será morto na tua presença, porém dele não comerás; o teu jumento será roubado diante de ti, e não te será restituído a ti; as tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, e não haverá quem te salve. Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e desfalecerão de saudades deles todo o dia; porém não haverá poder na tua mão. O fruto da tua terra e todo o teu trabalho comê-los-á um povo que nunca conheceste; e serás oprimido e esmagado todos os dias. E enlouquecerás pelo que hás de ver com os teus olhos. Com úlceras malignas, de que não possas sarar, o Senhor te ferirá nos joelhos e nas pernas, sim, desde a planta do pé até o alto da cabeça. O Senhor te levará a ti e a teu rei, que tiveres posto sobre ti, a uma nação que não conheceste, nem tu nem teus pais; e ali servirás a outros deuses, ao pau e à pedra. E virás a ser por pasmo, provérbio e ludíbrio entre todos os povos a que o Senhor te levar. Levarás muita semente para o teu campo, porem colherás pouco; porque o gafanhoto a consumirá. Plantarás vinhas, e as cultivarás, porém não lhes beberás o vinho, nem colherás as uvas; porque o bicho as devorará. Terás oliveiras em todos os teus termos, porém não te ungirás com azeite; porque a azeitona te cairá da oliveira. Filhos e filhas gerarás, porém não te pertencerão; porque irão em cativeiro. Todo o teu arvoredo e o fruto do teu solo consumi-los-á o gafanhoto. O estrangeiro que está no meio de ti se elevará cada vez mais sobre ti, e tu cada vez mais descerás; ele emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será a cabeça, e tu serás a cauda. Todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído, por não haveres dado ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te ordenou. Estarão sobre ti por sinal e por maravilha, como também sobre a tua descendencia para sempre. Por não haveres servido ao Senhor teu Deus com gosto e alegria de coração, por causa da abundância de tudo, servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, em fome e sede, e em nudez, e em falta de tudo; e ele porá sobre o teu pescoço um jugo de ferro, até que te haja destruído. O Senhor levantará contra ti de longe, da extremidade da terra, uma nação que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; nação de rosto feroz, que não respeitará ao velho, nem se compadecerá do moço; e comerá o fruto dos teus animais e o fruto do teu solo, até que sejas destruído; e não te deixará grão, nem mosto, nem azeite, nem as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, até que te faça perecer; e te sitiará em todas as tuas portas, até que em toda a tua terra venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas; sim, te sitiará em todas as tuas portas, em toda a tua terra que o Senhor teu Deus te deu. E, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão, comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que o Senhor teu Deus te houver dado. Quanto ao homem mais mimoso e delicado no meio de ti, o seu olho será mesquinho para com o seu irmão, para com a mulher de seu regaço, e para com os filhos que ainda lhe ficarem de resto; de sorte que não dará a nenhum deles da carne de seus filhos que ele comer, porquanto nada lhe terá ficado de resto no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará em todas as tuas portas. Igualmente, quanto à mulher mais mimosa e delicada no meio de ti, que de mimo e delicadeza nunca tentou pôr a planta de seu pé sobre a terra, será mesquinho o seu olho para com o homem de seu regaço, para com seu filho, e para com sua filha; também ela será mesquinha para com as suas páreas, que saírem dentre os seus pés, e para com os seus filhos que tiver; porque os comerá às escondidas pela falta de tudo, no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará nas tuas portas. Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu Deus; então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas da tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades malignas e duradouras; e fará tornar sobre ti todos os males do Egito, de que tiveste temor; e eles se apegarão a ti. Também o Senhor fará vir a ti toda enfermidade, e toda praga que não está escrita no livro desta lei, até que sejas destruído. Assim ficareis poucos em número, depois de haverdes sido em multidão como as estrelas do céu; porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor teu Deus. E será que, assim como o Senhor se deleitava em vós, para fazer-vos o bem e multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e sereis desarraigados da terra na qual estais entrando para a possuirdes. E o Senhor vos espalhará entre todos os povos desde uma extremidade da terra até a outra; e ali servireis a outros deuses que não conhecestes, nem vós nem vossos pais, deuses de pau e de pedra. E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; mas o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento de olhos, e desmaio de alma. E a tua vida estará como em suspenso diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não terás segurança da tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a tarde; E à tarde dirás: Ah! quem me dera ver a manhã! pelo pasmo que terás em teu coração, e pelo que verás com os teus olhos. E o Senhor te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca mais o verás. Ali vos poreis a venda como escravos e escravas aos vossos inimigos, mas não haverá quem vos compre.), Aquele que é o único a quem devemos prestar contas (Hebreus 4:13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.). E nisto tudo Ele é completamente justo em irar-se. O pecado é uma afronta terrível à Sua natureza absolutamente santa.

Tudo o que fazemos é mau?

Se julgarmos segundo padrões humanos, pode parecer que não somos tão maus assim. Criamos bem os nossos filhos, amamos as nossas esposas, fazemos doações, dedicamos tempo e dinheiro a obras sociais... Há muita coisa boa nas ações das pessoas. Jesus mesmo disse algo sobre este assunto (Mateus 7:11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?). Mas se formos medidos pelo padrão divino, não sobra nada. Para algo ser realmente bom para Deus, deve passar por estas duas peneiras:

1. Tudo deve ser feito para a glória de Deus
Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. (1 Coríntios 10:31)

Quem pode dizer que faz algo para que Deus seja glorificado? Mesmo muitos ateus fazem obras louváveis perante os homens. Mas com certeza a sua intenção não é de exaltar o Criador e a sua justa lei. Portanto, é pecado. Mesmo os crentes pecam assim, querendo uma pontinha de glória própria, até mesmo ao gabar-se do sucesso de seus esforços evangelísticos, por exemplo! Orgulho e presunção nunca são bons (1 Coríntios 5:6 Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?; Tiago 4:13-16 Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna.).

2. Tudo o que se faz deve estar firmado e ter origem na fé
Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado (Romanos 14:23).

Hebreus 11:6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam diz que sem fé é impossível agradar a Deus. Então, todas as coisas que são feitas sem ter por esteio a fé são detestáveis a Ele. É isto que se quer dizer quando o homem não faz nada bom (Salmos 53:3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um). Por exemplo: se não discernirmos que todas as coisas que possuímos são de Deus, e que somos apenas mordomos, despenseiros dEle, podemos cair na pretensão de achar somos muito dignos por financiar obras sociais, construir orfanatos ou até mesmo ao dar comida para um mendigo. Curioso é que tais coisas são feitas porque são resultado do que os teólogos costumam chamar de ‘graça comum’ de Deus. O crédito das obras não vai para a conta destas pessoas que praticam, mas para a do Senhor. É Ele quem move as pessoas para fazer o que quer. Pela Sua Soberania, ele governa o mundo restringindo o mal em sua totalidade.

A vontade do homem natural é contrária a Deus. A Palavra é enfática em dizer que o homem jamais irá até Deus para ser salvo (João 3:19-20 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.). A razão é porque ele não quer (João 5:40 mas não quereis vir a mim para terdes vida!). Se esta analogia ajudar, pense em uma balança, onde num dos pratos você coloca a vontade de agradar Deus e tudo o que é reto, justo e puro, e no outro prato coloque o que satisfaz seus próprios desejos. A natureza do seu coração ainda não regenerado, ou seja, morto em delitos e pecados (Efésios 2:1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados), faz a balança SEMPRE pender para o lado da sua própria satisfação, como se o seu próprio coração de pedra estivesse amarrado deste lado da balança. Mas esta analogia também é falha, pois, de acordo com a Bíblia, na verdade a balança está quebrada. Não há nunca nenhum desejo de fazer o bem. Não há absolutamente nada neste lado da balança (Romanos 8:7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser).

Por ora, estamos sabendo que esta é a condição do homem perante seu Criador; mas o que devemos (ou podemos) fazer? Este é um assunto para os próximos posts.
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sábado, 5 de novembro de 2011

A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser 0

A culpa é sua
Deus por vezes é retratado (mesmo por alguns que se dizem cristãos) como injusto por tratar os pecados finitos que cometemos de uma forma infinita. É a doutrina bíblica do inferno que causa repulsa em muitas pessoas. Como poderia um Deus bom castigar eternamente uma pessoa que pecou, digamos, 70 anos de sua vida?

Este tipo de raciocínio é típico do ser humano decaído. Usar uma lógica que minimiza a gravidade do pecado ao mesmo tempo que acusa Deus de ser menos do que perfeito. Quem está minimamente familiarizado com a Bíblia sabe que lá no Jardim do Éden, quando Adão e Eva pecaram, o nosso representante foi rápido em culpar Deus por seu pecado, e Eva tentou esquivar-se da mesma forma, atribuindo a Satanás o seu próprio erro. Como diria o personagem de desenho animado, Homer Simpson, “a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”. E este padrão de comportamento tem se repetido, geração após geração, em todos os que nasceram nesta terra. Cada um tem um “Homer Simpson” dentro de si.

O que precisa ser compreendido é que o pecado é uma ofensa. E a ofensa se torna mais ou menos grave conforme o valor ou a dignidade do ser ofendido. Vamos tomar por exemplo o assassinato. Matar uma pessoa de 30 anos é grave. Assassinar uma mulher grávida é horrível. Mas vamos combinar que matar um bebê de 3 meses é muito mais hediondo. Assassinar um traficante de drogas é menos grave do assassinar um chefe de estado, embora ambas as ações sejam, basicamente, pecados. Sabendo que Deus é infinitamente mais puro e santo que um bebê, e infinitamente mais digno e honrado do que o melhor governante, um pecado contra Deus é infinitamente perverso. Um pecado contra um ser infinito, portanto, merece uma punição infinita.

Partindo dos exemplos citados, você perdoaria algum dos assassinos? Vou adivinhar: perdoaria o que matou o traficante. Afinal, é possível sentir certo gosto de justiça feita, e até nutrir um sentimento de gratidão por ele ao poupar futuras vítimas da ação daquele criminoso. Mas aos demais, seria bem difícil, não é mesmo? E se um dos falecidos fosse seu amigo ou parente? Aí sim, perdoar seria inadmissível para a maioria.

Porém Deus tem sido diariamente ofendido por cada uma das suas criaturas. Elas o fazem por ações, pensamentos e desejos. Uma a uma, nós adicionamos impiedade sobre impiedade, condenação sobre condenação. Acontece que nós mesmos somos responsáveis pelo assassinato de Jesus Cristo. A cada pecado nosso fornecemos um prego a mais para ser cravado no corpo do Filho de Deus, pois Ele morreu por causa dos nossos erros. Pense. Muitos acham o pecado divertido. Mas não parece coisa de sádico se divertir com a dor dos outros?

Deus seria totalmente justo em punir eternamente cada ser humano que já viveu. Entretanto, Ele enviou Seu próprio filho para morrer em nosso lugar e pagar por todos os pecados que cometemos. Ele convida cada pessoa a se arrepender, deixar seus caminhos tortos e confiar inteiramente em Jesus Cristo. Quem crer e ser batizado será salvo (Marcos 16.16a). Contudo, que não crer já está condenado (Marcos 16.16b).
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Porque Jesus não Veio Antes (ou Depois)? 0

Se Jesus é o único caminho para o Céu, porque Ele foi crucificado bem depois do início da História? Se é o único caminho, porque Ele não foi enviado à Terra após o primeiro pecado para ser crucificado pelos pecados do mundo? Porque Jesus foi enviado num tempo determinado, e não mais cedo ou mais tarde? Romanos 5.6 diz:

“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios”.

Mas como a Bíblia não diz porque este foi o melhor tempo, então, só podemos especular.

Não foi cedo demais

Porque Deus simplesmente não desce e se mostra para todo mundo? Se Deus viesse em toda a Sua glória, nós seríamos destruídos! Porém, Deus é Todo Poderoso, e Ele poderia vir ocultando bastante Sua glória, o suficiente para que Sua presença direta não nos destrua. Se Ele descesse de uma maneira que nos obrigasse a crer, então como poderíamos ter fé, ou decidir livremente sem que se estivesse sob coação? Mas se Deus viesse ocultando parte da Sua glória, e desse evidências de quem Ele era, mas não de uma maneira que fosse tão óbvia para todo mundo que as pessoas teriam necessariamente que crer, querendo elas ou não, quantas vezes Deus teria que fazer isto? E se Ele fez isto apenas uma vez, há 2 mil anos?

Maior parte da população veio depois de Cristo

Segundo estimativas, cerca de 100 bilhões de pessoas já viveram na Terra. Destas, talvez uns 80% nasceram depois da vinda de Cristo.

Justiça para os que vieram antes

Deus olha para as pessoas de acordo com a verdade que elas detém; o pecado não era contabilizado quando não havia lei (Rom. 4.15; 5.13). Então as pessoas que viveram antes de Cristo, como Abraão, Moisés, Davi poderiam ser salvos através de Cristo, mesmo que Ele não tivesse vindo ainda.

Tempo de relativa paz

A época em que Cristo veio foi um período de relativa paz comparada com os tempos anteriores, das conquistas do Império Romano, e depois, com as guerras romanas contra o império Parta (ou Arsácida) e as invasões bárbaras ao Império Romano.

Melhor época para expansão

Os romanos construíram extensas estradas. Se Jesus tivesse vindo antes deste tempo, seria muito mais difícil a divulgação do evangelho para terras distantes. Se Cristo viesse hoje, ele teria disponível um grande número de ferramentas para alcançar pessoas em todo o mundo, como a TV e a Internet. Entretanto, este pensamento pode ser enganoso. Muito do que temos hoje no tocante ao desenvolvimento social, humano e tecnológico advém justamente do fato de Jesus ter existido. Se o Filho de Deus nunca tivesse encarnado, a nossa civilização teria tomado, certamente, outros rumos, e é bem possível que tivéssemos um mundo pior do que temos hoje.

Preservação dos materiais

Se Ele tivesse vindo bem mais cedo, nós poderíamos ter muitos poucos manuscritos mostrando a confiabilidade do Novo Testamento.Se tivesse vindo séculos mais tarde poderíamos ter mais, mas mesmo assim temos cerca de 10000 manuscritos e fragmentos do Novo Testamento. O mais antigo, por sinal, é o papiro John Rylands, datado de 110-138 d.C.

Mais uma vez, se Cristo tivesse vindo nos tempos modernos, nossas mídias digitais permitiriam não só a propagação, mas a conservação de uma maneira muito mais eficiente de tudo o que Jesus fez. É claro, tudo isto é especulação; e não há motivo para pensar que as pessoas creriam com mais facilidade nos seus ensinamentos hoje do que há dois mil anos. Não é a qualidade nem a quantidade de argumentos e provas que converte um homem, mas a misericórdia de Deus que regenera o coração do pecador para que ele, voluntariamente, creia nas verdades divinas para a sua salvação.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Por que perder tempo com Deus? 0

Continuação das perguntas feitas no livro 'The necessity of atheism', de Percy Bysshe Shelley. Partes anteriores: Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta Sexta Sétima

Homem versus Vastidão do Universo
Se Deus é inconcebível, por que perder tempo com ele?

Pesquisando o termo “inconcebível” no dicionário Aurélio, temos duas linhas de significado:

1.Que não se pode conceber, perceber ou explicar.
2.Surpreendente, pasmoso, incrível, inacreditável, extraordinário.

Vamos avançar um passo por vez e tentar entender qual é a acusação que está sobre os que crêem.

Deus não pode ser concebido

Há dois entendimentos do que esta frase pode querer dizer. Se ela pretende afirmar que a ideia da existência de Deus não pode ser imaginada, então a afirmativa é bastante falha. Há uma miríade de deuses criados pelos povos desde a antiguidade que mostram a fraqueza desta afirmação. Um círculo quadrado é que é inconcebível. É impossível por definição.

Os atributos de Deus podem ser conhecidos pela sua criação, mas a revelação direta do próprio Senhor é a que nos salva



Outro entendimento possível desta sentença é que a totalidade de Deus não pode ser imaginada pelo homem. Isto não é muito difícil de compreender, porque a explicação é simples: o que é finito não pode capturar a totalidade do infinito. E aqui a história pode nos ajudar mais uma vez. Todos os povos dos quais se tem conhecimento têm algum grau de espiritualidade, de religiosidade. E cada povo percebeu deus de uma forma, com expressões diferentes: às vezes tinham semelhança com homens, às vezes com animais, e outras vezes com seres celestes e objetos inanimados. Os judeus passaram milênios idolatrando diversos deuses das nações vizinhas, mesmo que o Deus verdadeiro tivesse condenado. Aliás, o segundo mandamento dado por Deus ao povo por intermédio de Moisés era uma proibição de representar o próprio Deus verdadeiro com imagens. Por certo, Deus não quer que a sua glória seja aviltada, mostrando-a diminuída através das criações banais dos homens. É impossível representar a totalidade do infinito através de um ídolo.

Deus não pode ser percebido

Existem pelo menos duas passagens na Bíblia que declaram que os homens podem facilmente perceber um criador dotado de grande poder e inteligência pelas coisas criadas. A complexidade e a especificidade dos sistemas biológicos, e até mesmo a fina sintonia de diversas constantes da Física que permite a existência de vida neste planeta são dados a disposição para escrutínio de qualquer um com interesse na verdade.

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz. (Salmos 19:1-3)

Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis (Romanos 1:19-20)

Se você lesse numa parede rochosa de uma caverna “Olá visitante, obrigado por vir. Volte sempre. E traga sua família” não pensaria que esta frase apareceu sozinha com o passar de milhões de anos. Sua racionalidade diz que alguém inteligente escreveu propositalmente aquilo. Da mesma forma, cada célula do nosso corpo (um sistema infinitamente mais complexo que a frase da caverna) grita que existe um criador. A aleatoriedade nunca escreveu uma linha de poesia sequer.

A aleatoriedade nunca escreveu uma linha de poesia sequer. Tudo tem um propósito em Deus.



Portanto, um criador pode ser claramente deduzido. Um Deus criador pode ser percebido pela sua obra, ainda mais quando ele o faz de forma deliberada.

O conhecimento da Bíblia nunca vem por intuição. - J. C. Ryle




Deus não pode ser explicado

Parece que se eu não puder explicar o funcionamento de algo, deve-se deduzir que este ‘algo’ não existe. Não é muito racional pensar desta forma. Eu não sei explicar o funcionamento de um avião, mas todos os dias eles passam voando por sobre a minha cabeça. Sento à frente de um computador no trabalho, em quase completo desconhecimento da maneira como os elétrons de deslocam pelos circuitos, mas não posso dizer pro meu chefe que não posso trabalhar porque o computador não existe, sem que ele ache que sou louco e me mande conversar com o pessoal do Recursos Humanos.

A falta de explicação exaustiva não significa absoluta falta de explicação nem improbabilidade de existência



Anteriormente vimos que é possível deduzir alguns atributos do Criador; e tudo o mais necessário para o conhecimento dEle está disponível na Bíblia, a qual foi escrita por diversos homens que colocaram no papel a revelação que Deus fez de Si mesmo para a salvação dos homens.

Podemos falar de Deus no tocante àquilo que Ele revelou. Não podemos colocar Deus no laboratório e começar a dividí-lo e analisá-lo como se fosse um objeto. A explicação disponível sobre Deus não é exaustiva, mas é suficiente.

Perder tempo com o mundo

O ser humano é pródigo em inventar atividades para passar o tempo. E também é hábil para desperdiçá-lo com coisas fúteis. A tecnologia avança, liberando-nos de tarefas demoradas e/ou difíceis, para que tenhamos mais tempo para ‘viver’. Mas é esquisito que, quanto mais tempo obtemos, mais coisas arrumamos pra nos distrair. O resultado de tudo isto é, como se pode facilmente imaginar, o estresse físico e mental.

O homem batalha contra o tempo


Além de doenças físicas, surgem também problemas em outras áreas, como a emocional e a intelectual. Dedicamos tanto tempo à Internet, ao trabalho, à academia, aos cursos... enfim, a tanta coisa que resta pouco ou nenhum espaço para cultivar relacionamentos. Qualquer tipo relacionamento requer tempo, esforço e atenção para prosperar. Mas esta época exige que tudo seja rápido, fácil, simples e útil - e, principalmente, rentável. Para isto, contudo, as coisas precisam ser descartáveis. O carrossel do mundo gira cada vez mais rapidamente; e logo a brincadeira perde a graça e acaba fazendo mal.

Não há tempo para as pessoas. É uma grande desgraça que hoje se trate pessoas da mesma forma que roupas, calçados e outros objetos. Por este motivo é que, por mais que a humanidade crie mais e melhores meios de comunicação, as pessoas se sintam cada vez mais sozinhas. Há muita coisa para distrair a atenção, e dificilmente é algo relevante. É muita informação, mas de pequeno valor. São como pílulas vitamínicas: tem o básico daquilo que seu organismo precisa, mas de maneira alguma mata a fome.

Só Jesus dá satisfação completa para a nossa vida e acalma o nosso coração durante as tormentas da existência.



Nesta Babel da Informação rápida e resumida vamos caminhando, com nossos estômagos fazendo barulhos esquisitos e ficando tontos sem saber bem o porquê. Ficamos insatisfeitos; eternamente insatisfeitos. Nos sentimos inseguros; eternamente inseguros. Se meditarmos nisto um pouco, percebemos que nós perdemos tempo sim, não com Deus, mas com o mundo.

Aquilo que vale a pena

A única forma de fugir deste tormento moderno é se eu me desembaraçar das coisas desta vida e buscar ao Senhor. Aqui cabe testemunhar um pouco. Sempre gostei muito de ler. Desde pequeno, lia tudo. Livros grandes, pequenos, linguagem simples ou mais rebuscada. Entretanto, nunca ficava satisfeito. O entendimento de um autor era contrariado por outro, ou até o mesmo autor já havia mudado de ideia depois de um tempo. Não que eu ache errado o fato de mudar de opinião. O que eu percebi é que o conhecimento que obtinha nunca era verdade. Era impossível defender a mesma coisa por muito tempo. Isto foi me cansando e me deixando cético e sem esperança. Estava me tornando um cínico. Tudo isto mudou no momento que Deus me converteu e mostrou um fundamento sólido sobre o qual eu podia construir minha vida com segurança e satisfação.

Desde então minha vida tem sido de alegria indizível, pois mesmo quando passo por períodos difíceis, sei que Deus não me abandonou. Lembro de Suas promessas, tão eternas quanto Ele, e saio de cada dificuldade ainda mais maravilhado com o Senhor que eu sirvo. Louvor, honra e glórias sejam dadas ao Criador amoroso e soberano da Terra!

O tempo investido para a glória de Deus nunca será perdido




Com Deus, tudo é ganho

A segunda linha de entendimento da palavra “inconcebível” vai ser detalhada a partir de agora. Minha pretensão é, ao final, convencer o leitor que nunca se perde tempo com Deus, mas, na realidade, tudo é lucro com Ele.

Deus é surpreendente

No que Deus poderia surpreender um crente? Eu posso pensar em diversas coisas. Deus me surpreendeu quando me vi confessando Jesus Cristo como meu Salvador; quando reconheci que era um pecador miserável que merecia uma justa punição pelos meus erros; quando entendi que Ele enviou seu Filho para pagar por esta conta suja e bárbara e eu saí livre. Fui surpreendido porque meu coração foi mudado de tal maneira que ao invés de blasfemar eu O adoro e desejo cada vez mais estar perto dEle e de Suas palavras. Fico surpreso quando descubro como são maravilhosas as obras das Suas mãos; o milagre da vida; o mistério da existência; o significado do que foi, do que é e do que há de ser.

Pasmo com Deus


O Homem deveria ser humilde diante da grandeza da criação do Senhor


Como não ficar diante de Deus e não desfalecer? Alguém não se sentiria humilde diante de uma construção colossal? Quando o homem olha para as estrelas, certamente se acha minúsculo. Como deveria ficar então diante do Criador do Universo? Quão impotente e terrivelmente amedrontado deveria se sentir a criatura que desde que pode se lembrar tem ofendido e se tornado odiável a Ele? E que só cessará de fazê-lo quando finalmente sua sepultura tornar-se como um estandarte portando as insígnias que o identificaram pela vida terrena como um odiável inimigo do Senhor? Entretanto, este mesmo Deus é capaz de perdoar esta vil criatura e torná-la filho de Deus.

Deus é capaz de perdoar criaturas vis e poderoso para torná-las seus filhos




Deus é incrível

Que pagamento poderíamos dar ao nosso Deus em troca da Salvação? Se tudo foi feito por Ele, tudo lhe pertence. Não há nada que possamos dar que já não seja de sua propriedade, mesmo as nossas vidas. O preço era alto demais para ser pago. Mas nenhum valor é devido. Jesus Cristo, o Filho de Deus, pagou com seu próprio sangue a salvação dos eleitos. Ele é suficiente e definitivo: não sobrou nada para complementar. Não há juros e não seremos cobrados novamente. É definitivo. A salvação é para sempre.

A tinta que foi usada para escrever os nossos nomes no Livro da Vida nunca, jamais, se apagará!




Loucura para os que perecem

Toda a história bíblica: a criação, as profecias cumpridas, os milagres executados, a encarnação de Deus, a ressurreição e derrota da morte... parecem incríveis demais para os que estão morrendo. Parece maluquice demais para ser verdade. Mas para os que estão sendo salvos, é o poder de Deus manifestando sua misericórdia sobre os homens. É tão bom que DEVE ser verdade!

Não há nada tão fantástico, maravilhoso e radical quanto a graça de Deus manifestada na salvação do homem




O que temos de extraordinário

Sendo o homem fraco, pobre, pecador, morto espiritualmente e definitivamente contrário a tudo o que é bom, Deus diz: - Viva! E este homem recebe um novo coração, disposto a obedecer e cumprir com prazer toda a vontade do Pai! Mesmo ainda sendo apenas um pequeno vaso de barro, cada crente tem, dentro de si, um tesouro mui maravilhoso: o Espírito Santo do próprio Deus. Glórias ao Santo Senhor que faz morada nos Seus filhos, escrevendo sua lei em nós para que nunca O deixemos!

Nunca haverá um médico como Jesus. Ele diz ao morto: - Viva! - e ele levanta do seu túmulo




Conclusão

O que devemos saber sobre Deus não está longe de nós. E de tudo que podemos saber do nosso Senhor, é impossível que seus filhos não invistam cada segundo da sua existência regenerada ao louvor, honra e glória ao Eterno Pai que infinitamente santo, misericordioso e cheio de amor.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Adão e Eva precisam ser reais pro Evangelho? 0

Adão e Eva no Jardim do Éden. Foi assim que começou.
Tradução do texto [em inglês] de Albert Mohler: Adam and Eve: Clarifying  Again What Is at Stake, disponível aqui.

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Recentes discussões sobre Adão e Eva têm servido para pelo menos um bom propósito – tornar mais claro o que está teologicamente em jogo nos debates. O recente relatório da NPR (National Public Radio) alertou a grande cultura secular para o debate, mas raramente a discussão traz novidades.

O que é novo, contudo, é a sincera admissão por parte de alguns de que a negação de um Adão histórico requer uma nova compreensão da história bíblica básica – e do Evangelho como um todo.

Um dos meus mais recentes artigos, False Start? The Controversy Over Adam and Eve Heats Up (Começo Falso? A Controvérsia sobre Adão e Eva Pega Fogo) deixa este ponto mais claro. Como eu argumentei lá, a negação do Adão histórico não só implica a rejeição do ensino bíblico lúcido, mas também resulta na negação da Doutrina Bíblica da Queda, conduzindo da um modo muito diferente de contar a História Bíblica e o significado do Evangelho.

A propósito, aqueles que tentam negar que o Gênesis requer a afirmação de um Adão histórico como um indivíduo humano real e singular (argumentando, por exemplo, que a palavra ‘Adão’ em hebraico significa somente ‘o homem’) tem que enfrentar o fato que a narrativa de Gênesis apresenta Adão como um indivíduo singular que age, fala, casa-se, reproduz-se, e está listado na genealogia de Jesus. O vocabulário hebraico não oferece nenhuma escapatória convincente para a historicidade.

O ponto principal do meu artigo ‘False Start’, contudo, foi que a negação de um Adão histórico separa o ponto essencial elaborado por Paulo em Romanos 5:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. (Romanos 5:12-17)

Esta é a forma do Apóstolo Paulo contar a história da Bíblia e o significado do Evangelho. Se Adão não foi uma figura histórica, e assim não houve nenhuma Queda no pecado e assim toda a Humanidade não pecou em Adão, portanto a história do Evangelho que o Apóstolo Paulo conta está errada. Além disto, Paulo estava simplesmente enganado ao crer que Adão foi uma pessoa real.

Desta maneira, a negação do Adão histórico significa que nós temos que contar a história da Bíblia de uma maneira muito diferente do que a Igreja tem lido, ensinado, pregado e acreditado há séculos. Se não há nenhum Adão histórico, então a metanarração bíblica não é Criação-Queda-Redenção-Nova Criação, mas algo totalmente diferente.

Para seu crédito, Brian McLaren afirma esta verdade e concorda que a negação da historicidade de Adão requer uma nova maneira de contar a história bíblica. Mas – e este é o ponto crucial – ele pensa que isto pode ser uma coisa boa.

Respondendo ao meu artigo, ele escreveu:

Eu concordo firmemente (em um tipo curioso de ironia) com o bom Dr. Mohler. Eu penso que a convenção constantiniana “do entendimento da metanarrativa do evangelho e o enredo da Bíblia” está errada, mal orientada, e perigosa. Nós realmente precisamos de “um completo novo entendimento” – novo, que é, comparada com o status quo, mas realmente mais antigo e primário que a abordagem convencional. No processo nós aprenderíamos melhor o que uma metanarrativa é de fato e perceber que não há um grande rótulo para aplicar ao Evangelho... “o enredo da Bíblia” é muito melhor. Isto é o que eu tenho escrito e falado na última década, e espero continuar defendendo e contribuindo para a próxima.

Naturalmente, McLaren tem escrito sobre isto e convoca uma revolução teológica. No seu livro de 2010, A New Kind of Christianity (Um novo tipo de Cristianismo), McLaren explicitamente nega que a Bíblia revela Adão como um ser histórico. Ele também nega que nós deveríamos crer numa Queda no Pecado que conduz a um veredito divino contra a pecaminosidade humana.

Em suas palavras, falando do relato de Gênesis:

É patentemente óbvio para mim que estas histórias não pretendem ser tomadas literalmente, apesar de isto não costumar ser tão óbvio, e eu sei que não deve ser agora para a maioria dos meus leitores.  É também poderosamente claro para mim que estas histórias não literais ainda devem ser levadas a sério e representadas pelo seu conteúdo rico, porque elas instilam experiente sabedoria multiforme – através de profunda linguagem mítica – sobre como veio a se tornar o que é.

Sobre Gênesis 3, ele afirma:

Neste mundo, não há nenhum momento isolado de deslocamento de declaração para história: é tudo história, do começo ao fim, e provavelmente antes e depois também. Deus não é suscetível de perder seu status de perfeição com uma promessa furiosa de eterna condenação, perdição e destruição. Deus não decretou o estado perfeito arruinado e o planeta destinado para geocídio. A experiência não é um fracasso.

Um ponto similar foi dito pela escritora conhecida como RJS em ‘Jesus Creed’, o blog do estudioso do Novo Testamento Scott McKnight. RJS rejeitou minha afirmação que uma compreensão correta de Adão é necessária para a correta compreensão de Cristo e sua expiação. “Eu rejeito categoricamente a noção que ter uma visão correta de Adão (ou uma visão específica de Adão) é requerida para ter a visão acertada de Cristo e sua obra redentiva neste mundo”, ela escreveu.

Ela está certa em argumentar que nossa compreensão da criação é inata e irredutivelmente cristológica – baseada em textos como João 1 e Colossenses 1. Todavia, isto não reduz de qualquer forma a importância da afirmação da Bíblia de que Adão é uma figura histórica e que a Queda é um evento histórico.

Ainda, ela também escreve isto:

Francamente, eu não acho que a Encarnação seja a solução para o problema criado pelos nossos antepassados originais, ou dois indivíduos únicos criados do pó ou um grupo que evoluiu para humanos. Eu penso que a encarnação era parte do plano de Deus desde o princípio.

Isto é um pouco atordoante. O Antigo Testamento claramente promete a vinda de um Escolhido que irá salvar o Seu povo dos pecados deles. A Encarnação é impossível para nós compreendermos em termos bíblicos sem a afirmação central de que Cristo veio para redimir Seu povo do pecado. Como Paulo escreveu em Gálatas 4.4-5, “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”.
No contexto da eternidade, onisciência e soberania de Deus, é inegável que “a Encarnação era parte do plano de Deus desde o princípio”. Mas é também verdadeiro que a criação de Adão e Eva e a Queda da Humanidade no pecado foram também parte do plano divino desde o começo. Esta verdade (definida dentro do contexto da eternidade, onisciência e soberania de Deus) tem sido afirmada, a propósito, tanto por Calvinistas como por Arminianos clássicos. Esta tem sido a fé da Igreja, baseada sobre a autoridade das Escrituras.

Eu genuinamente aprecio um debate honesto sobre estes assuntos de inegável e incalculável importância teológica. Este debate tem servido para esclarecer, mais uma vez, o que está em jogo. Eu só posso terminar novamente onde eu terminei o artigo “False Start”:

A negação do Adão e Eva históricos como os primeiros pais de toda a humanidade e o primeiro par de humanos corta a ligação entre Adão e Cristo o qual é crucial para o Evangelho. Se nós não sabemos como a história do Evangelho começa, então nós não sabemos o que a história significa. Não se engane: um falso início para a história produz uma falsa compreensão do Evangelho.

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Nota do tradutor e editor do blog: aqui no Brasil também temos representantes do mesmo pensamento de Brian McLaren, participantes da escola teológica do liberalismo. Ricardo Gondim, Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz são bons exemplos desta escola.

[Atualização 01-09-2011]
Complementando, indico também a leitura deste texto, da autoria de Mauro Meister, no blog O Tempora-O Mores.

Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, Pois é o Poder de Deus para a salvação de todo aquele que Crê - Romanos 1:16
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Universalidade do sentimento religioso 0


Há algumas pessoas que dizem por aí não haver Deus. A Bíblia diz que os que assim procedem são tolos. E não é à toa que ela taxativamente desta forma os qualifica. O sentimento religioso está presente em toda e qualquer sociedade que existiu ou que existe. E isto se dá por um motivo singelo: o Criador imprimiu na mente de cada humano a sua marca, dizendo: 'há um Deus'. Às vezes, este sentimento é manifestado em adoração a entidades naturais, como o sol ou a lua, ou a 'mãe-terra'; em outras, é personificada em entidades antropomórficas - com aparência de homem - total ou parcialmente; às vezes são vários 'deuses' divididos por seus atributos e ações, às vezes é apenas um. 'Instintivamente', portanto, sabemos que um ser criador existe. Desta forma, o homem está indesculpável quanto a este conhecimento.

Calvino, em suas Institutas, declara que até mesmo a idolatria depõe a favor desta sensação do divino. O homem não se sujeita facilmente àquilo que lhe é superior; entretanto, prefere adorar ídolos de madeira e pedra a estar entre os que dizem não haver deus algum. Resta claro quão forte é a impressão, deixada no entendimento do homem, da existência do divino, fazendo recuar a presunção e orgulho tão peculiares à sua natureza.

De forma petulante, com ares de quem fez uma grande descoberta, alguns indivíduos falam sobre a religião como se fosse algo inventado por um ou outro astuto para dominar a patuleia ignorante. Contudo, a crítica erra o alvo, não diz nada sobre a origem da religiosidade. Pessoas mal-intencionadas podem, com certeza, elaborar matéria diversa sobre a religião, e assim enganar alguns incautos. Mas mesmo este engano pressupõe a religiosidade inata do que crê, sem a qual qualquer tipo de persuasão seria impossível; e não está fora de escopo dizer que o perpetrador consegue agir assim porque ele mesmo a possui algum entendimento de como funciona a mente humana neste assunto.

E quanto àqueles que negam possuir tal sensus divinitatis? De fato, muitos o fazem. Tentam esconder-se da presença de Deus, censuram todo pensamento acerca dele, buscam apagar com certo trabalho qualquer vestígio do seu criador, como quem procura limpar a pele de uma tatuagem não mais desejada. O que, ao final, descobrem é que as tintas do criador marcam suas entranhas estreita e visceralmente, restando a estes apenas o entrar num carrossel de pavor, desesperança e cinismo. E mais uma vez Deus é afirmado; até mesmo pela vida estúpida dos ímpios: uma necessidade real que só pode ser suprida por Deus.

Toda a nossa conversa até aqui não deve ser entendida como uma teologia natural. O que Deus é não pode ser de todo deduzido a partir da natureza. Muito embora as coisas criadas tenham o seu valor para demonstrar quão criativo e poderoso é o Senhor, elas não podem ensinar nada sobre o mal nem sobre a necessidade de Redenção. A natureza nos dá uma revelação geral, mas é conhecimento insuficiente para a salvação do homem. Contudo, isto foi assim feito para que nenhum homem fique excusável diante de Deus.

Busque o Senhor enquanto se pode achar
Ele não está longe de quem o procura
Seu braço não está encolhido
De forma que não possa salvar.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cosmovisões: uma introdução 0

Cosmovisão - conscientemente ou não, você tem a sua
Você já parou para pensar no que te leva a fazer as escolhas que faz? Ao olhar o mundo, como você o interpreta? Sem dúvida, há muitas formas de se observar a vida. Mas seriam todas estas maneiras verdadeiras? Você vê o mundo da forma que ele é ou da forma que gostaria de fosse?

Cosmovisão é o termo que usamos para englobar o conjunto de premissas e fundamentos que uma pessoa tem como princípios norteadores do seu modo de pensar e agir. É uma lente através da qual vemos o que nos rodeia e então tentamos entender. É a visão que temos do mundo, das coisas que nele há e da interação delas. Fazendo uma analogia, é como um mapa que indica todas as estradas de um determinado lugar, com sua geografia, indicações de lugares para comer, dormir, relaxar... permitindo ao aventureiro planejar com sucesso uma viagem. Evidentemente, o sucesso depende de quão exato tal mapa seja.

E o que eu tenho com isso?


Apesar de nem todas as pessoas discernirem perfeita e claramente a sua, cada um de nós fundamenta a vida em uma cosmovisão. Às vezes, esta visão de mundo é bastante nebulosa, misturando elementos contraditórios; outras vezes, falha em explicar aspectos importantes da realidade.

Nancy Pearcey, em seu livro Verdade Absoluta, nos ajuda a descobrir qual são os princípios básicos da cosmovisão de uma pessoa. Ela explica didaticamente que toda cosmovisão está firmada em três grandes pilares, a saber:

- criação: como tudo começou, de onde viemos;
- queda: o que deu errado, qual é a fonte do mal e do sofrimento;
- redenção: o que fazer a este respeito, como consertar o mundo;

Faça estas perguntas a si mesmo e você descobrirá a sua visão de mundo.

É importante saber sobre cosmovisões?


Há dezenas, talvez centenas, de ideias de como surgiu o mundo, de criar os filhos, como se comportar diante da natureza; inúmeras maneiras de relacionar com as outras pessoas, de entender os fatos cotidianos e os misteriosos. É praticamente impossível conhecer todas as variações de pensamento humano e preparar uma argumentação para desmistificar cada uma delas. É muito mais simples entender as bases sobre as quais estas variações de pensamento são elaboradas e então atacá-las. Se as bases não forem sólidas, elas cairão muito mais rápido do que uma casa de palha construída sobre a areia.

E se eu não tenho a cosmovisão correta?


Se eu planejar uma viagem usando um mapa incorreto, que não mostre os postos de combustível nos locais corretos, ou que mostre caminhos diferentes do que vou encontrar in loco, com certeza isto será um problema. Não chegarei onde desejo, com grande possibilidade de ficar perdido, desorientado, com fome, sono e frio. Até mesmo posso ir a algum lugar onde minha própria vida estará em risco. Não obstante, muitos ainda acham que este tipo de aventura pode trazer algum tipo de alegria, por causa da surpresa. Mas surpresas nem sempre são agradáveis. E é um risco que pessoas sensatas não devem correr.

Destarte, uma cosmovisão é correta quando aquilo que ela afirma condiz com a realidade. Simples assim. Assim como um mapa, uma visão de mundo com ‘áreas escuras não identificadas’, ou com partes faltando, não presta como um bom guia. Ignorar estas áreas não é prudente. Ou, para ser mais claro, é estupidez.

Quais são as cosmovisões mais comuns


O cristianismo é uma cosmovisão teísta bíblica, mas além dela temos muitas outras que, ou utilizam alguns dos seus elementos de forma contrabandeada, ou são patentemente contrárias. Além do teísmo, são outros exemplos de cosmovisões o ateísmo, o deísmo, o panteísmo e o politeísmo. Tratarei sobre cada cosmovisão em postagens futuras, cada qual com suas características e falhas.

Sobre qual cosmovisão você gostaria de saber mais? Escreva um comentário!
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Deus se irrita com ignorantes? 0


Continuação das perguntas feitas no livro 'The necessity of atheism', de Percy Bysshe Shelley. Partes anteriores: Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta Sexta.

Se ele é razoável, por que ficaria irritado com os pobres ignorantes a quem deu a liberdade de não serem razoáveis?

Certamente, Deus é um Ser racional, pois ele criou o mundo que funciona através de leis, perfeitamente ordenadas para que tudo funcione, desde o sistema biológico de uma bactéria e de seres vivos mais complexos, incluindo o ser humano, até o controle de todo o sistema do universo, de forma magistral. Nada escapa ao seu controle, e tudo o que acontece tem, no mínimo, sua permissão. Ele sabe o número de fios de cabelo que temos em nossas cabeças, não evitando que eles caiam, embora tenha poder para isso, se quisesse. Tudo está dentro do seu soberano propósito.

Os homens não são pobres ignorantes. Todos os homens, de uma forma ou de outra, tem como saber da existência de um Ser superior que é o Criador de todas as coisas a quem devemos a nossa existência. Além da revelação na natureza, dispomos também da sua revelação especial, que ocorreu através de Jesus Cristo e de todas as palavras ditas através dos seus profetas.

Não ver, não ouvir e não falar de Deus certamente não fará Deus deixar de existir...



A ira de Deus recairá sobre muitos, não por serem irracionais, mas por racionalmente e voluntariamente desejarem afastar-se dEle. A questão é a escolha.

***
Por Leandro Teixeira, 2010


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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Posso convencer Deus de algo? 0

Deus é Rocha Eterna imutável
Continuação das perguntas feitas no livro 'The necessity of atheism', de Percy Bysshe Shelley. Partes anteriores: Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta.

Se ele é imutável, por que a pretensão de querer que mude suas decisões?

Certamente, Deus é imutável. Porque eu, o SENHOR, não mudo (Mal 3:6a). Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg 1:17).
Entretanto, por vezes vemos na Bíblia Deus mudando a sua ação. Como exemplo, podemos citar em Êxodo 32.4-6, enquanto Moisés recebia a Lei de Deus no monte, o povo construiu um bezerro de ouro e o adorava, enquanto Moisés se demorava. Deus disse que destruiria o povo e faria de Moisés uma grande nação (Ex. 32.10). Entretanto, ele intercedeu pelo povo, pedindo que abrandasse sua ira. O resultado pode ser visto no versículo 14: “Então se arrependeu o Senhor do mal que dissera que havia de fazer ao povo”.

Existe argumentação racional sobre a imutabilidade de Deus? Há pelo menos 3 possíveis explicações para este atributo divino.

1.) Para que alguma coisa mude, algo deve ser feito numa ordem cronológica. Deve haver um “antes” e um “depois” no tempo, pois o tempo é isto: uma sucessão de situações anteriores por situações posteriores. Mas Deus está fora do tempo cronológico. Para Ele, não há como existir uma série de “anteriores” e “posteriores”, não podendo mudar, portanto, já que para a mudança é necessário um “antes” e um “depois”.

Exemplo da passagem do tempo

2.) Toda mudança envolve uma alteração para melhor ou para pior. Mudança que não resulte em modificações não é mudança em sentido algum. Ou alguma coisa não existente até então é obtida, ou algo que se tinha é perdido. Mas se Deus é perfeito, ele não precisa de nada. E se Ele perdesse algo, deixaria de ser perfeito. Logicamente, Deus não muda.

Toda mudança implica em alterações, adicionando ou retirando partes

3.) Quando alguém muda de idéia, é porque recebeu uma nova informação da qual não tinha conhecimento anteriormente, ou as circunstâncias mudaram e agora requerem uma nova atitude. Mas, se Deus mudou de idéia, não deve ser porque recebeu uma informação que desconhecia até então: Ele é onisciente, e sabe todas as coisas (Sal 147.5). Mas se as circunstâncias mudaram, Deus pode se reposicionar de acordo com esta nova situação. Isto não significa que Deus mudou de idéia, mas que o relacionamento dEle com a nova realidade é diferente.

As circunstâncias podem fazer com que os posicionamentos mudem...

Foi o que aconteceu com os israelitas ao pé do monte, citado no começo desta postagem. Deus executaria seu juízo contra o pecado deles, como resultado de sua justa ira. Mas Moisés intercedeu junto ao Senhor. E a ação de Deus àqueles que o invocam é o de misericórdia. Antes de Moisés orar, Israel estava sob o juízo de Deus. Após a súplica, ficaram sob a misericórdia dEle. Não foi Deus quem mudou; mas as circunstâncias, sim.

Quando a Palavra disse que Deus se arrependeu, está se usando um forma de linguagem chamada antropomórfica. É um jeito ‘humano’ de se mostrar algo que o divino realizou. Foi uma forma figurativa de dizer que a intercessão de Moisés teve êxito em mudar o relacionamento de Israel com Deus.

Fonte utilizada: Norman Geisler e Thomas Howe - Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e Contradições da Bíblia


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