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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pregação Como Um Retrato da Glória de Deus 0



A lição que eu aprendi disto para a pregação é que para uma pregação ser de grande alcance ela deve ser um retrato da glória de Deus, porque o objetivo da pregação é tornar as pessoas iguais a imagem de Deus. Eu penso que isto combina com a visão de Paulo sobre pregação porque 4 versículos antes, em (2 Coríntios 4:4) Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus, ele descreve o conteúdo da sua pregação como “a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. E dois versículos depois, no verso 6 Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo, ele fala o mesmo com uma pequena modificação “a luz do conhecimento da glória de Deus em face de Cristo”.

Então, de acordo com Paulo, pregar é um dos meios de levar luz ao coração escurecido de homens e mulheres.

No versículo 4 a luz é chamada “luz do evangelho”, e no verso 6 a luz é chamada “luz do conhecimento”.

No verso 4 o evangelho é o evangelho da glória de Cristo, e no versículo 6 o conhecimento é o conhecimento da glória de Deus. Portanto, em ambos os versos, a luz que é levada ao coração é a luz da glória - a glória de Cristo e a glória de Deus.

Mas elas não são realmente duas glórias diferentes. No verso 4 Paulo diz que ela é a glória de Cristo, que é a imagem de Deus. E no versículo 6 ele diz que a glória de Deus está na face de Cristo. Então a luz trazida pela pregação é a luz da glória, e você pode falar desta glória como a glória de Cristo, que é a imagem de Deus, ou a glória de Deus, perfeitamente refletida em de Cristo.

Pregar é o retrato, ou visão, ou exibição da Divina glória para os corações de homens e mulheres (2 Coríntios 4:4-6 Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo)


Por John Piper. Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira. Fonte: Desiring God
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ver é tornar-se 0

A mulher no espelho, de Pablo Picasso


Quando procuro entender o que deve acontecer no ato de pregar, eu sou guiado a vários textos bíblicos, especialmente 2 Coríntios 3.18:

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.

Eu creio que este texto nos ensina que uma das formas pela qual nós somos mudados progressivamente para a aparência de Cristo é olhar para a Sua glória. “Todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem”. O caminho para se tornar mais e mais semelhante com o Senhor é fixar nossos olhos na glória dEle e mantê-los nela.

Nós assobiamos a música que escutamos. Falamos com o sotaque da nossa vizinhança. Herdamos a polidez dos nossos pais. E nós, naturalmente, tendemos a imitar as pessoas que mais admiramos. Assim é com Deus. Se nós fixarmos nossa atenção nEle e manter a Sua glória na nossa linha de visão, mudaremos de um grau a outro para a semelhança dEle. Se os adolescentes tendem a usar o cabelo deles do mesmo jeito que os astros e estrelas que eles admiram, assim os Cristãos tendem a ajustar seu caráter tal como o do Deus que eles admiram. Nesta transação espiritual ver não é somente crer; ver é tornar-se.


Por John Piper. Traduzido por Leandro Teixeira. Fonte: Desiring God
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Como glorificar a Deus no trabalho? 0



Tradução do texto (em inglês disponível no site DesiringGod 
Por John Piper

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Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus (1 Coríntios 10:31)

Então me perguntaram: Como jovens trabalhadores glorificam a Deus no trabalho?

Esta é a essência da minha resposta:

Dependência. Ir para o trabalho totalmente dependente de Deus. (Provérbios 3:5-6) Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas (João 15:5) Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Sem Ele você não pode respirar, mover, pensar, sentir ou falar. Sem mencionar a influência espiritual. Levante-se pela manhã e deixe Deus saber do seu desespero por Ele. Ore por ajuda.

Integridade. Seja absoluta e meticulosamente honesto e confiável no trabalho. Seja todo o tempo. Dê-lhe o dia de trabalho completo. “Não furtarás”. Mais pessoas roubam seus empregadores por serem preguiçosos do que por tirar dinheiro do caixa.

Habilidade. Dê o melhor do que você faz. Deus tem dado a você não somente a graça da integridade mas também o dom da habilidade. Considere esta dádiva como um tesouro e seja um bom mordomo destas habilidades. Este crescimento em habilidade é construído sobre dependência e integridade.

Molde a corporação. Tanto quanto você tiver influência e oportunidade, mude os costumes do seu local de trabalho para que as estruturas, regras, expectativas e objetivos se movam em direção à Cristo. Por exemplo, alguém está formatando o ethos dos Restaurantes Chic-fil-A com este vídeo.

Impacte. Tenha como objetivo ajudar sua empresa a ter um impacto que melhore vidas sem destruir almas. Algumas indústrias tem um impacto que é destrutivo (e.g. pornografia, jogos de azar, aborto, golpes publicitários, etc). Mas muitas podem ser ajudadas a direcionar impacto que dê vida e não arruíne almas. Quanto for possível trabalhe desta forma.

Comunicação. Locais de trabalho são redes de relacionamento. Relacionamentos são possíveis através de comunicação. Teçam sua cosmovisão cristã em conversas normais. Não esconda sua luz debaixo de um cesto. Coloque-a sobre uma plataforma. De forma cativante. Naturalmente. Alegremente. Que aqueles que amam sua salvação digam continuamente, Grande é o Senhor (Salmos 40:16) Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR !

Amor. Sirva aos outros. Seja aquele um que voluntariamente se oferece para buscar pizza. Dirija o carro. Organiza o piquenique. Tenha interesse nos outros no trabalho. Seja conhecido como aquele que não só se preocupa com os contos alegres do fim de semana, mas também dos encargos pesados e dolorosos da segunda-feira. Ame seus colegas de trabalho, e aponte para o maior Carregador da Fardos de todos.

Dinheiro. Trabalho é o lugar onde você ganha (e gasta) dinheiro. Tudo é de Deus, não seu. Você é um administrador. Transforme seus ganhos em um transbordamento de generosidade na forma como você administra o dinheiro de Deus. Não trabalhe para acumular. Trabalhe para ganhar e ter para dar e para investir em empreendimentos que exaltem a Cristo. Faça seu dinheiro falar de Cristo como seu supremo Tesouro.

Agradeça. Sempre dê graças a Deus pela sua vida, pela sua saúde, trabalho e Jesus. Seja uma pessoa agradecida no trabalho. Não esteja entre os queixosos. Que a sua gratidão a Deus transborde em um espírito humilde de gratidão aos outros. Seja conhecido no trabalho como aquela pessoa cheia de esperança, humildade e gratidão.

Há mais coisas a serem ditas sobre glorificar a Deus no local de trabalho. Mas este é um começo. Aumente sua lista conforme Deus for lhe iluminando. O ponto é: onde você estiver, o que você comer ou beber ou trabalhar, faça tudo para mostrar quão grande Deus realmente é.

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Um outro texto sobre Deus e o trabalho pode ser lido aqui.
Também é interessante ler sobre como servir a Deus em tudo o que fazemos neste texto aqui.


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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Trabalhar Duro? - Por John Piper 0

Trabalho Duro ou Labuta Angustiante? – Uma Compreensão Cristã do Trabalho
Por John Piper

Texto traduzido do original em inglês do site Desiring God.
 Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono (Salmos 127:1-2)

Eu penso que o ponto principal destes versículos é: “Não coma o pão do trabalho angustiante”. Tem o mesmo significado de quando Jesus disse: “Não seja ansioso com o que comer” Mateus 6:25 Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? 

Quando nós crescemos nós devemos trabalhar pelo nosso pão. E nós podemos, ou trabalhar nervosamente e se preocupando sobre o que os homens pensarão de nós – e então comer o pão da angústia, ou nós podemos trabalhar com serenidade em nossos corações, como que servindo a Cristo e não a homens – e então comer o pão da paz. A vontade de Deus para seus filhos, realmente o sinal de que somos Seus filhos ou não, é que nós não comeremos o pão da angústia.

Deus não estabeleceu regras específicas dizendo quão cedo nós devemos levantar para o trabalho, e quão tarde nós deveríamos deixá-lo à noite. Mas ele estabeleceu este princípio para seus amados: Não acorde cedo e vá descansar tarde cheio de ansiedade, medo ou mau humor. Se a alegria do trabalho frutificante te seduz para trabalhar 12 horas diárias, que seja. Mas cuidado para que você realmente não esteja se enganando, e na realidade você esteja sendo dirigido pela ansiedade, ou pelo seu irmão gêmeo, o egoísmo ambicioso.

Cristãos devem trabalhar duro, mas eles trabalharão mais pela alegria que todo o seu trabalho pode trazer para os outros do que pelo temor de que os homens irão pensar se ele falhar. Então,

Seja diligente como Deus direcionar
E coma o pão que você ganhar
Mas não se lamurie sobre o que você precisa
E não se deixe queimar de preocupação.
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sábado, 3 de setembro de 2011

Colocando a ênfase no lugar correto 0

Ide - e fazei discípulos


Texto original disponível em inglês aqui

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Nele... mas não dele” - você está familiarizado com esta frase popular? Ela captura a verdade sobre os seguidores de Jesus. Nós estamos “no” mundo, mas não somos “do” mundo.

Nele... mas não dele”. Sim, sim, naturalmente.

Mas pode este expressivo slogan dar a impressão errada sobre nossa (co)missão neste mundo como cristãos? Você verá, o lema parece dar a entender, nós estamos neste mundo, ai de mim, mas nós precisamos ter certeza que nós não somos dele. Neste esquema, o lugar inicial é nossa desafortunada situação de estar “neste” mundo. Suspiro. E nossa missão, parece, é não ser “dele”. A força está nos movendo para longe do mundo. “Puxa, nós estamos frustrantemente presos neste mundo, mas ordenamos nossas melhores energias para não ser dele”. Esta é uma ênfase que algumas vezes é necessária.

Mas nós faríamos bem em percorrer alguns textos bíblicos. E este em particular faremos bem, em voltar para João 17, onde Jesus está usando esta categoria “no” e “não do”. Então, qual é o sentimento de Jesus sobre esta coisa toda?

As palavras de Jesus

Na véspera da sua crucificação, Jesus ora ao seu Pai em João 17.14-19:

Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.

Não são deste mundo

Perceba que as referências de Jesus aos seus discípulos são “não são deste mundo”. Verso 14: “o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo”. E lá está novamente no verso 16: “Não são do mundo, como eu do mundo não sou”.

Então vamos todos concordar que é claramente o caso que Jesus não quer que seus seguidores sejam “do mundo”. Amém. Ele diz que ele mesmo “não é deste mundo”, ele diz que seus discípulos “não são deste mundo”. Aqui está um bom apoio ao slogan “no... mas não do”.

Para onde está se dirigindo

Mas note que para Jesus não “ser” do mundo não é o destino, nestes versos, mas é o lugar de partida. Não é para onde as coisas estão se movendo, mas de onde elas vêm. Ele não é do mundo, e ele começa dizendo que seus seguidores não são do mundo. Mas Jesus está dirigindo-se para algum lugar.

Entrando no versículo 18: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”. E não perca a (possivelmente) surpreendente oração do verso 15: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”.

Enviados ao mundo

Jesus não está pedindo ao seu Pai para que seus discípulos sejam tirados do mundo, mas ora por eles para que sejam “enviados ao” mundo.

Então, talvez, servir-nos-ia melhor – ao menos sob a luz de João 17 – revisar a popular frase “no... mas não do” desta forma: “não do... mas enviados ao”. O lugar inicial é “não do mundo”, e o movimento é direcionado para ser “enviado ao mundo”. A ênfase recai no envio, com uma missão, ao mundo – não é principalmente sobre uma missão para se desassociar deste mundo.

Crucificado para o mundo – e ressurretos para ele

A suposição é que aquele que aceitou Jesus e está identificado com ele não está realmente no mundo. E agora a convocação é nosso envio – nós somos enviados ao mundo com a missão de fazer o evangelho avançar, fazendo discípulos.

Os seguidores de Jesus não estão somente crucificados para o mundo, mas também ressurretos para a nova vida, e enviados de volta para libertar outros.

Pode Deus ser agradado fazendo com que nossas igrejas que “não são deste mundo” serem mais e mais comunidades que também enviam a este mundo.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Adão e Eva precisam ser reais pro Evangelho? 0

Adão e Eva no Jardim do Éden. Foi assim que começou.
Tradução do texto [em inglês] de Albert Mohler: Adam and Eve: Clarifying  Again What Is at Stake, disponível aqui.

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Recentes discussões sobre Adão e Eva têm servido para pelo menos um bom propósito – tornar mais claro o que está teologicamente em jogo nos debates. O recente relatório da NPR (National Public Radio) alertou a grande cultura secular para o debate, mas raramente a discussão traz novidades.

O que é novo, contudo, é a sincera admissão por parte de alguns de que a negação de um Adão histórico requer uma nova compreensão da história bíblica básica – e do Evangelho como um todo.

Um dos meus mais recentes artigos, False Start? The Controversy Over Adam and Eve Heats Up (Começo Falso? A Controvérsia sobre Adão e Eva Pega Fogo) deixa este ponto mais claro. Como eu argumentei lá, a negação do Adão histórico não só implica a rejeição do ensino bíblico lúcido, mas também resulta na negação da Doutrina Bíblica da Queda, conduzindo da um modo muito diferente de contar a História Bíblica e o significado do Evangelho.

A propósito, aqueles que tentam negar que o Gênesis requer a afirmação de um Adão histórico como um indivíduo humano real e singular (argumentando, por exemplo, que a palavra ‘Adão’ em hebraico significa somente ‘o homem’) tem que enfrentar o fato que a narrativa de Gênesis apresenta Adão como um indivíduo singular que age, fala, casa-se, reproduz-se, e está listado na genealogia de Jesus. O vocabulário hebraico não oferece nenhuma escapatória convincente para a historicidade.

O ponto principal do meu artigo ‘False Start’, contudo, foi que a negação de um Adão histórico separa o ponto essencial elaborado por Paulo em Romanos 5:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. (Romanos 5:12-17)

Esta é a forma do Apóstolo Paulo contar a história da Bíblia e o significado do Evangelho. Se Adão não foi uma figura histórica, e assim não houve nenhuma Queda no pecado e assim toda a Humanidade não pecou em Adão, portanto a história do Evangelho que o Apóstolo Paulo conta está errada. Além disto, Paulo estava simplesmente enganado ao crer que Adão foi uma pessoa real.

Desta maneira, a negação do Adão histórico significa que nós temos que contar a história da Bíblia de uma maneira muito diferente do que a Igreja tem lido, ensinado, pregado e acreditado há séculos. Se não há nenhum Adão histórico, então a metanarração bíblica não é Criação-Queda-Redenção-Nova Criação, mas algo totalmente diferente.

Para seu crédito, Brian McLaren afirma esta verdade e concorda que a negação da historicidade de Adão requer uma nova maneira de contar a história bíblica. Mas – e este é o ponto crucial – ele pensa que isto pode ser uma coisa boa.

Respondendo ao meu artigo, ele escreveu:

Eu concordo firmemente (em um tipo curioso de ironia) com o bom Dr. Mohler. Eu penso que a convenção constantiniana “do entendimento da metanarrativa do evangelho e o enredo da Bíblia” está errada, mal orientada, e perigosa. Nós realmente precisamos de “um completo novo entendimento” – novo, que é, comparada com o status quo, mas realmente mais antigo e primário que a abordagem convencional. No processo nós aprenderíamos melhor o que uma metanarrativa é de fato e perceber que não há um grande rótulo para aplicar ao Evangelho... “o enredo da Bíblia” é muito melhor. Isto é o que eu tenho escrito e falado na última década, e espero continuar defendendo e contribuindo para a próxima.

Naturalmente, McLaren tem escrito sobre isto e convoca uma revolução teológica. No seu livro de 2010, A New Kind of Christianity (Um novo tipo de Cristianismo), McLaren explicitamente nega que a Bíblia revela Adão como um ser histórico. Ele também nega que nós deveríamos crer numa Queda no Pecado que conduz a um veredito divino contra a pecaminosidade humana.

Em suas palavras, falando do relato de Gênesis:

É patentemente óbvio para mim que estas histórias não pretendem ser tomadas literalmente, apesar de isto não costumar ser tão óbvio, e eu sei que não deve ser agora para a maioria dos meus leitores.  É também poderosamente claro para mim que estas histórias não literais ainda devem ser levadas a sério e representadas pelo seu conteúdo rico, porque elas instilam experiente sabedoria multiforme – através de profunda linguagem mítica – sobre como veio a se tornar o que é.

Sobre Gênesis 3, ele afirma:

Neste mundo, não há nenhum momento isolado de deslocamento de declaração para história: é tudo história, do começo ao fim, e provavelmente antes e depois também. Deus não é suscetível de perder seu status de perfeição com uma promessa furiosa de eterna condenação, perdição e destruição. Deus não decretou o estado perfeito arruinado e o planeta destinado para geocídio. A experiência não é um fracasso.

Um ponto similar foi dito pela escritora conhecida como RJS em ‘Jesus Creed’, o blog do estudioso do Novo Testamento Scott McKnight. RJS rejeitou minha afirmação que uma compreensão correta de Adão é necessária para a correta compreensão de Cristo e sua expiação. “Eu rejeito categoricamente a noção que ter uma visão correta de Adão (ou uma visão específica de Adão) é requerida para ter a visão acertada de Cristo e sua obra redentiva neste mundo”, ela escreveu.

Ela está certa em argumentar que nossa compreensão da criação é inata e irredutivelmente cristológica – baseada em textos como João 1 e Colossenses 1. Todavia, isto não reduz de qualquer forma a importância da afirmação da Bíblia de que Adão é uma figura histórica e que a Queda é um evento histórico.

Ainda, ela também escreve isto:

Francamente, eu não acho que a Encarnação seja a solução para o problema criado pelos nossos antepassados originais, ou dois indivíduos únicos criados do pó ou um grupo que evoluiu para humanos. Eu penso que a encarnação era parte do plano de Deus desde o princípio.

Isto é um pouco atordoante. O Antigo Testamento claramente promete a vinda de um Escolhido que irá salvar o Seu povo dos pecados deles. A Encarnação é impossível para nós compreendermos em termos bíblicos sem a afirmação central de que Cristo veio para redimir Seu povo do pecado. Como Paulo escreveu em Gálatas 4.4-5, “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”.
No contexto da eternidade, onisciência e soberania de Deus, é inegável que “a Encarnação era parte do plano de Deus desde o princípio”. Mas é também verdadeiro que a criação de Adão e Eva e a Queda da Humanidade no pecado foram também parte do plano divino desde o começo. Esta verdade (definida dentro do contexto da eternidade, onisciência e soberania de Deus) tem sido afirmada, a propósito, tanto por Calvinistas como por Arminianos clássicos. Esta tem sido a fé da Igreja, baseada sobre a autoridade das Escrituras.

Eu genuinamente aprecio um debate honesto sobre estes assuntos de inegável e incalculável importância teológica. Este debate tem servido para esclarecer, mais uma vez, o que está em jogo. Eu só posso terminar novamente onde eu terminei o artigo “False Start”:

A negação do Adão e Eva históricos como os primeiros pais de toda a humanidade e o primeiro par de humanos corta a ligação entre Adão e Cristo o qual é crucial para o Evangelho. Se nós não sabemos como a história do Evangelho começa, então nós não sabemos o que a história significa. Não se engane: um falso início para a história produz uma falsa compreensão do Evangelho.

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Nota do tradutor e editor do blog: aqui no Brasil também temos representantes do mesmo pensamento de Brian McLaren, participantes da escola teológica do liberalismo. Ricardo Gondim, Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz são bons exemplos desta escola.

[Atualização 01-09-2011]
Complementando, indico também a leitura deste texto, da autoria de Mauro Meister, no blog O Tempora-O Mores.

Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, Pois é o Poder de Deus para a salvação de todo aquele que Crê - Romanos 1:16
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte final 5


VAMOS REVISAR O REVISIONISMO

Em vista das esmagadoras evidências, publicar um artigo na Harpers referente à Bíblia Hebraica como Falso Testemunho é claramente um ultraje. Uma caricatura naquele artigo, mostrando a Bíblia sendo destruída com vastos corredores cortando seu texto, é apropriadamente uma falsa caricatura como o restante do artigo.

Isto, contudo, é completamente típico da forma como a matéria bíblica é veiculada na mídia hoje. Uma extraordinária descoberta bíblica que confirma o registro bíblico é abertamente recebida como uma notícia qualquer na imprensa, como as evidências dos ossos da primeira personalidade bíblica descoberta em novembro de 1990. Geralmente, apenas um em cem sabe que os restos de Caifás, o maior sacerdote que acusou Jesus perante Pôncio Pilatos na sexta-feira santa, foi encontrada nesta época em um ossuário no Bosque da Paz, em Jerusalém, ao sul da área do Templo. Os escritores “procuradores de emoção” afirmam, contudo, que os patriarcas são mitos, que Davi foi um insignificante chefe de tribo, isto se ele realmente existiu, que Jesus casou com Maria Madalena, ou que Deus predisse o assassinato do premier Israelita Isaac Rabin através de um enigmático código da Bíblia (não há nada sobre isto), e a imprensa faz a cobertura solidariamente e na sua inteireza. De forma alguma isto é justo, ético ou mesmo lógico. Também não está sozinha a imprensa nesta decepção. Estudiosos e pseudo-estudiosos bíblicos revisionistas radicais, como os membros do Seminário Jesus, são bem conscientes desta triste fórmula sensasionalista para o sucesso e a exploram regularmente. Isto pode, admitidamente, estar impugnando o motivo de alguns naquela categoria em que são conduzidos ao invés por um desejo de ser meramente politicamente correto quando estiver com estudiosos bíblicos; isto é, ser ultracrítico de qualquer coisa bíblica. Nesta conexão, infelizmente, historiadores seculares do mundo antigo freqüentemente tem uma maior opinião de confiança das origens bíblicas do que os próprios estudiosos bíblicos!

Tomando o cuidado para que esta crítica seja escrita sem o palavreado sem significado de alguns mesquinhos conservadores, eu devo afirmar que, realmente, ela representa a visão majoritária do conhecimento bíblico hoje. O arqueólogo da Universidade do Arizona, William Dever, por exemplo, é bem conhecido por sua objeção ao termo arqueologia bíblica, uma vez que parece transmitir um preconceito pró-bíblico; até o momento, ele ataca algumas das não-comprovadas conclusões dos minimalistas bíblicos em uma enérgica manifestação em um artigo da BAR, “Salvem-nos da estupidez pós-modernistas”. Ele não poupa palavras para os minimalistas no seu livro, “O que os escritores bíblicos sabem e quando eles souberam?”, também. “Eu sugiro”, ele escreve, “que os revisionistas são niilistas não somente no sentido histórico, mas também no sentido filosófico e moral”.
A revista BAR, a qual provê a arena literária para as batalhas tradicionais X minimalistas e tenta manter-se neutra durante o processo, semelhantemente constata que o artigo da Harpers é unilateral em um debate que é muito quente.

Em nenhuma parte (o autor) tenta avaliar os méritos do outro lado. De fato, ele não dá nenhuma indicação que ele esteja ciente da existência do outro lado.
Deixemos o debate continuar, mas todas as evidências serão admitidas. Desde que a ciência arqueológica começou, há um século e meio, o padrão consistente tem sido este: as fortes evidências da terra fazer brotar o registro bíblico vez após vez, vez após vez. A Bíblia não tem medo da pá!
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 5 0

Código de Hamurabi
A EVIDÊNCIA REAL

Os achados arqueológicos que contradizem as discussões de minimalistas bíblicos e outros revisionistas foram mencionadas anteriormente. Há muitas mais, contudo, que corroboram com a evidência bíblica, e a seguinte lista provê somente as descobertas mais importantes:

Uma história de dilúvio em comum

Não somente os hebreus (Gn. 68), mas mesopotâmios, egípcios e gregos reportaram um dilúvio em tempos remotos. Uma lista de reis sumérios de 2100 a.C. divide-se em duas categorias: aqueles reis que governaram antes do grande dilúvio e aqueles que reinaram após ele. Um dos exemplos mais recentes da literatura Sumero-Acadio-Babilônica, o épico Gilgamesh, descreve uma grande inundação enviada como punição pelos deuses, com a humanidade salva somente quando o piedoso Utnapishtim (o mesopotâmico Noé) construiu um barco e salvou os animais da Terra lá. Uma contrapartida grega, a história de Deucalião e Pirra, conta que um casal que sobreviveu a uma grande enchente enviada pelo irado Zeus. Eles se refugiaram no topo do monte Parnassus (grego de Ararat), e supostamente repovoaram a Terra deslocando pedras escondidas que se transformaram em seres humanos.

O código de Hamurabi

Este monolito, descoberto em Susan e atualmente localizado no Museu do Louvre, contém encravadas 282 leis do rei babilônico Hamurabi (1750 a.C). A base comum para este código de leis é a Lei do Talião, mostrando que havia uma lei semítica comum de retribuição no antigo oriente, a qual é claramente refletida no Pentateuco. Êxodo 21:23-25, por exemplo, diz: “Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.”

Tábuas de Nuzi

As cerca de 20000 tábuas de argila descobertas nas ruínas de Nuzi, leste do Rio Tigre e datado em 1500 a.C., revela instituições, práticas, e costumes extraordinariamente congruentes com aqueles de Gênesis. Estas tábuas incluem festas, acordos de casamento, regras a respeito de herança, adoção e assim por diante.

A existência dos hititas

Gênesis 23 relata que Abraão enterrou Sara em uma caverna em Macpela, a qual foi comprada de Efrom, o hitita. II Samuel 11 conta do adultério de Davi com Batseba, a esposa de Urias, o hitita. Há um século atrás os hititas eram desconhecidos fora do Antigo Testamento, e os críticos afirmam que eles eram uma invenção de imaginação bíblica. Em 1906, contudo, escavações arqueológicas ao leste de Ankara, Turquia, descobriram as ruínas de Hattusas, a antiga capital hitita que hoje é chamada de Boghazkoy, bem como sua vasta coleção de registros históricos, os quais mostraram um império próspero na metade do segundo milênio antes de Cristo. Esta disputa crítica, entre muitas outras, foi imediatamente demonstrada sem valor, um padrão que se repetiria freqüentemente nas próximas décadas.

Estela de Merenpta

Uma placa lavrada com hieróglifos, também chamada de Estela de Israel, vangloria-se das conquistas dos faraós egípcios sobre os líbios e outros povos da Palestina, incluindo os israelitas: “a semente de Israel já não existe”. Esta é a referência mais recente a Israel em fontes não-bíblicas e demonstra que, a partir de 1230 a.C., os hebreus já habitavam a Terra Prometida.

Cidades bíblicas atestadas arqueologicamente

Em adição à Jericó, lugares com Haran, Hazor, Dã, Megido, Siquém, Samaria, Siló, Gezer, Gibeá, Beth-Semes, Beth-Shean, Berseba, Láquis, e muitas outras cidades urbanas foram escavadas, completamente à parte dos maiores e mais óbvias locações como Jerusalém ou Babilônia. Tais marcos geográficos são extremamente significantes em demonstrar que fatos, não fantasias, permeiam as narrativas históricas do Antigo Testamento; de outra forma, a especificidade relativa a estes lugares urbanos poderia ser substituída por narrativas “Era uma vez...” com somente nebulosos parâmetros geográficos, ou talvez nenhum.
Inimigos israelitas na Bíblia hebraica do mesmo modo não são inventados, mas historicamente sólidos. Entre os mais perigosos deles estavam os filisteus, o povo de quem a Palestina herdou o nome. Sua mais recente representação está no Templo de Ramsés III em Tebas, cerca de 1150 a.C., como povo do mar que invadiu a área do Delta e mais tarde a costa de Canaã. A Pentápolis (cinco cidades) que eles estabeleceram, nomeadas como Asquelon, Asdod, Gaza, Gate e Ecron foram escavadas, pelo menos em parte, e algumas cidades restantes até estes dias. Tais evidências precisas conta favoravelmente quando comparada com os lugares geográficos afirmados nos livros sagrados de outros sistemas religiosos, os quais geralmente não tem nenhuma base na realidade.

Invasão de Judá por Sisaque

I Reis 14 e II Crônicas 12 fala da conquista de Judá pelo Faraó Sisaque no quinto ano do reino de Roboão, o desmiolado filho de Salomão, e como o Templo de Salomão em Jerusalém foi saqueado dos seus tesouros naquela ocasião. A vitória foi comemorada também em paredes com hieróglifos esculpidos no Templo de Amon em Tebas.

A pedra moabita

II Reis 3 reporta que Mesa, rei de Moabe, se rebelou contra o Rei de Israel em seguida à morte de Acabe. Uma placa de pedra, também chamada de Estela Mesa, confirma a revolta por afirmar o triunfo sobre a família de Acabe, cerca de 850 a.C., e que Israel pereceu para sempre.

O obelisco de Shalmaneser III

Em 2 Reis 9 e 10, Jeú é mencionado como Rei de Israel (841-814 a.C). Que o crescente poder da Assíria já estava prejudicando os reis do norte antecedendo a sua última conquista em 722 a.C. é demonstrado por um obelisco preto descoberto nas ruínas do palácio de Ninrod em 1846. Nele, Jeú é mostrado ajoelhado perante Shalmaneser III e oferecendo tributo ao rei da Assíria, a única assistência que nós temos para datar a monarquia hebraica.

Lápide mortuária do Rei Uzias

De Judá, o Rei Uzias governou de 792 a 740 a.C., um contemporâneo de Amós, Oséias e Isaías. Como Salomão, ele começou bem e terminou mal. Em II Crônicas 26 seu pecado está registrado, o qual resultou em ser afetado com lepra mais tarde. Quando Uzias morreu, ele foi enterrado num cemitério que pertenceu aos reis. Sua lápide foi descoberta no Monte das Oliveiras, e diz: “Aqui, os ossos de Uzias, Rei de Judá, foram trazidos. Não abra”.

Inscrição no Túnel de Siloé de Ezequias

O Rei Ezequias de Judá governou de 721 a 686 a.C. Assustado com o cerco feito pelo rei assírio, Senaqueribe, Ezequias preservou o suprimento de água de Jerusalém cavando um túnel com cerca de 533 metros através da rocha sólida desde a fonte de Giom até o reservatório de Siloé, dentro dos muros da cidade (II Reis 20, II Crônicas 32). Ao final do túnel de Siloé, uma inscrição, atualmente em exposição no Museu Arquológico de Istambul, Turquia, celebra a marcante realização. O túnel é, provavelmente, o único lugar bíblico que não alterou sua aparência nos últimos 2700 anos.

Prisma de Senaqueribe

Após ter conquistado 10 tribos no norte de Israel, os assírios marcharam para o sul para fazer o mesmo com Judá (II Reis 18;19). O profeta Isaías, entretanto, avisou Ezequias que Deus iria proteger Judá e Jerusalém contra Senaqueribe (II Crônicas 32; Isaías 36;37). Os registros assírios virtualmente confirmam isto. Inscrições cuneiformes em um prisma hexagonal feito de barro encontrado na capital assíria Nínive descreve a invasão de Senaqueribe em Judá em 701 a.C. no qual declara que o rei assírio cercou Ezequias em Jerusalém como em uma gaiola de pássaros. Semelhante o registro bíblico, contudo, ele não afirma que conquistou Jerusalém, cujo prisma poderia ter sido feito se fosse este o caso. Os assírios, realmente, deixaram de lado Jerusalém no seu caminho para o Egito, e a cidade não caiu até o tempo de Nabucodonozor e os neo-babilônios em 586 a.C. Senaqueribe retornou para Nínive onde seus próprios filhos o assassinaram.

O Cilindro de Ciro, o grande

II Crônicas 36:23 e Esdras 1 reportam que Ciro o grande da Pérsia, após conquistar Babilônia, permitiu que Judeus no cativeiro babilônico retornassem para sua terra natal. Isaías tinha profetizado isto (Isaías 44:28). Esta política de tolerância do fundador do Império Persa nasceu pela descoberta de um cilindro de barro encontrado na Babilônia da época de sua conquista, 539 a.C., o qual reporta a vitória de Ciro e sua subseqüente política de permitir aos cativos babilônicos retornar para suas casas e reconstruir seus templos.

***

E assim vai. Esta lista de correlações entre os textos do Antigo Testamento e as sólidas evidências arqueológicas do oriente poderia facilmente ser triplicada em tamanho. Quando vem para as eras intertestamental e nova-testamental, como poderíamos esperar, a agulha do medidor das correlações positivas simplesmente ultrapassa a escala.
Para usar termos, tais como falso testemunho para a Bíblia Hebraica, e vaporizar suas personalidades mais recentes em inexistência, consequentemente, não há nenhuma justificativa, qualquer que seja, nos termos das massas de evidência histórica, arqueológica e geográfica que se correlacionam tão admiravelmente com as escrituras.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 4 3



Metodologia Errada


Nos processos como os anteriormente descritos, os erros no conteúdo, procedimento e até mesmo de lógica empregados pelos revisionistas são aparentes e podem ser listados como se segue:


1. Abuso no uso de argumentos do silêncio ou ausência de evidência arqueológica. Tais argumentos têm freqüentemente rendido debates pelas subseqüentes descobertas que providenciam as tais evidências faltantes.

2. Assumir que a Arqueologia pode nos dizer mais do que é justificado pelo que é encontrado, porque é necessário também ser suplementado por dados relevantes tanto da história secular quanto da sacra.

3. Assumir que a Arqueologia é não-passional e objetiva, quando, na verdade, alguns escavadores são completamente o oposto; infelizmente, recentes pressões políticas têm, também, atingido a disciplina.

4. Assumir que há concordância entre os arqueólogos quando à grade de tempo envolvendo estratos descobertos e os artefatos lá encontrados. De fato, suas interpretações das evidências escavadas diferem grandemente.

5. Sugerir que o revisionismo crítico representa a mais recente e melhor pesquisa arqueológica e acadêmica sobre as origens bíblicas atualmente. Para ser mais racionalmente verdadeiro, recentes tópicos de jornais tais como o BAR e a Bible and Spade estão bem preparados contra o criticismo da posição minimalista, e o debate entre as visões tradicional e radical entre os estudiosos bíblicos continua com furor.

6. Fechar os olhos para relatórios, como Lazares e Harpers, que são tão desesperadoramente unilaterais que influenciam de forma gritante cada parágrafo.

7. Optar pelas sensações ao invés da razão, como é o caso com extremistas em qualquer assunto.

8. Usar os resultados muito seletivamente ao invés de atentar para todas as evidências. Falha em avaliar evidências no outro lado ou até mesmo representar falsamente pela força, não pela verdade.


Isto não é afirmar que não há nenhum problema no registro do Antigo Testamento; mesmo tradicionalistas admitirão que certamente haja. Nós podemos todo afetuosamente desejar que o autor de Gênesis tivesse dado os nomes de mais associações contemporâneas de Abraão para que a era patriarcal pudesse ser datada com mais precisão; e porque, oh, porque nós não temos os nomes reais dos reis egípcios envolvidos na opressão e êxodo ao invés de somente o seu título genérico, faraó? Mais tarde, o Antigo Testamento claramente nos dá os nomes próprios de faraós tais como Sisaque (920 a.C., I Reis 14:25) e Neco (600 a.C., II Reis 23:29). Tivessem aparecido estes nomes individuais no Êxodo, nós teríamos poupado centenas de tomos e milhares de artigos debatendo sua identidade. Nós todos anelamos, além do mais, muitíssimo mais detalhes específicos sobre os hebreus no período pré-1000 a.C. e poderia provavelmente sacrificar vários capítulos da lei cerimonial judaica no Levítico e em Deuteronômio em troca destas descrições.

Talvez, penso, nós podemos questionar muitos dos antigos escritos sagrados. Nenhuma religião ou cultura na terra tem, de fato, mais especificidade em seus antigos registros históricos do que a Torá, e é sempre o caso que registros recentes de quaisquer povos serão mais “distorcido” e comprimido do que os mais antigos. Nós certamente vemos no Antigo e no Novo Testamento, não uma progressiva historicidade no sentido que os registros mais recentes não são históricos e os registros antigos são como os revisionistas radicais afirmam, mas antes uma especificidade histórica progressiva.
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sábado, 27 de setembro de 2008

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 3 0


FALSAS AFIRMAÇÕES

Abraão é um mito?
Críticos recentes, de 1800, negavam a existência da cidade natal de Abraão, Ur dos Caldeus (Gn 11:31). Isto continuou até que escavações sistemáticas de Sir Leonard Woolleys, de 1922 a 1934, descobriram o imenso zigutato ou torre do templo em Ur perto do monte do Eufrates, na Mesopotâmia. O nome Abraão aparece nos registros mesopotâmicos, e as várias nacionalidades que os patriarcas encontraram, como registrado em Gênesis, são totalmente consistentes com as pessoas conhecidas naquele tempo e lugar. Outros detalhes no registro bíblico referentes à Abraão, tais como os pactos feitos com os governantes vizinhos e até mesmo o preço dos escravos, combina bem com o que sabemos em outras partes na história do oriente antigo.

Não houve migração da Mesopotâmia?


Tribos semíticas da época estavam continuadamente se movendo pra dentro e fora da Mesopotâmia. De fato, Abraão registrou sua viagem à Terra Prometida ao longo do vale do Eufrates até Haram, ao sul da Turquia, os quais foram também identificados e escavados, e, portanto, a descida através da Síria até Canaã é geograficamente acurada. Usar a rota do ‘Crescente Fértil’ era a única forma de viajar com sucesso da Mesopotâmia até o Mediterrâneo naqueles dias.

E os patriarcas?

Nada no registro de Gênesis contradiz a forma nômade de viver, repleta de multidões e de rebanhos, que eram característicos na vida do século 18 e 19 a.C. As concordâncias e pactos da época, tais como encontrar uma noiva para membros da mesma tribo e outros detalhes, são bem conhecidos em outros lugares do antigo oriente. Argumentar que os patriarcas não existiram porque seus nomes não foram encontrados arqueologicamente é meramente um argumento baseado no silêncio, uma fraca forma de argumentação que pode ser usada. Para os historiadores mais esclarecidos, ausência de evidência não é necessariamente evidência de ausência.

Não houve permanência israelita no Egito ou êxodo de lá?

Críticos fazem muito mais do que supor fatos de que não há nenhuma menção dos Hebreus em inscrições hierocligráficas, nenhuma menção de Moisés, e nenhum registro de uma movimentação de população em massa como afirmada no registro bíblico do êxodo do Egito. Este fato é questionável. A famosa placa de pedra de Israel (uma pedra ou tábua com inscrições) do faraó Merenptah (descrita mais completamente abaixo) declara, Israel não é descendência deles. Além disso, mesmo se não houvesse nenhuma menção qualquer dos hebreus nos registros egípcios, isto também não provaria nada, especialmente na visão da bem conhecida propensão egípcia de nunca registrar contratempos ou derrotas ou nada que embarace a majestade da monarquia corrente. Poderia qualquer faraó ter delineado as seguintes palavras em seu monumento: “Sob minha administração, uma grande multidão de escravos hebreus escapou com sucesso para o deserto do Sinai quando nós tentamos impedi-los”?
Os egípcios antigos, de fato, transformaram alguns de seus contratempos em vitórias. Um dos mais imponentes monumentos no Egito consiste de quadro bem colocados colossos de Ramsés II contemplando o rio Nilo (agora, o lago Nasser) em Abu-Simbel. Ramsés erigiu o colosso para intimidar os etíopes para o sul, que tinham corretamente ouvido que ele abertamente fugiu com sua esposa da batalha de Kadesh contra os hititas, e então eles tiveram a oportunidade de invadir pelo Egito. A história contada nas paredes de dentro do monumento, contudo, é que foi uma maravilhosa vitória egípcia!

Moisés não existiu?

O real nome Moisés é egípcio, como indícios dos nomes faraônicos tais como Thut-mose e Ra-mses. A vida ambiente como descrita no Gênesis e Êxodo é completamente consonante com o que nós conhecemos do antigo Egito no período dos hicsos e dos impérios: a comida, as festas, as rotinas cotidianas, costumes, os nomes dos lugares, as divindades locais e outros equivalentes são familiares em ambas as literaturas, hebraica e egípcia.

Não houve êxodo?

É verdadeiro que poucos vestígios dos acampamentos e artefatos da época do êxodo foram descobertas arqueologicamente no Sinai, mas uma migração tribal e nômade dificilmente deixaria para trás fundações permanentes de pedra de construções na sua rota. Dificilmente qualquer arqueólogo tomaria lugar no Sinai, e se isto mudasse, evidências da migração poderiam muito bem ser descobertas. Novamente, deve-se ter cuidado com o argumento do silêncio.

Josué não conquistou Canaã?

A Batalha de Jericó continua sendo disputada! Quando Dame Kathleen Kenyon escavou Jericó na década de 1950, ela afirmou não ter encontrado qualquer ruína de paredes ou mesmo qualquer evidência de vida civilizada em Jericó durante a época da invasão de Josué, nada para ser conquistado por ele. Ela, ao invés disto, encontrou uma Jericó recente e pesadamente fortificada que em 1550 a.C. foi objeto de uma violenta conquista com paredes caídas e uma espessa camada de cinzas, indicando destruição por fogo. Que, na visão dela, foi antes de Josué e da chegada dos israelitas. Os críticos imediatamente aproveitaram a interpretação dela como uma sólida evidência que a conquista de Jericó por Josué deve ter sido folclore.
O arqueólogo Bryant G. Wood, entretanto, editor da Bible and Spade, percebeu que Kenyon datou mal as suas descobertas e que a destruição de Jericó realmente teve lugar em 1400 a.C. quando Josué estava em cena, de acordo com as mais recentes datações (1400 a 1200 a.C.) da invasão israelita. Em um brilhante artigo de 1990 em BAR, Wood baseou sua cronologia na estatigrafia, tipos de cerâmica, datações com carbono 14, e outras evidências, incluindo ruínas de paredes, para mostrar uma surpreendente confirmação arqueológica do detalhamento bíblico registrado em Juízes, capítulo 6 e seguintes.

Os Reis Davi e Salomão são históricos ou apenas mitos?

Os críticos novamente confiam muito no argumento do silêncio ou da ausência. Eles contendem que para toda a grandeza e majestade dos reinos de Davi e Salomão, algumas das taças de ouro e outros itens luxuosos dos seus palácios deveriam ter vindo à luz nas escavações, mas não vieram. Lazzare acusa, ainda nenhuma taça, nenhuma peça, foi encontrada para indicar que tal reino existiu. Se Davi e Salomão foram importantes agentes poderosos regionais, uma poderosa racionalidade espera que os nomes deles apareçam em monumentos e na correspondência diplomática da época. Até o momento, mais uma vez o registro silencia.
Esta argumentação, contudo, é desesperadamente falha, por causa de um simples fato: Jerusalém foi destruída e reconstruída em torno de 15 a 20 vezes desde os dias de Davi e Salomão, e cada conquista teve suas taxas em artefatos valiosos. O que, além do mais, Belsazar usou como utensílios para suas famosas festas na Babilônia (Dn. 5.23)? Copos de ouro e de prata que Nabucodonosor havia pilhado do Templo em Jerusalém!
Já o nome de Davi, o registro não é nenhum um pouco silencioso. Em 1993, o arqueólogo Avraham Biran, cavando em Tel Dan, no norte de Israel, descobriu um monólito de vitória em três grossas pedras nas quais o nome de Davi está inscrito, a primeira evidência arqueológica a Davi fora do Antigo Testamento. A inscrição Aramaica contém uma ostentação por o rei de Damasco (provavelmente Hazael) ter derrotado pelo rei de Israel (provavelmente Jorão, filho de Acabe) e o rei da casa de Davi (provavelmente Acazias, filho de Jeorão, 842 a.C.).
Esta descoberta sozinha deveria ter calado as afirmações minimalistas de que não houve nenhum Davi, mas nunca devemos subestimar a inflexibilidade de mentes bloqueadas atualmente no revisionismo. Eles ainda tentam desesperadamente retraduzir a mensagem nas pedras ou afirmar que o nome de Davi é uma falsificação compondo outra!

O rei Acabe de Israel como o principal construtor do Templo de Jerusalém ao invés de Davi e Salomão?

Esta é a conclusão favorita do arqueólogo Finkelstein, mas sua grade de tempo arqueológico defere dos modelos padrões em torno de 150 anos, a qual é, não surpreendentemente, precisamente a diferença entre Davi em 100 a.C. e Acabe, em 850 a.C.
Um que é, também, igualmente chocante pelo silêncio repentino dos críticos revisionistas é relativo ao registro do tempo do Rei Ezequias (700 a.C). Neste ponto, evidentemente, o Antigo Testamento instantaneamente traz mais história para eles. Esta concessão, naturalmente, é forçada por eles por causa do predominante número de correlações da arqueologia, registros das nações vizinhas, e a história em geral que corrobora completamente a evidência bíblica. Os assírios não conquistaram um norte israelita mítico em 722 a.C., nem Nabucodonosor deportou para o cativeiro babilônico um bando de judeus lendários, folclóricos que nunca existiu. Nós deixamos para os críticos explicar como fatos repentinamente aparecem da suposta fantasia do Antigo Testamento.
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Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - parte 2 0


AGRESSÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

O novo criticismo do registro bíblico é corrosivo e categórico do começo ao fim. Afirma, por exemplo, que não há nenhuma evidência que pessoas como Abraão viveram ou poderiam ter vivido na nova versão das origens israelitas antigas. Não houve migração da Mesopotâmia para qualquer Terra Prometida. Histórias sobre os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, argumenta, foram grosseiramente “costurados” com vários pedaços de tradições locais. Moisés não foi mais historicamente real do que Abraão, por não ter havido nenhuma estadia israelita no Egito e o êxodo ter sido uma ficção; nenhum Josué conquistou a Terra Prometida, uma vez que os antigos israelitas foram uma cultura indígena que já habitava naquelas terras.

E os monarcas Saul, Davi e Salomão e seus impérios regionais? Certamente eles são históricos, não são? Não. De acordo com este revisionismo, sacerdotes de Jerusalém nos séculos 70 e 80 a.C. provavelmente os inventaram. Nas palavras de Lazare, se Davi foi histórico, ele foi
Não um poderoso potentado cujo poder era reconhecido do Nilo ao Eufrates, mas antes um “pirata” que de destacou, que foi quando muito um pequeno duque nas montanhas do sul ao redor de Jerusalém e Hebrom. Entretanto, a principal discordância entre os estudiosos hoje em dia é entre aquele que sustenta que Davi foi um insignificante chefe de tribo cujos territórios se estenderam não mais que umas poucas milhas em qualquer direção e um pequeno, mas barulhento, grupo de minimalistas bíblicos que ele dizem que ele nem mesmo existiu.
Nunca houve uma monarquia hebraica nesta visão extremista e, de acordo com Finkelstein, as realizações arquitetônicas de Davi e Salomão deveriam ser mais propriamente imputadas ao Rei Acabe, de Israel. Quanto às crenças religiosas, o judaísmo monoteísta teve um desenvolvimento tardio novamente, em contraste à evidência bíblica quando também as histórias heróicas dos patriarcas e juízes foram hábeis em mostrar que Israel se apropriou da terra pelo ritual da conquista. Provavelmente não até que nós alcancemos o Rei Ezequias no século VIII a.C. faremos as críticas extremas darem início a conceder historicidade para as narrativas no Antigo Testamento.
Este ataque às escrituras do Antigo Testamento é de uma variedade emplumada e não-barrável. Tais visões extremistas convidam à dispensa deste ataque como o trabalho de uma estrutura de quase-estudiosos experimentalistas aos quais o revisionismo radical já garante atenção na mídia. Esta é uma trilha bem conhecida, depois de tudo, por membros do então chamado Seminário Jesus e suas notórias deliberações se Jesus disse ou não algo que pode ser creditado a Ele nos evangelhos. Os minimalistas bíblicos mais radicais certamente se engajaram no sensacionalismo, mas o balanço de tais estudiosos baseia seus casos já completamente no que eles consideram ser a ausência de evidência arqueológica que corrobora materialmente nas recentes eras do Antigo Testamento. Por causa de que suas argumentações são supostamente baseadas no conhecimento acadêmico, nós devemos examinar suas alegações mais de perto.
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Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - Parte 1 0

Arqueologia: aliada ou inimiga da Bíblia? - Parte 1 [Foto: Escavações da cidade de Jericó]

Por Paul L. Maier

Traduzido por Leandro Teixeira. O artigo original pode ser encontrado aqui.

Obs.: Este é um artigo bastante extenso; portanto, estarei dividindo-o em partes para melhor leitura.

SINOPSE

É geralmente assumido que as escavações arqueológicas no oriente normalmente confirmam o registro bíblico. Em anos recentes, entretanto, muitos grupos de revisionistas radicais tem afirmado exatamente o oposto: escavações em Israel e proximidades mostram que a história antiga dos Hebreus é muito diferente do que é afirmado no Pentateuco e no resto no Antigo Testamento. Alguns dos críticos mais extremos, conhecidos como minimalistas bíblicos, negam até mesmo a historicidade de Abraão e dos patriarcas, a permanência dos israelitas no Egito, o Êxodo e a conquista da Terra Prometida feita por Josué. Eles, além disto, questionam se Davi e Salomão realmente existiram, ou pelo menos como os poderosos soberanos descritos no Antigo Testamento.

Escavações arqueológicas de 150 anos pra cá, contudo, produziram resultados mais do que suficientes para demonstrar que tais revisionistas estavam enormemente ultrapassados e sensacionalistas. O produto de tal metodologia inferior, de fato, confia muito nos argumentos do silêncio ou ausência. Vez por vez, o que foi encontrado na terra tem se entrosado notavelmente bem com o que é afirmado no Antigo Testamento, e a verdade não é servida quando revisionistas radicais ignoram ou mal-interpretam evidências irrefutáveis. Elas afirmam que eles atualmente se encontram na vanguarda da pesquisa bíblica, porém completamente oposto é o caso, e muitos, se não a maioria, arqueólogos mais rígidos e estudiosos da Bíblia rejeitam suas conclusões extremistas. A pá continua sendo melhor amiga da Bíblia.
Organizações cristãs freqüentemente investiam nas recentes escavações no oriente, e um retrato de arqueólogos cheios de fé marchando para suas escavações com a Bíblia em uma mão e a uma pá na outra era completamente familiar. Grandes arqueólogos, como William Foxwell Albrigth virtualmente inventaram a disciplina chamada Arqueologia Bíblica, então asseveravam eles que aquelas pedras, de fato, exclamavam a verdade das escrituras.
Uma série de impressionantes descobertas arqueológicas que confirmaram lugares, personalidades e eventos no Antigo e no Novo Testamento somente confirmam a impressão geral que os registros bíblicos são historicamente confiáveis. Publicações como Biblical Archaeology Review (BAR) e Bible and Spade implicam em mais do que seus títulos.
Na última década, porém, uma forte contra-corrente foi desenvolvida entre alguns estudiosos do oriente que afirmam completamente o oposto. Um grupo, freqüentemente nomeado como minimalistas bíblicos, vê poucas ou nenhumas correlações entre a evidência bíblica e arqueológica e não há nenhuma história confiável na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). Os principais porta-vozes dos minimalistas são Thomas L. Thompson e Niels P. Lemche da Universidade de Copenhagem, Dinamarca, com colegas simpatizantes pós-modernistas do oriente e ocidente.
Em 2201, Israel Finkelsen, um arqueólogo revisionista com visão similar, em companhia de Neal A. Silberman, escreveu um extenso livro: The Bible Unearthed: Archaeologys New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts (A Bíblia Revelada: Nova Visão Arqueológica do Israel Antigo e a Origem dos seus Textos Sagrados). Esta nova visão controverteu a tradicional visão cristã e judaica da confiabilidade da Bíblia Hebraica e como ela se formou. Um mais popular detalhamento da sua visão foi um muito discutido artigo escrito por Daniel Lazare em 1º de março de 2002, entitulada Harpers. Unilateral, ácida e tendenciosa ao extremo, o artigo segue um título sensacionalista que diz tudo: Falso Testamento: arqueólogos refutam as afirmações bíblicas históricas. Harpers tem uma imponente história que remonta à época de Abraham Lincoln, para dar credibilidade ao seu conteúdo. Como resultado, muitos dos leitores cristãos e judeus mais conservadores estão agora alarmados que muitas dos fundamentos da sua fé foram questionadas, e esta crise de fé foi exarcebada por uma Torahe um comentário (Etaz Hayim) recentemente publicados pela United States Synagogue of Conservative Judaism, que incorporou estas visões revisionistas.
Este (não-sensacionalista) artigo examinará as afirmações feitas por Lazare e outros críticos revisionistas, ponderando contra os resultados arqueológicos bíblicos e estudiosos atualmente em voga, e então descrever como eles são decisivamente insuficientes em substância e metodologia.
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Quem alterou a Biblia? E por quê? 6

Interpretando mal o Cristianismo: os copistas realmente alteraram o conteúdo da Bíblia? E por quê?

Um exame crítico do livro de Bart Ehrman: Misquoting Jesus: Who Changed the Bible and Why?

Por H. L. Nigro


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.
Artigo original pode ser encontrado aqui.


Em Misquoting Jesus, Bart Ehrman parece, superficialmente, apresentar uma tese convincente para a falta de fidelidade do Novo Testamento baseado nas mudanças dos manuscritos antigos durante o processo de cópia dos copistas, particularmente no segundo e terceiro séculos. Infelizmente, ele não é sempre o estudioso objetivo que ele mesmo afirma ser. Este trabalho, enquanto provê um documentário interessante sobre a disciplina do criticismo textual, somente conta metade da história.

Embora Ehrman saiba que a maioria esmagadora destes erros de cópia são aqueles (tais como os erros de grafia) que são, em suas próprias palavras, “completamente insignificantes, imateriais, de nenhuma importância real” (p. 207)[1], ele repetidamente passa rapidamente por cima destes pontos críticos e alimenta, em vez disto, as muito mais escassas adições e alterações intencionais, as quais a maioria já foi removida das nossas modernas traduções, ou mesmo que preservadas, tem pequeno ou nenhum impacto na doutrina cristã.

Adicionalmente, Ehrman freqüentemente deturpa o corpo do moderno conhecimento concordando com ele em matérias controversas quando, na verdade, alguns dos mais importantes estudiosos do Novo Testamento – incluindo o próprio mentor de Ehrman, Bruce Metzger – discorda dele. Apesar disto, ao final de seu livro, Ehrman admite que “estudiosos altamente competentes freqüentemente vêm opor-se às suas conclusões” (p. 208); até então, ele usa o termo inclusivo “estudiosos” ou “maioria dos estudiosos” para apoiar suas conclusões, ainda que raramente seja verdade.

É particularmente perturbador quando Ehrman especula sobre o assunto da autenticidade baseado em sua própria opinião pessoal, ou responde ao texto antes mesmo de qualquer evidência histórica (por exemplo, ele visualiza diferenças secundárias de um evangelho para outro como tentativa deliberada de alterar a mensagem e apresenta uma diferente visão da história) e então, posteriormente em seu livro, deixa de chamar estas declarações “de especulação” para declarações “de fato”.

Pegue, por exemplo, sua argumentação de que Mateus e Lucas deliberadamente “apagaram” referências às emoções de Jesus (tais como compaixão ou ira, dependendo da variação lida que alguém escolha) na cura do leproso em Marcos 1.41. Por causa de que Ehrman prefere a leitura de que Jesus estava mais irado do que compassivo, ele argumenta que as descrições mais esparsas de Mateus e Lucas foram tentativas deliberadas de ocultar o que ele consideraria um fato embaraçoso. A argumentação de Ehrman ignora claramente o problema que, se os escritores do evangelho tinham inclinação para remover fatos embaraçosos, eles teriam ocultado os muito mais embaraçosos fatos deles, tais como a rejeição de Jesus por parte de Pedro, a incredulidade de Tomé, e o fato da tumba vazia ter sido descoberta por mulheres. Se eles deixaram estes fatos embaraçosos, porque eles deixariam fora do seu caminho algo tão inócuo quanto isto? Mais importante ainda, a argumentação de que isto é uma omissão deliberada (desta forma colocando dúvida nos motivos dos escritores) é uma interpretação pessoal que se sobrepõe ao texto – e completamente sem base nos fatos.

Rejeição subjetiva

Ironicamente, Ehrman usa seu treinamento em criticismo textual como a base para rejeitar a fé cristã. E, ainda, mesmo na própria admissão tácita de Ehrman, nenhum exemplo dado no livro toca o núcleo do ensino cristão.

Certamente, algumas adições dos copistas apóiam as afirmações do Novo Testamento sobre a divindade de Cristo, por exemplo; mas há um excesso de referências, incluindo as próprias palavras de Jesus, que não estão sob suspeita. E nenhuma destas discrepâncias coloca em xeque o coração da mensagem cristã, incluindo os detalhes relativos à morte expiatória, julgamento e ressurreição de Cristo, as quais formam o coração da fé cristã. Não somente isto, mas a confirmação dos pontos-chave dos relatos evangélicos pode ser encontrada em antigas crenças pré-Paulinas, as quais aparecem antes dos evangelhos ou epístolas serem escritas (a crença encontrada em 1 Coríntios 15, por exemplo, é comumente crida que ela apareceu dentro de uns poucos anos depois da morte de Cristo[2]), e nos escritos da Igreja antiga, tanto quanto em documentos seculares do primeiro e segundo séculos.

Curiosamente, Ehrman quase admite que o que importa não são os fatos da matéria, mas suas acusações pessoais (as quais são tão importantes que ele as faz na primeira e na última página do livro); que se a Bíblia foi realmente inspirada por Deus, então Deus teria preservado suas palavras originais perfeitamente através da história. Nenhum copista teria feito um simples erro ou uma simples mudança em qualquer ponto do tempo:

... por Deus inspirar a Bíblia então seu povo teria suas palavras reais; mas se ele realmente quis que as pessoas tivessem suas palavras reais, com certeza ele teria milagrosamente preservado aquelas palavras, tão somente como ele milagrosamente as inspirou em primeiro lugar. Dada a circunstância em que as palavras não foram preservadas, a conclusão parece inescapável para mim que ele não teve a preocupação de inspirá-las (p. 211).

Isto explica porque, na mente de Ehrman, as menores e mais secundárias discrepâncias tiraram do caminho a sua fé. Não que a evidência realmente aponte para os documentos do Novo Testamento como não confiáveis em transmitir verdade histórica, mas antes porque Deus não atingiu os padrões pessoais do próprio Ehrman.

Através da lente da ofensa

Esta, no seu núcleo, é a lente através da qual Ehrman visualiza sua pesquisa. Isto é claro, não somente em suas justificativas, mas em sua teologia. Muitas das afirmações de Ehrman de que as mudanças no texto são significativas à teologia cristã, realmente reflete o que parece ser uma compreensão superficial do texto.

Em outros lugares, seus problemas quase parecem manufaturados. Pegue o exemplo do aparente “erro” de Jesus quando Ele diz, em Marcos 4, que a semente da mostarda é “a menor de todas as sementes da terra”. Respondendo ao corpo do trabalho de harmonização destas passagens, Ehrman escreve, “Talvez eu não precise levantar uma explicação extravagante para como a semente da mostarda é a menor de todas as sementes quando eu sei muito bem que não é” (p. 10). Antes que conclua que Jesus proferiu uma asneira embaraçosa, não seria mais racional assumir que Jesus não estava fazendo uma declaração científica, mas antes estava a ferramenta comum do exagero para fazer um ponto importante – a comparação do tamanho da semente com a majestade da planta completamente desenvolvida? Para Ehrman ver isto como um erro antes do que como uma óbvia figura de linguagem sugere uma forte tendência através da qual ele interpreta o texto.

Esta tendência resplandece tanto através do restante do parágrafo quanto na lista de Ehrman, uma coleção de “contradições”, após cada uma das quais ele afirma que, antes de aceitar a harmonização, “talvez haja realmente uma diferença”. A resposta óbvia é “e talvez não haja”. Os exemplos que Ehrman dá são bem conhecidos dos estudiosos do Novo Testamento, e a maioria – se não todos – são facilmente harmonizados. Então nós ficamos com a solução fácil? Ou nós rejeitamos a solução mais intuitiva e focamos ao invés disto a menos intuitiva – que Jesus, que é comumente citado, mesmo por aqueles que não aceitam sua divindade, como o mais sábio homem que já viveu e que habitou em uma cultura de fazendeiros e agricultores, cometeu um erro grosseiro sobre o tamanho de uma semente comum?[3]

Por último, o que isto resume é a falta de respeito de Ehrman pela mensagem do Novo Testamento. Isto também é claro em suas incorreções nas citações bíblicas. Ocasionalmente, as referências bíblicas são rasteiramente incorretas. Em outros casos, se alguém ler a passagem a qual Ehrman está se referindo, ela nem sempre diz o que Ehrman afirma. Se Isto é um resultado de sua própria lambança ou resposta ao texto emocionalmente carregada, novamente ressalta uma questão acerca de sua objetividade.

O Cristianismo está baseado em qualquer coisa?

Com todas as coisas consideradas, há uma tremenda ironia aqui. Eu duvido que qualquer estudioso questionaria ele mesmo a discussão de Ehrman sobre os manuscritos. As alterações dos copistas são bem conhecidas, e que poucas “principais” modificações foram feitas ao texto são também bem conhecidas – mesmo para, ”hã, hum”, outros estudiosos do Novo Testamento – mas a despeito do propósito declarado do livro como uma introdução ao criticismo textual para leigos, é a conclusão que Ehrman formula que é a verdadeira mensagem do livro. Essas conclusões são altamente subjetivas, e é nas suas conclusões que muitos dos maiores estudiosos do Novo Testamento do mundo distinguem-se das visões dele.

A maior ironia é que Ehrman rejeitou sua fé no cristianismo bíblico no que ele vê como problemas irreconciliáveis com o texto; e, contudo, a fé cristã nunca foi baseada na perfeita preservação das traduções do Novo Testamento. É baseada no testemunho ocular do Cristo ressurreto, o qual é um dos eventos mais bem atestados na história antiga, com ou sem alterações dos copistas, e mesmo fora da Bíblia. Poderiam desaparecer todos os documentos do Novo Testamento, porém a historicidade do Cristo ressurreto, crucificado por nossos pecados e adorado pelos antigos cristãos como Deus, permaneceria intacta (veja The Historical Jesus, por Gary Habermas).

Uma ironia final é que, enquanto Ehrman pesquisou estes textos e rejeitou sua fé, muitos dos grandes intelectuais do nosso tempo têm olhado para as mesmas evidências e realmente fortalecido sua fé ou se tornam crentes pela primeira vez. Eu mesmo tomo algo muito diferente das evidências de Ehrman do que ele aponta, e eu realmente deleito-me com o livro e planejo adicioná-lo à minha biblioteca apologética apoiando a fé cristã – em grande parte, eu suspeito, para seu desapontamento.


Notas finais

[1] Na sua seção sobre os textos do Novo Testamento, Ehrman sumariza o trabalho por Daniel Whitby como concluindo que “o texto do Novo Testamento é seguro, apenas raramente qualquer variação citada por Mill (um oponente focado em variantes textuais) envolve um artigo de fé ou questão de conduta” (p. 86). Ehrman deixa sua contribuição incontestada, e poucas linhas mais tarde, acrescenta, “A defesa de Whitby pode bem ter definido o assunto”, exceto para a publicidade adicional que ele trouxe para as variações, perfazendo suas críticas. Ironicamente, o poder do argumento, neste ponto do livro, parece descansar com Whitby. Deste modo, na página 89, quando Ehrman coloca que o número de variações podia ser de 400000 ou mais, o leitor fica maravilhado com a relevância desta declaração. Se as variações não essenciais, como Ehrman admite, qual é o problema? Se há 30000 variações textuais ou 400000, o volume adicional não o faz mais pesado, apenas mais numeroso. Compondo o problema, quando Ehrman continua sua documentação dos avanços na prática da crítica textual, ele resume o trabalho de Johann Wettstein como segue: “Deste modo, leituras variantes podem afetar pontos secundários nas Escrituras, mas a mensagem básica permanece intacta sem problemas os quais alguém perceberia na leitura” (p. 112). Novamente, Ehrman deixa sua contribuição incontestada. Neste ponto, o leitor pode se admirar se Ehrman estava realmente argumentando pela confiabilidade dos textos. No fim das contas, Ehrman expõe que sua rejeição da autoridade deles não é baseada no que ele pode ver, mas no que não pode – e a importância que ele coloca em assuntos, segundo admite, teologicamente secundários e de pouca importância. Mas para o leitor perspicaz, a mensagem não escrita do livro é que, enquanto Ehrman ultimamente rejeita a autoridade dos textos do Novo Testamento baseados em assuntos secundários, ele claramente aceita a confiança deles em assuntos críticos e fundamentais do Cristianismo.

[2] Talvez as crenças dos mais antigos cristãos, 1 Co 15:3-8, seja o seguinte: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo”. Gary Habermas, um dos mais notáveis especialistas sobre as evidências do primeiro e segundo século que corroboram para os manuscritos do Novo Testamento, nota que numerosos teólogos datam esta crença de três a oito anos após a crucificação de Cristo. Para uma lista de teólogos, bem como uma variedade de outras crenças pré-Paulinas, veja The Historical Jesus, por Gar Habermas, p. 144-146,154.

[3] Exemplos adicionais podem ser encontrados na página 133, na discussão de Ehrman das variações de leitura de Marcos 1.41, nas quais Jesus é alternativamente dito estar irado com o leproso e compassivo com ele. A despeito da grande tempestade de areia que Ehrman tenta criar sobre esta passagem, eu fracasso em encontrar a relevância. A não ser as ofensas de Ehrman de que Deus não preservou o texto e permitiu leituras variantes em primeiro lugar, isto não é um assunto. Se Jesus estava irado ou compassivo, ambas as emoções são justificáveis. O mesmo se aplica para a detalhada discussão de Ehrman sobre se Jesus estava afligido ou tranqüilo no jardim Getsêmani em Lucas 22. Novamente, qualquer uma das emoções é justificável. Além do mais, não é possível que Jesus tivesse sentido ambas as emoções? Não obstante, é baseado nisto e numa coleção de outros assuntos sem importância que Ehrman ultimamente rejeitou sua fé.

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os apóstolos tiveram alucinações? 2

Explicando a Ressurreição de Jesus

O recente reavivamento da Teoria da Alucinação

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira
O artigo original pode ser lido aqui. Por Gary Habermas.

Abstract
Após mais de um século de virtual dormência, um número de hipóteses naturalistas alternativas em relação à ressurreição de Jesus têm aparecido em recentes publicações. Similar à situação ao fim do século XIX, alucinação e abordagens relacionadas são novamente as mais populares entre os críticos. Vamos examinar várias destas recentes formulações. Então, nós ofereceremos numerosas críticas, do assunto como um todo, bem como um par de assuntos abrangidos. Nós argumentaremos que estas alternativas argumentativas falham em explicar a historicidade das aparições da ressurreição de Jesus por uma multidão de razões, até mesmo quando julgadas por padrões criticamente aceitos.
Táticas naturalistas para explicar a ressurreição de Jesus têm presumidamente existido há tanto tempo quando o tempo desde que este evento se deu. Várias destas alternativas abordam o que está nos próprios evangelhos. Parece que os críticos, sabendo que na ressurreição reside o coração do Cristianismo, têm o escolhido especialmente para a discussão.
Nossa abordagem iniciará provendo algumas perspectivas históricas sobre o assunto, fazendo alguns comentários sintéticos com respeito ao apogeu das teorias naturalistas na teologia do século XIX. Foi em situação similar que, 100 anos atrás, a hipótese da alucinação foi também a mais popular posição crítica até que ela foi suplantada pelos estudiosos. Então, baseado na minha recente avaliação de mais de 500 publicações sobre o assunto da ressurreição de Jesus publicadas entre 1975 e hoje, nós documentaremos o crescimento da popularidade destas hipóteses atualmente, dirigidas pelos estudiosos durante as últimas duas décadas. Finalmente, nós apresentaremos uma multifacetada crítica destas posições, usando somente aqueles dados que podem ser apurados pelos meios críticos, assim sendo aceitas pela vasta maioria dos estudiosos[1].

Um retrospecto: abordagens naturalistas desde o século XIX

Publicações do fim dos séculos XVIII e XIX provêem os mais numerosos exemplos de teorias naturalistas acerca da Ressurreição de Jesus. No seu clássico volume documentando estudos do Jesus histórico durante este tempo, Alberto Schweitzer registra muitas destas abordagens. Por exemplo, uma tentativa antiga por Hermann Reimarus acusou que os discípulos de Jesus roubaram o seu corpo[2]. Friedrich Schleiermacher aprovou a Teoria do Desmaio, tomando a visão de que Jesus nunca morreu na cruz[3]. David Strauss popularizou a Teoria da Alucinação[4], e outros, tais como Ernest Renan, o seguiram[5]. Otto Pfleiderer e outros pensam que lendas podem explicar a maioria dos dados[6].
Um incrível enredo secundário é que muitos dos estudiosos liberais proveram refutações das hipóteses competitivas. Schleiermacher e Heinrich Paulus atacam várias teorias de visão[7]. Strauss é costumeiramente lembrado por ter quebrado a Tese do Desmaio com sua criteriosa análise[8], então poucos estudiosos apoiaram-na após sua crítica[9]. Até mesmo preferiram a tese da lenda, Pfleiderer até admitiu que não poderia explicar completamente os dados da Ressurreição de Jesus[10]!
Durante a maior parte do século XX, contudo, havia, comparativamente, pouco interesse nas teorias naturalistas contra a ressurreição de Jesus. Aqueles que rejeitavam a historicidade deste evento raramente fazem referências às formulações alternativas. Após mencionar uma extensa lista de teorias críticas, Raymond Brown indicou umas poucas décadas atrás: “o criticismo de hoje não segue os caminhos tomados pelo criticismo passado. Não mais respeitáveis são as teorias cruas... populares no século passado... estudiosos sérios prestam pouca atenção para estas reconstruções ficcionais” [11].
Esta calmaria em parte dos estudiosos críticos veio por mais de uma razão. Não é coincidência que interesse em muitas matérias acerca do Jesus histórico fraquejaram neste mesmo período. Mas perto do topo da lista teria de ser a falha das hipóteses naturalistas para explicar os dados conhecidos. Em outras palavras, a razão principal para rejeitar estas teses alternativas é que cada uma delas é refutada pelos fatos. Após averiguar algumas destas teorias, James D. G. Dunn conclui: “interpretações alternativas dos dados falham em prover uma explicação mais satisfatória” [12]. O filósofo Stephen Davis concorda com a crítica:
“... somos incapazes de exaltar uma história coerente e plausível que relate pelas evidências à mão. Todas as hipóteses alternativas com as quais eu estou familiarizado são historicamente fracas; algumas são tão fracas que desmoronam com seu próprio peso uma vez ditas... as teorias alternativas que tem sido propostas não são somente fracas, mas são muitíssimo fracas ao explicar as evidências históricas disponíveis...” [13]
Apesar destes desenvolvimentos, parece nos presentes dias ser uma limitada tendência rumo ao retorno a algumas formas destas teses envolvendo os cristãos mais antigos tendo alucinações ou outras experiências subjetivas.

O recente retorno da Hipótese da Alucinação

Em minha recente avaliação de centenas de publicações críticas acerca da ressurreição, tornou-se aparente que muitos estudiosos estão apoiando várias hipóteses naturalistas que foram os argumentos principais em recentes décadas. Este fenômeno não é devido a qualquer mudança na paisagem histórica. Antes, é como os antigos dizem - que aqui se faz aqui se paga – como se alguns estudiosos simplesmente pensassem que este é um tempo para mudança.
Desses que agora preferem explicações alucinógenas, contudo, somente uns poucos têm prosseguido nesta abordagem em detalhes. Nós examinaremos algumas destas tentativas, enquanto vários outros estudiosos simplesmente mencionam a possibilidade da, ou preferência pela, tese da alucinação[14].
Gerd Ludemann esteve, em publicações recentes, resenhando um argumento que é totalmente similar às tentativas do século XIX, assegurando que a explicação pode ser aplicada a todos os principais participantes da igreja antiga; os discípulos, Paulo, os 500, e Tiago, irmão de Jesus[15]. Ludemann sustenta que é claro na linguagem de Paulo que o termo ophthe em 1 Coríntios 15.3ss significa que ele estava falando da visão verdadeira, “de sua própria percepção sensorial...” tanto quanto as dos outros apóstolos. Então Paulo “deve ter esperado que os Coríntios entendessem o termo historicamente” [16]. Ludemann conclui que visões alucinógenas são necessárias, juntamente com “características de público ouvinte” que produzem um “estímulo”, “entusiasmo”, “intoxicação religiosa” e “êxtase” para Pedro. Esta se propagou para os outros discípulos por “uma incomparável reação em cadeia”. Paulo, os outros apóstolos, os 500, e Tiago todos experimentaram similarmente estas visões subjetivas. As aparições foram coletivas, atingindo um “êxtase em massa” [17].
Apesar de sua abordagem ser totalmente diferente em alguns pontos, Jack Kent também pensa que alucinações explicam as afirmações dos discípulos, Paulo e Tiago[18]. Kent combina duas teorias naturalistas para explicar a aparente ressurreição de Jesus. Os discípulos e as mulheres experimentaram “alucinações normais relacionadas à tristeza”. Paulo, de outra forma, experimentou conflito e turbulência íntimos pela participação na morte de Estevão e pela sua perseguição de cristãos. Como resultado, ele foi submetido a uma “desordem de conversão”, uma reconhecida enfermidade psíquica que é relatada na sua conversão no caminho para Damasco, incluindo queda e cegueira, em particular[19]. Diferentemente de Ludemann, Kent desejou evitar alucinações coletivas[20].
Concordando com Kent, Michael Goulder aplica uma explicação relacionada às experiências de Paulo, Pedro, e alguns dos outros[21]. Goulder pensa que Pedro e Paulo experimentaram o que ele chama de “visões de conversão”, alucinações de vários tipos que são produzidas em tempos de grande stress, culpa e insegurança. O resultado para estes apóstolos, um dos quais havia negado seu Senhor e outro que tinha perseguido cristãos, era uma nova orientação para a vida – uma transformação que direcionava a “subseqüente heroísmo e martírio” [22].
Outra abordagem que eu tenho apelidado de Teoria de Iluminação deveria, talvez, ser mencionada brevemente. Vários estudiosos recentes preferem uma estratégia que, enquanto se parece com a tese da alucinação, não é completamente igual. Em geral, a idéia é que Pedro foi o primeiro que teve algum tipo de experiência subjetiva ou crença que Jesus estava vivo. Isto foi mais tarde comunicado de alguma forma para os outros seguidores de Jesus, que concluíram que Jesus havia ressuscitado. Eles sustentaram que nós não podíamos agora falar sobre a natureza histórica deste incidente. É a fé destes crentes antigos que é de maior importância aqui, não a natureza das experiências[23]. É freqüentemente observado que estas experiências não foram alucinações[24], mas muitos dos nossos críticos ainda aplicam esta tese.

Uma crítica da Hipótese da Alucinação

Enquanto a recente onda de teses da alucinação revela algumas diferenças, há muitas similaridades. Nós não precisamos pesar a hipótese como um todo. Mas nós iniciaremos avaliando dois lados importantes do assunto: a possibilidade de alucinações em grupo e a tese de desordem de conversão proposta por Kent e Goulder.

Alucinações coletivas

Um dos tópicos principais nesta discussão concerne se um grupo de pessoas pode ser testemunha da mesma alucinação. A maioria dos psicólogos discute a realidade de tais ocorrências, como colocadas abaixo. Uma rara tentativa sugestionando que alucinações coletivas são possíveis, sem nenhuma aplicação à ressurreição de Jesus, é feita por Leonardo Zusne e Warren Jones. Eles afirmaram para fenômeno tal como afirmadas aparições da virgem Maria e outros relatos participantes do grupo de pessoas. Em casos como estes, “expectativa” e “excitação emocional” são “pré-requisitos para alucinações coletivas”. Em tais grupos, nós vemos o “contágio emocional que tão freqüentemente toma lugar em multidões tomadas por emoções fortes...” [25]
Mas apoiar as alucinações coletivas é altamente problemático, e em várias áreas.
(1) Para começar, os exemplos principais de “alucinações coletivas” providas por Zusne e Jones foram experiências de grupos religiosos, tais como as aparições marianas. Mas estas citações simplesmente desviam a questão em relação se tais experiências podiam possivelmente ser objetivas, ou até mesmo sobrenaturais, pelo menos em algum sentido. Em outras palavras, porque deveria uma explicação naturalista e subjetiva ser aceita?[26] Isto parece excluí-las de uma maneira prioritária, antes dos dados serem considerados.
(2) Além disto, a tese da alucinação coletiva é infalsificável. Ela poderia ser aplicada a visões grupais puramente naturais, simplesmente chamando-as de alucinações grupais também. Nesta tese, o critério epistêmico crucial parece estar faltando. Como nós determinamos ocorrências normais dentro de alucinações grupais?
(3) Mesmo se pudéssemos estabelecer que grupos de pessoas testemunharam alucinações, é crítico notar que não decorre que todas estas experiências são, conseqüentemente, coletivas. Se, como a maior parte dos psicólogos afirma, alucinações são privadas, são eventos individuais, então como grupos poderiam compartilhar a mesma percepção visual subjetiva? Antes, é muito mais provável que o fenômeno em questão são também ilusões – erros de interpretação na percepção da verdadeira realidade[27] – ou alucinações individuais.
Além do mais, a maior sucessão de problemas resulta da comparação desta tese com os relatos das aparições de Jesus após a ressurreição. E aqui, o poder de explicação desta hipótese é severamente desafiada, uma vez que a maior parte dos dados não somente se diferem, mas realmente contradizem, as condições necessárias para as “alucinações coletivas”. Um destes itens será mencionado aqui, com os outros seguindo abaixo.
(4) Por exemplo, Zusne e Jones argumentam que “expectativa” e “excitação emocional” são pré-requisitos para que tais ocorrências grupais aconteçam. De fato, a expectativa “coordena este papel” [28]. Mas este cenário contradiz o estado emocional das antigas testemunhas da ressurreição de Jesus. Até mesmo psicologicamente, os crentes antigos foram confrontados face-a-face com o completo realismo da recente e inesperada morte do seu melhor amigo, de quem eles tinham esperança de resgatar Israel. Como aqueles recentes eventos desdobraram-se em uma tempestade de castigos físicos em Jesus, crucificação e aparente abandono, a resposta normal seria medo, desilusão e depressão. Supor que estes crentes exibiriam “expectativa” e “excitação emocional” em face destas rigorosas circunstâncias requereria deles respostas que seriam incomuns em um funeral! Todas as indicações são que os discípulos de Jesus exibiram emoções muito opostas do que Zusne e Jones propagaram como requerimentos necessários.
Por comparação, a experiência dos discípulos é totalmente diferente daquelas em outros casos onde peregrinos viajaram expressamente longas distâncias, multidões exuberantes com o explícito desejo de ver algo especial. Aí parece ser terreno escasso de comparação com os discípulos de Jesus[29].
Muitos outros problemas cruciais podem “contaminar” a tese da alucinação em grupo, e nós prosseguiremos em várias delas mais abaixo. Mas, por enquanto, nós repetiremos que Zusne e Jones nunca tentaram aplicar sua abordagem à ressurreição de Jesus. Antes, eles preferiram nivelar incrivelmente suas investigações com a admissão de que alucinações em grupo têm um “status incerto” porque não é possível apurar se estes indivíduos tiveram realmente alucinações![30]

Desordem de conversão

Kent sugeriu que Paulo experimentou uma desordem de conversão, uma condição psicológica caracterizada por sintomas físicos tais como cegueira e paralisia na ausência de causas médicas ou psicológicas específicas. Tais foram adquiridas por turbulência interna, conflito, dúvida e culpa. Goulder concorda sobre Paulo, mas adiciona que Pedro e outros, talvez Tiago, também sofreram do mesmo problema.
Mas, novamente, nós devemos alinhar nossas hipóteses com os fatos, e multiplicar problemas opostos a esta interpretação, da mesma forma.
(1) Inicialmente, somente Paulo é conhecido como tendo manifestado estes sintomas, então a inclusão de Goulder dos outros não tem fundamento.
(2) Simplesmente, um gigantesco problema é que, do que nós sabemos sobre Paulo, e Tiago em particular, não havia nenhuma área mitigante para supor tal desordem. Nós não temos nenhuma indicação que houve o mais insignificante conflito interno, dúvida ou culpa relativa à prévia rejeição deles aos ensinamentos de Jesus. Críticos concordam que Tiago era descrente durante o ministério terreno de Jesus (Jo 7.5; cf. Mc 3.21). O ceticismo de Paulo é ainda melhor conhecido, uma vez que ele perseguia os cristãos antigos (1 Co 15.9; Gl 1.13,23). Mas nós não sabemos de qualquer culpa da parte de Paulo, por ele considerar suas ações zelosas e irrepreensíveis (Fp 3.4-6). Resumindo, não há nenhuma indicação de qualquer desejo de conversão por nenhum destes homens. Supor outra coisa é um despropósito sem fundamentos. Em resumo, estes homens são pobres candidatos para esta desordem.
(3) Além disto, o perfil psicológico fortemente opõem uma aplicação para qualquer destes três apóstolos. Desordem da conversão mais freqüentemente ocorre com mulheres (cerca de 5 vezes mais freqüente), adolescentes e jovens, pessoas menos instruídas, aquelas com QI baixo, status socioeconômico baixo, ou combatentes[31]. Não há uma única característica que possa ser aplicada a Pedro, Paulo ou Tiago.
(4-5) Além disto, sustentar que vítimas da desordem de conversão são fortes candidatas a ter alucinações visuais e auditivas é aumentar o caso um pouquinho. Estas são características incomuns[32]. Não somente são estes apóstolos pobres candidatos para a desordem em primeiro lugar, mas estão bem longe desta doença, eles foram adicionalmente não predispostos a experimentar alucinações. E aqui nós temos duas críticas separadas, devido aos conjuntos de circunstâncias muito diferentes. Não há indicação de que ambos, Tiago e Paulo, em particular, ansiaram ver Jesus. Sua descrença é uma base pobre para produzir alucinações! Tiago, o cético, e Paulo, o perseguidor, são excepcionalmente obstinados obstáculos para a tese da alucinação! Mais uma vez, dizer outra coisa é mera conjectura à parte dos dados históricos.
(6) Nenhuma destas hipóteses relata o que seria de outra forma considerada uma desilusão majestosa – neste caso da crença dos apóstolos que Deus teria comunicado a eles uma mensagem para o mundo inteiro que os outros devem aceitar. Mas isto é diferente de que há outras desilusões envolvidas aqui, até mesmo ocorrendo precisamente no mesmo tempo, então o caso é mais enfraquecido.
Resumindo, afirmar que estes apóstolos foram vítimas de desordem de conversão simplesmente não condiz com os fatos. É claramente uma super-confiança na hipótese a despeito dos dados, uma teoria não ancorada na realidade. Fazer todos os fatores necessários convergir simultaneamente é altamente improvável. E, semelhantemente, a acusação de alucinação em massa falha se desgasta silenciando outras dificuldades.

Problemas adicionais

Muitos outros tópicos sobraram acerca da hipótese da alucinação.
(1) Certamente alucinações individuais são questionáveis por quaisquer crentes que experimentaram desespero na inesperada morte de Jesus apenas horas antes. Suas esperanças e sonhos foram subitamente destruídos. Extrema aflição, e não exuberância, seria a resposta normal.
(2) A ampla variedade de tempos e lugares onde Jesus apareceu, juntamente com as diferentes vivências das testemunhas, é simplesmente um imenso obstáculo. Homens e mulheres, durões e emotivos igualmente, todos creram que eles viram Jesus, dentro e fora de lugares, por si mesmo providenciaria uma insuperável barreira para as alucinações. As desigualdades para que cada pessoa represente meticulosamente o adequado quadro mental para experimentar uma alucinação, até mesmo individualmente, decai exponencialmente[33].
(3) Geralmente, alucinações não transformam vidas. Estudos tem mostrado que mesmo aqueles que tem alucinações freqüentes (ou talvez costumeiramente) não admitem as experiências quando outras pessoas presentes não vêem a mesma coisa[34]. Críticos reconhecem que os discípulos de Jesus foram transformados mesmo ao ponto de estar totalmente disposto a morrer por sua fé. Nenhum texto antigo reporta que qualquer um deles se retratou. Acreditar que esta qualidade de convicção vem completar falsas percepções sensoriais sem ninguém rejeitá-la mais tarde é altamente problemática.
(4) Naturalmente, se as aparições foram alucinações, então o corpo de Jesus deveria estar localizado seguro na sepultura fora da cidade de Jerusalém! Que o corpo indubitavelmente seria uma enorme negação para as tentativas dos discípulos pregarem que Jesus tinha ressuscitado! Mas alucinações não se encaixam aqui, então outra tese naturalista é necessária.
Ainda outros itens impedem a hipótese da alucinação. Embora estes não sejam talvez tão fortes, eles ainda contam: (5) Porque as alucinações pararam após 40 dias? Porque elas não continuaram atingindo outros crentes, como os outros tinham sido? (6) A ressurreição foi o ensino central dos discípulos, e nós costumeiramente tomamos cuidado extra com o que está mais próximo dos nossos corações. Isto é o que dirigiu Paulo a checar a natureza dos dados do evangelho com outros discípulos chave em pelo menos duas ocasiões, para ter certeza que ele estava pregando a verdade (Gl 1.18-19; 2.1-10). Ele achou que eles estavam também falando das aparições de Jesus para eles (1 Co 15.11). (7) O que falar sobre a tendência natural do homem em tocar? Ninguém iria mesmo descobrir, nem mesmo uma única vez, que seu melhor amigo, parecia estar ali de pé a uns passos, mas não estava realmente lá?
(8) A ressurreição de um indivíduo contradiz a teologia geral judaica, a qual sustenta um evento corporativo ao final dos tempos. Então a ressurreição de Jesus não preencheu as expectativas dos judeus.
(9) Por último, alucinações do tipo prolongado requeridas por esta teoria naturalista são absolutamente raros fenômenos, sobretudo ocorrendo em certas circunstâncias que militam contra os discípulos de Jesus serem os recipientes[35].

Conclusão

Após um hiato centenário, parece que recentemente temos observado uma limitada tendência em direção à reformulação das abordagens naturalistas da ressurreição de Jesus. A alucinação e hipóteses relacionadas são novamente as mais populares, como elas foram ao final do último século. Mas nós argumentamos que estas estratégias falham em explicar os dados conhecidos e reconhecidos pela crítica em várias frentes. Por cerca de 20 razões, nós concluímos que elas fracassam em suas tentativas de prover uma alternativa para a proclamação do Novo Testamento. O psicólogo clínico Gary Collins enumera alguns destes itens aqui:
Alucinações são ocorrências individuais. Por sua própria natureza somente uma pessoa pode ver uma dada alucinação por vez. Elas certamente não são algo que podem ser vistas por um grupo de pessoas... Uma vez que alucinações existem somente num sentido pessoal e subjetivo, é óbvio que outras pessoas não podem testemunhá-las[36].
De fato, os problemas com esta tese são tão sérios que estes críticos “teriam de ir contra a maioria dos dados psicológicos e psiquiátricos mais recentes sobre a natureza das alucinações” [37]. Isto parece colocar estas abordagens em desacordo com o conhecimento científico atual sobre o assunto. Nós concluímos que aplicar a tese da alucinação e assuntos correlatos às aparições da ressurreição de Jesus está seriamente errado, através de várias disciplinas, em muitos pontos.

Notas finais

[1] Isto é o que eu chamo de Método dos Fatos Mínimos, o qual argumenta dirigidamente dos dados que tem a dupla característica de ser individual e multiplicadamente atestada em forte terreno evidencial, por esta razão é aceita por quase todos os estudiosos que pesquisaram este assunto. Para um esboço deste método, veja Gary Habermas, “Evidential Apologetics”, em Five Views on Apologetics, Steven Cowan, Ed. (Grand Rapids: Zondervan, 2000), 99-120, 186-190.
[2] Albert Schweitzer, The Quest of the Historical Jesus: A Critical Study of Its Progress from Reimarus to Wrede, W. Montgomery, trans. (New York: Macmillan, 1906, 1968), 21-22; outros exemplos são encontrados nas páginas 21-22, 43, 47, 53-55, 60, 83, 162-167, 170, 187, 210-214.
[3] Schweitzer, p. 64; cf. Friedrich Schleiermacher, The Christian Faith, H.R. Mackintosh and J. S. Stewart, trans. (New York: Harper and Row, 1963), 417-421.
[4] David Strauss, A New Life of Jesus, no trans., Segunda Edição, Dois vols. (Edinburgh: Williams and Norgate, 1879), vol. I, 412-440.
[5] Ernest Renan, Vie de Jesus (Paris: Calmann-Levy, 1861), 355-356.
[6] Otto Pfleiderer, Early Christian Conception of Christ: Its Significance and Value in the History of Religion (London: Williams and Norgate, 1905), Chapter IV.
[7] Schleiermacher, 420; Schweitzer, 53-55.
[8] Strauss, 408-412.
[9] As listas de Schweitzer não convenceram os proponentes da teoria do desmaio após 1838, três anos após a publicação inicial da crítica de Strauss.
[10] Pfleiderer, 157-158.
[11] Raymond Brown, "The Resurrection and Biblical Criticism," Commonweal, Vol. 87; No. 8 (Nov. 24, 1967), 233.
[12] James Dunn, The Evidence for Jesus (Louisville: Westminster, 1985), 76.
[13] Stephen Davis, "Is Belief in the Resurrection Rational?: A Response to Michael Martin," Philo, Vol. 2; No. 1 (Spring-Summer, 1999), 57-58.
[14] Alguns destes são Dan Cohn-Sherbok, "The Resurrection of Jesus: A Jewish View" in Resurrection Reconsidered, Gavin D'Costa, ed. (Oxford: Oneworld, 1996), 197; John Barclay, "The Resurrection in Contemporary New Testament Scholarship," in D'Costa, 25-26; Michael Grant, Saint Paul: The Man (Glasgow: William Collins Sons, 1976), 108; M. Lloyd Davies and T.A. Lloyd Davies, "Resurrection or Resuscitation?" Journal of the Royal College of Physicians of London, Vol. 25; No. 2 (April 1991), 168; Antony Flew, in Gary R. Habermas and Antony Flew, Did Jesus Rise from the Dead? The Resurrection Debate, Terry Miethe, ed. (San Francisco: Harper and Row, 1987), 50-59; John Hick, The Center of Christianity (San Francisco: Harper and Row, 1978), 25. Apesar de Peter Carnley pensar que a Ressurreição de Jesus realmente aconteceu, ele pontua que a suposição da visão subjetiva é muito difícil de negar (The Structure of Resurrection Belief [Oxford: Clarendon, 1987], 64, 244-245; cf. 69-72, 79, 82).
[15] Os trabalhos mais bem conhecidos de Gerd Ludemann são: The Resurrection of Jesus: History, Experience, Theology, John Bowden, trans. (Minneapolis: Fortress, 1994); uma rendição mais popular foi escrita em colaboração com Alf Ozen, What Really Happened to Jesus: A Historical Approach to the Resurrection, John Bowden, trans. (Louisville: Westminster John Knox, 1995).
[16] Ludemann, The Resurrection of Jesus, 50, 37; cf. What Really Happened to Jesus, 103.
[17] Ludemann, The Resurrection of Jesus, 106-107, 174-175.
[18] Jack Kent, The Psychological Origins of the Resurrection Myth (London: Open Gate, 1999).
[19] Kent, 6-11, 49-61, 85-90.
[20] Ibid., 89-90.
[21] Michael Goulder, "The Baseless Fabric of a Vision," 48-61; uma versão resumida foi publicada como parte de uma debate com James Dunn em Resurrection, G. N. Stanton and S. Barton, eds. (London: SPCK, 1994), 58-68.
[22] Goulder, "The Baseless Fabric of a Vision," 48-52. Casualmente, Goulder argumentou que os discípulos, especialmente considerando as aparições em grupo, experimentaram “desilusões coletivas”. Estas são significantemente diferentes das alucinações subjetivas a que eles se referiam aos equívocos com objetos físicos e reais (52-55).
[23] Visões similares são dadas por: Willi Marxsen, Jesus and Easter: Did God Raise the Historical Jesus from the Dead? (Nashville: Abingdon, 1990), 65-74; Willi Marxsen, The Resurrection of Jesus of Nazareth, Margaret Kohl, trans. (Philadelphia: Fortress, 1968), esp. Chapters III-IV; Don Cupitt, Christ and the Hiddenness of God (Philadelphia: Westminster, 1971), 143, 165-167; Thomas Sheehan, The First Coming: How the Kingdom of God became Christianity (New York: Random House, 1986), 95-118; John Shelby Spong, Resurrection: Myth or Reality? (San Francisco: Harper San Francisco, 1994), 255-260; John Shelby Spong, The Easter Moment (San Francisco: Harper and Row, 1987), esp. 39-68.
[24] Spong, The Easter Moment, 196; Sheehan, 262-263, nota final 38; cf. Marxsen, Jesus and Easter, 71-74.
[25] Leonard Zusne and Warren Jones, Anomalistic Psychology: A Study of Extraordinary Phenomena of Behavior and Experience (Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1982), 135–136.
[26] Para um número de observações críticas e respostas a tais fenômenos, veja Elliot Miller e Kenneth Samples, The Cult of the Virgin Mary: Catholic Mariology and the Apparitions of Mary (Grand Rapids: Baker, 1992), esp. Capítulos 11-14 e Apêndice A.
[27] Aqui Zusne e Jones repetidamente se referem às alucinações coletivas, ainda que eles concluam de modo oposto, que estes grupos podem ter visto um fenômeno real. Então, a “resposta final para estas questões não foi obtida ainda” (135-136)!
[28] Ibid., 135.
[29] A réplica poderia ser feita talvez com uns poucos indivíduos alucinados individualmente, por meio da indução da excitação em outros, preparando-os para as alucinações. Da nossa crítica abaixo, uma resposta multifacetada pode ser elaborada. Eu sugeriria especialmente as críticas 4 e 5 na próxima seção em relação aos casos de Paulo e Tiago, os quais seriam altamente problemáticos para esta visão por causa do ceticismo inicial em conversão posterior destes apóstolos, acrescentando (com suas variações) as críticas de 2 a 8 na seção “Problemas adicionais”.
[30] Ibid., 136; cf. 134–135. Para explicações mais exatas contra as alucinações em grupo, veja Phillip Wiebe, Visions of Jesus: Direct Encounters from the New Testament to Today (New York: Oxford, 1997), 210; J.P. Brady, "The Veridicality of Hypnotic, Visual Hallucinations," in Origins and Mechanisms of Hallucinations, Wolfram Keup, ed. (New York: Plenum, 1970), 181; Weston La Barre, "Anthropological Perspectives on Hallucinations and Hallucinogens," in R. K. Siegel and L. J. West, eds., Hallucinations: Behavior, Experience and Theory (New York: John Wiley and Sons, 1975), 9–10.
[31] Harold Kaplan, Benjamin Sadock, e Jack Grebb, Synopsis of Psychiatry, Seventh ed. (Baltimore: Williams and Wilkins, 1994), 621.
[32] Cf. Ibid., 621-622. Eu também agradeço à clínica psicológica Gary Sibcy, Ph.D., pelas últimas duas respostas.
[33] S. J. Segal, "Imagery and Reality: Can they be Distinguished?" in Keup, 103-113. Mesmo se as pessoas ficassem alucinadas em grupos, Zusne e Jones também notam que nem todos teriam estas experiências (135).
[34] Segal, 103; unpublished study of hallucinations by Shea Lambert, "Hallucinations and the Post Death Appearances of Jesus," 20 September, 2000, 2-5, 8-9.
[35] Para mais detalhes, veja Wiebe, 199-200, 207-211. Repetindo nosso ponto inicial, muitas das objeções através desta seção pode ser aplicada também ao que eu tenho chamado de Teoria da Iluminação.
[36] Gary Collins, em conversa pessoal, 21 de Fevereiro de 1977.
[37] Ibid.
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