quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se Ele já falou, porque o universo não se convenceu? 0


Há duas revelações de Deus: a geral e a especial


Esta pergunta esconde um sentido mais profundo do que a pura e simples provocação que insinua. O que ela quer dizer na verdade é que Deus falhou. Se Deus falhou, Ele não é onipotente. Logo, o Deus cristão não existe.

Esta é uma questão que nos leva a buscar a compreensão da natureza de Deus e da natureza do homem. Sem este entendimento das naturezas, e da interação entre elas, é muito difícil explicar o problema.

Inicialmente, vou dividir a frase em duas partes, para lidar com algumas pressuposições que podem estar intrínsecas na sua elaboração.

“Se ele já falou (...)”

O autor coloca esta condicional “se ele já falou” de uma maneira que põe em dúvida o fato do Senhor ter realmente se manifestado de uma forma definitiva e suficiente. “Será que Ele realmente falou? E se falou, o que revelou foi o bastante?”

Deus se revelou de duas principais formas: através da revelação geral da natureza (das coisas criadas) e através da revelação especial, a qual temos documentada no livro que chamamos de Bíblia. A revelação geral declara a todo homem que há um Deus, e que ele é indesculpável no que se refere ao sentimento da Sua existência.

A revelação especial foi trazida muitas vezes no decorrer da história humana, conforme a necessidade do povo e a vontade de Deus, em diversas quantidades ou porções. A vontade do Senhor foi também revelada de variadas maneiras, às vezes diretamente, outras por sonhos, visões, através de anjos, teofanias, entre outros. Por fim, Deus se revelou de forma derradeira, pessoalmente, pelo Seu próprio Filho, na pessoa de Jesus Cristo. Toda esta revelação especial trata sobre o Ser divino e a Sua vontade; mostra Deus dirigindo o desenvolvimento da história humana; declara a condição do homem perante Ele e manifesta o plano da sua grandiosa salvação. A Bíblia afirma que a voz do Senhor foi plenamente anunciada. Deus, portanto, já falou (Hebreus 1.1).


“(...) porque o universo não se convenceu?”

Natureza: revelação geral de Deus

Temos uma mentira aqui. O autor usou a palavra “universo” dando a entender que ninguém (ou sendo um pouco condescendente, uma minoria insignificante) creu naquilo que Deus revelou, seja através da natureza, seja através da Bíblia. Contudo, a revelação geral de Deus nas coisas criadas é tão forte que não há notícias de que alguma civilização, existente hoje ou já extinta, não tenha (ou tivesse) alguma forma de culto ao divino. O sentimento religioso está bem arraigado dentro do homem desde os seus primórdios. Negar isto é tolice (Salmos 14.1).

Mas como saber qual é o Deus verdadeiro? Já que a religiosidade é tão marcante assim, e a imaginação do homem é pródiga em produzir ídolos, é necessário que haja uma forma inconfundível de saber qual é o verdadeiro Deus dentro de miríades de entidades. Para isto temos a Revelação Especial de Deus, que está na Bíblia. Nela, O Deus Jeová assume a responsabilidade pela criação do mundo e do homem, mostrando o propósito desta; fala de Si mesmo, revelando a Sua vontade perfeita; fala da justiça e da misericórdia, buscando o relacionamento com a humanidade no desenrolar da história. Ele fala de coisas que ainda não aconteceram como se já houvessem ocorrido; realiza milagres incontestáveis para exibir Sua majestade soberana. Ele conta o passado, explica o presente e determina o futuro. Ela fala de homens - de pastores de ovelhas a reis - que tiveram experiências incríveis com o Senhor, atestando, assim, aquilo que Ele falou.

Nenhum outro deus se manifestou assim. O primeiro mandamento que Ele deixou para nós foi este: “não tereis outros deuses diante de mim”; o que é muito pertinente, já que realmente não existe outro! E Ele não precisaria se revelar, se não quisesse. Entretanto, Deus agiu com amor e misericórdia, dando-nos o conhecimento que pode salvar-nos de uma justa punição.

Então temos este ambiente: pelas coisas criadas, sabemos que há um Deus. E, pela Bíblia, sabemos qual Deus é o verdadeiro. Isto seria prova suficiente para convencer um pecador a entregar sua vida ao Senhor?

Logicamente, a resposta seria SIM. Contudo, argumentos, por melhores que sejam, não tem o poder de fazer a pessoa aceitá-los, mesmo que não haja base racional para agir desta maneira. A rejeição ao Deus verdadeiro não está baseada na racionalidade (ou irracionalidade) da proposta cristã, mas tem sua origem no seu ‘órgão’ moral. O apóstolo João nos fala acerca deste problema quando afirma em João 3.19 que os homens não vem à luz porque suas obras são más, pois amam mais as trevas. Este é o cerne do verdadeiro motivo de toda negação à Cristo.

O autor tentou induzir o leitor ao erro quando escreveu a frase que dá título à este texto. Fez pensar que, como ele não ficou convencido com os ‘argumentos’ do Senhor, Deus falhou. E como a Palavra diz que que Ele não falha, a Bíblia não é inerrante. Se ela tem erros, como podemos confiar nas suas declarações? Resumindo, o Deus cristão não deve existir porque Ele não foi persuasivo o suficiente como Ele revelou que seria!

Entretanto, esta é exatamente a reação esperada de TODO homem natural diante de Deus: rebeldia. Romanos 1.21-32 relata uma série de adjetivos totalmente desagradáveis aos ouvidos dos não-crentes, mas que são decorrentes do abandono a Deus:


Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.

Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem - Romanos 1:21-32


Percebam, portanto, o tamanho da insolência. O quadro descrito na passagem acima pinta com perfeição o nosso estado antes da conversão. Mas graças a Deus, há um remanescente. Por sua infinita misericórdia, o Senhor elegeu para si pessoas de todas as nações. O Espírito Santo de Deus transforma com poder a vida daqueles que foram escolhidos antes da fundação do mundo. Tais indivíduos “nascem de novo”. Depois da conversão, os ouvidos, antes surdos, agora ouvem a voz do Senhor, e os seus olhos estão abertos para ver as Suas obras. O coração dos eleitos também anseia pela retidão, e odeiam toda iniquidade. E estes recebem a Seu Senhor com alegria no coração, totalmente convencidos pelas Palavras de Vida Eterna proferidas pelo seu Salvador.

Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder - 1 Coríntios 4:20.
Continue lendo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cada um fala daquilo que tem no seu coração 0































Cada um fala daquilo que tem no seu coração.

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. - Lucas 6:45
Continue lendo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Depravação Total - Implicações 0

O que é o homem?

No post anterior, fiz um breve apanhado do que é a doutrina da depravação total. Mas, como apenas conhecimento teórico não basta, é necessário que alguma aplicação prática decorra do entendimento. Buscarei fazer isto a partir de agora.

Descobrir a Verdadeira Identidade

Filósofos de todas as eras têm insistido em que o homem conheça a si mesmo. Não há nada errado nisto. Juntamente com Terêncio, dramaturgo da Roma Antiga, deveríamos declarar que “nada do que é humano nos é estranho”. Seria mesmo uma irresponsabilidade ignorar quaisquer aspectos relacionados à humanidade. Entretanto, parece que alguns ficaram tão maravilhados consigo mesmos que pensaram acerca de si muito mais do que convém. Friedrich Nietzsche, por exemplo, via fraqueza no homem, causada por um grande potencial inexplorado. Pensava ele que se o homem anelasse e vivesse além de todos os seus valores, por meio de uma sede de poder criativo, num processo contínuo de superação, ele seria um super-homem, ou o homem superior. Para isto, é claro, ele teria de abandonar a ideia de Deus: super-homens não precisam dele.

O que a Bíblia ensina sobre o homem? Diz que ele foi criado bom, mas que a queda em Adão comprometeu as suas capacidades de uma forma tão profunda que qualquer ideal de "homem superior" (no sentido de ser um homem perfeito) por esforço unicamente humano é impossível de ser alcançado. Ela é enfática ao afirmar que o problema humano está dentro dele, mas não a solução. Mostra que o homem não está no trono, mas chafurdado na lama. Que ele não é livre, mas escravo. Que não é autônomo, mas dependente. Que ele não é bom, mas mau. E, principalmente, o poder de resgatar a sua própria vida está tão afastado de suas capacidades quanto erguer-se do solo puxando-se pelos cabelos.

Não há necessidade de ser um sociólogo para perceber que a nossa civilização é muito instável. Qualquer mudança significativa no status quo facilmente levaria a “sociedade” a entrar num estado primitivo de selvageria. Podemos ver isto nas outras pessoas. Por melhores que sejam os avanços do conhecimento humano, e ainda que a nossa ciência e tecnologia sejam notáveis, social e moralmente não estamos nem um pouco melhores do que há milênios. E podemos ver isto também em nós mesmos; todos os dias, diante do espelho. Basta uma análise pessoal sincera tendo por modelo a Lei de Deus: os 10 mandamentos.

Mudar de Paradigma

O que é certo e o que é errado?
Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus (Romanos 3:19)

Como o homem é facilmente convencido das suas qualidades! Se tem algo que prontamente aceita, sem muito questionar, é o afago ao seu ego. Quão rápido se convence! Quão rapidamente pensa que é merecedor de honra! De glória em glória, ele começa a acreditar em si mesmo. E ainda que ele não tenha o aplauso do mundo, é possível que ele crie para si uma redoma de autoglorificação, atribuindo aos outros deficiência pela falta do reconhecimento que entende lhe ser merecido. Mas como vimos antes, não temos do que nos gloriar, porque não há nada propriamente humano que não esteja maculado pelo pecado.

De fato, cada indivíduo usa uma régua própria para medir a si e aos outros, pela qual ele sempre está aprovado. Mas não é por esta norma particular que somos julgados. Quando Moisés desceu do monte com as tábuas da Lei (Êxodo 20), ganhamos um padrão absoluto para aferir nossa integridade. A Lei nunca serviu como meio para salvar pessoas, mas sim como instrumento de condenação (Deuteronômio 28), porque nunca houve alguém (excetuando Jesus) que a cumprisse integralmente. A lei veio para nos servir de aio até que Cristo chegasse (Gálatas 3.24).

A doutrina da depravação total tem este mérito: mostrar quão grave é o pecado para Deus, e quão grave é a nossa maldade. Se os nossos atos de justiça são como trapos de imundícia para Ele (Isaías 64.6), o que se dirá das nossas injustiças!

Reconhecer a impotência

O que faremos? (At 2.37)
Penso que o primeiro sentimento que alguém deveria ter ao conhecer esta doutrina é o de humilhação. Ela retira o homem do pedestal, destronando o ser humano, colocando-o num estado de desesperança completa. Joga-o com força ao chão. Abole a confiança exacerbada em suas próprias capacidades, e que a solução dos problemas está dentro de si - como a psicologia moderna, por exemplo, ensina. Arranca o manto de glória própria que oculta a maldade por trás das boas ações. Incute a culpa, e não a releva. Mostra aquilo que realmente somos, não o que aparentamos ser.

A vide se secou, a figueira se murchou; a romeira também, e a palmeira e a macieira, sim, todas as árvores do campo se secaram; e a alegria esmoreceu entre os filhos dos homens (Joel 1:12)

Repentinamente, portanto, o homem natural se sente no vale da morte. Vê tudo a sua volta esmorecer, falhar, cair. Não há nada que possa servir de apoio para mantê-lo de pé. E então começa a perceber que a sua vitalidade é falsa. Parafraseando Spurgeon, é apenas pompa funerária de uma alma morta; velando a si mesmo, lamenta pelo modo de viver que, inevitavelmente, o jogou nos braços da morte. Para o não-convertido, tudo isto é tão horrível que ele fica atônitamente incrédulo. Ressente-se e não aceita que isto possa ser verdade. Por isso que a Palavra diz em João 3.19-20 que os homens não vêm à luz: para que suas obras más não sejam manifestas. Neste momento de perplexidade, o Espírito pode agir e convencê-lo do pecado e do juízo. Se Ele o fizer, a pessoa perderá completamente a esperança em si mesmo; apercebe-se-á que nada do que ele é ou possa fazer poderá salvá-lo da justa ira de Deus. E no momento seguinte, a maravilhosa graça do Senhor estará brilhando diante dele dizendo: “- Arrependa-se e venha!”.

Receber a cura

E quem quiser, receba a água da vida (Ap. 22.17)
Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores (Marcos 2:17)

Esta palavra é para todo homem natural. A lei mostra que ele está mais do que doente: está morto. Mas o evangelho traz mais do que cura: traz uma nova vida. Esta é a boa nova: Deus entregou seu Filho, Jesus, e este voluntariamente se dispôs à cruz, o lugar que nos era merecido, e pagou pela nossa dívida. Jesus Cristo morreu a nossa morte, e a Sua ressurreição é a esperança que temos de um dia também reviver (Romanos 6.5-9). Para assegurar esta expectativa, o Espírito Santo nos foi enviado para habitar dentro de cada um que crer, servindo como penhor da promessa, e para relembrar tudo aquilo que Cristo ensinou, com vistas a andar em retidão e a crescer em santidade.

Para o crente, reconhecer sua depravação é o caminho que leva a honra, pois Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6). A doutrina o coloca na posição correta diante do seu Criador: a de total dependência. O entendimento da depravação total é o ponto final na arrogância típica da nossa raça.


Continue lendo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Inteligência: Indispensável 0































Inteligência: Indispensável para organizar tanto uma célula quanto um quarto.

"Pois os atributos invisíveis de Deus, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que os homens são indesculpáveis" - Romanos 1.20
Continue lendo

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Depravação Total - Introdução 0

O que é a Depravação Total

Depravação Total é um nome dado para uma das cinco doutrinas da graça que tratam da operação salvífica de Deus para a humanidade. A saber, as cinco doutrinas são:

- Depravação Total (Total Depravity)
- Eleição Incondicional (Uncondicional Election)
- Expiação Limitada (Limited Atonement)
- Graça Irresistível (Irresistible Grace)
- Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

Em inglês, as sentenças formam um acróstico, TULIP (tulipa, em português), figura que é usada como referência à doutrina destes cinco pontos. Não é sem significado que as doutrinas sejam representadas por uma flor; afinal, elas exalam o cheiro suave do amor gracioso do Senhor. Mas algumas de suas pétalas são mais difíceis de serem admiradas. É o caso da Depravação Total. Minha intenção é elaborar vários textos, reunidos pelo mesmo marcador (Depravação Total), tentando extrair a essência desta pétala, elaborar um perfume e aplicá-la na vida cristã.

Entendendo a doutrina

Pois bem. Lendo rapidamente a expressão, ela parece dizer que todo homem é tão mal quanto o poderia ser. Mas o significado é outro. Ela quer dizer que cada parte componente do homem está corrompida: o corpo físico, as emoções, a vontade e o intelecto. Ou seja, a humanidade padece debaixo de corpos, sentimentos, desejos e mentes arruinadas. Isto não se deu na criação original de Deus, mas pela desobediência de nosso representante-mor.

Adão foi este representante. Deus o havia avisado: “no dia em que comeres do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás ). Desobedecendo, ele pecou. Neste momento, Adão não quebrou a perna, nem machucou o braço: ele morreu. O seu espírito morreu. Perdeu totalmente a comunhão com o Criador (Isaías 59:2 mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.). O fruto foi tão amargo em seu ventre que mesmo apresentar-se diante de Deus lhe era motivo de pavor e vergonha. Ele e sua mulher Eva descobriram quão horrível é exporem-se nus e pecaminosamente sujos perante a Divindade (Gn 3:10 Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me ).

E o legado desta miséria foi passado, deles para seus filhos, e para os filhos dos seus filhos. Toda a humanidade herdou a natureza caída e corrompida pelo pecado cometido em Adão. Alguns até podem questionar se ele foi o melhor representante para a nossa raça. Eu tenho certeza que foi, por três motivos bem simples: primeiro, porque ele foi criado perfeito; segundo, porque ele estava num lugar perfeito, o Éden. E terceiro, ele foi a escolha do próprio Deus, e não há motivo para desconfiar que o Senhor não tenha feito a melhor escolha possível. Na verdade, o fato do melhor homem ter errado desta maneira só agrava a situação da humanidade em relação a Deus.

O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um (Salmos 14:2-3).

A Bíblia ensina que todos os homens, exceto Jesus Cristo (Hebreus 4:15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.), são depravados física e espiritualmente (Salmos 53:3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um). Ela também declara que cada parte do ser humano é depravada. Não somente os atos das pessoas são condenáveis, mas os seus pensamentos, seus desejos e emoções (Gênesis 6:5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente). A Bíblia ainda acrescenta que cada uma destas partes é totalmente decaída. Não parcialmente, mas completamente. Pois o ser humano está morto espiritualmente.

Quando o homem se torna pecador? Quando comete o primeiro pecado, ou antes? A resposta é que o ser humano já nasce com disposição para pecar, ou seja, ele peca porque É pecador (Salmos 51:5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe., Salmos 58:3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.). Ao contrário do que algumas filosofias ensinam, o homem não nasce como uma tabula rasa, isto é, como se fosse um papel em branco, sem nenhum conhecimento inato (cf. Aristóteles). Há quem advogue que o homem nasce bom, e a sociedade ou o ambiente é que o corrompe (cf. Rousseau). Como se isto não fosse enganoso o suficiente, pensam que o homem deveria ser a medida de todas as coisas (cf. Protágoras). Quão torto será este mundo se o tomarmos pelo nosso padrão arruinado!

É tudo muito sério e drástico o que esta doutrina bíblica ensina. Veja que, por causa do pecado, há uma maldição sobre a humanidade e sobre toda a ordem criada. E a imprecação vem de Deus (Deuteronômio 28:15-68 Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão: Maldito serás na cidade, e maldito serás no campo. Maldito o teu cesto, e a tua amassadeira. Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saíres. O Senhor mandará sobre ti a maldição, a derrota e o desapontamento, em tudo a que puseres a mão para fazer, até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste. O Senhor fará pegar em ti a peste, até que te consuma da terra na qual estás entrando para a possuíres. O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que pereças O céu que está sobre a tua cabeça será de bronze, e a terra que está debaixo de ti será de ferro. O Senhor dará por chuva à tua terra pó; do céu descerá sobre ti a poeira, ate que sejas destruído. O Senhor fará que sejas ferido diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás deles; e serás espetáculo horrendo a todos os reinos da terra. Os teus cadáveres servirão de pasto a todas as aves do céu, e aos animais da terra, e não haverá quem os enxote. O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, com sarna e com coceira, de que não possas curar-te; o Senhor te ferirá com loucura, com cegueira, e com pasmo de coração. Apalparás ao meio-dia como o cego apalpa nas trevas, e não prosperarás nos teus caminhos; serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve. Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não a desfrutarás. O teu boi será morto na tua presença, porém dele não comerás; o teu jumento será roubado diante de ti, e não te será restituído a ti; as tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, e não haverá quem te salve. Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e desfalecerão de saudades deles todo o dia; porém não haverá poder na tua mão. O fruto da tua terra e todo o teu trabalho comê-los-á um povo que nunca conheceste; e serás oprimido e esmagado todos os dias. E enlouquecerás pelo que hás de ver com os teus olhos. Com úlceras malignas, de que não possas sarar, o Senhor te ferirá nos joelhos e nas pernas, sim, desde a planta do pé até o alto da cabeça. O Senhor te levará a ti e a teu rei, que tiveres posto sobre ti, a uma nação que não conheceste, nem tu nem teus pais; e ali servirás a outros deuses, ao pau e à pedra. E virás a ser por pasmo, provérbio e ludíbrio entre todos os povos a que o Senhor te levar. Levarás muita semente para o teu campo, porem colherás pouco; porque o gafanhoto a consumirá. Plantarás vinhas, e as cultivarás, porém não lhes beberás o vinho, nem colherás as uvas; porque o bicho as devorará. Terás oliveiras em todos os teus termos, porém não te ungirás com azeite; porque a azeitona te cairá da oliveira. Filhos e filhas gerarás, porém não te pertencerão; porque irão em cativeiro. Todo o teu arvoredo e o fruto do teu solo consumi-los-á o gafanhoto. O estrangeiro que está no meio de ti se elevará cada vez mais sobre ti, e tu cada vez mais descerás; ele emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será a cabeça, e tu serás a cauda. Todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído, por não haveres dado ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te ordenou. Estarão sobre ti por sinal e por maravilha, como também sobre a tua descendencia para sempre. Por não haveres servido ao Senhor teu Deus com gosto e alegria de coração, por causa da abundância de tudo, servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, em fome e sede, e em nudez, e em falta de tudo; e ele porá sobre o teu pescoço um jugo de ferro, até que te haja destruído. O Senhor levantará contra ti de longe, da extremidade da terra, uma nação que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; nação de rosto feroz, que não respeitará ao velho, nem se compadecerá do moço; e comerá o fruto dos teus animais e o fruto do teu solo, até que sejas destruído; e não te deixará grão, nem mosto, nem azeite, nem as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, até que te faça perecer; e te sitiará em todas as tuas portas, até que em toda a tua terra venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas; sim, te sitiará em todas as tuas portas, em toda a tua terra que o Senhor teu Deus te deu. E, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão, comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que o Senhor teu Deus te houver dado. Quanto ao homem mais mimoso e delicado no meio de ti, o seu olho será mesquinho para com o seu irmão, para com a mulher de seu regaço, e para com os filhos que ainda lhe ficarem de resto; de sorte que não dará a nenhum deles da carne de seus filhos que ele comer, porquanto nada lhe terá ficado de resto no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará em todas as tuas portas. Igualmente, quanto à mulher mais mimosa e delicada no meio de ti, que de mimo e delicadeza nunca tentou pôr a planta de seu pé sobre a terra, será mesquinho o seu olho para com o homem de seu regaço, para com seu filho, e para com sua filha; também ela será mesquinha para com as suas páreas, que saírem dentre os seus pés, e para com os seus filhos que tiver; porque os comerá às escondidas pela falta de tudo, no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará nas tuas portas. Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu Deus; então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas da tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades malignas e duradouras; e fará tornar sobre ti todos os males do Egito, de que tiveste temor; e eles se apegarão a ti. Também o Senhor fará vir a ti toda enfermidade, e toda praga que não está escrita no livro desta lei, até que sejas destruído. Assim ficareis poucos em número, depois de haverdes sido em multidão como as estrelas do céu; porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor teu Deus. E será que, assim como o Senhor se deleitava em vós, para fazer-vos o bem e multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e sereis desarraigados da terra na qual estais entrando para a possuirdes. E o Senhor vos espalhará entre todos os povos desde uma extremidade da terra até a outra; e ali servireis a outros deuses que não conhecestes, nem vós nem vossos pais, deuses de pau e de pedra. E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; mas o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento de olhos, e desmaio de alma. E a tua vida estará como em suspenso diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não terás segurança da tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a tarde; E à tarde dirás: Ah! quem me dera ver a manhã! pelo pasmo que terás em teu coração, e pelo que verás com os teus olhos. E o Senhor te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse: Nunca mais o verás. Ali vos poreis a venda como escravos e escravas aos vossos inimigos, mas não haverá quem vos compre.), Aquele que é o único a quem devemos prestar contas (Hebreus 4:13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.). E nisto tudo Ele é completamente justo em irar-se. O pecado é uma afronta terrível à Sua natureza absolutamente santa.

Tudo o que fazemos é mau?

Se julgarmos segundo padrões humanos, pode parecer que não somos tão maus assim. Criamos bem os nossos filhos, amamos as nossas esposas, fazemos doações, dedicamos tempo e dinheiro a obras sociais... Há muita coisa boa nas ações das pessoas. Jesus mesmo disse algo sobre este assunto (Mateus 7:11 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?). Mas se formos medidos pelo padrão divino, não sobra nada. Para algo ser realmente bom para Deus, deve passar por estas duas peneiras:

1. Tudo deve ser feito para a glória de Deus
Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. (1 Coríntios 10:31)

Quem pode dizer que faz algo para que Deus seja glorificado? Mesmo muitos ateus fazem obras louváveis perante os homens. Mas com certeza a sua intenção não é de exaltar o Criador e a sua justa lei. Portanto, é pecado. Mesmo os crentes pecam assim, querendo uma pontinha de glória própria, até mesmo ao gabar-se do sucesso de seus esforços evangelísticos, por exemplo! Orgulho e presunção nunca são bons (1 Coríntios 5:6 Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?; Tiago 4:13-16 Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna.).

2. Tudo o que se faz deve estar firmado e ter origem na fé
Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado (Romanos 14:23).

Hebreus 11:6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam diz que sem fé é impossível agradar a Deus. Então, todas as coisas que são feitas sem ter por esteio a fé são detestáveis a Ele. É isto que se quer dizer quando o homem não faz nada bom (Salmos 53:3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um). Por exemplo: se não discernirmos que todas as coisas que possuímos são de Deus, e que somos apenas mordomos, despenseiros dEle, podemos cair na pretensão de achar somos muito dignos por financiar obras sociais, construir orfanatos ou até mesmo ao dar comida para um mendigo. Curioso é que tais coisas são feitas porque são resultado do que os teólogos costumam chamar de ‘graça comum’ de Deus. O crédito das obras não vai para a conta destas pessoas que praticam, mas para a do Senhor. É Ele quem move as pessoas para fazer o que quer. Pela Sua Soberania, ele governa o mundo restringindo o mal em sua totalidade.

A vontade do homem natural é contrária a Deus. A Palavra é enfática em dizer que o homem jamais irá até Deus para ser salvo (João 3:19-20 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.). A razão é porque ele não quer (João 5:40 mas não quereis vir a mim para terdes vida!). Se esta analogia ajudar, pense em uma balança, onde num dos pratos você coloca a vontade de agradar Deus e tudo o que é reto, justo e puro, e no outro prato coloque o que satisfaz seus próprios desejos. A natureza do seu coração ainda não regenerado, ou seja, morto em delitos e pecados (Efésios 2:1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados), faz a balança SEMPRE pender para o lado da sua própria satisfação, como se o seu próprio coração de pedra estivesse amarrado deste lado da balança. Mas esta analogia também é falha, pois, de acordo com a Bíblia, na verdade a balança está quebrada. Não há nunca nenhum desejo de fazer o bem. Não há absolutamente nada neste lado da balança (Romanos 8:7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser).

Por ora, estamos sabendo que esta é a condição do homem perante seu Criador; mas o que devemos (ou podemos) fazer? Este é um assunto para os próximos posts.
Continue lendo