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sábado, 17 de novembro de 2007

O Dilúvio foi local ou global? 13



O Dilúvio foi local ou global?

Por Hugh Ross, Ph.D.

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

O texto original pode ser acessado aqui.

Talvez o aspecto mais controverso do Dilúvio de Gênesis seja a sua extensão geográfica. Parte da base para a controvérsia é que Gênesis só trata secundariamente a geofísica, a geologia e geografia do Dilúvio. Sua mensagem principal é que Deus foi compelido a limpar a Terra da maldade do homem. A mensagem do julgamento de Deus contra o mal excessivo é muito claramente declarada e compreendida em qualquer tradução. Contudo, para compreender os detalhes geológicos relativos ao Dilúvio, é útil, talvez neste caso essencial, ler o texto de Gênesis no hebraico original, e mesmo assim o texto nem sempre é tão específico quanto alguém poderia gostar.

Uma boa regra de interpretação Bíblica é analisar o que é menos específico na luz do que é mais específico. Como eu mencionei na parte sete desta série, a Bíblia é muito específica sobre a extensão da corrupção do pecado do homem e sobre a resposta de Deus. A corrupção é limitada aos pecadores, a sua descendência por várias gerações, pássaros e mamíferos que fazem parte do seu sustento, os seus bens materiais e a sua terra agrícola. Em nenhuma parte da Bíblia nós vemos Deus aplicando julgamento além desses limites. Conseqüentemente, nós podemos esperar que se o ser humano nunca tivesse visitado a Antártica, Deus não teria atingido aquele território. A extensão do Dilúvio de Gênesis seria limitada à extensão da corrupção do pecado do homem. Esta interpretação é apoiada pela escolha do autor de Gênesis das palavras hebraicas para as criaturas destruídas pelo Dilúvio, isto é, basar e nephesh. Adiante, a parte sete dará mais detalhes.

Em Gênesis 7:4-12 somos informados que o Dilúvio surgiu da troposfera da terra e de lençóis de água subterrâneos (não de algum lugar desconhecido no espaço exterior). Estes recursos de água são consideráveis, seguramente, mas é pouco pelo que o versículo 19 parece requerer. De acordo com Gênesis 7:19, " E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos." A tradução parece insinuar que o Mt. Everest foi submergido pelas águas do Dilúvio. A palavra hebraica para "alto", contudo, simplesmente significa “elevado" e "monte" significa qualquer coisa de "uma pequena montanha pequena" até "um cume muito alto." O verbo hebraico para "coberto" permite três alternativas: (1) inundado, (2) choveu em ou (3) arrastar por uma torrente de água. Em quaisquer destes casos, 15 cúbitos (cerca de 7,5m) de água por inundação, 15 cúbitos de chuva súbita, ou uma torrente de 15 cúbitos de água, não haveria nenhum sobrevivente humano ou animal.

Gênesis 8 nos dá a prova mais significativa para um universal (com respeito ao homem, seus animais e terras), mas não global, Dilúvio. Os quatro verbos hebraicos diferentes usados em Gênesis 8:1-8 descrevendo o retrocesso das águas do Dilúvio indicam que estas águas voltaram às suas fontes originais. Em outras palavras, as águas do Dilúvio ainda se encontram dentro dos lençóis de água subterrâneos, troposfera e oceanos do planeta Terra. Como o conteúdo total de água da Terra é só 22 % do que seria necessário para um Dilúvio global, aparentemente o Dilúvio de Gênesis não poderia ter sido global.

O argumento que eu mais freqüentemente ouço contra esta conclusão é que antes da Dilúvio não havia nenhuma montanha alta ou oceanos fundos. O relevo atual da superfície da Terra foi gerado por um período de só alguns meses. Eu vejo vários problemas principais com tal uma sugestão:

1. contradiz um corpo vasto de dados geológicos;

2. contradiz um corpo vasto de dados geofísicos, ao mesmo tempo requerendo tais efeitos cataclísmicos tornariam a sobrevivência de Noé em uma arca altamente improvável;

3. negligencia as dificuldades geofísicas de um planeta com uma superfície lisa; e

4. contradiz nossas observações da tectônica. Os mecanismos que dirigem os movimentos das placas tectônicas têm constantes de tempo extremamente longas, tão longas que os efeitos de tal catástrofe seriam facilmente mensuráveis hoje em dia. Considerando que eles não são, eu concluo que o Dilúvio não pode ser global.

Quanto à referência "debaixo de todo o céu", tal expressão deve ser entendida sempre no contexto deles. O que constituiria “debaixo de todo o céu” para as pessoas do tempo de Noé? A extensão da sua visão da região inteira na qual eles existiram ou operaram. Talvez um versículo do Novo Testamento esclareça meu ponto. Em Romanos 1:8, o Apóstolo Paulo declara que a fé dos cristãos em Roma “estava sendo anunciada no mundo inteiro”. Uma vez que "no mundo inteiro" para os romanos significava o Império Romano inteiro (e não o globo inteiro), nós não interpretaríamos as palavras de Paulo como uma indicação que o Esquimós e os Incas estavam familiarizados naquele momento com as atividades da igreja em Roma.

Favorecendo apoio para um regional, em lugar de global, cataclismo, vem a razão do mandamento de Deus a Noé antes do Dilúvio, o mesmo mandamento que Ele havia dado a Adão e depois havia dado às pessoas que construíram a torre de Babel: "Encha a terra." O fato de Deus repetir este mandamento a Noé (e intervir dramaticamente para dispersar as pessoas do dia de Babel) insinua que as pessoas da geração de Noé não haviam enchido a terra. Esta visão é consistente com os nomes geográficos de lugar registrados nos primeiros nove capítulos de Gênesis. Todos eles ou recorrem a localidades dentro ou muito perto da Mesopotâmia.

O que os dados geológicos nos falam sobre inundações volumosas na história da Terra? As evidências nos mostram que o único lugar no mundo onde uma inundação volumosa ocorreu desde o surgimento do homem moderno é a região da Mesopotâmia.

O relato de Gênesis acerca do grande Dilúvio não é um embaraço para o cristão. Nós não somos postos em uma contradição entre os fatos estabelecidos da ciência e as palavras da Bíblia. Antes, nós temos mais um conjunto de provas objetivas que a Bíblia realmente é inerrante, não apenas em questões de fé e pratica, mas em todas as disciplinas inclusive geologia e história.

Tudo isso aponta para um Dilúvio regional, significando que o Dilúvio de Gênesis não foi universal? Não. Deixe-me reiterar: o Dilúvio de Gênesis certamente foi universal; nisso destruiu-se todo o gênero humano e os animais associados com o sustento deles, excluindo-se esses a bordo da arca de Noé. Só no século XX "universal" tem sido sinônimo de "global". Cidadãos globais, corporações globais e guerras globais são sem igual a este século.



comment 13 comentário(s):

André L. Soares on 20 de novembro de 2007 11:22 disse...

Leandro Teixeira


Boa tarde!


Face a importância dos temas sociais tratados em seu blog, bem como pela qualidade com que tais abordagens são escritas, fiz a você uma pequena homenagem, que pode ser vista na postagem de hoje, em meu blog [ http://poemasdeandreluis.blogspot.com/2007/11/conselho.html ].

Sinceramente, espero que goste. Grande abraço!


André L. Soares
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M.A disse...

Sr. Leandro: Quantum Physic applied to Mind Power - Part 1 of 10, para voce ver no you tube se quiser saber um pouco mais do segredo; mas de uma forma absolutamente técnica, aquilo que muitos não entenderiam se fosse documentado assim no filme. Mas apesar de tudo creio que assim voce vai ampliar um pouco mais o seu consenso em relação à matéria. Boa sorte.

M.A. disse...

"Bob Proctor says about sucess" e por fim "Peace from the Quantum Level", visto que voce procura a sua verdade isto ajuda um pouquinho. Visto que voce é uma entidade que procura e absorve tudo que lhe vai parar a mão, lendo ou vendo, para ampliar os seus conhecimentos. A fisica é algo que esta a aproximar o "Nós" da verdade. Fico por aqui. Um abraço.

Anônimo disse...

Parabéns meu amigo!! Mas da próxima vez tente fazer uma pesquisa em vez de simplesmente copiar o texto de um site - (http://www.apologia.com.br/?p=47 -

Faça o seu prórpio texto.

Leandro Teixeira disse...

Caro Anônimo.

Conheço bem o site Apologia. Tanto é o meu conhecimento dele que eu mesmo colaboro com o fornecimento de traduções para o mesmo. Perceba, no começo do texto do link que você postou, o meu nome, Leandro Teixeira. Aliás, faço parte da comunidade do orkut Tradutores em Defesa da Fé, que reúne pessoas interessadas em traduzir textos de apologistas famosos para o português. Tais traduções são disponibilizadas no site Apologia e, quando eu faço a tradução, no meu próprio blog, que foi o que aconteceu. Aliás, veja na página inicial do próprio site Apologia um link para o meu blog.
Quase todos os textos deste blog são de minha autoria. Os que não são eu deixo explicitamente indicada a sua fonte.

Daniel Deywes disse...

OI,

ALgumas questões importantes.

É fato que em praticamente toda mitologia, inclusive mitologia Maia, cito tambem a grega e babilonica existe o mito do diluvio ou algo muito semelhante. Cabe a cada um fazer uma pesquisa e comprovar. Isso mostra a realidade que o diluvio atingiu toda a raça humana.

Um outro fator que eu entendo que deve ser levado em conta são as grandes geleiras que o planeta tem. Trasnformando isso em água é um volume alto a se considerar.

abraço

Leandro Teixeira disse...

Olá Daniel!

É verdade. Muitos povos têm em sua mitologia a história de uma grande inundação. Resta saber se foram eles que viveram durante este tempo num lugar diferente do que aconteceu o dilúvio ou tiveram um ancestral comum que esteve contou esta história para eles.

Quanto à água das geleiras, não é muita água. Apenas 2% da água do planeta está em forma de gelo nos pólos. Não há água suficiente para cobrir "todos os montes".

Se o dilúvio fosse global, deveríamos ter mais evidências geológicas e arqueológicas dele. Até agora, não há quase nada que indique tal fato.

Em Cristo,

Leandro.

Daniel Deywes on 8 de julho de 2008 07:46 disse...

Leandro, mais uma dúvida...

Eu li em algum lugar (sinceramente não me lembro) que existem fossis de conchas e outros animais maritmos nos altos da Cordilheira dos Andes. Você sabe algo sobre isso?

abraço

PS. Se puder mandar um email dizendo q vc responde seria bom...

fideweb@hotmail.com

Leandro Teixeira disse...

Olá, Daniel!

É verdade, foram descobertos fósseis de animais marinhos nos Andes. Mas eles provavelmente não advém de um dilúvio global, como alguns defendem.

Já ouviu falar da Deriva Continental?

Deixe eu explicar melhor, pois o assunto é um pouco extenso.

A crosta terreste não é um bloco único. São diversas placas que ficam flutuando em cima do magma incandescente, como se fossem balsas. Estas placas, chamadas tectônicas, movem-se mais ou menos 1 cm por ano, indo de encontro ou afastando-se umas das outras.

A mais ou menos 60 milhões de anos, na época dos dinossauros, os continentes como conhecemos hoje eram uma coisa só, chamada de pangéia. A partir desta época, os continentes começaram se separar. Você pode perceber que o contorno da América do Sul encaixa no contorno do continente africano.

Acontece que a placa da América chocou-se com uma placa submersa do Oceano Pacífico. Este choque fez com que uma delas se sobrepusesse sobre a outra. Esta sobreposição foi se tornando mais evidente, formando um "elevado", que, junto com os diversos vulções que surgiram no espaço entre as duas placas, formaram a Cordilheira dos Andes. Verifique que a cordilheira alinha-se com o contorno do lado esquerdo do continente americano.

Os fósseis marinhos encontrados ali decorrem deste fato: do encontro de duas placas que antes eram separadas pelo mar. Boa parte da formação rochosa da Cordilheira advém das duas placas, do continente americano e do oceano pacífico.

Se quiser saber mais informações sobre a Deriva Continental, entre neste link http://www.igc.usp.br/geologia/a_terra.php

Abraços!

Anônimo disse...

Olá amigo, final de semana passado participei de um simpósio criacionista, e ouvi da boca de um geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. que se a separação das placas continentais tivessem demorado milhoes de anos, elas não conservariam o atual formato que possuem hoje, evidenciando assim que houve a pangéia, e portanto não se encaixariam como é evidente hoje. Para que as placas conservassem o atual formato, o cataclisma deve ter ocorrido a apenas alguns milhares de anos atrás. Ou seja um fato bem recente em nosso planeta. Biblicamente isso deve ter ocorrido a aproximadamente uns 4500 anos atrás. Quer saber mais sobre seu modelo, ele escreve um livro expondo o assunto UMA BREVE HISTÓRIA DA TERRA. Eu não tenho ainda, mas pretendo comprá-lo em breve.

Anônimo disse...

Olá amigo, final de semana passado participei de um simpósio criacionista, e ouvi da boca de um geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. que se a separação das placas continentais tivessem demorado milhoes de anos, elas não conservariam o atual formato que possuem hoje, evidenciando assim que houve a pangéia, e portanto não se encaixariam como é evidente hoje. Para que as placas conservassem o atual formato, o cataclisma deve ter ocorrido a apenas alguns milhares de anos atrás. Ou seja um fato bem recente em nosso planeta. Biblicamente isso deve ter ocorrido a aproximadamente uns 4500 anos atrás. Quer saber mais sobre seu modelo, ele escreve um livro expondo o assunto UMA BREVE HISTÓRIA DA TERRA. Eu não tenho ainda, mas pretendo comprá-lo em breve.

Leandro Teixeira disse...

"Anônimo":

Eu já ouvi falar neste geólogo, mas não estou por dentro do que ele ensina. Mas, em todo caso, ele deve explicar como as placas se movem com constantes de tempo enormes. Para a separação atual, estas constantes de tempo deveriam ser bem menores para condizer com os dados atuais. Mas, como eu disse, não conheço o que ele fala.

Abraços!

catastrofismo on 12 de outubro de 2008 21:27 disse...

Olá,
Deixei um estudo com respostas sobre alguns questionamentos e dúvidas acerca do dilúvio e a arca de Noé em:


http://criacionismoevidencias.blogspot.com/2008/10/respondendo-sobre-o-dilvio-e-arca-de-no.html

Dêem uma olhadinha!

Um abraço!

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