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domingo, 17 de junho de 2012

Crítica - A 4ª Dimensão - David (Paul) Yonggi Cho 0

Semanas atrás fui com minha cunhada à uma livraria evangélica aqui em Porto Alegre para ajudá-la a comprar alguns livros e CDs. Passeando entre as estantes, procurava descobrir se eu podia me presentear com algum bom livro. Às vezes, tenho gratas surpresas, mas não foi o caso desta vez. Paciência. Mas, no fim, até fiquei alegre, porque o tipo de literatura cristã que me atrai é também objeto de desejo de outras pessoas aqui na cidade. Gostaria de conhecê-las pessoalmente!

No meu passeio, olhei a estante de livros dedicados à oração. Achei boa parte dos títulos bem estranha, pois prometiam entregar ao leitor uma fórmula, um procedimento infalível de alcançar a Deus e lograr êxito na conquista dos seus próprios anseios. Nada mais longe do objetivo da oração, eu pensei. Olhei os autores, e não os conhecia. E vi apenas poucos nomes diferentes. Parecia uma espécie de ‘cartel da literatura evangélica’. Mas um nome chamou a minha atenção, porque já havia ouvido falar nele por aí e o nome desse livro soou bastante esotérico. O livro era “A Quarta Dimensão”, do David (Paul) Yonggi Cho, publicado pela Editora Vida.

O autor

Yonggi Cho é um pastor de uma igreja evangélica sul-coreana, considerada por ele e por muitos como a maior igreja evangélica do mundo. Devido à influência que causou com seu método de crescimento de igrejas, tornou-se conhecido pelo mundo, o que o fez trocar seu nome para um de mais fácil assimilação pelos ocidentais. Primeiro, mudou para Paul, depois achou melhor usar David.

A linguagem

Não é um livro difícil de ler. É curto, possui uma linguagem simples, sem muitos recursos estilísticos e nem vocabulário rebuscado. Não há termos teológicos nem notas de rodapé, pois o autor não se preocupou em especificar fontes às afirmações de terceiros. Quando ele utiliza um estrangeirismo, ou cita as línguas originais da Bíblia, ele o faz explicando sua compreensão da palavra ou expressão. Todo o conteúdo do livro é baseado em suas experiências, desde a sua conversão até os momentos de alegria e de dificuldade que aconteceram no decorrer do seu ministério. Há muitos diálogos transcritos, entre ele e outras pessoas, e entre ele e Deus, seja Deus Pai, ou Jesus, ou o Espírito Santo. A divisão do livro é adequada, com seu conteúdo bem distribuído e didático, o que torna o fluxo de leitura leve e agradável.

Conteúdo

É aqui que vamos encontrar muitos problemas. Pensei melhor dividí-los em tópicos para facilitar a leitura.


Ataque à soberania de Deus

Sem meias palavras, a primeira frase do primeiro capítulo já começa assim:

“Deus jamais produzirá nenhuma de suas grandes obras a menos que a realize por meio de sua fé, da fé que deu a você.”

Ele repete novamente esta ideia no capítulo 6, onde ele coloca na boca de Deus as seguintes palavras:

“Jamais me apresentarei ao mundo com poder a não ser que me manifeste através de sua vida."

E Yonggi Cho completa:

“Você é o canal. Você tem toda a responsabilidade. Se não desenvolver sua maneira de crer a fim de cooperar com Deus, ele será limitado. Deus é tão grande quanto você lhe permitir que o seja. Ele também é tão pequeno quanto você o obrigar a ser.”

Esta ideia não é nova. Ela está na boca de muitos pregadores conhecidos, curiosamente norte-americanos, que Cho critica no livro. Kenneth Copeland e Kenneth Hagin, dois famosos pregadores e escritores (os quais herdaram sua teologia de E. W. Kenyon - o verdadeiro pai da Confissão Positiva), também expressam esta noção de que Deus está, de fato, limitado pela vontade humana. Assim, parece que ele nem mesmo é dono dessa visão que é elogiada por Robert H. Schuller no prefácio desse livro como sendo uma mensagem especial do Espírito Santo trazida para Yonggi Cho.

A Bíblia ensina que Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. A história mostra como Deus tem lidado com a Sua criação e prova que nada está fora do Seu controle. Deus governa; seus propósitos nunca serão frustrados. É surpreendente a ousadia do autor em diminuir Deus desta maneira. Ou cremos no que a Bíblia diz, ou a jogamos fora. E ela fala isto acerca do Todo Poderoso:

E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? (Dan 4:35)
Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. (Jó 42:2)
Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? (Isa 43:13)
Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou. (Slm 115:3)
Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. (Isa 46:10)
(Recomendo, também, leitura da resposta de Deus à Jó, no livro de mesmo nome, nos capítulos 38 a 41)

A história já está escrita. E ela vem se cumprindo nos mínimos detalhes no decorrer das eras, porque o Deus que criou todas as coisas, continua mantendo a obra graças fazendo uso da Sua providência, bem como intervenções especiais, chamadas de milagres. Então, quando se diz que Deus não pode fazer nada a não ser que alguém aqui em baixo “se mexa”, incorremos em blasfêmia. Pois o contrário é que é verdadeiro:

Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas (At 17:25)
Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos (At 17:28)
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. (Flp 2:13)


Negação da onisciência de Deus

Um deus que não é onipotente provavelmente não seja, também, onisciente. Este atributo de Deus também está ofuscado pelo ensino de Yonggi Cho. A Bíblia, porém, diz que Deus sabe daquilo que precisamos mesmo antes de pedirmos:

Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces. (Sl 139:4)
Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera (Ef 3:20)
Na verdade, nem sabemos bem o que pedir. Por isso, o Espírito Santo intercede por nós em nossas orações. Pois o espírito do homem sabe aquilo que é do homem, mas o Espírito de Deus sabe das coisas de Deus.
Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. (1 Co 2:9)
E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. (Rm 8:26)

Contudo, o deus de Yonggi Cho tem problemas com a precisão das petições. Novamente, o autor coloca palavras na boca do Senhor neste trecho do capítulo 1, onde ele entendeu que não recebeu os bens materiais que solicitou por falta de detalhamento no pedido:

“Sim, esse é o seu problema, o problema de todos os meus outros filhos. Imploram exigindo todo tipo de coisas, mas o fazem com termos tão vagos que não posso responder. Será que você não sabe que há dezenas de tipos de escrivaninhas, cadeiras e bicicletas? Mas você simplesmente pediu-me uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta. Não pediu uma escrivaninha específica, nem uma cadeira nem uma bicicleta específicas.”

Deus não saberia o que é o melhor para seus filhos? Claro que saberia. Deus rejeitaria o clamor de alguém que esteja tão humilhado, tão alquebrado, de maneira que não tivesse forças para orar algo além de “Oh Deus, abençoa-me” ou “Sê propício a mim, pecador” (Lc 18.13)? Mas o deus de Cho parece que só responde se você usar termos exatos:

"O Deus, abençoa-me" — então Deus pode perguntar-lhe: "Que tipo de bênção você deseja dentre as 8.000 promessas?"

Preciso explicar melhor este ponto. Não advogo que o crente tenha de fazer orações tão genéricas e abstratas de modo que abarquem qualquer coisa. Na verdade, penso que é correto fazer uso da Palavra, e mesmo citar literalmente as promessas que Deus fez a nós, em nossas orações. Isto é bom e desejável, porque gera confiança no pedido e segurança na resposta. Deus deve se alegrar ao saber que seus filhos conhecem a Sua Palavra. Concordo com o autor apenas tangencialmente, porque Deus atende a orações simples, bem como a orações mais bem fundamentadas, desde que estejam de acordo com a vontade Dele. Se o Senhor não quiser abençoá-lo com uma casa ou um carro, por exemplo, Ele não o fará, por mais que você diga a Ele quantos tijolos ou parafusos que as coisas pedidas tenham. Aliás, se a petição lhe for negada, devemos entender ISSO como a benção.


Confusão entre o poder de Deus e o poder do homem

Fica patente na leitura do livro a confusão entre aquilo que compete a Deus daquilo que compete ao homem. Yonggi Cho confunde as duas coisas, de modo que destemidamente usa passagens bíblicas mostrando a ação poderosa do Senhor como que sendo possível ao homem fazer o mesmo. No capítulo 1, Cho cita Romanos 4.17, que diz “(...) Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem”, e pensa que o homem pode fazer da mesma maneira, quando declara:

“Acho que podia simplesmente chamar à existência aquelas coisas que não existem como se existissem, como se já as possuísse.”

Mais tarde, ao falar para a congregação acerca das “coisas que declarava como se já as tivesse”, alguns quiseram ver essas coisas. Cho reclamou ao Senhor, como se a ideia de violentar o texto bíblico fosse Dele:

"Senhor, desde o princípio essa não foi idéia minha. Foi tua idéia que eu lhes dissesse isso. Simplesmente te obedeci, e agora estou em apuros. Falei-lhes como se fosse dono das três coisas. Que explicação posso dar-lhes agora? Tu precisas ajudar-me, como sempre tens feito."

No fim do livro, ele mostra qual é o verdadeiro motivo que o crente deveria ter para orar ao seu Deus:

Irmãos e irmãs em Cristo, neste instante vocês têm todo o poder de Deus dentro de vocês. Podem recorrer a esse poder para seus gastos, suas roupas, seus livros, sua saúde, seu negócio, tudo!
Quando saírem para pregar o evangelho não estarão pregando um objetivo vago, uma teoria, uma filosofia ou uma religião humana. Na verdade estarão ensinando as pessoas a destapar o manancial inesgotável dos recursos morais e espirituais.

Uso seletivo de passagens bíblicas

O autor também revela falta de preparo no seu ministério pastoral. Ora, convenhamos, não é boa prática ficar sorteando alguma passagem da Bíblia para pregar, como ele faz ao contar logo no íncio do livro:

“Nessa manhã, lendo a Bíblia à procura de uma passagem especial para pregar, repentinamente meus olhos caíram em Romanos 4:17(...). Corri para a tenda que nos servia de igreja, onde as pessoas já haviam começado a orar, e depois de cantarmos alguns hinos comecei a pregar. Expus-lhes essa passagem bíblica (...)”

Conforme pode-se perceber pelo contexto, o ministério de Yonggi Cho ainda estava no seu começo, e (quero crer) talvez ele tenha usado esse expediente leviano apenas nessa época. Entretanto, foi nesta mesma época que ele “desenvolveu” a teologia sobre a oração que expôs no livro, o que pode dar um pano de fundo teológico à sua “revelação”.


Entendimento incorreto da natureza da fé

O que é fé? É confiança ou convicção em algo ou alguém. Fé em Deus é, portanto, confiança naquilo que Ele diz, naquilo que Ele é e naquilo que Ele faz. Há um outro sentido para fé, quando nos referimos, por exemplo, à “fé dos cristãos”, que significa “o conjunto de crenças que os cristãos têm”. Destarte, imaginar a fé como algo manipulável, como se fosse uma energia ou substância, não faz o mínimo sentido, nem bíblico, nem lógico. Analogamente, é como pesar o pensamento. Seria racional se fosse uma espécie de metáfora, mas não se considerada literalmente. A fé não é um objeto; ela precisa de um objeto, o qual é o Deus da Bíblia, para os cristãos.

Yonggi Cho afirma que existem várias dimensões no universo. Pensando geometricamente, ele ensina que existe a primeira dimensão, que é a dos pontos; a segunda dimensão, que são pontos ligados, formando planos; a terceira dimensão surge quando vários planos são agrupados - o nosso mundo físico é tridimensional; e o mundo espiritual, que seria a quarta dimensão. Conforme ele crê, as dimensões superiores abarcam e dominam as dimensões inferiores. Como os seres humanos possuem corpo e espírito, eles pertencem à 3ª e à 4ª dimensão. Se soubermos conectar o nosso espírito a esta 4ª dimensão, podemos moldar e controlar o plano físico.

Cho ensina que a fé é como uma energia que está disponível tanto para espíritos bons quanto para espíritos maus (cap. 2). E ele prova isto mostrando que outros grupos religiosos ou filosóficos podem também fazer milagres, não somente os cristãos. Perceba também um certo desdém por quem estuda teologia e gosta de falar sobre assuntos de fé:

"Os não-crentes do mundo todo estão envolvidos em meditação transcendental e meditação budista. Na meditação pede-se que a pessoa tenha uma visão e um objetivo claro. No sokagakkai constróem uma imagem de prosperidade, repetindo frases vez após vez, tentando desenvolver a quarta dimensão espiritual do homem; e estas pessoas estão criando algo. Embora o Cristianismo tenha chegado ao Japão há mais de cem anos, conta com somente 0,5% da população, e o sokagakkai possui milhões de seguidores. Sokagakkai tem aplicado a lei da quarta dimensão e tem realizado milagres; mas no Cristianismo só há falatório sobre teologia e fé.

Um pouco mais adiante, ele acrescenta:

"Não seja enganado pela conversa da expansão mental, da ioga, da meditação transcendental ou do sokagakkai. Eles estão simplesmente desenvolvendo a quarta dimensão humana, e nesses casos não estão operando na quarta dimensão do bem, antes, na do mal."

E Yonggi Cho vai mais longe. Ele diz que o próprio Deus utilizou esta fé para criar o mundo. Bastou que Ele falasse. O funcionamento dessa fé é o seguinte: as pessoas visualizam o que querem - que o autor chama de ‘imcubação’ - e, a seguir, verbalizam essas intenções; então, forças positivas (Deus, por ex.) usam estas declarações positivas para o bem, e forças negativas (demônios, por ex.) usam declarações negativas para o mal. De uma forma ou de outra, as declarações orais transformam o mundo físico. As palavras são o combustível dos seres espirituais. É importante não somente declarar intenções, mas ordená-las.

“Clame pela palavra de segurança e a proclame, pois sua palavra se espalha e cria. Deus falou e todo o universo se formou. Sua palavra é o material que o Espírito Santo usa a fim de criar.”
“Mediante o domínio na quarta dimensão, o reino da fé — você pode dar ordens a suas circunstâncias e situações, trazer beleza ao feio, ordem ao caótico, sarar os enfermos e consolar os que sofrem.”
“Portanto desejo falar-lhes a respeito do poder criador da palavra falada e por que o seu uso é de grande importância.”
“Na quarta dimensão cria-se tanto o bem como o mal.”
“Precisamos readquirir a arte perdida de expressar a palavra de ordem”
“Há tempo de orar mas também há tempo de dar a ordem. Deve orar em seu quarto secreto, mas ao sair para o campo de batalha, você sairá a fim de proferir a palavra de ordem de criação”


Hermenêutica e exegese incorretas

Para dar sustentação às suas ideias, Yonggi Cho não se faz de rogado e faz sua própria exegese da bíblia, com uso de uma hermenêutica totalmente singular.

“Gênesis 1.2: "A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas." Mas se examinarmos a língua original da Bíblia, esse versículo quer dizer que o Espírito de Deus estava incubando sobre as águas, chocando-as.”

O verbo hebraico râchaph, que aqui é traduzido por “pairava”, tem outros significados, tais como movimentar, agitar, vibrar. Como boa regra hermenêutica, é bom ver em quais outros contextos a palavra aparece, para buscar melhor compreensão dela. E este verbo também aparece em outras passagens, como em Dt 32.11, onde é traduzido por “move”, e em Jr 23.9, que em português ficou “estremecer”. Não há, nem de leve, qualquer menção à “incubar”, ou “chocar”, salvo se, por licença poética, ele quiser interpretar “move-se sobre os seus filhos” como “chocar”, na passagem de Deuteronômio, embora não me ocorra como uma ave choca seus ovos se movendo agitadamente sobre eles.

Em outra passagem do seu livro, Cho afirma que Eva fez uso da sua técnica de visualização para pecar. Aqui, Cho também tem uma revelação extra bíblica, narrando outras partes da conversa entre a serpente e Eva.

“Venha ver o fruto da árvore proibida. Olhar não faz mal; por que você não vem e dá uma olhada? Uma vez que o simples olhar para o fruto parecia inofensivo, Eva foi e olhou para a árvore. Olhou para ela não somente uma vez, mas continuou a olhar. A Bíblia diz em Gênesis, no capítulo 3, versículo 6: "Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu." Antes de comer do fruto ela viu a árvore, e viu também o fruto em sua imaginação. Brincou com a ideia de comer da árvore e trouxe essa ideia para sua quarta dimensão.”

Neste outro texto, percebemos que Abrão perdeu a oportunidade de possuir todo o oriente médio: afinal, Deus poderia ter-lhe dado mais, mas Abrão não tinha uma visão (literalmente) muito ampla, e viu apenas alguns quilômetros de terra, que seriam dele e da descendência dele.

“Deus tem usado essa linguagem do Espírito Santo para mudar muitas vidas. Observe com cuidado ao ler Gênesis 13:14-15: "Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre." Deus não disse: "Oh, Abrão, dar-lhe-ei Canaã. Simplesmente reivindique-a." Não, mui especificamente, Deus lhe disse que desde onde estava olhasse para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente que ele lhe daria essa terra, a ele e a seus descendentes.
(...)
Gostaria que Abrão tivesse tido um helicóptero, para subir bem alto e olhar lá de cima toda a região do Oriente Médio. Assim seriam evitados tantos problemas que sofre essa região hoje. Uma vez que Abrão não possuía binóculos nem helicópteros, sua visão foi bastante limitada. Ver é possuir. Abrão viu a terra. Então voltou para sua tenda, para sua cama, a fim de sonhar com as terras que seriam suas. O Espírito Santo começou a usar essa linguagem de sua quarta dimensão. O Espírito Santo começou a exercer domínio.”

Penso aqui que Cho também limitaria a ação de Deus. Melhor do que um helicóptero, ele poderia ter dado uma olhada para a terra a partir de um ônibus espacial, não é mesmo?

Adiante, mais um problema de interpretação. Não há especialista em grego do NT que traduza o nome Simão por “cana”. Mas isto não impediu o autor de impor sua própria interpretação à palavra. Como bônus, uma revelação adicional de mais uma frase dita por Jesus:

“— Isso também foi verdade com referência ao apóstolo Pedro. Seu nome original era Simão, que significa "cana". Quando Pedro veio, trazido por André, Jesus olhou em seus olhos e sorriu. — Sim, você é o Simão. Você é uma cana. Sua personalidade é tão dobrável, tão mutável. Num momento você está com raiva; no outro você ri. Às vezes você se embriaga e outras vezes mostra quão inteligente pode ser. “

Não sei tipo de Bíblia este homem tem, mas com certeza não é a mesma que os cristãos usam. Vejam a citação abaixo, aparentemente extraída de Tiago 3:

“— A língua é o menor membro de nosso corpo, mas pode dominar o corpo todo.”

É realmente isto que o apóstolo diz? Não, a passagem diz que quem domina a língua, consegue dominar o restante do corpo (e não que a língua domina o corpo), pois apesar de pequena, ela pode causa grande mal. Porque o que contamina o homem é aquilo que sai dele, e não o que entra, como explicou Jesus nos evangelhos.

“Há uma terceira razão pela qual usar o poder da palavra falada: por seu intermédio a pessoa cria e libera a presença de Jesus Cristo. Ao abrir a Bíblia e ler Romanos 10:10 descobrimos que "com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação". É mediante a confissão da fé que a pessoa pode-se assegurar da salvação que vem somente por Jesus Cristo. Em lugar algum nesta passagem diz ser necessário que alguém vá ao céu e de lá traga Jesus Cristo de volta à terra a fim de conceder a salvação. O que se diz é que as palavras que podem resultar em salvação estão perto, na sua boca e no seu coração.”

Cho também crê que a conversão se dá mediante a declaração, ou oração de fé, ou seja, que é após a pessoa declarar verbalmente que crê na obra de Jesus Cristo que a operação salvífica do Espírito Santo acontece. Mas a Bíblia ensina o contrário: o Espírito Santo faz com que a pessoa que ouve o evangelho responda de forma positiva a ele, fazendo com que o seu coração creia para a justiça e sua boca confesse a salvação. A regeneração de um pecador é uma obra milagrosa de Deus, e em nada é dependente da vontade do homem, como ensina João 1.12-13. Por isso, essa operação é chamada de novo nascimento. Pelo que consta, ninguém nasce por vontade própria.

A Bíblia ensina que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação (2 Pe 1.20),. mas que toda ela é “proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16). Então, ela não é só um meio de conhecimento geral sobre Deus, mas é Espírito e vida (João 6.63). A fé não foi nos dada para produzir milagres, mas os milagres para confirmar a fé, para crermos que Jesus é o Cristo, o filho de Deus (João 20.30).

Finalmente, Yonggi Cho dá o fundamento do seu livro - e de sua doutrina - ao fazer uma interpretação particular de duas palavras usadas intercambiavelmente no Novo Testamento, a palavra “palavra” em grego: logos e rhema.

“As pessoas pensam que podem crer na Palavra de Deus. Podem. Mas falham em fazer a diferença entre a Palavra de Deus que dá conhecimento geral a respeito de Deus e a Palavra de Deus que ele usa para conceder fé acerca de circunstâncias e problemas específicos. É este último tipo de fé que produz milagres.

No grego há duas palavras diferentes para "palavra": logos e rhema. O mundo foi criado pela palavra logos de Deus. Logos é a palavra geral de Deus, que se estende desde o livro do Gênesis ao Apocalipse, pois todos estes livros falam acerca de Jesus Cristo, direta ou indiretamente. Ao ler a palavra logos do Gênesis ao Apocalipse a pessoa pode receber todo o conhecimento de que necessita a respeito de Deus e de suas promessas; mas pela simples leitura a pessoa não recebe fé. A pessoa recebe conhecimento e compreensão acerca de Deus, mas não recebe fé. Romanos 10:17 mostra-nos que o material usado para edificar a fé é mais do que simples leitura da Palavra de Deus: "a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo." Nesta passagem "palavra" não é logos, mas rhema. A fé, especificamente falando, vem pela pregação da palavra rhema. O Dr. Ironside define em seu "Léxico Grego" a palavra logos: A palavra dita de Deus"; e rhema: "A palavra dizente de Deus." Muitos eruditos definem a ação de rhema como se o Espírito estivesse tomando alguns versículos da Palavra de Deus e vivificando com eles uma determinada pessoa. Eis minha definição de rhema: "Rhema é uma palavra específica, dada a uma pessoa específica em uma situação específica.”

Eu procurei descobrir quem é este Dr. Ironside, ao qual o autor faz referência. Pela internet, encontrei apenas um Harry A. Ironside (http://en.wikipedia.org/wiki/Harry_A._Ironside), canadense-americano que foi teólogo e pregador, entre outras coisas. Olhando a obra deste homem (http://www.newble.co.uk/writers/Ironside/writings.html), não descobri nada que sequer lembrasse um estudo sobre a língua grega. Ele escreveu diversos livros, todos sobre a fé cristã, mas nenhuma obra erudita, até porque ele estudou apenas até a 8ª série. Concluindo, não é o Ironside citado no livro. Então, não pude avaliar a veracidade da declaração de Cho. Entretanto, olhando obras acerca do grego do NT disponíveis (entre as quais o léxico grego de Strong é o mais conhecido), não encontrei diferença significativa para discriminar as duas palavras como o autor fez. Os autores do Novo Testamento usam de forma alternada as palavras logos e rhema, e mais parece um recurso estilístico do que doutrinário. Embora seja deveras importante descobrir como uma palavra é usada no decorrer dos textos bíblicos, é boa regra hermenêutica não criar uma “babel doutrinária” em cima de uma variação de sinônimos, impondo significados que não são respaldados pelo conjunto das escrituras.

E a partir da diferenciação que Cho faz destas palavras, ele consegue invalidar as Escrituras, considerando-as apenas conhecimento teórico sobre Deus, não promessas divinas. No exemplo abaixo, ele narra a situação onde Pedro andou sobre as águas para ilustrar o ponto. Ele conta que algumas pessoas haviam morrido por terem tentado andar sobre as águas de um rio, confiando que Deus agisse com eles como agiu com Pedro.

“Mas Deus não tinha motivos paia apoiar a sua fé. Pedro nunca andou sobre as águas por causa da palavra logos, a qual prove informação geral acerca de Deus. Pedro pediu que Cristo lhe desse uma palavra específica. Disse ele: — Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. Respondeu Jesus: — Vem! A palavra que Cristo deu a Pedro não era logos, mas rhema. Deu-lhe uma palavra específica: "Vem!" A uma pessoa específica: Pedro; numa situação específica: uma tempestade. Rhema traz fé. A fé vem pela pregação e a pregação de rhema. Pedro nunca andou por sobre as águas pelo conhecimento de Deus somente. Pedro tinha rhema. Mas essas moças tinham somente logos, conhecimento geral de Deus, e neste caso, a obra de Deus mediante Pedro. O erro foi exercitarem sua fé humana em logos. Deus, portanto, não tinha responsabilidade alguma de apoiar sua fé, e a diferença entre o modo pelo qual estas moças exercitaram sua fé e a maneira de Pedro exercitar a sua é tão grande como a noite do dia. “

As moças do caso citado erraram porque “andar sobre as águas” não é promessa para todo crente. O NT apenas narrou o acontecimento. Mas o autor do livro também errou porque igualou todo o texto da Bíblia a uma narração ou descrição. E erra mais ainda por fazer com que as pessoas dependam de novas revelações (extra bíblicas) para viverem sua vida cristã, sendo que 2 Timóteo 3.16-17 diz que “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.”

Abaixo, mais uma “forçada” no texto bíblico para fazer com que ele apoie a doutrina do autor. Apesar de esta passagem literalmente dizer isto, exete (tende) pistin (fé) theou (de Deus), unanimamente tem sido traduzida como “Tende fé em Deus” nas nossas bíblias. Os eruditos na língua explicam que a palavra theou (Deus), que nesta expressão no grego é um genitivo objetivo, é objeto da fé, e não sujeito. Portanto, nossas bíblias estão traduzidas corretamente. A única Bíblia onde uma nota de rodapé dá essa segunda interpretação é uma bíblia de referência editada por Kenneth Copeland, já citado anteriormente nesse texto, que dá essa leitura alternativa.

“A versão de Almeida, de Marcos 11.22, 23 diz que se a pessoa tiver a fé em Deus poderá então ordenar a um monte que se atire no meio do mar. O texto grego, entretanto, diz que a pessoa deve ter a fé de Deus. Como é que se pode ter a fé de Deus? Ao receber rhema a fé que lhe é dada não é sua; foi-lhe concedida por Deus. Depois de receber essa fé, que vem do alto, então pode ordenar que montanhas sejam removidas. Sem receber a fé de Deus a pessoa não pode fazer tal coisa.”

Além disso, esta interpretação dá uma ideia (falsa) de que o homem pode ter o mesmo tipo de poder que Deus tem, bastando pronunciar oralmente sua vontade.


Novas revelações

É líquido e certo que, quando falta conhecimento bíblico, brotam heresias de todos os tipos. E para alguns, as escrituras não são suficientes para nos ensinar todas as coisas (2Tm 3.16), buscando “novas revelações”. Contudo, Hebreus 1 fala sobre como Deus se revelou ao mundo: primeiramente através dos profetas, e nos últimos dias, de forma definitiva, pelo Filho, Jesus Cristo. No entanto, Cho recebeu novas revelações, diretamente de Deus - segundo ele -, não atentando com diligência para as coisas que temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas (Hebreus 2.1). A própria ideia central do livro foi fruto de uma “nova revelação”:

“Então Deus falou a meu coração: "Filho, assim como a segunda dimensão inclui e controla a primeira, e a terceira inclui e controla a segunda, assim também a quarta dimensão inclui e controla a terceira, produzindo a criação da ordem e da beleza. O espírito é a quarta dimensão. Cada ser humano é um ser espiritual assim como físico. Possui a quarta dimensão e também a terceira em seus corações." Deste modo os homens, explorando sua fé espiritual na esfera da quarta dimensão, por meio de visões, imaginações e sonhos, podem influenciar a terceira dimensão, produzindo nela mudança. Isto foi o que me disse o Espírito Santo.”

“Então ouvi o Senhor dizer ao meu coração: "Filho, isso não é atrapalhação de Satanás. Esse é o desejo visual do Espírito Santo. É palavra de sabedoria e de conhecimento. Deus deseja curar essas pessoas, mas não o pode fazer até que você fale." "Não", respondi, 'não creio nisso. Deus pode fazer tudo sem que eu jamais tenha de dizer uma palavra." Mais tarde li no primeiro capítulo de Gênesis: "A terra, porém, era sem forma e vazia' e o Espírito Santo pairava sobre ela, incubando-a; mas nada acontecia. Então Deus me revelou uma importante verdade. Disse ele: "Lá estava a presença do Espírito Santo, a poderosa unção do Espírito Santo incubando e pairando sobre as águas. Aconteceu alguma coisa nessa época?" "Não" respondi. "Nada aconteceu." Então disse Deus: "Você pode sentir a presença do Espírito Santo em sua igreja — a presença palpitante e penetrante do Espírito Santo em sua igreja — mas nada acontecerá alma alguma será salva, lar desfeito algum será reconstruído até que você diga a palavra. Não fique simplesmente a implorar o de que você precisa. Dê a palavra. Dê-me o material com o qual eu possa construir acontecimentos miraculosos. Como eu fiz ao criar o mundo, pronuncie-se. Diga: "haja luz", ou diga: "haja um firmamento". “

“Comecei a obra de minha igreja dirigido por rhema, não por logos. Deus falou claramente ao meu coração, dizendo: "Levanta-te, vai e edifica uma igreja para dez mil pessoas.'' “

Às vezes, ele cita frases e diálogos que os personagens bíblicos tiveram, mas que não constam em nenhum dos livros inspirados:

Pedro dizia vez após vez; "Sou eu como uma rocha? Sou? Sim, sou como uma rocha."

Quando Pedro veio, trazido por André, Jesus olhou em seus olhos e sorriu. — Sim, você é o Simão. Você é uma cana. Sua personalidade é tão dobrável, tão mutável. Num momento você está com raiva; no outro você ri. Às vezes você se embriaga e outras vezes mostra quão inteligente pode ser.


Entendimento incorreto sobre a natureza dos milagres

Para que servem os milagres? O que eles são? Ainda existem hoje em dia operadores de milagres como existiam nos tempos apostólicos? Antes de responder essas questões, vamos ver o que Calvino falou quando a Igreja Católica cobrou milagres dos reformadores para comprovar a veracidade dos seus ensinos:

Que de nós exigem milagres, agem de má fé. Ora, não estamos [nós] a forjar algum Evangelho novo, ao contrário, retemos aquele mesmo à confirmação de cuja verdade servem todos os milagres que outrora operaram assim Cristo como os Apóstolos. E isto de singular têm [eles] acima de nós, que podem confirmar a sua fé mediante constantes milagres até o presente dia! Contudo, [o fato é que] estão antes a invocar milagres que se prestam a perturbar o espírito doutra sorte inteiramente sereno, a tal ponto são [eles] ou frívolos ou ridículos, ou vão e mendazes (As Institutas – Editora Cultura Cristã, 1985, SP; vol. 1, p. 20).

Qual é o ponto aqui? Os milagres sempre foram os instrumentos que autenticaram o ministério dos homens de Deus. Esses milagres, também chamados de sinais, não podiam ser reproduzidos por meios humanos, pois se pudessem, como comprovariam que eles fornecem credenciais da parte de Deus aos homens? Calvino e os outros reformadores (bem como os romanistas) também criam dessa maneira. Invariavelmente, os milagres descritos no Antigo e no Novo Testamento eram associados à palavra profética, vinda de Deus. Assim, quando alguém se dizia profeta, que falava da parte de Deus, os sinais os acompanhavam, comprovando a sua origem celestial.

O ministério de Jesus também teve sua confirmação através dos sinais que fez, bem como o ministério dos apóstolos. Entretanto, a revelação terminou - a palavra inspirada está completa. Consequentemente, o dom de operar milagres também deixou de ser necessário para a Igreja de Cristo.

Isto não significa que Deus não realize milagres hoje. O Senhor Deus é soberano sobre a criação, e Sua mão não está encolhida. De fato, ele pode e responde à oração dos justos, curando e realizando grandes coisas em favor dos seus eleitos, fazendo-as segundo a vontade Dele, e não segundo a nossa. Seja como for, esses milagres não fazem parte da mesma categoria dos milagres feitos através dos personagens bíblicos. Essas ações miraculosas da providência divina não servem para confirmar a autenticidade profética de ninguém mais. O cânon está fechado. A acepção estrita de milagre da qual escrevo (como confirmação revelacional) deixou de existir assim que o último apóstolo morreu.

R. C. Sproul, em seu livro A mão invisível, escreve:

A posição clássica da Reforma sobre essa questão concorda que os milagres têm outras funções além de autenticar os agentes da revelação, como vimos. Isto é, os milagres podem fazer mais do que atestar os agentes da revelação. Contudo, a questão continua; eles podem fazer menos? Nisto reside o problema. Se um não-agente da revelação é capaz de realizar milagres, como os milagres podem funcionar como provas do testemunho de um agente da revelação? Se agentes e não-agentes da revelação podem realizar milagres, que valor de testemunho pode existir em um milagre? Se um falso profeta pode realizar um milagre, o verdadeiro profeta não pode apelar aos milagres como provas de sua própria posição. O problema fica mais difícil quando vemos que o Novo Testamento apela aos milagres dos apóstolos como provas de sua autoridade, o que é claramente um apelo ilegítimo e um argumento falso se é verdade que os não-agentes da revelação podem realizar milagres.


Que quero dizer? Que os milagreiros de hoje, que prometem “paneladas” de milagres, são farsantes! Da mesma maneira que os magos do Faraó do Egito simularam alguns sinais, mas não conseguiram reproduzir os milagres de Moisés, muitos hoje “curam” psicologicamente as pessoas mais influenciáveis, e ainda assim, dores de cabeça e nas costas! Sproul continua:

Uma das coisas que está notavelmente ausente no repertório dos operadores de milagres modernos é o tipo de milagres que eram realizados por intermédio dos agentes bíblicos da revelação. Benny Hinn realiza seus milagres em um palco com um equipamento cênico que teria escandalizado os apóstolos. Ele não realiza milagres no cemitério. Quem é o operador de milagres hoje que é capaz de transformar água em vinho ou ressuscitar pessoas que morreram há quatro dias? Benny Hinn não pode separar o mar Vermelho ou fazer com que machados flutuem. Por que não? A qualidade do milagre que sobrevive até os dias de hoje é menor do que aquela dos realizados pelos agentes bíblicos da revelação? Será que o braço do Senhor está encolhido?

E da mesma forma podemos afirmar que os “sinais, milagres e prodígios” feitos por Satanás também são embuste e engano; pois se o próprio Diabo fosse capaz de realizar milagres verdadeiros, como poderiam servir para autenticar um verdadeiro profeta?

Mas Yonggi Cho não vê diferenças substanciais entre esses milagres, ao ponto de afirmar que mesmo descrentes e pagãos podem manipular este mundo através da fé, desde que desenvolva a sua “esfera espiritual” - a quarta dimensão.

“Esses iogues e monges budistas podem, portanto, explorar e desenvolver humanamente sua quarta dimensão, sua esfera espiritual. Ao lograr uma visão clara, formar quadros mentais de boa saúde, podem incubar essa saúde sobre os enfermos. Por ordem natural a quarta dimensão tem poder sobre a terceira, o espírito humano. Com certas limitações, é claro, podem dar ordens e criar coisas. Deus deu ao homem poder sobre a criação. Ele pode controlar o mundo material e dominar as coisas, responsabilidade que pode executar mediante a quarta dimensão. Ora, os incrédulos, explorando e desenvolvendo seu ser espiritual interior de tal maneira, podem executar domínio sobre sua terceira dimensão, que inclui as doenças e enfermidades físicas. Então disse-me o Espírito Santo: "Veja os sokagakkai. Eles pertencem a Satanás. O espírito humano junta-se ao espírito maligno da quarta dimensão e com a quarta dimensão maligna exercem domínio sobre seus corpos e circunstâncias." O Espírito Santo mostrou-me que foi assim que os mágicos do Egito exerciam domínio sobre várias ocorrências, assim como Moisés o fazia.”

"Os não-crentes do mundo todo estão envolvidos em meditação transcendental e meditação budista. Na meditação pede-se que a pessoa tenha uma visão e um objetivo claro. No sokagakkai constróem uma imagem de prosperidade, repetindo frases vez após vez, tentando desenvolver a quarta dimensão espiritual do homem; e estas pessoas estão criando algo. Embora o Cristianismo tenha chegado ao Japão há mais de cem anos, conta com somente 0,5% da população, e o sokagakkai possui milhões de seguidores. Sokagakkai tem aplicado a lei da quarta dimensão e tem realizado milagres; mas no Cristianismo só há falatório sobre teologia e fé.”

E Cho acredita que todos podem operar milagres:

“As pessoas são criadas à imagem de Deus. Deus é um Deus de milagres; seus filhos, portanto, nascem com o desejo de ver milagres realizados. Sem ver milagres as pessoas não podem satisfazer-se de que Deus é poderoso. Você é o responsável por suprir milagres para essas pessoas.”

Mas a Bíblia diz que não é assim que funciona:

Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pos Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? (1Co 12:27-30)


Negação da realidade de Jesus Cristo

E os erros vão sendo empilhados. Dei graças a Deus porque o livro era pequeno. Imagine se houvesse mais espaço! Quantos erros e heresias mais seriam proferidos? O autor em estudo nutre um conceito meio estranho sobre Jesus Cristo. Parece que nosso Senhor só vai aparecer (ou existir, ou deixar de estar preso em algum lugar) se declaramos verbalmente (cap. 3):

“Deus não o usa por você estar completamente santificado, pois enquanto o cristão viver estará lutando com a carne. Deus o usa por você ter fé. Irmãos e irmãs, façamos uso da palavra falada — para o êxito em nossa vida, para o material com o qual o Espírito Santo possa criar, e com o propósito de criar e liberar a presença de Jesus Cristo.”

Poderia isso ser apenas uma figura de linguagem, mas mais tarde ele reafirma a mesma ideia com mais detalhes (observe a falha hermenêutica relativa a passagem de Mateus):

“Onde está Jesus Cristo? Qual é seu endereço? Certamente que não é lá nos altos dos céus, ou embaixo na terra. Jesus está na Palavra dele. Onde estão as palavras que podem salvá-lo? Essas palavras estão em sua boca e em seu coração. Jesus fica limitado ao que você expressa. Assim como a pessoa pode liberar o poder de Jesus mediante a palavra falada também pode criar a presença dele. Se você não falar a palavra de fé claramente, Cristo jamais pode ser liberado. A Bíblia diz: "tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu" (Mateus 18:18). Você tem a responsabilidade de levar e trazer a presença de Jesus Cristo.”

Mateus 18.18 tem uma questão de ordem. Ela diz que tudo aquilo que for ligado (ou desligado) aqui na terra é porque ANTES foi ligado (ou desligado) no céu, e não o contrário! Ainda não acabou: veja, na citação abaixo, que quem é Senhor não é Jesus, mas aquele que fala dele.

“Você cria a presença de Jesus com sua boca. Se falar a respeito da salvação, o Jesus que salva aparece se falar acerca da cura divina, terá o Jesus que cura em sua congregação. Se falar do Jesus que realiza milagres, então a presença do Jesus que opera milagres é liberada. Ele é limitado por seus lábios e por suas palavras. Ele depende de você e se você não falar claramente por causa do temor de Satanás, como é que Cristo Jesus manifestará seu poder a esta geração? Por isso, fale com audácia.”

Incorreções bíblicas quanto à salvação

Tudo que temos visto até agora é reflexo da diminuição da importância de Deus e da Sua vontade e um aumento da importância do homem e da sua vontade, típico da escola teológica arminiana. Não poderia ser diferente, portanto, o entendimento incorreto da obra graciosa da salvação aplicada aos eleitos de Deus. Exemplificando, o texto abaixo provê a síntese da crença arminiana da conversão, onde primeiro a pessoa deve ter fé, e depois, consequentemente, ela é regenerada para a nova vida:

“Ao receber a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, seu espírito nasce de novo instantaneamente. Recebe, num instante, a vida de Deus, e nesse mesmo instante, seu ser espiritual ganha a vida eterna.”
E a confirmação da importância da “oração da fé” que deve ser feita pelo crente para ser salvo:
“Por não poder receber a oração da fé, tornou-se descrente de novo.”


Atitudes Duvidosas

Até agora falei apenas das incorreções teológicas, de implicação espiritual. Mas Yonggi Cho também age mal de outra forma. Assume uma postura tal como se fosse o “coronel” ou “dono” de suas ovelhas, negociando com elas, em troca de favores financeiros. No trecho abaixo, Cho fala com o gerente de um banco, do qual ele pretendia tomar um empréstimo para cobrir um cheque sem fundos:

“Apanhe o telefone e peça informações a meu respeito. Sou o Dr. Yonggi Cho, pastor da maior igreja evangélica da Coréia. Nossa igreja possui mais de dez mil membros e tenho grande autoridade sobre todos esses cristãos. Posso fazer com que todos eles transfiram suas contas para o seu banco no ano que vem. Far-lhe-ei esse tremendo favor se o senhor me fizer um pequeno.”

Um líder espiritual é somente isto: líder espiritual. Ele não tem o direito de dizer o que as pessoas devem fazer no que se refere a vida particular e de foro íntimo. Mas aposto que muitos líderes tem este desejo de manipular o povo que o segue a seu bel prazer.


Coisas boas

Próximo ao fim do livro, encontrei algumas coisas boas! E vou citá-las, fazendo justiça àquilo que Yonggi Cho acertou.

“Você deve ler a Bíblia. Não ler a Bíblia por costume ou prescrição religiosa. Não ler a Bíblia procurando novas formas legalistas de viver. Não leia a Bíblia por tradição histórica. Leia-a para alimentar a sua mente e mudar por completo toda a ordem de seus pensamentos, para renovar, totalmente, sua vida de pensamento. Encha seu pensamento com a Palavra de Deus. Então Deus poderá fluir livremente através de sua vida e fazer, por seu intermédio, grandes coisas para sua glória.”
“Devemos viver pelo conhecimento revelado encontrado do Gênesis ao Apocalipse, não por nosso conhecimento sensório.”

Ele poderia usar esses conselhos para si mesmo também.

Conclusão

Não recomendo este livro. Muitos livros evangélicos que já li são assim: uma mistura de coisas boas e más, verdades e mentiras. Infelizmente, quem não tem intimidade com a escritura dificilmente vai filtrar o joio do trigo e vai acabar engolindo tudo como se fosse verdade bíblica. A melhor prescrição, nesse caso, é debruçar-se sobre a Palavra, entendê-la, comparar texto com texto, estudá-la como se sua vida dependesse disso (e depende).
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sábado, 3 de novembro de 2007

Jesus - o filósofo e apologista 2

Jesus requer uma fé irracional?

por Douglas Groothuis.

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

Artigo original pode ser encontrado aqui.

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Ao contrário da visão dos críticos, Jesus Cristo foi um pensador brilhante que usou argumentos lógicos para refutar os seus críticos e estabelecer a verdade das suas visões. Quando Jesus elogiou a fé das crianças, Ele incentivou a humildade como uma virtude, não a crença religiosa irracional ou um pulo cego de fé na escuridão. Jesus empregou habilmente uma variedade de argumentos estratégicos nos seus debates em vários tópicos. Estes incluem escolhas difíceis, argumentos “a fortiori”, apelos à evidência, e argumentos reductio ad absurdum. Jesus usou de argumentos persuasivos demonstrando que Ele foi filósofo e um apologista que defendia racionalmente a sua visão de mundo em discussões com alguns dos melhores pensadores dos seus dias. Esta aproximação intelectual não prejudica a Sua autoridade divina, antes a aumenta. A alta estima da racionalidade de Jesus e a sua própria aplicação de argumentos indica que o Cristianismo não é uma fé anti-intelectual. Os seguidores de Jesus hoje, então, deveriam imitar o seu zelo intelectual, usando os mesmos tipos ou argumentos que Ele usou. As estratégias argumentativas de Jesus têm aplicações em quatro debates contemporâneos: a relação entre Deus e moralidade, a confiabilidade do Novo Testamento, a ressurreição de Jesus e o relativismo ético.


JESUS FOI FILÓSOFO E APOLOGISTA?

Eu tive que enfrentar a pergunta de que se Jesus foi filósofo e apologista de frente quando me pediram para escrever um livro sobre Jesus para a Wadsworth Philosophers Series. Eu já sabia que Jesus articulou uma visão de mundo desenvolvida e argumentava brilhantemente com os seus adversários. Como eu estudei cuidadosamente o assunto, porém, comecei a apreciar Jesus, o filósofo, mais que nunca. Quando Jesus defendeu as reinvindicações cruciais do Cristianismo de que Ele era seu fundador, afinal de contas, Ele estava se ocupando de apologética, freqüentemente com as melhores mentes do Judaísmo do primeiro século.


Alguns cristãos podem relutar em etiquetar Jesus como filósofo ou apologista porque eles se preocupam que tal referência pode humilhar o Deus do universo. Um filósofo cristão famoso me falou que enfatizar as habilidades racionais de Jesus podia distanciar Jesus como um revelador, uma fonte de conhecimento sobrenatural. Eu respeito sua preocupação, mas discordo pelas razões seguintes.


Jesus foi a encarnação do Logos, a quem os teólogos chamam de A Segunda Pessoa da Trindade. Como o filósofo cristão e teólogo Carl Henry e outros enfatizaram, o apóstolo João usou o termo Logos para personalizar a visão grega da sabedoria, lógica e racionalidade do universo 1. Nossas traduções inglesas dizem, No princípio era o Verbo [Logos] (João 1:1)2. Jesus encarna a comunicação racional (Verbo) da verdade de Deus. Ele é cheio de graça e verdade (João 1:14). Nós deveríamos esperar que Deus Encarnado fosse uma pessoa sábia e racional, não obstante Ele pudesse contrariar a natureza da presunção humana, orgulho e mentira. Além disso, Jesus foi divino e humano. Como um humano, Jesus argumentou com outros seres humanos. Ele não fugiu de um argumento bom na teologia ou ética, mas cativou seus ouvintes brilhantemente.


Jesus não era um filósofo no sentido de tentar construir um sistema filosófico em cima da limitada mente humana. Ele recorreu a revelação prévia de Deus na Bíblia hebraica (Mt. 5:17-19; Jo. 10:34) e revelações autorizadas emitidas por Ele mesmo como Deus Encarnado. Por outro lado, Jesus argumentou cuidadosamente sobre as coisas que importavam mais a uma conveniente definição da filosofia. Na realidade, os seus ensinos cobrem os tópicos básicos da Filosofia 3. Como um apologista para a verdade de Deus, Ele defendeu a verdade da Bíblia hebraica tanto quanto os seus próprios ensinos e ações.


Quando nós analisamos a mente de Jesus em ação em várias histórias familiares dos Evangelhos, nós vemos que o Seus pensamentos eram perspicazes, claros e irrefutáveis. Não devemos apenas acreditar no que Ele ensinou porque Ele é nosso Mestre divino, mas através de aplicação, oração e confiança no Espírito Santo, nós devemos nos esforçar para também imitar as Suas virtudes intelectuais, porque nós somos chamados para andar como Ele andou (1 Jo 2:6).


Apresentar Jesus como um notável pensador pode ser uma ferramenta apologética poderosa aos incrédulos que injustamente assumem que a fé cristã é um problema de fé cega ou crença irracional. Se o fundador do Cristianismo é um grande pensador, os seus seguidores nunca deveriam desprezar a mente humana (Mt. 22:37-39; Rm. 12:1-2). Além disso, a estratégia argumentativa de Jesus pode servir como um modelo para a nossa própria defesa apologética da verdade e racionalidade do Cristianismo, a qual eu discutirei.


JESUS DESPREZOU A RACIONALIDADE?

Jesus se ocupou de extensas disputas, algumas bem acirradas, principalmente com os líderes intelectuais judeus dos seus dias. Ele não hesitou invocar a opinião popular se estivesse errado. Ele falou freqüentemente e apaixonadamente sobre o valor da verdade e os perigos do erro, e Ele articulou argumentos para amparar a verdade e opor-se ao erro 4.


O uso da lógica por Jesus teve um sabor particular, observa o filósofo Dallas Willard:


O objetivo de Jesus em utilizar a lógica não era ganhar batalhas, mas suscitar a compreensão ou discernimento nos seus ouvintes. Ele apresentava as questões de um modo tal que esses que desejavam aprender poderiam achar os seus próprios caminhos para poderem chegar à conclusão apropriada, como algo que eles mesmos descobriram, sendo ou não algo que eles particularmente se preocupavam 5.


Willard também discute que um interesse pela lógica não só requer certas habilidades intelectuais, mas também certas obrigações de caráter relativas à importância de lógica e o valor da verdade na vida de cada um. Uma pessoa pensante avaliará a lógica e o argumento através da concentração focada, diálogo racional e uma disposição de seguir a verdade onde quer que ela possa conduzir. Esta orientação mental estabelece exigências na vida moral. Além de resolução, tenacidade e coragem, a pessoa tem que evitar a hipocrisia (defendendo a si mesmo contra fatos e lógica por motivos dissimulados) e superficialidade (opiniões adotadas com uma volúvel negligência para o seu sustento lógico). Willard tem Jesus como o modelo supremo, como faz também o filósofo cristão James Sire 6.


O filósofo ateu Michael Martin, em contraste, alega que o Jesus dos Evangelhos (confiabilidade a qual ele contesta) não exemplifica virtudes intelectuais importantes. As suas palavras e ações parecem indicar que ele não preza a razão e a aprendizagem. Jesus fundou o seu ministério inteiro na fé 7. Martin interpreta as declarações de Jesus sobre a necessidade de se tornar como crianças para entrar no reino dos céus (Mt. 18:3) como exaltando a crença acrítica. Martin também desfere que, quando Jesus dava qualquer razão para aceitar seu ensino, era ou que o reino estava perto, ou que esses que acreditassem iriam para o céu, mas os que não acreditassem iriam para o inferno; supostamente, nenhuma justificativa racional foi dada para estas alegações 8. De acordo com Martin, para Jesus, fé irracional era boa; demonstração racional e crítica eram errado.


Estas acusações contra a reinvindicação de que Jesus era um filósofo que prezava o raciocínio e mantinha uma visão de mundo bem-desenvolvida são incriminativas. O mesmo Jesus que estimava as crianças, porém, também disse, Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento (Mt. 22:37; ênfase adicionada).


Jesus elogiou as crianças pelas mesmas razões que nós as elogiamos habitualmente. Nós não vemos as crianças como modelos porque elas são irracionais ou imaturas, mas porque elas são inocentes e sinceras no seu amor, devoção e entusiasmo pela vida. As crianças também são estimadas porque podem ser sinceramente humildes, não tendo aprendido as ambições do mundo adulto. A história em Mateus 18 tem somente esta visão favorável das crianças em mente. Jesus é questionado pelos seus discípulos “Quem é o maior no reino dos céus?” Depois de chamar uma criança e ter se levantado entre eles, Jesus respondeu:


E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. (Mt. 18:3-5)


O significado de se tornar como menino não é tornar-se acrítico e irracional (como Martin afirma), mas ao invés disto, tornar-se humilde. Jesus falou muito de humildade, como faz a Bíblia hebraica. Ele nunca associou humildade com estupidez, ignorância ou ingenuidade 9. Jesus agradeçeu a Deus por revelar o Evangelho para os humildes e não para os supostamente sábios e entendidos. Porém, isto não implca que inteligência é um detrimento a acreditar na mensagem de Jesus, mas que muitos dos dirigentes religiosos daqueles dias não podiam compreendê-la, em grande parte porque desafiou o orgulho intelectual deles (veja Mt. 11:25-26).


Martin também afirma que as únicas razões que Jesus deu para aceitar o seu ensino eram que o reino de Deus estava próximo e que os que não crerem não receberão os benefícios divinos outorgados aos que tiverem fé 10. Isto é verdade?


Primeiramente, Jesus falou freqüentemente sobre o reino de Deus usando isto como uma justificativa para alguns dos seus ensinos e pregações (Mt. 4:17). Jesus estava admoestando as pessoas para reorientar as suas vidas espiritual e moralmente porque Deus rompeu a história de uma maneira inigualada e dramática. Esta necessariamente não é uma alegação irracional ou infundada se (1) Deus estivesse agindo desta maneira nos dias de Jesus e (2) alguém podia achar evidências para o aparecimento do reino, principalmente pelas ações do próprio Jesus.


Os Evangelhos apresentam o reino como exclusivamente presente no ensino e ações de Jesus o qual Ele mesmo alegou que “se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus é chegado” (Mt. 12:28). Considerando que os seus ouvintes o viram expulsando demônios com autoridade singular, Jesus estava lhes dando uma boa razão para acreditar nas suas afirmações. Ele não estava apenas fazendo assertivas ou ameaças não estabelecidas esperando complacência de um modo infantil ou covarde.


Segundo, Jesus usou o conceito de julgamento de Deus ou recompensa não o supervalorizando ou em substituição ao uso de seus argumentos. A sua forma normal de argumentação não era a seguinte: Se você acreditar no que eu digo, será recompensado. Se você não acreditar no que eu digo, perderá esta recompensa. Então, acredite no que eu digo. Quando Jesus emitiu advertências e fez promessas relacionando a conduta nesta vida à vida após a morte (veja Jo 3:16-18), Ele falou mais como um profeta do que como filósofo. Se as palavras de Jesus nesta questão são fidedignas, depende da Sua autoridade moral e espiritual, não nos seus argumentos, especificamente. Se nós temos razão para O julgar autorizado (como fazemos), porém, nós podemos racionalmente acreditar nestes pronunciamentos, da mesma maneira que acreditamos em várias outras autoridades que julgamos fidedignas com base nas suas credenciais e no seu passado 11.


ESCAPANDO DAS ESCOLHAS DIFÍCEIS

Nós precisamos consultar os Evangelhos para determinar se Jesus valorizou ou não o pensamento crítico bem-desenvolvido. Vários exemplos ilustram a capacidade de Jesus para se libertar das escolhas difíceis quando desafiado. Nós olharemos para uma12.


Mateus registrou uma situação traiçoeira para Jesus. Os Saduceus haviam tentado encurralar Jesus em uma pergunta sobre a vida após a morte. Ao contrário dos Fariseus, eles não acreditavam em vida depois da morte, nem em anjos ou espíritos (embora eles fossem teístas), e eles concederam autoridade especial somente aos primeiros cinco livros da Bíblia hebraica. Os Saduceus lembraram Jesus do mandamento de Moisés de que, se um homem morrer sem ter filhos, o irmão dele tem que se casar com a viúva e ter filhos para ele. Então eles propuseram um enredo no qual a mesma mulher se casa progressivamente e enviuva dos sete irmãos, e de nenhum nasceu qualquer filho por ela. A mulher morre subseqüentemente. Agora, então, à ressurreição, de qual dos sete ela será esposa, desde que todos eles se casaram com ela? - questionaram sugestivamente a Jesus (Mt. 22:23-28).


O argumento deles é bastante inteligente. Os Saduceus sabiam que Jesus respeitava a lei de Moisés, como eles o faziam. Eles também sabiam que Jesus, ao contrário eles, ensinava que haverá uma ressurreição dos mortos. Eles pensaram que estas duas convicções são logicamente conflitantes; não podem ambas ser verdade. A mulher não podia se casar com todos os sete na ressurreição (a lei Mosaica não permitia muitos maridos), nem havia qualquer razão por que ela deveria se casar com qualquer um dentre os sete (assim honrando a monogamia). Eles imaginaram, então, que Jesus teria que se levantar contra Moisés ou negar a vida após a morte para permanecer livre de contradição. Eles estavam apresentando este enredo como um dilema lógico: ou A (autoridade de Moisés) ou B (vida após a morte).


Martin e outros afirmaram que Jesus elogiou a fé acrítica13. Se estas acusações estivessem corretas, a pessoa poderia esperar que Jesus (1) evitasse a pergunta com uma declaração piedosa e sem conexão, (2) ameaçasse com o inferno esses que ousaram questionar sua autoridade, ou (3) simplesmente aceitar ambas as proposições logicamente incompatíveis sem hesitação ou vergonha. Ao invés disto, Jesus disse francamente que os Saduceus erravam porque não conheciam as escrituras e nem o poder de Deus:


Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt. 22:30-32)


A resposta de Jesus tem uma astúcia que pode não ser imediatamente óbvia. Primeiro, Ele desafiou a presunção deles que a crença na ressurreição significa que alguém é obrigado a acreditar que todas nossas instituições pré-mortem serão retidas no post-mortem, no mundo ressuscitado. Nada da Bíblia hebraica ensina isto e Jesus não acreditava nisto. O problema, portanto, se dissolveu. É um falso dilema porque Jesus declarou uma terceira opção: Não há casamento na ressurreição.


Segundo, como parte da sua resposta para a armadilha lógica deles, Jesus comparou o estado ressuscitado de homens e mulheres a aquele dos anjos, desafiando a descrença dos Saduceus em anjos. (Embora os Saduceus não acreditassem em anjos, eles sabiam que os judeus contemporâneos a eles, que acreditavam em anjos, pensavam que anjos não se casavam ou procriavam.)


Terceiro, Jesus citou um texto que os próprios Saduceus estimavam na Bíblia (Ex. 3:6), onde Deus declarou a Moisés do arbusto ardente que Ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Jesus poderia ter citado uma variedade de textos escritos fora dos primeiros cinco livros da Bíblia para apoiar a ressurreição, tais como os profetas (Dn. 12:2) ou Jó (19:25-27), mas ao invés disto Ele argumentou primorosamente das próprias fontes de confiança deles, as quais Ele também endossou (Mt. 5:17-20; Jo 10:35).


Quarto, Jesus destacou o tempo verbal do versículo que Ele citou. Deus é (tempo presente) o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, todos os quais já haviam morrido na ocasião em que Deus havia emitido esta declaração a Moisés. Deus não deixou de ser o Deus deles na suas mortes terrestres. Deus não disse, eu era o Deus (tempo passado) deles. Deus é o Deus dos vivos que inclui até mesmo os patriarcas mortos. Mateus adicionou: E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina. E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. (Mt.22: 33-34).


A habilidade de escapar logicamente de escolhas difíceis é aplicável a muitos desafios apologéticos. Considere um deles; os filósofos discutem freqüentemente que fazer de Deus a fonte da moralidade resulta em um dilema desesperador. Se a moralidade é baseada na vontade de Deus, eles afirmam, Deus poderia fazer qualquer coisa, inclusive homicídio, estupro e blasfêmia e isto seria bom. Esta visão é absurda. Por outro lado, se nós deixarmos os padrões morais separados da vontade de Deus, então Deus perde a sua supremacia moral, porque Deus ficaria debaixo destes padrões morais absolutos, impessoais e objetivos. O dilema, então, é este: (A) qualquer moralidade é arbitrária ou (B) Deus não é supremo. Uma vez que ambos são inaceitáveis ao Cristianismo, o Cristianismo é refutado.


A pessoa pode escapar das escolhas difíceis mostrando que é um falso dilema. A fonte de moralidade não separa a vontade de Deus do caráter eternamente perfeito de Deus; antes, os mandamentos divinos emergem intrinsicamente de Deus. Considerando que o caráter de Deus é imutavelmente bom, Deus não pode alterar padrões morais porque Ele não pode se negar (Ml. 3:6; Tg 1:17). Além disso, uma vez que Deus é o Criador do mundo e dos humanos, Deus sabe o que é melhor para os humanos prosperarem. As ordens dele para nós são para nossa bênção como também para a própria glória de Deus (Mt. 5:1-16; Col. 3:17)14. O problema acabou.


ARGUMENTOS A FORTIORI

Jesus era apaixonado pelo que é chamado de argumentos a fortiori (do latim: do mais forte) os quais freqüentemente aparecem em formas expressivas, mas persuasivas nos evangelhos15. Nós os usamos freqüentemente em argumentos cotidianos. Estes argumentos têm a seguinte forma:


  1. A verdade da idéia A é aceita.

  2. O sustento para a verdade da idéia B (que é relevantemente semelhante à idéia A) é até mais forte do que aquela da idéia.

  3. Então, se a verdade da idéia A deve ser aceita, então assim deve a verdade da idéia B ser aceita.


Considere o argumento de Jesus contra os Fariseus, relativo à legalidade de executar um milagre de cura no Sabbath (Sábado sagrado):


Fiz uma só obra [no Sabbath], e todos vos maravilhais. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem? Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça (Jo 7:21-24).


O argumento de Jesus pode ser posto simplesmente assim:


  1. Os Fariseus endossam a circuncisão, até mesmo quando é feito no Sábado, o dia de descanso. (A circuncisão era executada oito dias depois do nascimento de um macho, o qual às vezes caía no sétimo dia da semana, o Sábado.) Isto não viola a lei sabática, porque é um ato de bondade.

  2. Curar a pessoa inteira é mais importante e benéfico do que a circuncisão, que afeta só um aspecto do macho.

  3. Então, se a circuncisão no Sábado não era uma violação do Sábado, tampouco é a cura, feita por Jesus, de uma pessoa no Sábado.


O comentário final de Jesus, deixar de julgar através da aparência e fazer um julgamento justo, era uma repreensão à inconsistência ilógica deles enquanto aplicando a sua própria moral e princípios religiosos.


Jesus discutiu de uma forma semelhante em várias outras conversações relativas ao significado do Sábado. Depois que Ele curou uma mulher aleijada no Sábado, os regentes da sinagoga ficaram indignados, e disseram que há seis dias para o trabalho. Assim venha e seja curada nesses dias, não no Sábado! Jesus lembrou-lhes que podem legalmente desamarrar o boi ou burro de alguém no Sábado e levá-lo à água. Então não deveria esta mulher, uma filha de Abraão, a quem Satanás manteve presa por dezoito longos anos, seja libertada no dia de Sábado da sua prisão? O argumento Jesus foi parecido com isto:


  1. Os judeus legalmente libertam os animais do seu confinamento no Sábado sem preocupação, pelo bem-estar dos animais.

  2. O bem-estar de uma mulher (libertação de uma doença crônica, debilitante) é mais importante que dar de beber a um animal.

  3. Então, se dar de beber a um animal no Sábado não é uma violação, então a cura que Jesus deu à mulher no Sábado não é uma violação do mesmo.


Lucas registrou que, quando o Jesus disse isto, todos seus adversários foram humilhados, mas as pessoas estavam encantadas com todas as coisas maravilhosas que ele estava fazendo (Lucas 13:17, veja 13:10-17).


Um apologista sábio fará um bom e repetido uso de argumentos a fortiori. Aqui está um exemplo de religião comparativa. Muitos rejeitam o Evangelho porque eles são documentos antigos que são, supostamente, historicamente incertos. Muitas destas mesmas pessoas, porém, confiam no antigo budista e outros documentos religiosos orientais. Além de dar razões boas para confiar nos Evangelhos, nós podemos usar o seguinte argumento a fortiori relativos às suas crenças nos textos orientais. As escrituras sagradas budistas não foram escritas até aproximadamente 500 anos depois da vida de Buda (563-483 d.C). O estudante budista Edward Conze nota que enquanto o Cristianismo pode distinguir sua tradição inicial encarnada no Novo Testamento de uma tradição contínua que consiste em reflexões dos pais de igreja e concílios, os budistas não possuem nada que corresponda ao Novo Testamento. A tradição contínua é tudo aquilo é claramente atestado16. Se as pessoas confiam nos anciãos e nos documentos budistas pobremente atestados, quanto mais eles deveriam confiar nos Evangelhos que são arraigados mais firmemente em história verificável17? O apologista, então, espera que esses que leram os Evangelhos como historicamente seguros, descobram a sua incompatibilidade com, e sua superioridade aos ensinos budistas.


USO DE ARGUMENTOS APELANDO ÀS EVIDÊNCIAS POR JESUS

Apesar do freqüente retrato de Jesus como uma figura mística que chamou as pessoas para adotar uma fé acrítica, Ele recorreu freqüentemente às evidências para confirmar as suas afirmações. João Batista, que estava abatido na prisão depois de desafiar Herodes, enviou mensageiros para fazer à Jesus a pergunta: Você é o que era de vir ou nós deveríamos esperar outra pessoa? (Mt. 11:3). Esta pode parecer uma pergunta estranha de um homem a quem os Evangelhos apresentam como o precursor profético de Jesus e como o que havia proclamado que Jesus era o Messias. Porém, Jesus não reprovou a pergunta de João. Ele não disse, você tem que ter fé; elimine suas dúvidas. Nem Ele o repreendeu, Se você não crê, você irá para o inferno e perderá o céu. Ao invés disto, Jesus recontou as distintivas características do ministério dele:


Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim. (Mt. 11:4-6; veja também Lucas 7:22)


O trabalho de cura e ensino de Jesus servia como evidência positiva da sua identidade messiânica, porque eles cumprem as predições messiânicas das escrituras hebraicas18. O que Jesus reivindicou é isto:


  1. Se alguém fizer certos tipos de ações (os atos citados acima), esse alguém, então, é o Messias.

  2. Eu estou fazendo esses tipos de ações.

  3. Então, eu sou o Messias.


Esta sucessão lógica é chamada uma forma modus ponens (modo de afirmar) de argumento e é uma ferramenta conveniente de pensamento: Se P, então Q; P, conseqüentemente, Q. O argumento recorre às afirmações empíricas do trabalho poderoso de Jesus como sua base efetiva. Os atos que Jesus citou apontam as suas credenciais apologéticas cruciais como o Messias, o que era de vir.


Em outra ocasião, Jesus curou novamente no Sábado e os dirigentes religiosos o desafiaram novamente por quebrar o dia sagrado trabalhando. Ele respondeu, Meu Pai ainda está trabalhando e eu também trabalho. Os contestadores de Jesus viram as suas afirmações como blasfêmias não só porque ele que quebrou o Sábado, mas ele estava chamando a Deus como seu próprio Pai, se fazendo igual com Deus (Jo 5:17-18). Os judeus antigos às vezes recorreram a Deus como Pai, mas não com o possessivo “meu Pai”, uma vez que eles pensavam que isto sugeriria uma relação muito íntima entre o Criador e a criatura.


Em vez de negar esta conclusão, Jesus fez seis outras afirmações que reforçam a sua conclusão de que Ele estava, na realidade, se fazendo igual com Deus:


1. Ele age da mesma maneira como o Pai dando vida aos mortos (Jo 5:19-21).

2. Ele julga como um representante do Pai e com a autoridade dele (Jo 5:22, 27).

3. Se Ele não for honrado, Deus Pai não é honrado (Jo 5:23).

4. O que acredita em Jesus também acredita em Deus (Jo 5:24-25).

5. Tal como Deus (veja Deut. 30:19-20), ele tem vida em Si mesmo (Jo 5:26).

6. Ele está em completa concordância com o Pai, a quem Ele agradou perfeitamente, uma afirmação que nenhum judeu nas escrituras hebraicas tinha feito (Jo 5:30).


Jesus, porém, não deixou a questão somente com as assertivas dele. Ele acionou a apologética para recorrer à evidência a qual os seus ouvintes teriam tido acesso:


1. João Batista, um profeta respeitado, testemunhou a identidade de Jesus (Jo 5:31-35).

2. Os milagres de Jesus também testemunharam a identidade dele (Jo 5:36).

3. O Pai testemunhou a identidade de Jesus (Jo 5:37).

4. As Escrituras testemunharam igualmente a identidade dele (Jo 5:39).

5. Moisés testemunhou quem Jesus é (Jo 5:46).


Jesus argumentou com os seus adversários intelectuais e não recuou da emissão de evidências para suas afirmações19. Ele não fez simplesmente afirmações, ameaçou com punições a esses que discordaram ou atacou os seus adversários como um não-espiritual. Ele dava muito valor aos argumentos e evidências.


A apologética cristã dispõe de muitos tipos de evidências na defesa racional da verdade cristã. Nós não precisamos acreditar no evangelho por fé cega. Negando estes fatos, porém, Robert Millet, antigamente o reitor de educação religiosa da Brigham Young University, defendeu afirmações mórmons, apesar da sua admitida falta de prova, dizendo que a fé cristã é dependente da aceitação de um milagre divino que aconteceu na manhã de Páscoa para qual não há nenhum evidência20. Ele argumenta, então, se a crença cristã na Ressurreição não tem prova, mas é aceitável, então o pulo mórmon de fé está justificado também.


Isto é um argumento a fortiori; mas é falso que não há nenhuma prova da ressurreição de Jesus. Jesus ensina, como também a história da apologética, argumentando contra este tipo de fideísmo (fé contra ou sem prova objetiva) que Millet associa injustamente com o Cristianismo e justamente associa com Mormonismo. O próprio apóstolo Paulo citou muitas testemunhas que viram o Cristo ressuscitado, algumas das quais ainda estavam vivendo na ocasião em que ele escreveu (1 Cor. 15:5-8). O filósofo contemporâneo e apologista William Lane Craig escreveu amplamente sobre a prova histórica para a ressurreição de Jesus. Ele também publicou debates com estes que negam esta verdade. A prova inclui a confiabilidade histórica geral dos Evangelhos, como também os específicos e bem-atestados fatos individuais da tumba vazia, os muitos aparecimentos de Jesus para várias pessoas em tempos diferentes e a proclamação da Ressurreição pelos apóstolos apesar do fato que era contrário ao que eles esperavam do Messias. Outras explicações para a crença na Ressurreição, tais como isto sendo uma alucinação ou um mito criado mais tarde, simplesmente não se ajusta ao fatos21. Uma vez que a crença na ressurreição de Jesus deveria ser e é baseada em prova histórica, o argumento de Millet que as doutrinas mórmons fundamentais não requerem nenhuma prova é refutada22.


O USO DE ARGUMENTOS REDUCTIO AD ABSURDUM POR JESUS

Os filósofos e outros debatedores usam argumentos redutio ad absurdum. O termo significa redução ao absurdo. Quando bem aplicados, eles são uma poderosa refutação de uma posição ilógica. O argumento toma uma ou mais idéias e demonstra que elas conduzem a uma conclusão absurda ou contraditória. Isto prova que as idéias originais devem ser falsas. Para tal argumento funcionar, tem que manter a relação lógica entre as condições e o suposto absurdo deve ser verdadeiramente absurdo. Considere o uso apologético de Jesus de redutio ad absurdum defendendo a sua identidade como o Messias.


Jesus perguntou aos Fariseus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?. Citando o Salmo 110:1, Jesus recorreu a uma fonte que os Fariseu aceitavam. Ele concluiu com a pergunta: Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?, a qual, como registrou Mateus, silenciou a platéia (veja Mt. 22:41-46). O argumento pode ser declarado como segue:


1. Se Cristo for somente o humano descendente de Davi, Davi não o poderia tê-lo chamado Senhor.

2. Davi chamou Cristo de Senhor em Salmos 110:1.

3. Acreditar que Cristo era Senhor de Davi e somente seu descendente humano (que não poderia ser o seu Senhor) é absurdo.

4. Então, Cristo não é somente o humano descendente de Davi.


Jesus indicou que não negava a conexão ancestral de Cristo para Davi, uma vez que o próprio Jesus é chamado de Filho de Davi nos Evangelhos (Mt. 1:1), e Jesus aceitou o título sem objeção (Mt. 20:30-31). Jesus mostrou suficientemente que Cristo não é somente o Filho de Davi. Cristo também é Deus e era assim nos tempos de Davi. Usando este argumento reductio ad absurdum, Jesus ampliou as suas platéias discernindo quem Cristo é e que Ele mesmo é o Cristo23.


Jesus empregou outro reductio ad absurdum quando os Fariseus tentaram desacreditar a sua reputação como exorcista o acusando com expulsar demônios pela ação de Belzebu, o príncipe de demônios. Em outras palavras, a reputação de Jesus como um milagreiro santo era imerecida. O que pareciam ser milagres divinos realmente provinha de um ser demoníaco. A respeito desta acusação, Jesus pegou as premissas deles e tirou como conclusão um absurdo:


Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. (Mt. 12:25-27)


Nós podemos colocar isto, passo por passo, deste modo:


1. Se Satanás fosse dividido contra ele mesmo, seu reino seria arruinado.

2. O reino de Satanás, porém, não está arruinado (uma vez que a atividade diabólica continua). Pensar de outra forma é absurdo.

3. Então, (a) Satanás não expulsa Satanás.

4. Então, (b) Jesus não pode livrar as pessoas de Satanás através de poder satânico.


Além disso, os Fariseus também praticavam o exorcismo e, se Jesus expulsou demônios por Satanás, então os Fariseus têm que concordar que eles também poderiam estar expulsando demônios por Satanás (Mt. 12:27). Os próprios Fariseus têm que rejeitar esta acusação como absurda. Então, Jesus não podia ser acusado de exercer poder satânico através de seus exorcismos. Jesus dispôs dois poderosos argumentos reductio em apenas algumas poucas frases.


Argumentos reductio ad absurdum são ferramentas poderosas para defender a verdade cristã. Esses que afirmam que a moralidade é completamente relativa ao indivíduo pensam que esta visão defende a tolerância, evita o dogmatismo e é preferível à crença cristã em absolutos morais. A afirmação, contudo, que (1) toda a moralidade é relativa logicamente insinua que (2) a crença de qualquer um é certa se estiver certa para ele e que não há nenhum padrão mais alto para o qual se é responsável. O relativismo, porém, conduz a muitas conclusões absurdas como: (3) a moralidade de Osama bin Laden é certa para ele, assim nós não deveríamos julgá-lo, e (4) a moralidade nazista é certa para os nazistas, então, nós não deveríamos julgá-los. Em outras palavras, o relativismo moral é reduzido a niilismo moral, mas o niilismo moral é absurdo e é, consequentemente, falso. Através de contraste, a moralidade cristã é de longe mais convincente.


ADAPTANDO-SE À MENTE DE CRISTO

Este breve artigo não faz justiça à riqueza dos argumentos filosóficos e apologéticos de Jesus através uma extensa variedade de pontos importantes. Porém, nossa amostragem de Jesus argumentando traz em si uma séria questão à acusação de que o Jesus elogiou a fé acrítica no lugar de argumentos racionais e que Ele não teve nenhuma carga com consistência lógica. Pelo contrário, Jesus nunca desconsiderou o apropriado e rigoroso funcionamento de nossas mentes dadas por Deus. O seu ensino recorreu à pessoa inteira: à imaginação (parábolas), à vontade, e às habilidades de argumentação.


Com toda sua honestidade em informar as excentricidades dos discípulos, os escritores do Evangelho nunca narraram uma situação na qual Jesus foi intelectualmente impedido ou sobrepujado em um argumento; nem Jesus encorajou uma fé irracional ou mal informada por parte dos seus discípulos. Com Jesus como nosso exemplo e Senhor, as Escrituras Sagradas como nosso fundamento (2 Ti. 3:15-17), e o Espírito Santo como nosso Professor (Jo 16:12-15), nós deveríamos, prazeirosamente, sanar as dúvidas bíblicas para estar em vantagem ao mundo, por Cristo e o pelo seu reino (2 Cor. 10:3-5).


NOTAS


1. Veja Carl F. H. Henry, God, Revelation, and Authority (Waco, TX: Word Books, 1979), 3:164247.

2. Todas as citações da Bíblia são da Almeida Corrigida e Fiel (alteração do tradutor. No artigo original, as citações são da NVI)

3. Veja Douglas Groothuis, On Jesus (Belmont, CA: Wadsworth/Thomson Learning, 2002), cap. 47.

4. Veja John Stott, Christ the Controversialist (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1970), 18.

5. Dallas Willard, Jesus, the Logician, Christian Scholars Review 28, 4 (1999): 607.

6. James Sire, Habits of the Mind: Intellectual Life as a Christian Calling (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000), 203.

7. Michael Martin, The Case against Christianity (Philadelphia: Temple University Press, 1991), 167.

8. Ibid.

9. Veja o Mt. 23:1-12; Lucas 14:1-14; 18:9-14.

10. Martin, 167.

11. Nas afirmações e credenciais de Jesus, veja Douglas Groothuis, Jesus in an Age of Controversy (Eugene, OR: Harvest House, 1996; Wipf and Stock reprint, 2002), especialmente os capítulos. 13-14.

12. Outro exemplo de Jesus escapando de escolhas difíceis é encontrado em Mt. 22:15-22. Veja Groothuis, On Jesus, 26-27.

13. Veja Groothuis, On Jesus, caps. 1 e 3.

14. Veja James Hanick and Gary Mar, What Euthyphro Couldnt Have Said, Faith and Philosophy 4, 3 (1987): 24161.

15. Por exemplo, veja Lucas 11:11-12; 12:45; 67; 24; 27-28; 54-56; 13:14-16; 14:16; 18:18.

16. Introdução, em Escrituras budistas, ed. Edward Conze (New York: Penguin Books, 1959), 1112.

17. Os textos budistas estão muito distantes do tempo do Buda e são tão ambíguas com mitos que, fora o ensino das Quatro Nobres Verdades, eles são provavelmente nada fidedignos.

18. Veja Is. 26:19; 29:18-19; 35:46; 61:12.

19. Veja Sire,191-192.

20. Citado em Lawrence Wright, Lives of the Saints, The New Yorker, 21 January 2002, 51.

21. Veja Paul Copan and Ronald Tacelli, eds., Jesus Resurrection: Fact or Figment: A Debate between William Lane Craig and Gerd Ldeman (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000).

22. Para uma história esclarecedora de Mormonismo, veja Richard Abanes, One Nation under Gods: A History of the Mormon Church (New York: Four Walls Eight Windows, 2002).

23. Também veja Atos 2:29-36; 13:3-9; Heb. 1:5-13.



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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O significado do fracasso na vida de um cristão 0


O fracasso na vida do cristão

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

O texto original pode ser lido aqui.

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Eu sou cristão há mais de trinta anos. Eu acho que, em minha vida cristã, tomei conta de alguns milhares de serviços da igreja, centenas de serviços religiosos no Wheaton College, e grande número de assembléias cristãs em retiros, conferências, e assim por diante, mantidas pela Campus Cruzade e outros grupos. Ainda durante este tempo todo, eu nenhuma vez- nem uma única vez nas milhares de assembléias nestes mais de trinta impares anos - ouvi um orador discursar sobre o assunto ‘fracasso’. Na realidade, eu provavelmente não refletiria seriamente no problema se não tivesse um fracasso esmagador que me impeliu a enfrentar o problema pessoalmente.

A falta de tratamento deste assunto, por parte de oradores cristãos, não é devido a qualquer falta de importância do assunto. Qualquer cristão que fracassou em algum momento sabe quão devastadora a experiência pode ser e as perguntas que surgem são: Onde Deus está? Como Ele pode deixar isto acontecer? Eu estou fora da vontade dele? O que eu faço agora? Deus realmente se preocupa ou existe? Essas são perguntas agonizantes. Qual é o significado de fracasso para um cristão?

Tratando deste problema, me parece que nós precisamos primeiro distinguir dois tipos de fracasso: fracasso na vida cristã e fracasso na vida de um cristão. Por fracasso na vida cristã, eu quero dizer um fracasso do crente no relacionamento e na caminhada com Deus. Por exemplo, um Cristão poderia sofrer decepção e fracasso devido a uma rejeição em atender a chamada de Deus, ou sucumbindo à tentação, ou por se casar com um não-cristão. Fracasso deste tipo se deve ao pecado. É essencialmente um problema espiritual, uma questão de moral e fracasso espiritual.

Diferentemente, o fracasso na vida de um cristão não tem relação com considerações espirituais. Não se deve ao pecado na vida de um crente. É uma derrota pessoal que sucede no viver diário da experiência cristã. Por exemplo, um homem de negócios cristão poderia falir, um atleta cristão poderia ver seus sonhos juvenis despedaçados quando ele falha em passar para a Liga Principal, um estudante cristão poderia fracassar na escola apesar dos seus melhores esforços para ter sucesso, ou um operário cristão poderia se achar desempregado e incapaz de conseguir um emprego. Tais casos não são exemplos de fracasso na caminhada de uma pessoa com Deus, mas exemplos de fracasso no curso ordinário da vida. Eles acontecem nas vidas das pessoas que são cristãs.

No livro best-seller Fracasso: A Porta dos fundos para Sucesso, Erwin Lutzer trata da distinção que eu estou tentando fazer aqui. Ele atribui o fracasso na vida cristã à cobiça da carne (satisfação sexual), ao orgulho (egoísmo), ou à luxúria (cobiça). Fracasso na vida de um cristão que não está relacionado a esses elementos faz parte da vida. Lutzer não encontra nenhuma dificuldade particular com o segundo tipo de fracasso, mas ele considera o primeiro tipo de fracasso problemático. Ele escreve:

O que causa fracasso? O que faz um homem chegar ao final da vida e admitir que viveu em vão? O que motiva um homem para se suicidar porque ele não é tão talentoso quanto os outros? O que faz um homem arriscar o seu testemunho cristão e ter um caso com a esposa do seu vizinho? A resposta: Pecado - especificamente, orgulho, cobiça ou desejo sensual.

Naturalmente, há fracassos bastantes sem conexão com motivações pecadoras: um estudante poderia fracassar na escola, um homem poderia fazer um investimento pouco inteligente. Muitas pessoas têm fracassado nos seus trabalhos ou simplesmente não alcançaram suas metas. Nós não devemos minimizar este tipo de fracasso, mas no final das contas não é tão sério quanto o fracasso espiritual.1

Lutzer dedica o livro inteiro dele ao fracasso na vida cristã, o primeiro tipo de fracasso, porque ele pensa que este tipo de fracasso tem conseqüências mais sérias que o segundo tipo de fracasso. Em um sentido é verdade: a pessoa é moralmente culpada pelo fracasso devido ao pecado. Fracasso na vida cristã quebra o companheirismo da pessoa com Deus e tem conseqüências eternas. Nós precisamos confessar este tipo de fracasso a Deus ou nós seremos responsabilizados e julgados por isto. Assim, em última instância, as conseqüências do fracasso na vida cristã são mais sérias que os fracassos ordinários que acontecem em nossas vidas.

Por outro lado, contudo, em termos de conseqüências cotidianas no mundo no qual nós vivemos, não é sempre verdade que o primeiro tipo de fracasso tem as conseqüências mais sérias. Por que se nós não soubermos responder corretamente a eles, o fracasso na vida de um cristão pode devastar mais até mesmo do que o fracasso que ocorre especificamente por causa de nosso pecado.

Agora eu não tenho nenhuma dificuldade particular em compreender o fracasso na vida cristã. Naturalmente, pecado resulta em fracasso! Que mais nós poderíamos esperar? Nem a solução a este tipo de fracasso é difícil entender: arrependimento, confissão, fé e obediência. Assim eu não considero o fracasso na vida cristã confuso, especialmente quando eu reflito na fraqueza de minha própria carne. Não é surpreendente que nós pequemos e falhemos.

Mas o segundo tipo de fracasso é problemático pra mim. Quando alguém está caminhando em fé e obediência a Deus, como ele pode ser conduzido à cova do fracasso? Pense nisto. Como posso ser conduzido ao fracasso obedecendo a Deus? Realmente, isto é confuso. Então, eu quero focalizar nossa atenção neste segundo tipo de fracasso, o fracasso na vida de um cristão, e ver se nós podemos vir a entender isto.

Por muitos anos eu tive o ponto de vista que cristãos que estão caminhando com Deus basicamente não podem fracassar. Talvez eu fosse excessivamente ingênuo, mas eu não penso assim. Eu havia levado em conta a questão e havia até mesmo qualificado minha posição em vários pontos importantes. Por exemplo, eu distingui fracasso de perseguição. A Bíblia é clara que pessoas que estão tentando para viver vidas religiosas em Cristo Jesus experimentarão perseguição, e Jesus disse que eles serão abençoados por isto. Cristãos que morreram em campos de concentração por causa da sua fé ou que perderam trabalhos ou foram discriminados porque eles eram cristãos, não se pode dizer que fracassaram.

Eu também distingui fracassos de provações. A Bíblia é clara que como cristãos nós não somos isentos de provações e que tais provações produzem maturidade e perseverança. Sem provações nós permaneceríamos crianças mimadas e despreparadas. Mas eu acreditei que, se nós suportássemos nossas provações confiando na força de Deus, Ele nos veria e nos traria vitoriosamente ao outro lado. Basicamente, não tinha sentido, pra mim, dizer que Deus chamaria uma pessoa para fazer algo e então - quando aquela pessoa fosse obediente ao chamado e estivesse confiando na força de Deus - lhe permitisse fracassar.

E, de fato, há algum apoio Bíblico para a posição que eu tomei. Olhe o que o Salmo 1:1-3 diz:

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. “

O que poderia ser mais claro? Em tudo que ele faz, prospera! Entretanto, eu sofri um fracasso pessoal desastroso que me forçou a repensar nesta passagem inteira. Aconteceu enquanto Jan e eu estávamos morando na Alemanha Ocidental e eu estava terminando meu doutorado em teologia na Universidade de Munique, sujeito à orientação do famoso teólogo Wolfhart Pannenberg. Minha dissertação já havia sido aprovada e tudo que restava era passar no exame oral em teologia (ominosamente chamado o Rigorosum). Não sabendo o que esperar, eu tentei conseguir, repetidas vezes, uma entrevista com Pannenberg para discutir o exame e como eu poderia me preparar para ele. Mas eu não tive sucesso em vê-lo (professores alemães tendem a ser muito mais reclusos que as suas contrapartes americanas). Assim, eu fui ao seu assistente, um jovem e brilhante teólogo que havia ganho o doutorado dele sujeito a Pannenberg. Ele ignorou a idéia de me preparar para o exame. "Esqueça!" ele avisou. Bem, eu não era estúpido, assim eu o pressionei mais sobre como eu poderia preparar. "Pannenberg sempre faz só perguntas em cima dos próprios escritos", ele respondeu. "Basta ler o que ele escreveu."

Aquilo me parecia ser uma boa estratégia, e então durante as várias semanas seguintes eu li e estudei virtualmente tudo o que Pannenberg já havia escrito. Eu me sentia confiante de que havia dominado o pensamento dele.

No dia do exame eu entrei no escritório de Pannenberg. Ele entregaria o seu exame, e o processo seria monitorado e seria registrado pelo reitor da faculdade de teologia e um outro professor de teologia. Nós demos um aperto de mão e nos sentamos para o interrogatório começar.

Quase imediatamente coisas começaram a dar errado. Pannenberg começou a fazer perguntas sobre assuntos que não foram discutidos nos escritos dele. Ele começou a perguntar pelas particularidades da teologia deste ou daquele homem. E eu não pude responder as perguntas. Novamente eu tive que confessar minha ignorância. Eu não posso transmitir a você o sentimento de desamparo e medo que me varreram. Pergunta após pergunta, eu percebi que estava assistindo meu diploma de doutorado fugir, e – tal como tentar agarrar areia que desliza pelos seus dedos - não havia nada que eu pudesse fazer para parar isto. Esta tortura continuou por quase uma hora. Próximo ao término do tempo da prova, somente para fazer meu fracasso ser patentemente evidente, Pannenberg fez um par de perguntas condencendentemente fáceis, como para se rebaixar ao meu nível de conhecimento. Minha humilhação estava completa.

Desolado, eu deixei o departamento de teologia para encontrar Jan e sair para jantar em um restaurante onde nós dois havíamos planejado celebrar. Ela veio apressada a mim, sorrindo, com um olhar de expectativa nos olhos. "Mel - eu fracassei", eu disse. Ela não podia acreditar. Era logo antes o Natal e no dia 23 nós havíamos planejado voar de volta aos Estados Unidos para visitar minha família e começar a ensinar na Trinity Evangelical Divinity School em Deerfield, Illinois, depois do Ano novo. Agora, nós íamos para casa em derrota. Como que para adicionar injúria ao insulto, no vôo de volta, a Lufthansa perdeu nossa máquina de escrever da IBM, a bolsa da Jan, que estava cheia de valiosas jóias, foi roubada e eu perdi minhas lentes de contato!

Mas essas perdas materiais não eram nada comparadas ao tumulto que eu sentia dentro de mim por perder meu doutorado. Eu não entendia como Deus podia ter deixado isto acontecer. Ele havia nos chamado para a Alemanha e milagrosamente havia provido as finanças para meu estudo. Nós estávamos caminhando na vontade Dele; eu estava certo disto. Eu não havia sido negligente ou superconfiante. Eu tinha tentado freqüentemente ver Pannenberg com antecedência, mas ele sempre estava muito ocupado para mim, assim, eu me preparei do melhor modo que eu sabia. Mas especialmente, nós tínhamos orado seriamente e fielmente para este exame e havia outros, cristãos cheios do Espírito nos Estados Unidos, orando para isto também. O exame foi completamente justo, eu não podia negar isso. Eu fracassei, isso é tudo. Mas como Deus podia ter deixado isto acontecer? E as promessas dele? " e tudo quanto fizer prosperará." "Tudo que você pedir em meu nome..."

Não era só o meu fracasso no exame. Mais que isto, meu fracasso foi uma crise espiritual na fé para mim. Eu sentia dor e vergonha, mas até mesmo mais, eu me sentia traído por Deus. Como eu poderia confiar novamente nEle?

Como eu trabalhei meus sentimentos nos dias seguintes, ficou claro a mim que Salmos 1:1-3 não pode ser interpretado como algum tipo de promessa geral que ampara todo caso. Cristãos sem sempre prosperam no que eles empreendem. Às vezes eles fracassam, e isso é fato.

Agora alguém poderia dizer, "Você não pode usar experiência humana para anular a Palavra de Deus! As promessas dele são indiferentes a sua experiência." Mas o problema com esta resposta é que a Bíblia dá exemplos de tais fracassos. Por exemplo, Deus havia prometido dar a terra de Canaã às doze tribos de Israel. Mas em Juízes 1:19, nós lemos, " E estava o SENHOR com Judá, e despovoou as montanhas; porém não expulsou aos moradores do vale, porquanto tinham carros de ferro. " Olhe para o que diz aqui: o Deus estava com os exércitos de Judá - mas apesar deste fato, embora eles tivessem conquistado a colina do país, eles não derrotaram o inimigo deles nas planícies porque eles tinham carruagens férreas! Não parece fazer sentido: Deus estava com eles e mesmo assim fracassaram. Como nós compreendemos tal fracasso na vida do crente?

Agora algumas pessoas poderiam responder essa pergunta afirmando que Deus não tem nenhuma vontade específica para nossas vidas. A vontade geral de Deus é que nós obedeçamos a seus comandos éticos e espirituais, que nós nos aproximemos do caráter de Cristo, e assim sucessivamente. Mas Ele não tem nenhuma vontade específica para pessoas individuais que incluem conseguir um doutorado, se casar com certa pessoa ou entrar em um negócio empresarial particular. Assim quando nós empreendermos essas coisas, nós fazemos tão completamente por nossa própria iniciativa e bem pode virar em fracasso.

Mas esta solução me parece inadequada, apesar de sua aparente simpatia para muitas pessoas. Em primeiro lugar, insinua um conceito deficiente da soberania, providência e orientação de Deus. Embora a Bíblia ensine liberdade humana, também tem uma forte ênfase no controle soberano de Deus e direção providencial sobre tudo o que acontece. Nada acontece no mundo sem que Deus ou deseje diretamente, ou, no caso de atos pecadores, seja pelo menos permitido. Além disso, Deus tem organizado o mundo tão providencialmente que os fins dele serão realizados pelas coisas que nós decidimos empreender. Nossas decisões, então, não podem ser problemas indiferentes a Ele. Além disso, Ele prometeu nos guiar no que decidimos. Tudo isso sugere que Deus tenha uma vontade específica para nossas vidas.

Mas deixando este ponto de lado, em segundo lugar, a solução proposta atualmente não vai, de fato, ao coração do problema. Mesmo que Deus não tenha uma vontade específica para nossas vidas, ainda resta que Ele prometeu estar conosco, nos capacitando e nos ajudando. Isso é porque o exemplo em Juízes é tão confuso. Deus estava com eles, mas ainda assim fracassaram. Então, mesmo se Deus não tiver nenhuma vontade específica para nossas vidas, aquele silêncio não explica como nós podemos fracassar em coisas que nós decidimos fazer na força Dele.

E assim eu fui conduzido ao que era, para mim, uma nova e radical idéia da vontade de Deus, a saber, que a vontade de Deus para nossas vidas pode incluir fracasso. Em outras palavras, a vontade de Deus pode querer que você falhe, e Ele pode te conduzir ao fracasso! Pode haver coisas que Deus tem que te ensinar com fracassos que Ele nunca poderia te ensinar com sucessos.

No meu próprio caso, fracassar em meus exames doutorais forçou-me a ver as prioridades de minha vida sob uma nova luz. Quando nós voltamos aos meus parentes para o Natal, eu dei as notícias a meus pais de que eu havia falhado em meu exame oral e não recebi o doutorado. Para minha surpresa, replicou minha mãe, "Quem se preocupa?" Eu fiquei atordoado! Para mim parecia a catástrofe da minha existência, mas ela só encolheu os ombros como se não importasse. Começou a manifestar-se em mim que, em um sentido, não importava mesmo, que há coisas na vida muito mais importante que doutorados, publicações, e fama acadêmica. No fim, são as relações humanas que realmente importam - especialmente as familiares.

Minha mente voltou-se para um cientista que havíamos encontrado na Alemanha, que estava há muitos anos divorciado e que quis com todo o seu coração voltar à sua esposa e filhinho. "Quando eu era recém-casado", ele nos falou, "eu gastei todo meu tempo no laboratório. Tudo do que eu poderia pensar era minha investigação, à exclusão de qualquer outra coisa ou qualquer outro”. Parecia tão importante a ele, então. Mas agora ele soube que não era. "Eu fui um bobo", disse ele. E assim, eu também percebi agora, mais uma vez, as bênçãos que eu tive em uma esposa fiel que havia se sacrificado e trabalhado comigo todos esses anos em que eu estive na escola; e nos pais amorosos que me aceitaram, incondicionalmente, só porque eu era o filho deles. Aquele Natal marcou o começo de uma nova relação com meus parentes. Jan e eu viemos os conhecer não somente como pais, mas como amigos.

Veja, eu realmente não tinha entendido o que o verdadeiro sucesso é. Verdadeiro sucesso não é alcançar riqueza, poder ou fama. Verdadeiro sucesso está no reino do espiritual, ou mais específicamente, está em conseguir conhecer melhor a Deus. J. I. Packer expressa sucintamente este pensamento em Conhecendo Deus:

Nós fomos trazidos ao ponto onde ambos podemos e devemos obter as prioridades de nossa vida de forma definida. Das publicações cristãs atuais você poderia pensar que o item mais vital para qualquer verdadeiro ou pretenso Cristão no mundo hoje é a união da igreja, ou o testemunho social, ou o diálogo com outros cristãos e outras fés, ou refutando este ou aquele “ismo”, ou desenvolver uma filosofia ou cultura cristã, ou o que você quiser. Mas nossa linha de pensamento faz com que a atual concentração nestas coisas se pareça com uma conspiração gigantesca de má direção. Naturalmente, não é isso; os seus problemas são reais e devem ser tratados no seu lugar. Mas é trágico que, dando atenção a eles, tantos de nossos dias pareçam tirar a atenção do que era, é e sempre será a verdadeira prioridade para todo ser humano – isto é, aprender a conhecer Deus em Cristo.2

A primeira vez que eu li esta declaração, me surpreendi: "refutando este ou aquele “ismo” ou desenvolvendo uma filosofia cristã." Exatamente o tipo de coisa que eu faço na vida! E ainda não é o mais importante. A pessoa poderia ter sucesso nisto e ainda, na visão de Deus, ser um fracassado.

Isto me trouxe à mente um pensamento que Lutzer disse que veio assombrá-lo, sendo ele um pastor ocupado: "Você pode não estar realizando tanto quanto você pensa que está." Nós podemos estar fazendo muitas coisas para Deus e ainda não ser o tipo de pessoa que Deus deseja que nós sejamos. Realmente, meu maior medo é que eu poderia algum dia me colocar diante de Deus e ver todos meus trabalhos subirem em fumaça como "madeira, feno e palha." Afinal de contas, o que disse Jesus? - "Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros." Não é nenhum sucesso aos olhos do mundo que, no final das contas, interessa, mas o sucesso aos olhos do Deus.

Agora estou animado e convicto. Por um lado, animado porque embora nós fracassemos, o fracasso pode ser a melhor parte do sucesso aos olhos de Deus. Eu tenho uma intuição de que Deus não se interessa tanto pelo que nós passamos quanto por como nós passamos pelos fracassos. Embora possamos falhar na tarefa que temos a intenção de fazer, se respondemos àquele fracasso com fé, coragem e dependência na força do Deus, ao invés de desespero, amargura e depressão, será contabilizado como um sucesso nosso na visão dele.

Por outro lado, estou convicto porque podemos pensar que nós estamos realizando muito, quando de fato estamos fracassando na visão do Deus. O apóstolo Paulo reconheceu que ele podia ser um teólogo brilhante e talentoso, que vivesse em pobreza por causa da sua generosidade e fosse martirizado até mesmo por pregar o evangelho, e ainda, se lhe faltasse amor, não seria nada na visão de Deus. O verdadeiro sucesso é encontrado em amar a Deus e a nossos próximos.

Bem, que aplicação prática tem tudo isso para nossas vidas? Podem ser dadas duas opiniões.

Primeiro, nós precisamos aprender com nossos fracassos. Quando fracassamos, nós não deveríamos adotar a atitude de ‘uvas azedas’ da raposa, na fábula de Esopo. Ao invés, nós deveríamos analisar nosso fracasso para ver que lição podemos aprender dele. Isso não significa tentar entender por que Deus permitiu isto acontecer. Em muitos casos, nunca saberemos o porquê. Muitos cristãos entram no que Packer chama de "erro da caixa sinalizadora York."3 A malha ferroviária na cidade de York tem uma sala de controle principal que contém um painel eletrônico que exibe em luzes a posição de todo trem na malha. Alguém na torre de controle, que vê o painel inteiro, pode entender justificadamente por que um trem particular foi posto em espera em um ponto, ou porque outro foi movido para outro lugar em um desvio, embora para alguém, lá embaixo nos trilhos, os movimentos dos trens possam parecer inexplicáveis. O Cristão que quer saber por que Deus permite todo fracasso na vida dele está solicitando, Packer diz, estar na "caixa sinalizadora" de Deus, mas ainda, para melhor ou para pior, nós não temos acesso a ela. Então, é insensato torturar a si mesmo por querer saber o porquê que Deus permitiu este ou aquele desastre entrar em nossas vidas.

Mas posto que nós nem sempre discernimos ou compreendemos o projeto providencial de Deus, ainda podemos aprender com nossos fracassos. Como diz Lutzer, "não é necessário saber por que Deus nos enviou o infortúnio para ganhar com ele."4 Pergunte a si mesmo o que você podia ter feito diferentemente em sua situação ou o que poderia fazer diferentemente da próxima vez. Pergunte a si mesmo que tipo de reação Deus quer que você tenha, ou que característica de caráter pode ser desenvolvida em você como resultado da derrota. Aprenda de seu fracasso.

Segundo, nunca se renda. Só porque você fracassou, não está tudo perdido para ti. Aqui, o exemplo de um homem como o Presidente Theodore Roosevelt é instrutivo. Fraco e doente como um menino, Roosevelt batalhou para alcançar grandes coisas, o único Presidente a ser homenageado com a Medalha Parlamentar de Honra pelo seu valor no campo de batalha. Roosevelt declarou,

O crédito pertence ao homem que está de fato na arena, cuja face é arruinada pelo pó, suor e sangue; que se esforça valentemente; que erra, que fracassa repetidas vezes, porque não há nenhum esforço sem erros e falhas; mas que se esforça para fazer as obras; que identifica os grandes entusiasmos, as grandes devoções; que gasta a si mesmo em uma causa merecedora; que na melhor das hipóteses conhece, no final, o triunfo de uma grande façanha, e que na pior das hipóteses, se fracassar, pelo menos fracassa com grande coragem, de forma que o lugar dele nunca estará com essas almas frias e tímidas que nem não conhecem vitória nem derrota.

Você não está liquidado só porque fracassou. Você só está liquidado se render e desistir. Mas não desista! Com a força de Deus, apanhe os pedaços de seu fracasso e, havendo aprendido disto, vá adiante.

Isso é o que nós fizemos em nosso caso. Em universidades alemãs, se você abandonar os exames orais na primeira vez, você pode retomar. Jan e eu soubemos que podíamos tentar novamente, e nossos amigos nos encorajaram para que o fizéssemos. Assim, depois de começar a ensinar na Trinity, eu passei o próximo ano inteiro preparando-me novamente para o Rigorosum. Eu estudei completamente a prodigiosa obra Harnack, de três volumes do Dogmengeschichte, a História do Desenvolvimento de Doutrina multi-volume de Pelikan, a História de Doutrina cristã Cunliffe-Jones, Dogmengeschichte de Loof, dois extensos guias de estudo em geral de Teologias dogmáticas preparadas para estudantes de universidade alemães em teologia, como também estudei os documentos dos vários conselhos e credos da Igreja, leituras dos Pais da Igreja, trabalhos de teologia contemporânea, e assim sucessivamente. Passado o tempo de um ano, eu tinha uma pilha de notas, a qual eu havia virtualmente memorizado e estava preparado para responder perguntas em qualquer área da teologia sistemática - seja cristologia, antropologia, soteriologia, ou tudo isto - dos antigos Apologistas aos da Idade Média, da Reforma, do Iluminismo e do século XX. Eu estava pronto. Mas estava morto de medo.

Nós voltamos à Alemanha no verão seguinte, e deixei Jan em Berlim enquanto viajei de trem para Munique, para o exame. Quando entrei no escritório de Pannenberg, tudo aparentava estar quase a mesma coisa de antes. Mas desta vez, era diferente. Pannenberg começou com a doutrina da Trindade, iniciando com a doutrina do Verbo dos Apologistas antigos. E para minha alegria (a qual eu mal podia esconder!), como o exame continuou a desdobrar-se, eu me achei respondendo prontamente a cada pergunta com respostas completas e precisas. A única pergunta na qual tropecei era uma sobre por que a doutrina de Hegel da encarnação requeria a morte de Deus - e eu não me senti tão mal por perder aquela! O próprio Pannenberg estava claramente encantado com meu sucesso e me premiou com um de magna cum laude no exame. Eu estava dançando no ar!

Assim, foi uma vitória para Deus, no fim. Mas a vitória não foi somente passar no exame. Foi a fim de, sem mencionar as lições espirituais que Deus me ensinou, eu descobrir uma verdade muito sensata. Como tantos outros estudantes americanos, eu havia sido angustiadamente treinado em seminário na história da doutrina cristã. A formação em teologia sistemática que os seminários evangélicos americanos geralmente dão para os seus estudantes é apenas uma sombra pálida do que estudantes universitários alemães de teologia recebem. É, então, alguma maravilha a cética teologia alemã moldar o mundo? Como nós podemos esperar que teologia evangélica se torne um modelo principal a menos que nós comecemos a treinar nossos estudantes com o mesmo rigor e eficácia que caracterizam a instrução teológica alemã? Eu posso dizer, sem hesitação, que durante aquele ano de intenso estudo, eu aprendi mais sobre teologia sistemática do que durante minha formação de seminário inteira. Assim, embora eu nunca quereria reviver minha experiência, eu posso dizer honestamente que eu estou alegre que eu fracassei. Era para o melhor, porque como resultado daquele fracasso eu fui equipado teologicamente de certo modo para o serviço do Deus que nunca teria sido possível se eu tivesse passado.

E eu estou muito alegre por não termos desistido. Suponha que tivéssemos nos rendido. Digamos que na humilhação do meu fracasso, eu tivesse perdido a esperança e não tivesse tentado prestar o exame pela segunda vez. As dores agudas de derrota teriam me assombrado toda vez eu pensasse em meu fracasso ou abrisse um livro de teologia sistemática. Eu não teria tido aquele ano de estudo intensivo e eu teria permanecido em meu estado anêmico de conhecimento teológico. Os anos teriam passado e eu teria me feito continuamente a pergunta: Eu deveria ter tentado novamente? Até mesmo se eu tivesse tentado e tivesse abandonado a segunda vez, eu ainda teria sido melhor se desisitisse. Parafraseando um velho lema em um contexto diferente: É melhor tentar e ter fracassado do que não ter tentado.

Assim, quando você encontrar o fracasso, não se renda. Peça a força de Deus para ir além. Ele a dará a você. Na realidade, há um nome bíblico para esta qualidade. É chamada de perseverança. Pelo fracasso, se você responder corretamente, Deus pode construir a qualidade da perseverança em sua vida.

O fracasso na vida de um Cristão, então, não deveria nos pegar de surpresa. Deus tem coisas importantes para nos ensinar pelo fracasso - e o verdadeiro sucesso, o sucesso que conta para eternidade, consiste em aprender essas lições. Assim, quando você fracassar, não se desespere ou pense que Deus o abandonou; antes, aprenda de seus fracassos e nunca se renda. Esta é a fórmula para o sucesso.

Notas

1 Erwin Lutzer, Fracasso: A porta dos fundos para o sucesso (Chicago: Moody, 1975), pp. 41-42.

2 J. I. Packer, Deus onisciente (Londres: Hodder & Stoughton, 1973), p. 314.

3 Ibidem., pp. 110-11.

4 Lutzer, Fracasso, p. 66.


William Lane Craig
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