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domingo, 17 de junho de 2012

Crítica - A 4ª Dimensão - David (Paul) Yonggi Cho 0

Semanas atrás fui com minha cunhada à uma livraria evangélica aqui em Porto Alegre para ajudá-la a comprar alguns livros e CDs. Passeando entre as estantes, procurava descobrir se eu podia me presentear com algum bom livro. Às vezes, tenho gratas surpresas, mas não foi o caso desta vez. Paciência. Mas, no fim, até fiquei alegre, porque o tipo de literatura cristã que me atrai é também objeto de desejo de outras pessoas aqui na cidade. Gostaria de conhecê-las pessoalmente!

No meu passeio, olhei a estante de livros dedicados à oração. Achei boa parte dos títulos bem estranha, pois prometiam entregar ao leitor uma fórmula, um procedimento infalível de alcançar a Deus e lograr êxito na conquista dos seus próprios anseios. Nada mais longe do objetivo da oração, eu pensei. Olhei os autores, e não os conhecia. E vi apenas poucos nomes diferentes. Parecia uma espécie de ‘cartel da literatura evangélica’. Mas um nome chamou a minha atenção, porque já havia ouvido falar nele por aí e o nome desse livro soou bastante esotérico. O livro era “A Quarta Dimensão”, do David (Paul) Yonggi Cho, publicado pela Editora Vida.

O autor

Yonggi Cho é um pastor de uma igreja evangélica sul-coreana, considerada por ele e por muitos como a maior igreja evangélica do mundo. Devido à influência que causou com seu método de crescimento de igrejas, tornou-se conhecido pelo mundo, o que o fez trocar seu nome para um de mais fácil assimilação pelos ocidentais. Primeiro, mudou para Paul, depois achou melhor usar David.

A linguagem

Não é um livro difícil de ler. É curto, possui uma linguagem simples, sem muitos recursos estilísticos e nem vocabulário rebuscado. Não há termos teológicos nem notas de rodapé, pois o autor não se preocupou em especificar fontes às afirmações de terceiros. Quando ele utiliza um estrangeirismo, ou cita as línguas originais da Bíblia, ele o faz explicando sua compreensão da palavra ou expressão. Todo o conteúdo do livro é baseado em suas experiências, desde a sua conversão até os momentos de alegria e de dificuldade que aconteceram no decorrer do seu ministério. Há muitos diálogos transcritos, entre ele e outras pessoas, e entre ele e Deus, seja Deus Pai, ou Jesus, ou o Espírito Santo. A divisão do livro é adequada, com seu conteúdo bem distribuído e didático, o que torna o fluxo de leitura leve e agradável.

Conteúdo

É aqui que vamos encontrar muitos problemas. Pensei melhor dividí-los em tópicos para facilitar a leitura.


Ataque à soberania de Deus

Sem meias palavras, a primeira frase do primeiro capítulo já começa assim:

“Deus jamais produzirá nenhuma de suas grandes obras a menos que a realize por meio de sua fé, da fé que deu a você.”

Ele repete novamente esta ideia no capítulo 6, onde ele coloca na boca de Deus as seguintes palavras:

“Jamais me apresentarei ao mundo com poder a não ser que me manifeste através de sua vida."

E Yonggi Cho completa:

“Você é o canal. Você tem toda a responsabilidade. Se não desenvolver sua maneira de crer a fim de cooperar com Deus, ele será limitado. Deus é tão grande quanto você lhe permitir que o seja. Ele também é tão pequeno quanto você o obrigar a ser.”

Esta ideia não é nova. Ela está na boca de muitos pregadores conhecidos, curiosamente norte-americanos, que Cho critica no livro. Kenneth Copeland e Kenneth Hagin, dois famosos pregadores e escritores (os quais herdaram sua teologia de E. W. Kenyon - o verdadeiro pai da Confissão Positiva), também expressam esta noção de que Deus está, de fato, limitado pela vontade humana. Assim, parece que ele nem mesmo é dono dessa visão que é elogiada por Robert H. Schuller no prefácio desse livro como sendo uma mensagem especial do Espírito Santo trazida para Yonggi Cho.

A Bíblia ensina que Deus é soberano sobre tudo e sobre todos. A história mostra como Deus tem lidado com a Sua criação e prova que nada está fora do Seu controle. Deus governa; seus propósitos nunca serão frustrados. É surpreendente a ousadia do autor em diminuir Deus desta maneira. Ou cremos no que a Bíblia diz, ou a jogamos fora. E ela fala isto acerca do Todo Poderoso:

E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? (Dan 4:35)
Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. (Jó 42:2)
Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? (Isa 43:13)
Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou. (Slm 115:3)
Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. (Isa 46:10)
(Recomendo, também, leitura da resposta de Deus à Jó, no livro de mesmo nome, nos capítulos 38 a 41)

A história já está escrita. E ela vem se cumprindo nos mínimos detalhes no decorrer das eras, porque o Deus que criou todas as coisas, continua mantendo a obra graças fazendo uso da Sua providência, bem como intervenções especiais, chamadas de milagres. Então, quando se diz que Deus não pode fazer nada a não ser que alguém aqui em baixo “se mexa”, incorremos em blasfêmia. Pois o contrário é que é verdadeiro:

Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas (At 17:25)
Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos (At 17:28)
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. (Flp 2:13)


Negação da onisciência de Deus

Um deus que não é onipotente provavelmente não seja, também, onisciente. Este atributo de Deus também está ofuscado pelo ensino de Yonggi Cho. A Bíblia, porém, diz que Deus sabe daquilo que precisamos mesmo antes de pedirmos:

Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces. (Sl 139:4)
Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera (Ef 3:20)
Na verdade, nem sabemos bem o que pedir. Por isso, o Espírito Santo intercede por nós em nossas orações. Pois o espírito do homem sabe aquilo que é do homem, mas o Espírito de Deus sabe das coisas de Deus.
Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. (1 Co 2:9)
E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. (Rm 8:26)

Contudo, o deus de Yonggi Cho tem problemas com a precisão das petições. Novamente, o autor coloca palavras na boca do Senhor neste trecho do capítulo 1, onde ele entendeu que não recebeu os bens materiais que solicitou por falta de detalhamento no pedido:

“Sim, esse é o seu problema, o problema de todos os meus outros filhos. Imploram exigindo todo tipo de coisas, mas o fazem com termos tão vagos que não posso responder. Será que você não sabe que há dezenas de tipos de escrivaninhas, cadeiras e bicicletas? Mas você simplesmente pediu-me uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta. Não pediu uma escrivaninha específica, nem uma cadeira nem uma bicicleta específicas.”

Deus não saberia o que é o melhor para seus filhos? Claro que saberia. Deus rejeitaria o clamor de alguém que esteja tão humilhado, tão alquebrado, de maneira que não tivesse forças para orar algo além de “Oh Deus, abençoa-me” ou “Sê propício a mim, pecador” (Lc 18.13)? Mas o deus de Cho parece que só responde se você usar termos exatos:

"O Deus, abençoa-me" — então Deus pode perguntar-lhe: "Que tipo de bênção você deseja dentre as 8.000 promessas?"

Preciso explicar melhor este ponto. Não advogo que o crente tenha de fazer orações tão genéricas e abstratas de modo que abarquem qualquer coisa. Na verdade, penso que é correto fazer uso da Palavra, e mesmo citar literalmente as promessas que Deus fez a nós, em nossas orações. Isto é bom e desejável, porque gera confiança no pedido e segurança na resposta. Deus deve se alegrar ao saber que seus filhos conhecem a Sua Palavra. Concordo com o autor apenas tangencialmente, porque Deus atende a orações simples, bem como a orações mais bem fundamentadas, desde que estejam de acordo com a vontade Dele. Se o Senhor não quiser abençoá-lo com uma casa ou um carro, por exemplo, Ele não o fará, por mais que você diga a Ele quantos tijolos ou parafusos que as coisas pedidas tenham. Aliás, se a petição lhe for negada, devemos entender ISSO como a benção.


Confusão entre o poder de Deus e o poder do homem

Fica patente na leitura do livro a confusão entre aquilo que compete a Deus daquilo que compete ao homem. Yonggi Cho confunde as duas coisas, de modo que destemidamente usa passagens bíblicas mostrando a ação poderosa do Senhor como que sendo possível ao homem fazer o mesmo. No capítulo 1, Cho cita Romanos 4.17, que diz “(...) Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem”, e pensa que o homem pode fazer da mesma maneira, quando declara:

“Acho que podia simplesmente chamar à existência aquelas coisas que não existem como se existissem, como se já as possuísse.”

Mais tarde, ao falar para a congregação acerca das “coisas que declarava como se já as tivesse”, alguns quiseram ver essas coisas. Cho reclamou ao Senhor, como se a ideia de violentar o texto bíblico fosse Dele:

"Senhor, desde o princípio essa não foi idéia minha. Foi tua idéia que eu lhes dissesse isso. Simplesmente te obedeci, e agora estou em apuros. Falei-lhes como se fosse dono das três coisas. Que explicação posso dar-lhes agora? Tu precisas ajudar-me, como sempre tens feito."

No fim do livro, ele mostra qual é o verdadeiro motivo que o crente deveria ter para orar ao seu Deus:

Irmãos e irmãs em Cristo, neste instante vocês têm todo o poder de Deus dentro de vocês. Podem recorrer a esse poder para seus gastos, suas roupas, seus livros, sua saúde, seu negócio, tudo!
Quando saírem para pregar o evangelho não estarão pregando um objetivo vago, uma teoria, uma filosofia ou uma religião humana. Na verdade estarão ensinando as pessoas a destapar o manancial inesgotável dos recursos morais e espirituais.

Uso seletivo de passagens bíblicas

O autor também revela falta de preparo no seu ministério pastoral. Ora, convenhamos, não é boa prática ficar sorteando alguma passagem da Bíblia para pregar, como ele faz ao contar logo no íncio do livro:

“Nessa manhã, lendo a Bíblia à procura de uma passagem especial para pregar, repentinamente meus olhos caíram em Romanos 4:17(...). Corri para a tenda que nos servia de igreja, onde as pessoas já haviam começado a orar, e depois de cantarmos alguns hinos comecei a pregar. Expus-lhes essa passagem bíblica (...)”

Conforme pode-se perceber pelo contexto, o ministério de Yonggi Cho ainda estava no seu começo, e (quero crer) talvez ele tenha usado esse expediente leviano apenas nessa época. Entretanto, foi nesta mesma época que ele “desenvolveu” a teologia sobre a oração que expôs no livro, o que pode dar um pano de fundo teológico à sua “revelação”.


Entendimento incorreto da natureza da fé

O que é fé? É confiança ou convicção em algo ou alguém. Fé em Deus é, portanto, confiança naquilo que Ele diz, naquilo que Ele é e naquilo que Ele faz. Há um outro sentido para fé, quando nos referimos, por exemplo, à “fé dos cristãos”, que significa “o conjunto de crenças que os cristãos têm”. Destarte, imaginar a fé como algo manipulável, como se fosse uma energia ou substância, não faz o mínimo sentido, nem bíblico, nem lógico. Analogamente, é como pesar o pensamento. Seria racional se fosse uma espécie de metáfora, mas não se considerada literalmente. A fé não é um objeto; ela precisa de um objeto, o qual é o Deus da Bíblia, para os cristãos.

Yonggi Cho afirma que existem várias dimensões no universo. Pensando geometricamente, ele ensina que existe a primeira dimensão, que é a dos pontos; a segunda dimensão, que são pontos ligados, formando planos; a terceira dimensão surge quando vários planos são agrupados - o nosso mundo físico é tridimensional; e o mundo espiritual, que seria a quarta dimensão. Conforme ele crê, as dimensões superiores abarcam e dominam as dimensões inferiores. Como os seres humanos possuem corpo e espírito, eles pertencem à 3ª e à 4ª dimensão. Se soubermos conectar o nosso espírito a esta 4ª dimensão, podemos moldar e controlar o plano físico.

Cho ensina que a fé é como uma energia que está disponível tanto para espíritos bons quanto para espíritos maus (cap. 2). E ele prova isto mostrando que outros grupos religiosos ou filosóficos podem também fazer milagres, não somente os cristãos. Perceba também um certo desdém por quem estuda teologia e gosta de falar sobre assuntos de fé:

"Os não-crentes do mundo todo estão envolvidos em meditação transcendental e meditação budista. Na meditação pede-se que a pessoa tenha uma visão e um objetivo claro. No sokagakkai constróem uma imagem de prosperidade, repetindo frases vez após vez, tentando desenvolver a quarta dimensão espiritual do homem; e estas pessoas estão criando algo. Embora o Cristianismo tenha chegado ao Japão há mais de cem anos, conta com somente 0,5% da população, e o sokagakkai possui milhões de seguidores. Sokagakkai tem aplicado a lei da quarta dimensão e tem realizado milagres; mas no Cristianismo só há falatório sobre teologia e fé.

Um pouco mais adiante, ele acrescenta:

"Não seja enganado pela conversa da expansão mental, da ioga, da meditação transcendental ou do sokagakkai. Eles estão simplesmente desenvolvendo a quarta dimensão humana, e nesses casos não estão operando na quarta dimensão do bem, antes, na do mal."

E Yonggi Cho vai mais longe. Ele diz que o próprio Deus utilizou esta fé para criar o mundo. Bastou que Ele falasse. O funcionamento dessa fé é o seguinte: as pessoas visualizam o que querem - que o autor chama de ‘imcubação’ - e, a seguir, verbalizam essas intenções; então, forças positivas (Deus, por ex.) usam estas declarações positivas para o bem, e forças negativas (demônios, por ex.) usam declarações negativas para o mal. De uma forma ou de outra, as declarações orais transformam o mundo físico. As palavras são o combustível dos seres espirituais. É importante não somente declarar intenções, mas ordená-las.

“Clame pela palavra de segurança e a proclame, pois sua palavra se espalha e cria. Deus falou e todo o universo se formou. Sua palavra é o material que o Espírito Santo usa a fim de criar.”
“Mediante o domínio na quarta dimensão, o reino da fé — você pode dar ordens a suas circunstâncias e situações, trazer beleza ao feio, ordem ao caótico, sarar os enfermos e consolar os que sofrem.”
“Portanto desejo falar-lhes a respeito do poder criador da palavra falada e por que o seu uso é de grande importância.”
“Na quarta dimensão cria-se tanto o bem como o mal.”
“Precisamos readquirir a arte perdida de expressar a palavra de ordem”
“Há tempo de orar mas também há tempo de dar a ordem. Deve orar em seu quarto secreto, mas ao sair para o campo de batalha, você sairá a fim de proferir a palavra de ordem de criação”


Hermenêutica e exegese incorretas

Para dar sustentação às suas ideias, Yonggi Cho não se faz de rogado e faz sua própria exegese da bíblia, com uso de uma hermenêutica totalmente singular.

“Gênesis 1.2: "A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas." Mas se examinarmos a língua original da Bíblia, esse versículo quer dizer que o Espírito de Deus estava incubando sobre as águas, chocando-as.”

O verbo hebraico râchaph, que aqui é traduzido por “pairava”, tem outros significados, tais como movimentar, agitar, vibrar. Como boa regra hermenêutica, é bom ver em quais outros contextos a palavra aparece, para buscar melhor compreensão dela. E este verbo também aparece em outras passagens, como em Dt 32.11, onde é traduzido por “move”, e em Jr 23.9, que em português ficou “estremecer”. Não há, nem de leve, qualquer menção à “incubar”, ou “chocar”, salvo se, por licença poética, ele quiser interpretar “move-se sobre os seus filhos” como “chocar”, na passagem de Deuteronômio, embora não me ocorra como uma ave choca seus ovos se movendo agitadamente sobre eles.

Em outra passagem do seu livro, Cho afirma que Eva fez uso da sua técnica de visualização para pecar. Aqui, Cho também tem uma revelação extra bíblica, narrando outras partes da conversa entre a serpente e Eva.

“Venha ver o fruto da árvore proibida. Olhar não faz mal; por que você não vem e dá uma olhada? Uma vez que o simples olhar para o fruto parecia inofensivo, Eva foi e olhou para a árvore. Olhou para ela não somente uma vez, mas continuou a olhar. A Bíblia diz em Gênesis, no capítulo 3, versículo 6: "Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu." Antes de comer do fruto ela viu a árvore, e viu também o fruto em sua imaginação. Brincou com a ideia de comer da árvore e trouxe essa ideia para sua quarta dimensão.”

Neste outro texto, percebemos que Abrão perdeu a oportunidade de possuir todo o oriente médio: afinal, Deus poderia ter-lhe dado mais, mas Abrão não tinha uma visão (literalmente) muito ampla, e viu apenas alguns quilômetros de terra, que seriam dele e da descendência dele.

“Deus tem usado essa linguagem do Espírito Santo para mudar muitas vidas. Observe com cuidado ao ler Gênesis 13:14-15: "Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre." Deus não disse: "Oh, Abrão, dar-lhe-ei Canaã. Simplesmente reivindique-a." Não, mui especificamente, Deus lhe disse que desde onde estava olhasse para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente que ele lhe daria essa terra, a ele e a seus descendentes.
(...)
Gostaria que Abrão tivesse tido um helicóptero, para subir bem alto e olhar lá de cima toda a região do Oriente Médio. Assim seriam evitados tantos problemas que sofre essa região hoje. Uma vez que Abrão não possuía binóculos nem helicópteros, sua visão foi bastante limitada. Ver é possuir. Abrão viu a terra. Então voltou para sua tenda, para sua cama, a fim de sonhar com as terras que seriam suas. O Espírito Santo começou a usar essa linguagem de sua quarta dimensão. O Espírito Santo começou a exercer domínio.”

Penso aqui que Cho também limitaria a ação de Deus. Melhor do que um helicóptero, ele poderia ter dado uma olhada para a terra a partir de um ônibus espacial, não é mesmo?

Adiante, mais um problema de interpretação. Não há especialista em grego do NT que traduza o nome Simão por “cana”. Mas isto não impediu o autor de impor sua própria interpretação à palavra. Como bônus, uma revelação adicional de mais uma frase dita por Jesus:

“— Isso também foi verdade com referência ao apóstolo Pedro. Seu nome original era Simão, que significa "cana". Quando Pedro veio, trazido por André, Jesus olhou em seus olhos e sorriu. — Sim, você é o Simão. Você é uma cana. Sua personalidade é tão dobrável, tão mutável. Num momento você está com raiva; no outro você ri. Às vezes você se embriaga e outras vezes mostra quão inteligente pode ser. “

Não sei tipo de Bíblia este homem tem, mas com certeza não é a mesma que os cristãos usam. Vejam a citação abaixo, aparentemente extraída de Tiago 3:

“— A língua é o menor membro de nosso corpo, mas pode dominar o corpo todo.”

É realmente isto que o apóstolo diz? Não, a passagem diz que quem domina a língua, consegue dominar o restante do corpo (e não que a língua domina o corpo), pois apesar de pequena, ela pode causa grande mal. Porque o que contamina o homem é aquilo que sai dele, e não o que entra, como explicou Jesus nos evangelhos.

“Há uma terceira razão pela qual usar o poder da palavra falada: por seu intermédio a pessoa cria e libera a presença de Jesus Cristo. Ao abrir a Bíblia e ler Romanos 10:10 descobrimos que "com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação". É mediante a confissão da fé que a pessoa pode-se assegurar da salvação que vem somente por Jesus Cristo. Em lugar algum nesta passagem diz ser necessário que alguém vá ao céu e de lá traga Jesus Cristo de volta à terra a fim de conceder a salvação. O que se diz é que as palavras que podem resultar em salvação estão perto, na sua boca e no seu coração.”

Cho também crê que a conversão se dá mediante a declaração, ou oração de fé, ou seja, que é após a pessoa declarar verbalmente que crê na obra de Jesus Cristo que a operação salvífica do Espírito Santo acontece. Mas a Bíblia ensina o contrário: o Espírito Santo faz com que a pessoa que ouve o evangelho responda de forma positiva a ele, fazendo com que o seu coração creia para a justiça e sua boca confesse a salvação. A regeneração de um pecador é uma obra milagrosa de Deus, e em nada é dependente da vontade do homem, como ensina João 1.12-13. Por isso, essa operação é chamada de novo nascimento. Pelo que consta, ninguém nasce por vontade própria.

A Bíblia ensina que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação (2 Pe 1.20),. mas que toda ela é “proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16). Então, ela não é só um meio de conhecimento geral sobre Deus, mas é Espírito e vida (João 6.63). A fé não foi nos dada para produzir milagres, mas os milagres para confirmar a fé, para crermos que Jesus é o Cristo, o filho de Deus (João 20.30).

Finalmente, Yonggi Cho dá o fundamento do seu livro - e de sua doutrina - ao fazer uma interpretação particular de duas palavras usadas intercambiavelmente no Novo Testamento, a palavra “palavra” em grego: logos e rhema.

“As pessoas pensam que podem crer na Palavra de Deus. Podem. Mas falham em fazer a diferença entre a Palavra de Deus que dá conhecimento geral a respeito de Deus e a Palavra de Deus que ele usa para conceder fé acerca de circunstâncias e problemas específicos. É este último tipo de fé que produz milagres.

No grego há duas palavras diferentes para "palavra": logos e rhema. O mundo foi criado pela palavra logos de Deus. Logos é a palavra geral de Deus, que se estende desde o livro do Gênesis ao Apocalipse, pois todos estes livros falam acerca de Jesus Cristo, direta ou indiretamente. Ao ler a palavra logos do Gênesis ao Apocalipse a pessoa pode receber todo o conhecimento de que necessita a respeito de Deus e de suas promessas; mas pela simples leitura a pessoa não recebe fé. A pessoa recebe conhecimento e compreensão acerca de Deus, mas não recebe fé. Romanos 10:17 mostra-nos que o material usado para edificar a fé é mais do que simples leitura da Palavra de Deus: "a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo." Nesta passagem "palavra" não é logos, mas rhema. A fé, especificamente falando, vem pela pregação da palavra rhema. O Dr. Ironside define em seu "Léxico Grego" a palavra logos: A palavra dita de Deus"; e rhema: "A palavra dizente de Deus." Muitos eruditos definem a ação de rhema como se o Espírito estivesse tomando alguns versículos da Palavra de Deus e vivificando com eles uma determinada pessoa. Eis minha definição de rhema: "Rhema é uma palavra específica, dada a uma pessoa específica em uma situação específica.”

Eu procurei descobrir quem é este Dr. Ironside, ao qual o autor faz referência. Pela internet, encontrei apenas um Harry A. Ironside (http://en.wikipedia.org/wiki/Harry_A._Ironside), canadense-americano que foi teólogo e pregador, entre outras coisas. Olhando a obra deste homem (http://www.newble.co.uk/writers/Ironside/writings.html), não descobri nada que sequer lembrasse um estudo sobre a língua grega. Ele escreveu diversos livros, todos sobre a fé cristã, mas nenhuma obra erudita, até porque ele estudou apenas até a 8ª série. Concluindo, não é o Ironside citado no livro. Então, não pude avaliar a veracidade da declaração de Cho. Entretanto, olhando obras acerca do grego do NT disponíveis (entre as quais o léxico grego de Strong é o mais conhecido), não encontrei diferença significativa para discriminar as duas palavras como o autor fez. Os autores do Novo Testamento usam de forma alternada as palavras logos e rhema, e mais parece um recurso estilístico do que doutrinário. Embora seja deveras importante descobrir como uma palavra é usada no decorrer dos textos bíblicos, é boa regra hermenêutica não criar uma “babel doutrinária” em cima de uma variação de sinônimos, impondo significados que não são respaldados pelo conjunto das escrituras.

E a partir da diferenciação que Cho faz destas palavras, ele consegue invalidar as Escrituras, considerando-as apenas conhecimento teórico sobre Deus, não promessas divinas. No exemplo abaixo, ele narra a situação onde Pedro andou sobre as águas para ilustrar o ponto. Ele conta que algumas pessoas haviam morrido por terem tentado andar sobre as águas de um rio, confiando que Deus agisse com eles como agiu com Pedro.

“Mas Deus não tinha motivos paia apoiar a sua fé. Pedro nunca andou sobre as águas por causa da palavra logos, a qual prove informação geral acerca de Deus. Pedro pediu que Cristo lhe desse uma palavra específica. Disse ele: — Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. Respondeu Jesus: — Vem! A palavra que Cristo deu a Pedro não era logos, mas rhema. Deu-lhe uma palavra específica: "Vem!" A uma pessoa específica: Pedro; numa situação específica: uma tempestade. Rhema traz fé. A fé vem pela pregação e a pregação de rhema. Pedro nunca andou por sobre as águas pelo conhecimento de Deus somente. Pedro tinha rhema. Mas essas moças tinham somente logos, conhecimento geral de Deus, e neste caso, a obra de Deus mediante Pedro. O erro foi exercitarem sua fé humana em logos. Deus, portanto, não tinha responsabilidade alguma de apoiar sua fé, e a diferença entre o modo pelo qual estas moças exercitaram sua fé e a maneira de Pedro exercitar a sua é tão grande como a noite do dia. “

As moças do caso citado erraram porque “andar sobre as águas” não é promessa para todo crente. O NT apenas narrou o acontecimento. Mas o autor do livro também errou porque igualou todo o texto da Bíblia a uma narração ou descrição. E erra mais ainda por fazer com que as pessoas dependam de novas revelações (extra bíblicas) para viverem sua vida cristã, sendo que 2 Timóteo 3.16-17 diz que “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.”

Abaixo, mais uma “forçada” no texto bíblico para fazer com que ele apoie a doutrina do autor. Apesar de esta passagem literalmente dizer isto, exete (tende) pistin (fé) theou (de Deus), unanimamente tem sido traduzida como “Tende fé em Deus” nas nossas bíblias. Os eruditos na língua explicam que a palavra theou (Deus), que nesta expressão no grego é um genitivo objetivo, é objeto da fé, e não sujeito. Portanto, nossas bíblias estão traduzidas corretamente. A única Bíblia onde uma nota de rodapé dá essa segunda interpretação é uma bíblia de referência editada por Kenneth Copeland, já citado anteriormente nesse texto, que dá essa leitura alternativa.

“A versão de Almeida, de Marcos 11.22, 23 diz que se a pessoa tiver a fé em Deus poderá então ordenar a um monte que se atire no meio do mar. O texto grego, entretanto, diz que a pessoa deve ter a fé de Deus. Como é que se pode ter a fé de Deus? Ao receber rhema a fé que lhe é dada não é sua; foi-lhe concedida por Deus. Depois de receber essa fé, que vem do alto, então pode ordenar que montanhas sejam removidas. Sem receber a fé de Deus a pessoa não pode fazer tal coisa.”

Além disso, esta interpretação dá uma ideia (falsa) de que o homem pode ter o mesmo tipo de poder que Deus tem, bastando pronunciar oralmente sua vontade.


Novas revelações

É líquido e certo que, quando falta conhecimento bíblico, brotam heresias de todos os tipos. E para alguns, as escrituras não são suficientes para nos ensinar todas as coisas (2Tm 3.16), buscando “novas revelações”. Contudo, Hebreus 1 fala sobre como Deus se revelou ao mundo: primeiramente através dos profetas, e nos últimos dias, de forma definitiva, pelo Filho, Jesus Cristo. No entanto, Cho recebeu novas revelações, diretamente de Deus - segundo ele -, não atentando com diligência para as coisas que temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas (Hebreus 2.1). A própria ideia central do livro foi fruto de uma “nova revelação”:

“Então Deus falou a meu coração: "Filho, assim como a segunda dimensão inclui e controla a primeira, e a terceira inclui e controla a segunda, assim também a quarta dimensão inclui e controla a terceira, produzindo a criação da ordem e da beleza. O espírito é a quarta dimensão. Cada ser humano é um ser espiritual assim como físico. Possui a quarta dimensão e também a terceira em seus corações." Deste modo os homens, explorando sua fé espiritual na esfera da quarta dimensão, por meio de visões, imaginações e sonhos, podem influenciar a terceira dimensão, produzindo nela mudança. Isto foi o que me disse o Espírito Santo.”

“Então ouvi o Senhor dizer ao meu coração: "Filho, isso não é atrapalhação de Satanás. Esse é o desejo visual do Espírito Santo. É palavra de sabedoria e de conhecimento. Deus deseja curar essas pessoas, mas não o pode fazer até que você fale." "Não", respondi, 'não creio nisso. Deus pode fazer tudo sem que eu jamais tenha de dizer uma palavra." Mais tarde li no primeiro capítulo de Gênesis: "A terra, porém, era sem forma e vazia' e o Espírito Santo pairava sobre ela, incubando-a; mas nada acontecia. Então Deus me revelou uma importante verdade. Disse ele: "Lá estava a presença do Espírito Santo, a poderosa unção do Espírito Santo incubando e pairando sobre as águas. Aconteceu alguma coisa nessa época?" "Não" respondi. "Nada aconteceu." Então disse Deus: "Você pode sentir a presença do Espírito Santo em sua igreja — a presença palpitante e penetrante do Espírito Santo em sua igreja — mas nada acontecerá alma alguma será salva, lar desfeito algum será reconstruído até que você diga a palavra. Não fique simplesmente a implorar o de que você precisa. Dê a palavra. Dê-me o material com o qual eu possa construir acontecimentos miraculosos. Como eu fiz ao criar o mundo, pronuncie-se. Diga: "haja luz", ou diga: "haja um firmamento". “

“Comecei a obra de minha igreja dirigido por rhema, não por logos. Deus falou claramente ao meu coração, dizendo: "Levanta-te, vai e edifica uma igreja para dez mil pessoas.'' “

Às vezes, ele cita frases e diálogos que os personagens bíblicos tiveram, mas que não constam em nenhum dos livros inspirados:

Pedro dizia vez após vez; "Sou eu como uma rocha? Sou? Sim, sou como uma rocha."

Quando Pedro veio, trazido por André, Jesus olhou em seus olhos e sorriu. — Sim, você é o Simão. Você é uma cana. Sua personalidade é tão dobrável, tão mutável. Num momento você está com raiva; no outro você ri. Às vezes você se embriaga e outras vezes mostra quão inteligente pode ser.


Entendimento incorreto sobre a natureza dos milagres

Para que servem os milagres? O que eles são? Ainda existem hoje em dia operadores de milagres como existiam nos tempos apostólicos? Antes de responder essas questões, vamos ver o que Calvino falou quando a Igreja Católica cobrou milagres dos reformadores para comprovar a veracidade dos seus ensinos:

Que de nós exigem milagres, agem de má fé. Ora, não estamos [nós] a forjar algum Evangelho novo, ao contrário, retemos aquele mesmo à confirmação de cuja verdade servem todos os milagres que outrora operaram assim Cristo como os Apóstolos. E isto de singular têm [eles] acima de nós, que podem confirmar a sua fé mediante constantes milagres até o presente dia! Contudo, [o fato é que] estão antes a invocar milagres que se prestam a perturbar o espírito doutra sorte inteiramente sereno, a tal ponto são [eles] ou frívolos ou ridículos, ou vão e mendazes (As Institutas – Editora Cultura Cristã, 1985, SP; vol. 1, p. 20).

Qual é o ponto aqui? Os milagres sempre foram os instrumentos que autenticaram o ministério dos homens de Deus. Esses milagres, também chamados de sinais, não podiam ser reproduzidos por meios humanos, pois se pudessem, como comprovariam que eles fornecem credenciais da parte de Deus aos homens? Calvino e os outros reformadores (bem como os romanistas) também criam dessa maneira. Invariavelmente, os milagres descritos no Antigo e no Novo Testamento eram associados à palavra profética, vinda de Deus. Assim, quando alguém se dizia profeta, que falava da parte de Deus, os sinais os acompanhavam, comprovando a sua origem celestial.

O ministério de Jesus também teve sua confirmação através dos sinais que fez, bem como o ministério dos apóstolos. Entretanto, a revelação terminou - a palavra inspirada está completa. Consequentemente, o dom de operar milagres também deixou de ser necessário para a Igreja de Cristo.

Isto não significa que Deus não realize milagres hoje. O Senhor Deus é soberano sobre a criação, e Sua mão não está encolhida. De fato, ele pode e responde à oração dos justos, curando e realizando grandes coisas em favor dos seus eleitos, fazendo-as segundo a vontade Dele, e não segundo a nossa. Seja como for, esses milagres não fazem parte da mesma categoria dos milagres feitos através dos personagens bíblicos. Essas ações miraculosas da providência divina não servem para confirmar a autenticidade profética de ninguém mais. O cânon está fechado. A acepção estrita de milagre da qual escrevo (como confirmação revelacional) deixou de existir assim que o último apóstolo morreu.

R. C. Sproul, em seu livro A mão invisível, escreve:

A posição clássica da Reforma sobre essa questão concorda que os milagres têm outras funções além de autenticar os agentes da revelação, como vimos. Isto é, os milagres podem fazer mais do que atestar os agentes da revelação. Contudo, a questão continua; eles podem fazer menos? Nisto reside o problema. Se um não-agente da revelação é capaz de realizar milagres, como os milagres podem funcionar como provas do testemunho de um agente da revelação? Se agentes e não-agentes da revelação podem realizar milagres, que valor de testemunho pode existir em um milagre? Se um falso profeta pode realizar um milagre, o verdadeiro profeta não pode apelar aos milagres como provas de sua própria posição. O problema fica mais difícil quando vemos que o Novo Testamento apela aos milagres dos apóstolos como provas de sua autoridade, o que é claramente um apelo ilegítimo e um argumento falso se é verdade que os não-agentes da revelação podem realizar milagres.


Que quero dizer? Que os milagreiros de hoje, que prometem “paneladas” de milagres, são farsantes! Da mesma maneira que os magos do Faraó do Egito simularam alguns sinais, mas não conseguiram reproduzir os milagres de Moisés, muitos hoje “curam” psicologicamente as pessoas mais influenciáveis, e ainda assim, dores de cabeça e nas costas! Sproul continua:

Uma das coisas que está notavelmente ausente no repertório dos operadores de milagres modernos é o tipo de milagres que eram realizados por intermédio dos agentes bíblicos da revelação. Benny Hinn realiza seus milagres em um palco com um equipamento cênico que teria escandalizado os apóstolos. Ele não realiza milagres no cemitério. Quem é o operador de milagres hoje que é capaz de transformar água em vinho ou ressuscitar pessoas que morreram há quatro dias? Benny Hinn não pode separar o mar Vermelho ou fazer com que machados flutuem. Por que não? A qualidade do milagre que sobrevive até os dias de hoje é menor do que aquela dos realizados pelos agentes bíblicos da revelação? Será que o braço do Senhor está encolhido?

E da mesma forma podemos afirmar que os “sinais, milagres e prodígios” feitos por Satanás também são embuste e engano; pois se o próprio Diabo fosse capaz de realizar milagres verdadeiros, como poderiam servir para autenticar um verdadeiro profeta?

Mas Yonggi Cho não vê diferenças substanciais entre esses milagres, ao ponto de afirmar que mesmo descrentes e pagãos podem manipular este mundo através da fé, desde que desenvolva a sua “esfera espiritual” - a quarta dimensão.

“Esses iogues e monges budistas podem, portanto, explorar e desenvolver humanamente sua quarta dimensão, sua esfera espiritual. Ao lograr uma visão clara, formar quadros mentais de boa saúde, podem incubar essa saúde sobre os enfermos. Por ordem natural a quarta dimensão tem poder sobre a terceira, o espírito humano. Com certas limitações, é claro, podem dar ordens e criar coisas. Deus deu ao homem poder sobre a criação. Ele pode controlar o mundo material e dominar as coisas, responsabilidade que pode executar mediante a quarta dimensão. Ora, os incrédulos, explorando e desenvolvendo seu ser espiritual interior de tal maneira, podem executar domínio sobre sua terceira dimensão, que inclui as doenças e enfermidades físicas. Então disse-me o Espírito Santo: "Veja os sokagakkai. Eles pertencem a Satanás. O espírito humano junta-se ao espírito maligno da quarta dimensão e com a quarta dimensão maligna exercem domínio sobre seus corpos e circunstâncias." O Espírito Santo mostrou-me que foi assim que os mágicos do Egito exerciam domínio sobre várias ocorrências, assim como Moisés o fazia.”

"Os não-crentes do mundo todo estão envolvidos em meditação transcendental e meditação budista. Na meditação pede-se que a pessoa tenha uma visão e um objetivo claro. No sokagakkai constróem uma imagem de prosperidade, repetindo frases vez após vez, tentando desenvolver a quarta dimensão espiritual do homem; e estas pessoas estão criando algo. Embora o Cristianismo tenha chegado ao Japão há mais de cem anos, conta com somente 0,5% da população, e o sokagakkai possui milhões de seguidores. Sokagakkai tem aplicado a lei da quarta dimensão e tem realizado milagres; mas no Cristianismo só há falatório sobre teologia e fé.”

E Cho acredita que todos podem operar milagres:

“As pessoas são criadas à imagem de Deus. Deus é um Deus de milagres; seus filhos, portanto, nascem com o desejo de ver milagres realizados. Sem ver milagres as pessoas não podem satisfazer-se de que Deus é poderoso. Você é o responsável por suprir milagres para essas pessoas.”

Mas a Bíblia diz que não é assim que funciona:

Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pos Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? (1Co 12:27-30)


Negação da realidade de Jesus Cristo

E os erros vão sendo empilhados. Dei graças a Deus porque o livro era pequeno. Imagine se houvesse mais espaço! Quantos erros e heresias mais seriam proferidos? O autor em estudo nutre um conceito meio estranho sobre Jesus Cristo. Parece que nosso Senhor só vai aparecer (ou existir, ou deixar de estar preso em algum lugar) se declaramos verbalmente (cap. 3):

“Deus não o usa por você estar completamente santificado, pois enquanto o cristão viver estará lutando com a carne. Deus o usa por você ter fé. Irmãos e irmãs, façamos uso da palavra falada — para o êxito em nossa vida, para o material com o qual o Espírito Santo possa criar, e com o propósito de criar e liberar a presença de Jesus Cristo.”

Poderia isso ser apenas uma figura de linguagem, mas mais tarde ele reafirma a mesma ideia com mais detalhes (observe a falha hermenêutica relativa a passagem de Mateus):

“Onde está Jesus Cristo? Qual é seu endereço? Certamente que não é lá nos altos dos céus, ou embaixo na terra. Jesus está na Palavra dele. Onde estão as palavras que podem salvá-lo? Essas palavras estão em sua boca e em seu coração. Jesus fica limitado ao que você expressa. Assim como a pessoa pode liberar o poder de Jesus mediante a palavra falada também pode criar a presença dele. Se você não falar a palavra de fé claramente, Cristo jamais pode ser liberado. A Bíblia diz: "tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu" (Mateus 18:18). Você tem a responsabilidade de levar e trazer a presença de Jesus Cristo.”

Mateus 18.18 tem uma questão de ordem. Ela diz que tudo aquilo que for ligado (ou desligado) aqui na terra é porque ANTES foi ligado (ou desligado) no céu, e não o contrário! Ainda não acabou: veja, na citação abaixo, que quem é Senhor não é Jesus, mas aquele que fala dele.

“Você cria a presença de Jesus com sua boca. Se falar a respeito da salvação, o Jesus que salva aparece se falar acerca da cura divina, terá o Jesus que cura em sua congregação. Se falar do Jesus que realiza milagres, então a presença do Jesus que opera milagres é liberada. Ele é limitado por seus lábios e por suas palavras. Ele depende de você e se você não falar claramente por causa do temor de Satanás, como é que Cristo Jesus manifestará seu poder a esta geração? Por isso, fale com audácia.”

Incorreções bíblicas quanto à salvação

Tudo que temos visto até agora é reflexo da diminuição da importância de Deus e da Sua vontade e um aumento da importância do homem e da sua vontade, típico da escola teológica arminiana. Não poderia ser diferente, portanto, o entendimento incorreto da obra graciosa da salvação aplicada aos eleitos de Deus. Exemplificando, o texto abaixo provê a síntese da crença arminiana da conversão, onde primeiro a pessoa deve ter fé, e depois, consequentemente, ela é regenerada para a nova vida:

“Ao receber a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, seu espírito nasce de novo instantaneamente. Recebe, num instante, a vida de Deus, e nesse mesmo instante, seu ser espiritual ganha a vida eterna.”
E a confirmação da importância da “oração da fé” que deve ser feita pelo crente para ser salvo:
“Por não poder receber a oração da fé, tornou-se descrente de novo.”


Atitudes Duvidosas

Até agora falei apenas das incorreções teológicas, de implicação espiritual. Mas Yonggi Cho também age mal de outra forma. Assume uma postura tal como se fosse o “coronel” ou “dono” de suas ovelhas, negociando com elas, em troca de favores financeiros. No trecho abaixo, Cho fala com o gerente de um banco, do qual ele pretendia tomar um empréstimo para cobrir um cheque sem fundos:

“Apanhe o telefone e peça informações a meu respeito. Sou o Dr. Yonggi Cho, pastor da maior igreja evangélica da Coréia. Nossa igreja possui mais de dez mil membros e tenho grande autoridade sobre todos esses cristãos. Posso fazer com que todos eles transfiram suas contas para o seu banco no ano que vem. Far-lhe-ei esse tremendo favor se o senhor me fizer um pequeno.”

Um líder espiritual é somente isto: líder espiritual. Ele não tem o direito de dizer o que as pessoas devem fazer no que se refere a vida particular e de foro íntimo. Mas aposto que muitos líderes tem este desejo de manipular o povo que o segue a seu bel prazer.


Coisas boas

Próximo ao fim do livro, encontrei algumas coisas boas! E vou citá-las, fazendo justiça àquilo que Yonggi Cho acertou.

“Você deve ler a Bíblia. Não ler a Bíblia por costume ou prescrição religiosa. Não ler a Bíblia procurando novas formas legalistas de viver. Não leia a Bíblia por tradição histórica. Leia-a para alimentar a sua mente e mudar por completo toda a ordem de seus pensamentos, para renovar, totalmente, sua vida de pensamento. Encha seu pensamento com a Palavra de Deus. Então Deus poderá fluir livremente através de sua vida e fazer, por seu intermédio, grandes coisas para sua glória.”
“Devemos viver pelo conhecimento revelado encontrado do Gênesis ao Apocalipse, não por nosso conhecimento sensório.”

Ele poderia usar esses conselhos para si mesmo também.

Conclusão

Não recomendo este livro. Muitos livros evangélicos que já li são assim: uma mistura de coisas boas e más, verdades e mentiras. Infelizmente, quem não tem intimidade com a escritura dificilmente vai filtrar o joio do trigo e vai acabar engolindo tudo como se fosse verdade bíblica. A melhor prescrição, nesse caso, é debruçar-se sobre a Palavra, entendê-la, comparar texto com texto, estudá-la como se sua vida dependesse disso (e depende).
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Cristianismo é Emocionante 0

O apóstolo Pedro diz, sobre a relação entre cristãos e Cristo:

"a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória." (1Pe. 1:8).

Como os versículos anteriores deixam claro, os crentes a quem Pedro escreveu sofriam perseguição. Aqui, ele observa como seu cristianismo os afetou durante essas perseguições. Ele menciona dois sinais claros da autenticidade de seu cristianismo.

1 - Amor por Cristo. "A quem, não havendo visto, amais." Os que não eram cristãos maravilhavam-se da prontidão dos cristãos em se expor a tais sofrimentos, renunciando às alegrias e confortos deste mundo.

Para seus vizinhos incrédulos, estes cristãos pareciam loucos; pareciam agir como se detestassem a si mesmos. Os incrédulos não viam nenhuma fonte de inspiração para tal sofrimento. De fato, os cristãos não viam coisa alguma com seus olhos físicos. Amavam alguém a quem não podiam ver! Amavam a Jesus Cristo, pois viam-nO espiritualmente, mesmo sem poder vê-lO fisicamente.

2 - Alegria em Cristo. Embora seu sofrimento exterior fosse terrível, suas alegrias espirituais internas eram maiores que seus sofrimentos. Essas alegrias os fortaleciam, possibilitando que sofressem alegremente.

Pedro nota duas coisas sobre essa alegria. Primeiro, ele nos fala da origem dela. Ela resultou da fé. "Não vendo agora, mas crendo, exultais." Segundo, ele descreve a natureza dessa alegria: "alegria indizível e cheia de glória." Era alegria indizível, por ser tão diferente das alegrias do mundo. Era pura e celeste; não havia palavras para descrever sua excelência e doçura. Era também inexprimível quanto à sua extensão, pois Deus havia derramado tão livremente essa alegria sobre Seu povo sofredor.

Depois, Pedro descreve essa alegria como sendo "cheia de glória." Essa alegria enchia as mentes dos cristãos, ao que parecia, com um brilho glorioso. Não corrompia a mente, como fazem muitas alegrias mundanas; pelo contrário, deu-lhe glória e dignidade. Os cristãos sofredores partilhavam das alegrias celestes. Essa alegria enchia suas mentes com a luz da glória de Deus, fazendo-os brilhar com aquela glória.

A doutrina que Pedro nos está ensinando é a seguinte: A RELIGIÃO VERDADEIRA CONSISTE PRINCIPALMENTE EM EMOÇÕES SANTAS. Pedro destaca as emoções espirituais de amor e alegria quando descreve a experiência desses cristãos. Lembrem-se que ele está falando sobre fiéis que estavam sendo perseguidos. Seu sofrimento purificava sua fé, resultando em que "redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (v.7). Estavam, assim, em condição espiritualmente saudável, e Pedro ressalta seu amor e alegria como evidência de sua saúde espiritual.


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Excerto extraído do livro A Genuína Experiência Espiritual, de Jonathan Edwards.


Jonathan Edwards (5 de outubro de 1703 - 22 de março de 1758) foi pregador congregacional, teólogo calvinista e missionário aos índios americanos, e é considerado um dos maiores filósofos norte-americanos. Tendo sido inicialmente, durante a sua juventude, atraído pela filosofia, notadamente sob a influência de grandes empiricistas e cientistas ingleses como John Locke (1632-1704) e Isaac Newton (1642-1717), eventualmente as preocupações de ordem religiosa tornaram-se poderosamente dominantes em sua vida e pensamento. Tais preocupações finalmente o levaram ao ministério pastoral e à teologia.

Além da sua notável produção filosófica e teológica, Edwards destaca-se por outros fatores. Ele foi também um extraordinário pregador, cujos sermões, proferidos com a mais sincera convicção, causavam um poderoso impacto. Em virtude disso, ele veio a ser um dos protagonistas do célebre avivamento religioso americano que ficou conhecido como o Grande Despertamento (1735-44). Mais ainda, com sua pena habilidosa, Edwards tornou-se o principal estudioso e intérprete do avivamento, registrando descrições e análises sobre os seus fenômenos espirituais e psicológicos que até hoje não foram superadas.

Finalmente, Edwards impressiona por sua grande síntese entre fé e razão, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção literária. Dotado de uma mente inquiridora e disciplinada, e acostumado a refletir sobre um tema até as suas últimas implicações, ele também foi um homem de espiritualidade profunda e transbordante, que teve como a maior das suas preocupações a celebração da graça e da glória de Deus.

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Trate Seriamente com o Pecado 0

Não racionalize nem disfarce o pecado
O pecado tem sido disfarçado nestes dias, aparecendo com novos nomes e caras. Você pode estar sendo exposto a esse fenômeno na escola. O pecado é chamado por diversos nomes enfeitados - qualquer nome, menos pelo que ele realmente é. Por exemplo, os homens já não ficam mais sob convicção de pecados; eles têm um complexo de culpa. Em lugar de confessar suas culpas a Deus, para se livrarem delas, deitam-se num divã e tentam relatar o que sentem a um homem que deve conhecer melhor tudo sobre eles. Após algum tempo, a resposta dada é que eles foram profundamente desapontados quando tinham dois anos, ou alguma coisa semelhante. Supõe-se que isso os fará sentirem-se melhor.

Tudo isso é ridículo, porque o pecado é ainda o mesmo antigo inimigo da alma. Ele nunca foi alterado. Precisamos tratar firmemente com o pecado em nossa vida. Lembremo-nos sempre disso. "O reino de Deus não é comida nem bebida", disse o apóstolo Paulo, "mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17). A justiça repousa à porta do reino de Deus. "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18. 4, 20).

Não estou pregando a perfeição sem pecado. Antes, quero dizer que todo pecado conhecido deve ser nomeado, identificado e repudiado, e que devemos confiar em Deus para nos libertar dele, para que não exista qualquer pecado consciente, deliberado em qualquer parte de nossa vida. E absolutamente necessário que façamos isso, porque Deus é um Deus santo, e o pecado está no trono do mundo.

Portanto, não chame seus pecados por algum outro nome. Se você é invejoso, chame-o de inveja. Se você tem a tendência à autocomiseração e a sentir que não é apreciado, mas é como uma flor que nasce para morrer despercebida, a desgastar sua doçura no ar do deserto, chame esse pecado pelo que ele é: autopiedade.

Também há o ressentimento. Se você está ressentido, admita-o. Tenho conhecido pessoas que vivem num estado de indignação furiosa a maior parte do tempo. Conheço um pregador que age como uma galinha lançada fora do ninho: ele fica correndo em todas as direções queixando-se e murmurando - alguém está sempre o fazendo errar. Ora, caso você tenha esse mesmo "espírito", tem de tratar com ele imediatamente. Você precisa livrar-se disso. O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado. Em lugar de tentar disfarçar o pecado ou procurar uma tradução grega opcional em algum lugar sob a qual ocultá-lo, chame-o por seu nome correto e livre-se dele pela graça de Deus.

Há também o mau humor. Não o chame de indignação. Não tente chamá-lo de algum outro nome. Chame-o pelo que ele é. Porque, se você tem mau humor, ou você se desfaz dele ou ele desfará muito de sua espiritualidade e alegria.

Por conseguinte, tratemos do pecado com seriedade. Sejamos perfeitamente cândidos. Deus ama pessoas cândidas.

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Excerto extraído do livro Cinco Votos Para Obter Poder Espiritual, de A. W. Tozer

Aiden Wilson Tozer nasceu em Newburg (naquele tempo conhecida como La Jose), Pensilvânia, Estados Unidos, em Abril de 1897. Em 1912, sua família deixou a fazenda e foi para Akron, Ohio; e, em 1915, ele converteu-se a Cristo. No mesmo instante passou a levar uma vida fervorosa de devoção e testemunho pessoal. Em 1919, começou a pastorear a Alliance Church, em Nutter Fort, West Virginia. Também pastoreou igrejas em Morgantown, West Virginia; Toledo; Ohio; Indianapolis, Indiana; e, em 1928, foi para a Southside Alliance Church, em Chicago. Ali, ministrou até Novembro de 1959, quando tornou-se pastor da Avenue Road Church, em Toronto, no Canadá. Um ataque cardíaco, em 12 de Maio de 1963, pôs fim àquele ministério, e Tozer foi chamado para a Glória.Tozer alcançou um número maior de pessoas por intermédio das suas obras do que pelas suas pregações.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Soberania divina e a oração 0

Não pretendo aqui ficar perdendo tempo, tentando provar-lhes a verdade genérica de que Deus é o soberano do mundo criado por ele. Isso é desnecessário, pois eu sei que, se você é cristão, já crê nisso. E como é que eu sei disso? É que eu sei que, se você é cristão, então certamente você ora; e o que sustenta as suas orações é o reconhecimento da soberania de Deus.

Pela oração, você intercede por certas coisas e agradece por outras. E por que você age assim? Porque reconhece que Deus é o autor e fonte de todo o bem que já tem experimentado na vida, e de todo o bem que espera para o futuro. Esta é a filosofia essencial da oração cristã. A oração do cristão não é nenhuma tentativa de forçar a mão de Deus, mas um humilde reconhecimento da nossa impotência e dependência.

Quando nos colocamos de joelhos, é porque sabemos muito bem que não somos nós que controlamos o mundo; não temos, portanto, o poder de satisfazer as nossas necessidades pela nossa própria força; tudo de bom que desejamos para nós mesmos e para os outros deve ser solicitado das mãos de Deus, quando o obtemos,se é que o obtemos, será como um presente das suas mãos. Se isso é verdade até mesmo no que se refere ao nosso pão diário (e a oração do Senhor nos ensina que é), muito mais, no que diz respeito aos bens espirituais. Isso tudo é claro e radiante para nós quando oramos de verdade, não importa o quanto possamos contradizer-nos por argumentos posteriores.

Consequentemente, portanto, o que fazemos toda vez que oramos, é confessar a soberania de Deus e a nossa própria impotência. O próprio fato do cristão orar é, assim, prova de que ele crê, sim, na soberania do seu Deus.

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Excerto extraído do livro Evangelização e a Soberania de Deus, de J. I. Packer.


Recomendo também a leitura do texto 6 motivos para orarmos a Deus e do texto Posso convencer Deus de algo?
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cristo: Filho de Deus, louco ou coisa pior? 0

Jesus e a samaritana - João 4
O que estou tentando fazer aqui é evitar que se diga a maior tolice que muita gente diz por aí, a respeito de Cristo:

-'Estou pronto para aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não posso aceitar a sua reivindicação de ter sido Deus'.

Isso é algo que não devemos dizer. Um homem que fosse simplesmente um homem e dissesse o que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. De duas uma: ou ele seria um lunático – do mesmo nível do homem que diz ser um ovo cozido – ou então seria o próprio Diabo. Você terá de fazer a sua escolha. Ou ele seria, como é, o Filho de Deus, ou então um louco ou algo pior. Você poderia prendê-lo num manicômio, cuspir na cara dele ou matá-lo como a um demônio; ou então, poderia cair a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Porém, não me venha com essas bobagens moralizantes sobre ele ter sido um grande mestre humano. Ele não nos deixou escolha. E nem pretendia deixar.

[...]

Em última instância, parece que a ideia popular do cristianismo é simplesmente essa: que Jesus Cristo não passou de um grande mestre da moral e que, se seguíssemos os seus conselhos, estaríamos em condições de estabelecer uma melhor ordem social e evitar outra guerra. Isso é bem verdadeiro, mas está longe de contar toda a verdade acerca do cristianismo e não tem a mínima importância prática.

Excerto extraído de Cristianismo Puro e Simples - C. S. Lewis.

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Nascido em Belfast, Irlanda do Norte, em 29 de Novembro de 1898, Clive Staples Lewis, cresceu em meio aos livros da seleta biblioteca particular de sua família, criando nesta atmosfera cultural um mundo todo próprio, dominado por sua fértil imaginação e criatividade. Sua educação foi iniciada por um tutor particular, e mais tarde no Malvern College na Inglaterra. Em 1916, aos 18 anos de idade, foi admitido no University College, em Oxford. Seus estudo foram interrompidos pelo serviço militar na I Guerra Mundial. Em 1918, retornou a Oxford.
Lewis tem sido chamado o porta-voz não oficial do cristianismo, que ele soube divulgar de forma magistral, através de seus livros e palestras, onde ele apresenta sua crença na verdade literal das Escrituras Sagradas, sobre o Filho de Deus, sua vida, morte e ressurreição.
Tornou-se popular durante a segunda guerra mundial, por suas palestras transmitidas pelo rádio e por seus escritos, sendo chamado de apóstolo dos ascéticos, especialmente nos Estados Unidos. Suas palestras tocavam profundamente seus ouvintes da radio BBC de Londres.
Lewis notabilizou-se por uma inteligência privilegiada, e por um estilo espirituoso e imaginativo. "O Regresso do Peregrino", publicado em 1933, "O Problema do Sofrimento"(1940), "Milagres"(1947), e "Cartas do Inferno" (1942), são provavelmente suas obras mais conhecidas. Escreveu também uma trilogia de ficção científico-religiosa: "Longe do Planeta Silencioso" (1938), "Perelandra" (1943), e "That Hideous Strength" (1945). Para crianças ele escreveu uma série de fábulas, começando com "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa" em 1950. Sua autobiografia, "Surpreendido pela Alegria", foi publicada em 1955.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A vitória é certa 0

Discutindo o Cristianismo no dia-a-dia
A Escritura ensina que, de acordo com sua própria sabedoria, Deus determinou que a sabedoria humana nunca descobriria a verdadeira natureza da realidade, o fundamento da qual é o próprio Deus. Ele também determinou colocar a sabedoria que leva à salvação além do alcance da especulação humana. Através isso, ele pretende frustrar a sabedoria humana, destruir o orgulho humano, e esmagar toda aspiração humana que se exalta contra a sabedoria de Deus. Todos os sistemas de pensamento não-cristãos começam, continuam e terminam em fracasso intelectual e prático. Assim, Deus tem tornado todas as filosofias e religiões não-cristãs tolas e fúteis.

As cosmovisões não-cristãs são tolas porque elas são irracionais. Um modo racional de pensar e conhecer chega a conclusões validamente e necessariamente deduzidas a partir de premissas verdadeiras. Mas os incrédulos não têm nenhuma forma de conhecer premissas verdadeiras, e nem eles raciocinam por deduções válidas; antes, eles fazem a si mesmos o ponto de referência último para o conhecimento, supondo falsamente que eles podem descobrir a natureza da realidade através da intuição, sensação e indução. As alegadas revelações nas religiões não-cristãs não são diferentes, visto que elas são de fato invenções humanas.


As cosmovisões não-cristãs são fúteis porque, sendo tolas, elas não podem descobrir o supremo bem; além do mais, elas falham em obter até mesmo os seus próprios objetivos designados. Aqueles que prometem utopias sociais terminam em pobreza e opressão, aqueles que pregam o nirvana terminam em fracasso e desapontamento, se não insanidade, e aqueles que professam buscar a Deus aparte da revelação bíblica não conseguem nada, exceto assegurar aos seus seguidores um lugar no inferno. Aparte da revelação bíblica, todo conhecimento humano e todo esforço humano resulta em futilidade extrema – em derrota, desespero e morte.


Se alguém for descobrir a verdade e alcançar a salvação, isso deve ser pela graça soberana e chamado eficaz de Deus. De acordo com a sua própria vontade, Deus frequentemente chama e salva aqueles que são considerados inferiores pelos padrões humanos, e ele os escolheu para embaraçar e frustrar aqueles que descansam e julgam por esses mesmos padrões. Ele usa os “insignificantes” e “desprezados” para reduzir a nada aqueles que se consideram alguma coisa.

Tudo isso é vontade e desígnio de Deus. Ele faz isso para que ninguém possa se vangloriar sobre si mesmo, e para que se alguém se gloriar, ele possa se gloriar somente sobre o que Deus fez em Cristo. A vontade de Deus não é somente que o homem não possa alcançar a salvação por seu próprio raciocínio pecaminoso, mas que ele não possa nem mesmo alcançar a racionalidade e o conhecimento por seu próprio poder. A Escritura não faz um contraste entre as capacidades humanas nativas dos cristãos e dos não-cristãos; antes, ela faz um contraste entre as capacidades do homem e as capacidades de Deus – entre o poder humano e o poder divino, a sabedoria do homem e a sabedoria de Deus. Quando essas são postas uma contra a outra, não há nenhuma competição: “Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem”.

Se até mesmo “a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana”, então se alguém pode obter mesmo que seja uma porção pequena, minúscula, diminuta e quase insignificante da sabedoria divina, ele será capaz de fácil e absolutamente esmagar num debate qualquer pessoa que estiver operando sobre a sabedoria humana. Esta é a base para a vitória na apologética bíblica. Deus revelou uma porção de sua sabedoria divina na Escritura. Àqueles a quem ele chamou para si pelo evangelho é também concedido o aprender e o afirmar os ensinos da Escritura. Assim, eles compartilham a perspectiva de Deus; eles compartilham uma porção do conhecimento de Deus; eles sabem algo sobre o modo do pensamento de Deus, e eles começam a padronizar seus pensamentos segundo ele. Em resumo, eles têm “a mente de Cristo”.


Segue-se que enquanto dependermos da sabedoria de Deus, enquanto aderirmos rigorosamente à cosmovisão bíblica como revelada na Escritura – isto é, enquanto seguirmos a mente de Cristo e não voltarmos à nossa forma anterior de pensamento – seremos capazes de fácil e completamente esmagar qualquer não-cristão num debate.


Assim como nenhum não-cristão pode derrotar a mente de Cristo, nenhum não-cristão pode derrotar alguém que segue a mente de Cristo em tudo o que ele pensa e crê. A única razão pela qual algum cristão perderia ou pareceria perder quando debatendo com um não-cristão é porque, pelo menos durante o curso do debate, o cristão falhou em permanecer perto do modo de pensamento de Deus. Em outras palavras, ele estava tentando usar a sabedoria não-cristã para defender a cosmovisão cristã. Agora, porque o pensamento não-cristão é tão irracional e conflitante, no meio da confusão o cristão pode frequentemente parecer ter sido bem sucedido, mesmo que ele falhe em usar os argumentos bíblicos, mas essa não é a forma como um cristão deveria ganhar um debate. Em todo caso, a vitória clara e decisiva é nossa quando arranjamos o debate de uma forma que coloque a sabedoria humana contra a sabedoria de Deus.

Eu digo tudo isso para chegar num dos princípios mais importantes na apologética bíblica – a saber, que se você aprender e aplicar o método bíblico para apologética, você será capaz de esmagar decisivamente qualquer não-cristão num debate. Você será capaz de desconcertar e embaraçar completamente qualquer incrédulo.


Excerto do livro Apologética na Conversação - Vincent Cheung
Disponível gratuitamente para leitura completa no site Monergismo.com
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domingo, 24 de julho de 2011

A Reforma e o Homem 0


Conhecemos, pois, algo deslumbrante a respeito do homem. Entre outras coisas, conhecemos a sua origem e quem ele é – criado à imagem de Deus. É o homem maravilhoso não apenas quando é “nascido de novo” como um cristão, é também maravilhoso como o fez Deus a Sua própria imagem. Tem o homem valor e dignidade em função daquilo que foi originalmente, antes da Queda.

Estava, há pouco, fazendo uma série de preleções em Santa Bárbara, quando me foi apresentado um rapaz viciado em entorpecentes. Era um jovem de semblante delicado e expressivo, cabelos longos e encaracolados, os pés calçados com sandálias, e trajava calça rancheira. Assistiu a uma das preleções e confessou: “Isto é completa novidade para mim; nunca ouvi coisa alguma igual a isto”. Voltou na tarde seguinte e eu o saudei. Olhou-me firmemente nos olhos e disse: “O senhor me cumprimentou de maneira tocante. Por que me tratou assim?” Respondi-lhe: “é porque eu sei quem você é – sei que você foi criado à imagem de Deus”. Em seguida tivemos uma demorada e notável conversa. Não podemos tratar as pessoas como seres humanos, não podemos vê-las no alto nível da verdadeira humanidade, a menos que conheçamos realmente a sua origem – quem são. Deus diz ao homem quem ele é. Deus nos declara que Ele criou o homem à própria imagem. Portanto, o ser humano é algo maravilhoso.

A cantora inglesa Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa, em Londres, neste sábado (23/07/2011), segundo a Polícia Metropolitana de Londres. Ela tinha 27 anos e um histórico de envolvimento com álcool e uso de drogas. Foi criada à imagem de Deus, mas ela também fazia parte da corrupção típica da nossa raça.

Deus, entretanto, nos diz algo mais a respeito do homem – fala-nos acerca da Queda. Isto introduz o outro elemento que precisamos conhecer a fim de entendermos o ser humano. Por que é, a um tempo, criatura tão maravilhosa e tão degradada? Quem é o homem? Quem sou eu? Por que pode o homem realizar estas coisas que o fazem único, no entanto, porque é ele tão horrível? Por que?

Diz a Bíblia que você é maravilhoso porque é feito à imagem de Deus e degradado porque, em determinado ponto espaço-temporal na história, o ser humano caiu. O homem da Reforma sabia que a criatura marcha rumo ao Inferno em razão da revolta contra Deus. Todavia o homem da Reforma e aqueles que após a Reforma forjaram a cultura do Norte Europeu sabiam que, enquanto o homem é moralmente culpado diante do Deus que existe, ele não é o nada. O homem moderno tende a julgar-se ser nada. Aqueles, entretanto, sabiam que eram exatamente o oposto do nada porque conheciam o sentido de serem feitos à imagem de Deus. Embora decaídos e, a parte da solução não-humanista de Cristo e Sua morte substitutiva, iriam para o Inferno, isto não significava, contudo que eram nada. Quando a Palavra de Deus, a Bíblia, veio a ser ouvida, a Reforma teve resultados tremendos, tanto nas pessoas individualmente, que se tornavam genuínos cristãos, como na cultura em geral.

O que a Reforma nos diz, pois, é que Deus falou nas Escrituras tanto acerca do “andar de cima” como do “andar de baixo”. Falou em verdadeira revelação acerca de Si mesmo – as coisas celestiais – e falou em verdadeira revelação a respeito da própria natureza – o cosmos e o homem. Portanto, tinham os Reformadores uma real unidade de conhecimento. Eles simplesmente não tinham o problema renascentista de graça e natureza! Obtinham real unidade, não que fossem mais sagazes, mas porque alcançavam uma unidade cuja base se achava no que Deus revelara em ambas as áreas. Em contraste com o Humanismo que Tomás de Aquino liberara e o Humanismo que o Catolicismo Romano fomentara, não reconhecia a Reforma qualquer porção autônoma.

Não queria isto dizer que não restava liberdade para a arte ou a ciência. O oposto é que era verdade; havia agora a possibilidade da verdadeira liberdade dentro da forma revelada. Contudo, ainda que haja liberdade para a arte e a ciência, não são elas autônomas – o artista e o cientista também se acham debaixo da revelação das Escrituras. Como se verá, sempre que a arte ou a ciência procuraram fazer-se autônomas, certo princípio sempre se manifestou – a natureza “devora” a graça e, consequentemente, a arte e a ciência bem logo começaram a parecer destituídas de significação.

A ideologia nazista dizia que por ser a nação a expressão da raça, a grandeza da raça poderia ser avaliada de acordo com a capacidade e desejo de uma "raça" em obter uma grande terra natal. As realizações germânicas na ciência, tecnologia, filosofia e cultura eram interpretadas como evidências científicas para apoiar a ideologia racista nazi.

A Reforma teve não poucos resultados de tremendo alcance e tornou possível a cultura que tantos dentre nós admiramos afetuosamente – ainda que a nossa geração a esteja agora lançando fora. Confronta-nos a Reforma um Adão que era, usando a terminologia característica da forma de pensamento do século vinte, um homem não-programado – não arranjado como um cartão perfurado de um sistema de computação. Uma característica que marca o homem do século vinte é que ele não pode visualizar isto, uma vez que é de todo infiltrado por um conceito de determinismo. A perspectiva bíblica, entretanto, é clara – homem não pode ser explicado como totalmente determinado e condicionado – posição que forjou o conceito da dignidade do homem. Há pessoas que buscam hoje apegar-se à dignidade do homem, entretanto não têm base conveniente em que se fundamentar pois que perderam a verdade de que o homem foi feito à imagem de Deus. Ele era um homem não programado, um homem revestido de significado numa história de alto sentido, capaz de alterar a história.

Temos, pois, no pensamento da Reforma um homem que é alguém. Vemo-lo, porém, envolvido numa condição de revolta e a rebeldia é real – jamais uma “peça de teatro”. Uma vez que é um ser não programado e de fato se revolta, ele incide em genuína culpabilidade moral. À vista disto, os Reformadores compreenderam algo mais. Tiveram uma compreensão bíblica da obra de Cristo. Compreenderam que Jesus morreu na cruz em função substitutiva e em ação propiciatória a fim de salvar o homem da verdadeira culpa que sobre ele pesa. Necessitamos reconhecer que, no instante em que nos pomos a alterar a noção bíblica da verdadeira culpa moral, seja falsificação psicológica, seja a falsificação teológica ou seja de qualquer outra forma, nosso conceito da obra de Jesus não mais será bíblico. Cristo morreu pelo homem que tinha uma culpa moral verdadeira por ele próprio ter feito essa real e verdadeira escolha.

Excerto extraído do livro A Morte da Razão, de Francis Schaeffer




Sinopse
O homem já morreu. Deus já morreu. A vida se tornou uma existência sem significado, e o homem não passa de uma roda na engrenagem. A única via de escape passa por um mundo fantástico de experiências, drogas, absurdos, pornografia, uma “experiência final” elusiva, e de loucura. Se esta é a mentalidade do século vinte, como aconteceu? E como podemos fazer com que a fé cristã tenha sentido para o mundo de hoje? Dr. Schaeffer, Diretor do Comunidad L’Abri na Suíça mostra o histórico de como a arte e a filosofia têm sido o espelho do dualismo existente no pensamento ocidental desde o tempo da Renascença. Hoje, este dualismo se expressa no desespero quanto ao descobrir o racional, e no escape para o mundo não racional que é o único que oferece alguma esperança. Esta tendência é vista na literatura, na arte e na música, no teatro e no cinema, na televisão e na cultura popular.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Não acredite (tanto) em si mesmo 0

Por G. K. Chesterton

Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada.

Referindo-se a alguém, disse o editor:

"Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo". 

Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito "Hanwell Nome de um asilo para loucos. ". Disse-lhe eu então: "Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos".

Ele disse calmamente que, no fim das contas, havia um bom número de homens que acreditavam em si mesmos e que não eram lunáticos internados em asilos. "Sim, certamente", retruquei, "e você mais do que ninguém deve conhecê-los.

Aquele poeta bêbado de quem você não quis aceitar uma lamentável tragédia, ele acreditava em si mesmo. Aquele velho ministro com um poema épico de quem você se escondia num quarto dos fundos, ele acreditava em si mesmo. Se você consultasse sua experiência profissional em vez de sua horrível filosofia individualista, saberia que acreditar em si mesmo é uma das marcas mais comuns de um patife. Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar.


Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança não é simplesmente um pecado; total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote Ela (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores.. : quem o faz traz o nome "Hanwell" escrito no rosto com a mesma clareza com que ele está escrito naquele ônibus." A tudo isso meu amigo editor deu esta profunda e eficaz resposta:

"Bem, se um homem não acredita em si mesmo, em que vai acreditar?" Depois de uma longa pausa eu respondi: "Vou para casa escrever um livro em resposta a essa pergunta". 

Este é o livro que escrevi para responder-lhe.

Ortodoxia - G. K. Chesterton - p.25-26


Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de junho de 1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Romance à maneira de Deus 0



Eric e Leslie Ludy são os autores deste livro que é tanto um testemunho quanto uma espécie de orientação cristã em relação á busca daquela pessoa com quem dividiremos sonhos, frustrações, alegrias e tristezas; aquela com quem iniciaremos uma nova família. Busco resumir, neste texto, algumas idéias principais contidas no livro, não para substituir a leitura dele, mas para incentivá-la. Dedico este livro a todos aqueles que tem esperança de que o amor entre um homem e uma mulher pode ser 'feliz para sempre'.

Neste livro, os autores incentivam os jovens a manter relacionamentos tradicionais de amizade com todas as pessoas, inclusive do sexo oposto, sem "segundas intenções", sem pretensão de namorar uma delas.

Ao mesmo tempo, mostram como se preparar e encontrar uma pessoa com quem o jovem poderá se casar.

Eles contam uma história sobre casas de cartas e castelos. As casas de cartas são muito rápidas de serem feitas, porém não são feitas para durar. Qualquer evento pode destruir a casa feita de cartas. Já os castelos são bem construídos, fortes. Hoje mesmo podemos ver os castelos na Europa e em outros lugares, construídos há centenas de anos, e alguns há mais de mil anos! Contudo, a construção de um castelo custa bastante tempo e esforço. Os autores lembram as palavras de Jesus Cristo sobre construir na areia e construir na rocha.

A partir de então, os autores explicam como construir e se preparar para um relacionamento fazendo um paralelo entre este e a construção de um castelo.

Primeira etapa: o alicerce - os fundamentos
Significa entregar sua vida sentimental a Deus e aprender a confiar Nele.

1) Deus não é ultrapassado, um "velhote" - Ele sabe das suas necessidades no mundo moderno
2) Deus não é um carrasco - Ele não quer e não vai te castigar; não vai tornar sua vida miserável
3) Deus não é um "workaholic" - Deus não está ocupado demais para não se preocupar com o seu relacionamento

Segunda etapa: o fosso com jacarés - proteção
Significa "pureza interior"

Se manter puro para o seu futuro companheiro, mesmo sem conhecê-lo. Pense assim: "Minha esposa(o) gostaria de me ver fazendo o que estou fazendo agora?"
Pureza envolve 3 coisas: mente, coração e corpo. Não é só a virgindade física que conta, mas as suas emoções e pensamentos.

Terceira etapa: escolher o terreno - privacidade
Significa "esperar em Deus"

Se o seu castelo estiver em um lugar retirado, não precisará se preocupar com os abelhudos em volta, te incomodando, dando opiniões. Ao se rodear com árvores, você não se distrairá com nada. Poderá receber as instruções diretamente do seu Mestre Projetista.

Como saber esperar?
1) Espere com um objetivo: você sabe que Deus tem um plano, o melhor pra você. Se concentre nisto
2) Nao fique só sentado... ore! mesmo que não conheça seu futuro conjuge, ore por ele. Ele deve estar por aí!
3) Espere fielmente. Comprometa-se com seu futuro conjuge não só fisicamente, mas emocionalmente também. Deve se guardar de TODAS AS FORMAS A ELE.

Quarta etapa: construindo as paredes de pedra -
Significa "amor de aliança"

É o amor ágape, de compromisso. Casamento não é contrato, é aliança.
O amor do mundo diz "APRESSE-SE". O amor de aliança diz para ESPERAR o melhor de Deus
O pior inimigo do MELHOR é o BOM! Na pressa, ficamos com o BOM, que está mais à mão, ao invés de esperar o MELHOR.
O amor do mundo valoriza apenas o exterior. O amor de aliança valoriza mais o interior.
A versão de amor do mundo é egoísta (O que é melhor pra mim?). O amor de aliança pergunta "Como posso servir o outro?"
O mundo considera o amor temporário. o amor de aliança é perpértuo.

Os namoros não são a melhor forma de se preparar para o casamento. Ir de um relacionamento temporário para outro não prepara ninguém para o casamento, mas sim para o divórcio.

Quinta etapa: construindo o teto - benção
Significa "envolvimento da família"

O envolvimento das famílias é um segredo do romance nos relacionamentos.
Os pais querer ajudar e fortalecer o relacionamento saudável e amoroso de seus filhos.


Sexta etapa: decoração - conforto
Significa "ternura"

A forma como voce trata sua mãe ou pai será a forma como tratará seu conjuge.
Carinho faz bem a todos;
Tratar de forma a apaziguar, e não a exaltar os ânimos.

Nunca devemos abaixar nossos padrões para conseguirmos alguém.
Existem tanto o cavalheiro da armadura prateada, como também existe a princesa do castelo. Espere e você o(a) achará.


Sétima etapa: cuidar do seu castelo - manutenção
Significa: cuidado, atenção, preocupação.

Não só termos um castelo bem construído e bem decorado é o que conta: devemos ter cuidado em manter o lugar em ordem, limpo e bem cuidado. Saúde, higiene, cuidados com o corpo e com a mente também são importantes. E tal proceder deve ser mantido tanto antes de conhecer aquela pessoa especial quanto depois de ela ter aparecido. Muitos deixam esses cuidados após o casamento, o que pode gerar alguma decepção dentro da relação pois, afinal, o corpo de um pertence ao outro. Você pode demonstrar amor fazendo-se melhor para seu cônjuge. Se você deixar de mostrar esta atenção consigo mesmo, quanto mais dará cuidado ao seu/sua esposo(a)? Castelos sem manutenção, com o tempo, começam a parecer mais com casas mal-assombradas.


Resumo geral

Os autores defendem a idéia de que Deus tem uma pessoa especial para a sua vida, que esta pessoa será a melhor para ti. Devemos primeiramente firmar nossas bases em Deus, na provisão Dele, e esperar o momento certo de entrar no relacionamento amoroso, relacionamento este que deve ser único e para toda a vida. Os jovens devem se guardar, tanto fisicamente quanto espiritual e emocionalmente, para encontrar seu futuro conjuge, e não se atirar em relações que não vão produzir nada além de dor e cicatrizes para o futuro. Porque se contentar com o BOM se pode-se ter o MELHOR? É a pergunta que fica para todos.


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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"O segredo" - parte 2 12

O segredo 2 - despedaçado

Em virtude de inúmeras colocações a favor e contra a tão famigerada publicação chamada "O Segredo", venho aqui esclarecer alguns pontos que parecem que não ficaram claros.
No primeiro post eu me posicionei de uma maneira mais "standard", como me disse uma pessoa nos comentários. Fiz isto porque a mensagem não era exatamente voltada para os cristãos, mas para todos, de forma geral. Como teve muitos cristãos que se manifestaram a favor da publicação, quero publicar mais este post para ver se consigo me fazer entender do porquê acho esta obra dispensável.

Alguns irmãos colocaram que, como a obra cita a Bíblia, ela é cristã e, portanto, não contraria ou nega a Deus. Incrível como não tiveram discernimento em ver que o 'deus' insinuado no livro é um deus estranho, um tipo de 'gênio da lâmpada do universo'. Não tiveram discernimento em ver que o livro transforma Deus em um servidor, obrigado a satisfazer as vontades mais egoístas. Foram engodados e atraídos pela sua própria cobiça (Tg 1.14). O fato do livro citar a Bíblia não quer dizer que o conteúdo e as propostas do mesmo sejam biblicamente defensáveis.

Em Mt 17.20 está escrito: "SE TIVERDES FÉ... NADA VOS SERÁ IMPOSSÍVEL". Jesus fala de uma fé que pode remover montanhas, operar milagres e curas, e realizar grandes coisas para Deus. Que fé é esta de que Jesus fala?

(1) A fé genuína é uma fé eficaz que produz resultados: nada vos será impossível (v. 20).
(2) Esta fé não é uma crença na fé como uma força ou poder, mas fé em Deus (Mc 11.22).
(3) Esta fé é uma obra de Deus que tem lugar no coração do cristão (Fp 2.13; Mc 9.24). É a plena certeza que Deus transmite ao coração, de que nossa oração é respondida (Mc 11.23). Esta fé é criada interiormente no crente, pelo Espírito Santo. Não podemos produzi-la em nós mesmos por meio da nossa mente (Rm 12.3).
(4) Uma vez que esta fé em Deus é um dom que Cristo comunica ao nosso coração, importa-nos estar unidos a Jesus e à sua Palavra e ser mais consagrados a Ele (Rm 10.17; Fp 3.8-14). Dependemos dEle em tudo: Sem mim nada podereis fazer (Jo 15.5; Jo 3.27; Hb 4.16; 7.25). Noutras palavras, devemos buscar a Cristo que é o autor e o consumador da nossa fé (Hb 12.2). A real presença de Cristo conosco e nossa obediência à sua Palavra são a origem e segredo da fé (9.21; Jo 15.7).
(5) A verdadeira fé opera sob o controle de Deus. Ele no-la concede à base do seu amor, sabedoria, graça e propósito soberano, para a execução da sua vontade e como expressão do seu amor por nós. Não deve ser usada para nosso próprio proveito egoísta (Tg 4.3).

Segundo o livro:

Afirmação 1: pensar positivamente atrai felicidade.
Afirmação 2: pensar positivamente atrai amigos.
Afirmação 3: pensar positivamente atrai riqueza.
Afirmação 4: pensar positivamente atrai um bom emprego.
Afirmação 5: pensar positivamente atrai um bom cônjuge.
Afirmação 6: pensar positivamente atrai saúde.

A fé, que alguns associam ao tal 'segredo' como sendo a mesma coisa, é uma fé bem diferente do que Jesus quis dizer. Não confundam, irmãos, os dois tipos. A 'fé do segredo' é uma fé auto-centrada, como se tivéssemos a capacidade por nós mesmos de conseguir tudo o que queremos. Não estou fazendo apologia ao comodismo, esperando tudo vir prontinho, sem esforço algum de nossa parte, mas deixar claro que tudo o que recebemos vem de Deus, que nos dá (ativa ou passivamente) segundo a sua graça e misericórdia. Deus é onipotente e soberano, fazendo tudo o que lhe apetece.

O fato de pensar positivamente é, com certeza, melhor do que pensar negativamente. Isto é lógico: pessoas bem humoradas e positivas atraem outras pessoas. Pessoas mal-humoradas e pessimistas não atraem ninguém. Pessoas positivas têm maiores chances de conseguir um bom emprego, um bom cônjuge. Qual é o segredo?

Ser feliz é estar livre da condenação que nos era justa e merecida pela graça de Deus. Ser feliz é saber que nós nunca estamos sozinhos. Ser feliz é saber que o Nosso Criador se preocupa particularmente com a nossa vida. Ser feliz é saber que tudo não acaba aqui, nesta vida, mas que teremos uma eternidade para gozar junto com nossos irmãos e irmãs, e junto com o nosso Pai.

Soli Deo Gloria

Leandro Teixeira

Referências bíblicas: Bíblia de Estudo Pentecostal.
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