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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Quem alterou a Biblia? E por quê? 6

Interpretando mal o Cristianismo: os copistas realmente alteraram o conteúdo da Bíblia? E por quê?

Um exame crítico do livro de Bart Ehrman: Misquoting Jesus: Who Changed the Bible and Why?

Por H. L. Nigro


Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.
Artigo original pode ser encontrado aqui.


Em Misquoting Jesus, Bart Ehrman parece, superficialmente, apresentar uma tese convincente para a falta de fidelidade do Novo Testamento baseado nas mudanças dos manuscritos antigos durante o processo de cópia dos copistas, particularmente no segundo e terceiro séculos. Infelizmente, ele não é sempre o estudioso objetivo que ele mesmo afirma ser. Este trabalho, enquanto provê um documentário interessante sobre a disciplina do criticismo textual, somente conta metade da história.

Embora Ehrman saiba que a maioria esmagadora destes erros de cópia são aqueles (tais como os erros de grafia) que são, em suas próprias palavras, “completamente insignificantes, imateriais, de nenhuma importância real” (p. 207)[1], ele repetidamente passa rapidamente por cima destes pontos críticos e alimenta, em vez disto, as muito mais escassas adições e alterações intencionais, as quais a maioria já foi removida das nossas modernas traduções, ou mesmo que preservadas, tem pequeno ou nenhum impacto na doutrina cristã.

Adicionalmente, Ehrman freqüentemente deturpa o corpo do moderno conhecimento concordando com ele em matérias controversas quando, na verdade, alguns dos mais importantes estudiosos do Novo Testamento – incluindo o próprio mentor de Ehrman, Bruce Metzger – discorda dele. Apesar disto, ao final de seu livro, Ehrman admite que “estudiosos altamente competentes freqüentemente vêm opor-se às suas conclusões” (p. 208); até então, ele usa o termo inclusivo “estudiosos” ou “maioria dos estudiosos” para apoiar suas conclusões, ainda que raramente seja verdade.

É particularmente perturbador quando Ehrman especula sobre o assunto da autenticidade baseado em sua própria opinião pessoal, ou responde ao texto antes mesmo de qualquer evidência histórica (por exemplo, ele visualiza diferenças secundárias de um evangelho para outro como tentativa deliberada de alterar a mensagem e apresenta uma diferente visão da história) e então, posteriormente em seu livro, deixa de chamar estas declarações “de especulação” para declarações “de fato”.

Pegue, por exemplo, sua argumentação de que Mateus e Lucas deliberadamente “apagaram” referências às emoções de Jesus (tais como compaixão ou ira, dependendo da variação lida que alguém escolha) na cura do leproso em Marcos 1.41. Por causa de que Ehrman prefere a leitura de que Jesus estava mais irado do que compassivo, ele argumenta que as descrições mais esparsas de Mateus e Lucas foram tentativas deliberadas de ocultar o que ele consideraria um fato embaraçoso. A argumentação de Ehrman ignora claramente o problema que, se os escritores do evangelho tinham inclinação para remover fatos embaraçosos, eles teriam ocultado os muito mais embaraçosos fatos deles, tais como a rejeição de Jesus por parte de Pedro, a incredulidade de Tomé, e o fato da tumba vazia ter sido descoberta por mulheres. Se eles deixaram estes fatos embaraçosos, porque eles deixariam fora do seu caminho algo tão inócuo quanto isto? Mais importante ainda, a argumentação de que isto é uma omissão deliberada (desta forma colocando dúvida nos motivos dos escritores) é uma interpretação pessoal que se sobrepõe ao texto – e completamente sem base nos fatos.

Rejeição subjetiva

Ironicamente, Ehrman usa seu treinamento em criticismo textual como a base para rejeitar a fé cristã. E, ainda, mesmo na própria admissão tácita de Ehrman, nenhum exemplo dado no livro toca o núcleo do ensino cristão.

Certamente, algumas adições dos copistas apóiam as afirmações do Novo Testamento sobre a divindade de Cristo, por exemplo; mas há um excesso de referências, incluindo as próprias palavras de Jesus, que não estão sob suspeita. E nenhuma destas discrepâncias coloca em xeque o coração da mensagem cristã, incluindo os detalhes relativos à morte expiatória, julgamento e ressurreição de Cristo, as quais formam o coração da fé cristã. Não somente isto, mas a confirmação dos pontos-chave dos relatos evangélicos pode ser encontrada em antigas crenças pré-Paulinas, as quais aparecem antes dos evangelhos ou epístolas serem escritas (a crença encontrada em 1 Coríntios 15, por exemplo, é comumente crida que ela apareceu dentro de uns poucos anos depois da morte de Cristo[2]), e nos escritos da Igreja antiga, tanto quanto em documentos seculares do primeiro e segundo séculos.

Curiosamente, Ehrman quase admite que o que importa não são os fatos da matéria, mas suas acusações pessoais (as quais são tão importantes que ele as faz na primeira e na última página do livro); que se a Bíblia foi realmente inspirada por Deus, então Deus teria preservado suas palavras originais perfeitamente através da história. Nenhum copista teria feito um simples erro ou uma simples mudança em qualquer ponto do tempo:

... por Deus inspirar a Bíblia então seu povo teria suas palavras reais; mas se ele realmente quis que as pessoas tivessem suas palavras reais, com certeza ele teria milagrosamente preservado aquelas palavras, tão somente como ele milagrosamente as inspirou em primeiro lugar. Dada a circunstância em que as palavras não foram preservadas, a conclusão parece inescapável para mim que ele não teve a preocupação de inspirá-las (p. 211).

Isto explica porque, na mente de Ehrman, as menores e mais secundárias discrepâncias tiraram do caminho a sua fé. Não que a evidência realmente aponte para os documentos do Novo Testamento como não confiáveis em transmitir verdade histórica, mas antes porque Deus não atingiu os padrões pessoais do próprio Ehrman.

Através da lente da ofensa

Esta, no seu núcleo, é a lente através da qual Ehrman visualiza sua pesquisa. Isto é claro, não somente em suas justificativas, mas em sua teologia. Muitas das afirmações de Ehrman de que as mudanças no texto são significativas à teologia cristã, realmente reflete o que parece ser uma compreensão superficial do texto.

Em outros lugares, seus problemas quase parecem manufaturados. Pegue o exemplo do aparente “erro” de Jesus quando Ele diz, em Marcos 4, que a semente da mostarda é “a menor de todas as sementes da terra”. Respondendo ao corpo do trabalho de harmonização destas passagens, Ehrman escreve, “Talvez eu não precise levantar uma explicação extravagante para como a semente da mostarda é a menor de todas as sementes quando eu sei muito bem que não é” (p. 10). Antes que conclua que Jesus proferiu uma asneira embaraçosa, não seria mais racional assumir que Jesus não estava fazendo uma declaração científica, mas antes estava a ferramenta comum do exagero para fazer um ponto importante – a comparação do tamanho da semente com a majestade da planta completamente desenvolvida? Para Ehrman ver isto como um erro antes do que como uma óbvia figura de linguagem sugere uma forte tendência através da qual ele interpreta o texto.

Esta tendência resplandece tanto através do restante do parágrafo quanto na lista de Ehrman, uma coleção de “contradições”, após cada uma das quais ele afirma que, antes de aceitar a harmonização, “talvez haja realmente uma diferença”. A resposta óbvia é “e talvez não haja”. Os exemplos que Ehrman dá são bem conhecidos dos estudiosos do Novo Testamento, e a maioria – se não todos – são facilmente harmonizados. Então nós ficamos com a solução fácil? Ou nós rejeitamos a solução mais intuitiva e focamos ao invés disto a menos intuitiva – que Jesus, que é comumente citado, mesmo por aqueles que não aceitam sua divindade, como o mais sábio homem que já viveu e que habitou em uma cultura de fazendeiros e agricultores, cometeu um erro grosseiro sobre o tamanho de uma semente comum?[3]

Por último, o que isto resume é a falta de respeito de Ehrman pela mensagem do Novo Testamento. Isto também é claro em suas incorreções nas citações bíblicas. Ocasionalmente, as referências bíblicas são rasteiramente incorretas. Em outros casos, se alguém ler a passagem a qual Ehrman está se referindo, ela nem sempre diz o que Ehrman afirma. Se Isto é um resultado de sua própria lambança ou resposta ao texto emocionalmente carregada, novamente ressalta uma questão acerca de sua objetividade.

O Cristianismo está baseado em qualquer coisa?

Com todas as coisas consideradas, há uma tremenda ironia aqui. Eu duvido que qualquer estudioso questionaria ele mesmo a discussão de Ehrman sobre os manuscritos. As alterações dos copistas são bem conhecidas, e que poucas “principais” modificações foram feitas ao texto são também bem conhecidas – mesmo para, ”hã, hum”, outros estudiosos do Novo Testamento – mas a despeito do propósito declarado do livro como uma introdução ao criticismo textual para leigos, é a conclusão que Ehrman formula que é a verdadeira mensagem do livro. Essas conclusões são altamente subjetivas, e é nas suas conclusões que muitos dos maiores estudiosos do Novo Testamento do mundo distinguem-se das visões dele.

A maior ironia é que Ehrman rejeitou sua fé no cristianismo bíblico no que ele vê como problemas irreconciliáveis com o texto; e, contudo, a fé cristã nunca foi baseada na perfeita preservação das traduções do Novo Testamento. É baseada no testemunho ocular do Cristo ressurreto, o qual é um dos eventos mais bem atestados na história antiga, com ou sem alterações dos copistas, e mesmo fora da Bíblia. Poderiam desaparecer todos os documentos do Novo Testamento, porém a historicidade do Cristo ressurreto, crucificado por nossos pecados e adorado pelos antigos cristãos como Deus, permaneceria intacta (veja The Historical Jesus, por Gary Habermas).

Uma ironia final é que, enquanto Ehrman pesquisou estes textos e rejeitou sua fé, muitos dos grandes intelectuais do nosso tempo têm olhado para as mesmas evidências e realmente fortalecido sua fé ou se tornam crentes pela primeira vez. Eu mesmo tomo algo muito diferente das evidências de Ehrman do que ele aponta, e eu realmente deleito-me com o livro e planejo adicioná-lo à minha biblioteca apologética apoiando a fé cristã – em grande parte, eu suspeito, para seu desapontamento.


Notas finais

[1] Na sua seção sobre os textos do Novo Testamento, Ehrman sumariza o trabalho por Daniel Whitby como concluindo que “o texto do Novo Testamento é seguro, apenas raramente qualquer variação citada por Mill (um oponente focado em variantes textuais) envolve um artigo de fé ou questão de conduta” (p. 86). Ehrman deixa sua contribuição incontestada, e poucas linhas mais tarde, acrescenta, “A defesa de Whitby pode bem ter definido o assunto”, exceto para a publicidade adicional que ele trouxe para as variações, perfazendo suas críticas. Ironicamente, o poder do argumento, neste ponto do livro, parece descansar com Whitby. Deste modo, na página 89, quando Ehrman coloca que o número de variações podia ser de 400000 ou mais, o leitor fica maravilhado com a relevância desta declaração. Se as variações não essenciais, como Ehrman admite, qual é o problema? Se há 30000 variações textuais ou 400000, o volume adicional não o faz mais pesado, apenas mais numeroso. Compondo o problema, quando Ehrman continua sua documentação dos avanços na prática da crítica textual, ele resume o trabalho de Johann Wettstein como segue: “Deste modo, leituras variantes podem afetar pontos secundários nas Escrituras, mas a mensagem básica permanece intacta sem problemas os quais alguém perceberia na leitura” (p. 112). Novamente, Ehrman deixa sua contribuição incontestada. Neste ponto, o leitor pode se admirar se Ehrman estava realmente argumentando pela confiabilidade dos textos. No fim das contas, Ehrman expõe que sua rejeição da autoridade deles não é baseada no que ele pode ver, mas no que não pode – e a importância que ele coloca em assuntos, segundo admite, teologicamente secundários e de pouca importância. Mas para o leitor perspicaz, a mensagem não escrita do livro é que, enquanto Ehrman ultimamente rejeita a autoridade dos textos do Novo Testamento baseados em assuntos secundários, ele claramente aceita a confiança deles em assuntos críticos e fundamentais do Cristianismo.

[2] Talvez as crenças dos mais antigos cristãos, 1 Co 15:3-8, seja o seguinte: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo”. Gary Habermas, um dos mais notáveis especialistas sobre as evidências do primeiro e segundo século que corroboram para os manuscritos do Novo Testamento, nota que numerosos teólogos datam esta crença de três a oito anos após a crucificação de Cristo. Para uma lista de teólogos, bem como uma variedade de outras crenças pré-Paulinas, veja The Historical Jesus, por Gar Habermas, p. 144-146,154.

[3] Exemplos adicionais podem ser encontrados na página 133, na discussão de Ehrman das variações de leitura de Marcos 1.41, nas quais Jesus é alternativamente dito estar irado com o leproso e compassivo com ele. A despeito da grande tempestade de areia que Ehrman tenta criar sobre esta passagem, eu fracasso em encontrar a relevância. A não ser as ofensas de Ehrman de que Deus não preservou o texto e permitiu leituras variantes em primeiro lugar, isto não é um assunto. Se Jesus estava irado ou compassivo, ambas as emoções são justificáveis. O mesmo se aplica para a detalhada discussão de Ehrman sobre se Jesus estava afligido ou tranqüilo no jardim Getsêmani em Lucas 22. Novamente, qualquer uma das emoções é justificável. Além do mais, não é possível que Jesus tivesse sentido ambas as emoções? Não obstante, é baseado nisto e numa coleção de outros assuntos sem importância que Ehrman ultimamente rejeitou sua fé.

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os apóstolos tiveram alucinações? 2

Explicando a Ressurreição de Jesus

O recente reavivamento da Teoria da Alucinação

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira
O artigo original pode ser lido aqui. Por Gary Habermas.

Abstract
Após mais de um século de virtual dormência, um número de hipóteses naturalistas alternativas em relação à ressurreição de Jesus têm aparecido em recentes publicações. Similar à situação ao fim do século XIX, alucinação e abordagens relacionadas são novamente as mais populares entre os críticos. Vamos examinar várias destas recentes formulações. Então, nós ofereceremos numerosas críticas, do assunto como um todo, bem como um par de assuntos abrangidos. Nós argumentaremos que estas alternativas argumentativas falham em explicar a historicidade das aparições da ressurreição de Jesus por uma multidão de razões, até mesmo quando julgadas por padrões criticamente aceitos.
Táticas naturalistas para explicar a ressurreição de Jesus têm presumidamente existido há tanto tempo quando o tempo desde que este evento se deu. Várias destas alternativas abordam o que está nos próprios evangelhos. Parece que os críticos, sabendo que na ressurreição reside o coração do Cristianismo, têm o escolhido especialmente para a discussão.
Nossa abordagem iniciará provendo algumas perspectivas históricas sobre o assunto, fazendo alguns comentários sintéticos com respeito ao apogeu das teorias naturalistas na teologia do século XIX. Foi em situação similar que, 100 anos atrás, a hipótese da alucinação foi também a mais popular posição crítica até que ela foi suplantada pelos estudiosos. Então, baseado na minha recente avaliação de mais de 500 publicações sobre o assunto da ressurreição de Jesus publicadas entre 1975 e hoje, nós documentaremos o crescimento da popularidade destas hipóteses atualmente, dirigidas pelos estudiosos durante as últimas duas décadas. Finalmente, nós apresentaremos uma multifacetada crítica destas posições, usando somente aqueles dados que podem ser apurados pelos meios críticos, assim sendo aceitas pela vasta maioria dos estudiosos[1].

Um retrospecto: abordagens naturalistas desde o século XIX

Publicações do fim dos séculos XVIII e XIX provêem os mais numerosos exemplos de teorias naturalistas acerca da Ressurreição de Jesus. No seu clássico volume documentando estudos do Jesus histórico durante este tempo, Alberto Schweitzer registra muitas destas abordagens. Por exemplo, uma tentativa antiga por Hermann Reimarus acusou que os discípulos de Jesus roubaram o seu corpo[2]. Friedrich Schleiermacher aprovou a Teoria do Desmaio, tomando a visão de que Jesus nunca morreu na cruz[3]. David Strauss popularizou a Teoria da Alucinação[4], e outros, tais como Ernest Renan, o seguiram[5]. Otto Pfleiderer e outros pensam que lendas podem explicar a maioria dos dados[6].
Um incrível enredo secundário é que muitos dos estudiosos liberais proveram refutações das hipóteses competitivas. Schleiermacher e Heinrich Paulus atacam várias teorias de visão[7]. Strauss é costumeiramente lembrado por ter quebrado a Tese do Desmaio com sua criteriosa análise[8], então poucos estudiosos apoiaram-na após sua crítica[9]. Até mesmo preferiram a tese da lenda, Pfleiderer até admitiu que não poderia explicar completamente os dados da Ressurreição de Jesus[10]!
Durante a maior parte do século XX, contudo, havia, comparativamente, pouco interesse nas teorias naturalistas contra a ressurreição de Jesus. Aqueles que rejeitavam a historicidade deste evento raramente fazem referências às formulações alternativas. Após mencionar uma extensa lista de teorias críticas, Raymond Brown indicou umas poucas décadas atrás: “o criticismo de hoje não segue os caminhos tomados pelo criticismo passado. Não mais respeitáveis são as teorias cruas... populares no século passado... estudiosos sérios prestam pouca atenção para estas reconstruções ficcionais” [11].
Esta calmaria em parte dos estudiosos críticos veio por mais de uma razão. Não é coincidência que interesse em muitas matérias acerca do Jesus histórico fraquejaram neste mesmo período. Mas perto do topo da lista teria de ser a falha das hipóteses naturalistas para explicar os dados conhecidos. Em outras palavras, a razão principal para rejeitar estas teses alternativas é que cada uma delas é refutada pelos fatos. Após averiguar algumas destas teorias, James D. G. Dunn conclui: “interpretações alternativas dos dados falham em prover uma explicação mais satisfatória” [12]. O filósofo Stephen Davis concorda com a crítica:
“... somos incapazes de exaltar uma história coerente e plausível que relate pelas evidências à mão. Todas as hipóteses alternativas com as quais eu estou familiarizado são historicamente fracas; algumas são tão fracas que desmoronam com seu próprio peso uma vez ditas... as teorias alternativas que tem sido propostas não são somente fracas, mas são muitíssimo fracas ao explicar as evidências históricas disponíveis...” [13]
Apesar destes desenvolvimentos, parece nos presentes dias ser uma limitada tendência rumo ao retorno a algumas formas destas teses envolvendo os cristãos mais antigos tendo alucinações ou outras experiências subjetivas.

O recente retorno da Hipótese da Alucinação

Em minha recente avaliação de centenas de publicações críticas acerca da ressurreição, tornou-se aparente que muitos estudiosos estão apoiando várias hipóteses naturalistas que foram os argumentos principais em recentes décadas. Este fenômeno não é devido a qualquer mudança na paisagem histórica. Antes, é como os antigos dizem - que aqui se faz aqui se paga – como se alguns estudiosos simplesmente pensassem que este é um tempo para mudança.
Desses que agora preferem explicações alucinógenas, contudo, somente uns poucos têm prosseguido nesta abordagem em detalhes. Nós examinaremos algumas destas tentativas, enquanto vários outros estudiosos simplesmente mencionam a possibilidade da, ou preferência pela, tese da alucinação[14].
Gerd Ludemann esteve, em publicações recentes, resenhando um argumento que é totalmente similar às tentativas do século XIX, assegurando que a explicação pode ser aplicada a todos os principais participantes da igreja antiga; os discípulos, Paulo, os 500, e Tiago, irmão de Jesus[15]. Ludemann sustenta que é claro na linguagem de Paulo que o termo ophthe em 1 Coríntios 15.3ss significa que ele estava falando da visão verdadeira, “de sua própria percepção sensorial...” tanto quanto as dos outros apóstolos. Então Paulo “deve ter esperado que os Coríntios entendessem o termo historicamente” [16]. Ludemann conclui que visões alucinógenas são necessárias, juntamente com “características de público ouvinte” que produzem um “estímulo”, “entusiasmo”, “intoxicação religiosa” e “êxtase” para Pedro. Esta se propagou para os outros discípulos por “uma incomparável reação em cadeia”. Paulo, os outros apóstolos, os 500, e Tiago todos experimentaram similarmente estas visões subjetivas. As aparições foram coletivas, atingindo um “êxtase em massa” [17].
Apesar de sua abordagem ser totalmente diferente em alguns pontos, Jack Kent também pensa que alucinações explicam as afirmações dos discípulos, Paulo e Tiago[18]. Kent combina duas teorias naturalistas para explicar a aparente ressurreição de Jesus. Os discípulos e as mulheres experimentaram “alucinações normais relacionadas à tristeza”. Paulo, de outra forma, experimentou conflito e turbulência íntimos pela participação na morte de Estevão e pela sua perseguição de cristãos. Como resultado, ele foi submetido a uma “desordem de conversão”, uma reconhecida enfermidade psíquica que é relatada na sua conversão no caminho para Damasco, incluindo queda e cegueira, em particular[19]. Diferentemente de Ludemann, Kent desejou evitar alucinações coletivas[20].
Concordando com Kent, Michael Goulder aplica uma explicação relacionada às experiências de Paulo, Pedro, e alguns dos outros[21]. Goulder pensa que Pedro e Paulo experimentaram o que ele chama de “visões de conversão”, alucinações de vários tipos que são produzidas em tempos de grande stress, culpa e insegurança. O resultado para estes apóstolos, um dos quais havia negado seu Senhor e outro que tinha perseguido cristãos, era uma nova orientação para a vida – uma transformação que direcionava a “subseqüente heroísmo e martírio” [22].
Outra abordagem que eu tenho apelidado de Teoria de Iluminação deveria, talvez, ser mencionada brevemente. Vários estudiosos recentes preferem uma estratégia que, enquanto se parece com a tese da alucinação, não é completamente igual. Em geral, a idéia é que Pedro foi o primeiro que teve algum tipo de experiência subjetiva ou crença que Jesus estava vivo. Isto foi mais tarde comunicado de alguma forma para os outros seguidores de Jesus, que concluíram que Jesus havia ressuscitado. Eles sustentaram que nós não podíamos agora falar sobre a natureza histórica deste incidente. É a fé destes crentes antigos que é de maior importância aqui, não a natureza das experiências[23]. É freqüentemente observado que estas experiências não foram alucinações[24], mas muitos dos nossos críticos ainda aplicam esta tese.

Uma crítica da Hipótese da Alucinação

Enquanto a recente onda de teses da alucinação revela algumas diferenças, há muitas similaridades. Nós não precisamos pesar a hipótese como um todo. Mas nós iniciaremos avaliando dois lados importantes do assunto: a possibilidade de alucinações em grupo e a tese de desordem de conversão proposta por Kent e Goulder.

Alucinações coletivas

Um dos tópicos principais nesta discussão concerne se um grupo de pessoas pode ser testemunha da mesma alucinação. A maioria dos psicólogos discute a realidade de tais ocorrências, como colocadas abaixo. Uma rara tentativa sugestionando que alucinações coletivas são possíveis, sem nenhuma aplicação à ressurreição de Jesus, é feita por Leonardo Zusne e Warren Jones. Eles afirmaram para fenômeno tal como afirmadas aparições da virgem Maria e outros relatos participantes do grupo de pessoas. Em casos como estes, “expectativa” e “excitação emocional” são “pré-requisitos para alucinações coletivas”. Em tais grupos, nós vemos o “contágio emocional que tão freqüentemente toma lugar em multidões tomadas por emoções fortes...” [25]
Mas apoiar as alucinações coletivas é altamente problemático, e em várias áreas.
(1) Para começar, os exemplos principais de “alucinações coletivas” providas por Zusne e Jones foram experiências de grupos religiosos, tais como as aparições marianas. Mas estas citações simplesmente desviam a questão em relação se tais experiências podiam possivelmente ser objetivas, ou até mesmo sobrenaturais, pelo menos em algum sentido. Em outras palavras, porque deveria uma explicação naturalista e subjetiva ser aceita?[26] Isto parece excluí-las de uma maneira prioritária, antes dos dados serem considerados.
(2) Além disto, a tese da alucinação coletiva é infalsificável. Ela poderia ser aplicada a visões grupais puramente naturais, simplesmente chamando-as de alucinações grupais também. Nesta tese, o critério epistêmico crucial parece estar faltando. Como nós determinamos ocorrências normais dentro de alucinações grupais?
(3) Mesmo se pudéssemos estabelecer que grupos de pessoas testemunharam alucinações, é crítico notar que não decorre que todas estas experiências são, conseqüentemente, coletivas. Se, como a maior parte dos psicólogos afirma, alucinações são privadas, são eventos individuais, então como grupos poderiam compartilhar a mesma percepção visual subjetiva? Antes, é muito mais provável que o fenômeno em questão são também ilusões – erros de interpretação na percepção da verdadeira realidade[27] – ou alucinações individuais.
Além do mais, a maior sucessão de problemas resulta da comparação desta tese com os relatos das aparições de Jesus após a ressurreição. E aqui, o poder de explicação desta hipótese é severamente desafiada, uma vez que a maior parte dos dados não somente se diferem, mas realmente contradizem, as condições necessárias para as “alucinações coletivas”. Um destes itens será mencionado aqui, com os outros seguindo abaixo.
(4) Por exemplo, Zusne e Jones argumentam que “expectativa” e “excitação emocional” são pré-requisitos para que tais ocorrências grupais aconteçam. De fato, a expectativa “coordena este papel” [28]. Mas este cenário contradiz o estado emocional das antigas testemunhas da ressurreição de Jesus. Até mesmo psicologicamente, os crentes antigos foram confrontados face-a-face com o completo realismo da recente e inesperada morte do seu melhor amigo, de quem eles tinham esperança de resgatar Israel. Como aqueles recentes eventos desdobraram-se em uma tempestade de castigos físicos em Jesus, crucificação e aparente abandono, a resposta normal seria medo, desilusão e depressão. Supor que estes crentes exibiriam “expectativa” e “excitação emocional” em face destas rigorosas circunstâncias requereria deles respostas que seriam incomuns em um funeral! Todas as indicações são que os discípulos de Jesus exibiram emoções muito opostas do que Zusne e Jones propagaram como requerimentos necessários.
Por comparação, a experiência dos discípulos é totalmente diferente daquelas em outros casos onde peregrinos viajaram expressamente longas distâncias, multidões exuberantes com o explícito desejo de ver algo especial. Aí parece ser terreno escasso de comparação com os discípulos de Jesus[29].
Muitos outros problemas cruciais podem “contaminar” a tese da alucinação em grupo, e nós prosseguiremos em várias delas mais abaixo. Mas, por enquanto, nós repetiremos que Zusne e Jones nunca tentaram aplicar sua abordagem à ressurreição de Jesus. Antes, eles preferiram nivelar incrivelmente suas investigações com a admissão de que alucinações em grupo têm um “status incerto” porque não é possível apurar se estes indivíduos tiveram realmente alucinações![30]

Desordem de conversão

Kent sugeriu que Paulo experimentou uma desordem de conversão, uma condição psicológica caracterizada por sintomas físicos tais como cegueira e paralisia na ausência de causas médicas ou psicológicas específicas. Tais foram adquiridas por turbulência interna, conflito, dúvida e culpa. Goulder concorda sobre Paulo, mas adiciona que Pedro e outros, talvez Tiago, também sofreram do mesmo problema.
Mas, novamente, nós devemos alinhar nossas hipóteses com os fatos, e multiplicar problemas opostos a esta interpretação, da mesma forma.
(1) Inicialmente, somente Paulo é conhecido como tendo manifestado estes sintomas, então a inclusão de Goulder dos outros não tem fundamento.
(2) Simplesmente, um gigantesco problema é que, do que nós sabemos sobre Paulo, e Tiago em particular, não havia nenhuma área mitigante para supor tal desordem. Nós não temos nenhuma indicação que houve o mais insignificante conflito interno, dúvida ou culpa relativa à prévia rejeição deles aos ensinamentos de Jesus. Críticos concordam que Tiago era descrente durante o ministério terreno de Jesus (Jo 7.5; cf. Mc 3.21). O ceticismo de Paulo é ainda melhor conhecido, uma vez que ele perseguia os cristãos antigos (1 Co 15.9; Gl 1.13,23). Mas nós não sabemos de qualquer culpa da parte de Paulo, por ele considerar suas ações zelosas e irrepreensíveis (Fp 3.4-6). Resumindo, não há nenhuma indicação de qualquer desejo de conversão por nenhum destes homens. Supor outra coisa é um despropósito sem fundamentos. Em resumo, estes homens são pobres candidatos para esta desordem.
(3) Além disto, o perfil psicológico fortemente opõem uma aplicação para qualquer destes três apóstolos. Desordem da conversão mais freqüentemente ocorre com mulheres (cerca de 5 vezes mais freqüente), adolescentes e jovens, pessoas menos instruídas, aquelas com QI baixo, status socioeconômico baixo, ou combatentes[31]. Não há uma única característica que possa ser aplicada a Pedro, Paulo ou Tiago.
(4-5) Além disto, sustentar que vítimas da desordem de conversão são fortes candidatas a ter alucinações visuais e auditivas é aumentar o caso um pouquinho. Estas são características incomuns[32]. Não somente são estes apóstolos pobres candidatos para a desordem em primeiro lugar, mas estão bem longe desta doença, eles foram adicionalmente não predispostos a experimentar alucinações. E aqui nós temos duas críticas separadas, devido aos conjuntos de circunstâncias muito diferentes. Não há indicação de que ambos, Tiago e Paulo, em particular, ansiaram ver Jesus. Sua descrença é uma base pobre para produzir alucinações! Tiago, o cético, e Paulo, o perseguidor, são excepcionalmente obstinados obstáculos para a tese da alucinação! Mais uma vez, dizer outra coisa é mera conjectura à parte dos dados históricos.
(6) Nenhuma destas hipóteses relata o que seria de outra forma considerada uma desilusão majestosa – neste caso da crença dos apóstolos que Deus teria comunicado a eles uma mensagem para o mundo inteiro que os outros devem aceitar. Mas isto é diferente de que há outras desilusões envolvidas aqui, até mesmo ocorrendo precisamente no mesmo tempo, então o caso é mais enfraquecido.
Resumindo, afirmar que estes apóstolos foram vítimas de desordem de conversão simplesmente não condiz com os fatos. É claramente uma super-confiança na hipótese a despeito dos dados, uma teoria não ancorada na realidade. Fazer todos os fatores necessários convergir simultaneamente é altamente improvável. E, semelhantemente, a acusação de alucinação em massa falha se desgasta silenciando outras dificuldades.

Problemas adicionais

Muitos outros tópicos sobraram acerca da hipótese da alucinação.
(1) Certamente alucinações individuais são questionáveis por quaisquer crentes que experimentaram desespero na inesperada morte de Jesus apenas horas antes. Suas esperanças e sonhos foram subitamente destruídos. Extrema aflição, e não exuberância, seria a resposta normal.
(2) A ampla variedade de tempos e lugares onde Jesus apareceu, juntamente com as diferentes vivências das testemunhas, é simplesmente um imenso obstáculo. Homens e mulheres, durões e emotivos igualmente, todos creram que eles viram Jesus, dentro e fora de lugares, por si mesmo providenciaria uma insuperável barreira para as alucinações. As desigualdades para que cada pessoa represente meticulosamente o adequado quadro mental para experimentar uma alucinação, até mesmo individualmente, decai exponencialmente[33].
(3) Geralmente, alucinações não transformam vidas. Estudos tem mostrado que mesmo aqueles que tem alucinações freqüentes (ou talvez costumeiramente) não admitem as experiências quando outras pessoas presentes não vêem a mesma coisa[34]. Críticos reconhecem que os discípulos de Jesus foram transformados mesmo ao ponto de estar totalmente disposto a morrer por sua fé. Nenhum texto antigo reporta que qualquer um deles se retratou. Acreditar que esta qualidade de convicção vem completar falsas percepções sensoriais sem ninguém rejeitá-la mais tarde é altamente problemática.
(4) Naturalmente, se as aparições foram alucinações, então o corpo de Jesus deveria estar localizado seguro na sepultura fora da cidade de Jerusalém! Que o corpo indubitavelmente seria uma enorme negação para as tentativas dos discípulos pregarem que Jesus tinha ressuscitado! Mas alucinações não se encaixam aqui, então outra tese naturalista é necessária.
Ainda outros itens impedem a hipótese da alucinação. Embora estes não sejam talvez tão fortes, eles ainda contam: (5) Porque as alucinações pararam após 40 dias? Porque elas não continuaram atingindo outros crentes, como os outros tinham sido? (6) A ressurreição foi o ensino central dos discípulos, e nós costumeiramente tomamos cuidado extra com o que está mais próximo dos nossos corações. Isto é o que dirigiu Paulo a checar a natureza dos dados do evangelho com outros discípulos chave em pelo menos duas ocasiões, para ter certeza que ele estava pregando a verdade (Gl 1.18-19; 2.1-10). Ele achou que eles estavam também falando das aparições de Jesus para eles (1 Co 15.11). (7) O que falar sobre a tendência natural do homem em tocar? Ninguém iria mesmo descobrir, nem mesmo uma única vez, que seu melhor amigo, parecia estar ali de pé a uns passos, mas não estava realmente lá?
(8) A ressurreição de um indivíduo contradiz a teologia geral judaica, a qual sustenta um evento corporativo ao final dos tempos. Então a ressurreição de Jesus não preencheu as expectativas dos judeus.
(9) Por último, alucinações do tipo prolongado requeridas por esta teoria naturalista são absolutamente raros fenômenos, sobretudo ocorrendo em certas circunstâncias que militam contra os discípulos de Jesus serem os recipientes[35].

Conclusão

Após um hiato centenário, parece que recentemente temos observado uma limitada tendência em direção à reformulação das abordagens naturalistas da ressurreição de Jesus. A alucinação e hipóteses relacionadas são novamente as mais populares, como elas foram ao final do último século. Mas nós argumentamos que estas estratégias falham em explicar os dados conhecidos e reconhecidos pela crítica em várias frentes. Por cerca de 20 razões, nós concluímos que elas fracassam em suas tentativas de prover uma alternativa para a proclamação do Novo Testamento. O psicólogo clínico Gary Collins enumera alguns destes itens aqui:
Alucinações são ocorrências individuais. Por sua própria natureza somente uma pessoa pode ver uma dada alucinação por vez. Elas certamente não são algo que podem ser vistas por um grupo de pessoas... Uma vez que alucinações existem somente num sentido pessoal e subjetivo, é óbvio que outras pessoas não podem testemunhá-las[36].
De fato, os problemas com esta tese são tão sérios que estes críticos “teriam de ir contra a maioria dos dados psicológicos e psiquiátricos mais recentes sobre a natureza das alucinações” [37]. Isto parece colocar estas abordagens em desacordo com o conhecimento científico atual sobre o assunto. Nós concluímos que aplicar a tese da alucinação e assuntos correlatos às aparições da ressurreição de Jesus está seriamente errado, através de várias disciplinas, em muitos pontos.

Notas finais

[1] Isto é o que eu chamo de Método dos Fatos Mínimos, o qual argumenta dirigidamente dos dados que tem a dupla característica de ser individual e multiplicadamente atestada em forte terreno evidencial, por esta razão é aceita por quase todos os estudiosos que pesquisaram este assunto. Para um esboço deste método, veja Gary Habermas, “Evidential Apologetics”, em Five Views on Apologetics, Steven Cowan, Ed. (Grand Rapids: Zondervan, 2000), 99-120, 186-190.
[2] Albert Schweitzer, The Quest of the Historical Jesus: A Critical Study of Its Progress from Reimarus to Wrede, W. Montgomery, trans. (New York: Macmillan, 1906, 1968), 21-22; outros exemplos são encontrados nas páginas 21-22, 43, 47, 53-55, 60, 83, 162-167, 170, 187, 210-214.
[3] Schweitzer, p. 64; cf. Friedrich Schleiermacher, The Christian Faith, H.R. Mackintosh and J. S. Stewart, trans. (New York: Harper and Row, 1963), 417-421.
[4] David Strauss, A New Life of Jesus, no trans., Segunda Edição, Dois vols. (Edinburgh: Williams and Norgate, 1879), vol. I, 412-440.
[5] Ernest Renan, Vie de Jesus (Paris: Calmann-Levy, 1861), 355-356.
[6] Otto Pfleiderer, Early Christian Conception of Christ: Its Significance and Value in the History of Religion (London: Williams and Norgate, 1905), Chapter IV.
[7] Schleiermacher, 420; Schweitzer, 53-55.
[8] Strauss, 408-412.
[9] As listas de Schweitzer não convenceram os proponentes da teoria do desmaio após 1838, três anos após a publicação inicial da crítica de Strauss.
[10] Pfleiderer, 157-158.
[11] Raymond Brown, "The Resurrection and Biblical Criticism," Commonweal, Vol. 87; No. 8 (Nov. 24, 1967), 233.
[12] James Dunn, The Evidence for Jesus (Louisville: Westminster, 1985), 76.
[13] Stephen Davis, "Is Belief in the Resurrection Rational?: A Response to Michael Martin," Philo, Vol. 2; No. 1 (Spring-Summer, 1999), 57-58.
[14] Alguns destes são Dan Cohn-Sherbok, "The Resurrection of Jesus: A Jewish View" in Resurrection Reconsidered, Gavin D'Costa, ed. (Oxford: Oneworld, 1996), 197; John Barclay, "The Resurrection in Contemporary New Testament Scholarship," in D'Costa, 25-26; Michael Grant, Saint Paul: The Man (Glasgow: William Collins Sons, 1976), 108; M. Lloyd Davies and T.A. Lloyd Davies, "Resurrection or Resuscitation?" Journal of the Royal College of Physicians of London, Vol. 25; No. 2 (April 1991), 168; Antony Flew, in Gary R. Habermas and Antony Flew, Did Jesus Rise from the Dead? The Resurrection Debate, Terry Miethe, ed. (San Francisco: Harper and Row, 1987), 50-59; John Hick, The Center of Christianity (San Francisco: Harper and Row, 1978), 25. Apesar de Peter Carnley pensar que a Ressurreição de Jesus realmente aconteceu, ele pontua que a suposição da visão subjetiva é muito difícil de negar (The Structure of Resurrection Belief [Oxford: Clarendon, 1987], 64, 244-245; cf. 69-72, 79, 82).
[15] Os trabalhos mais bem conhecidos de Gerd Ludemann são: The Resurrection of Jesus: History, Experience, Theology, John Bowden, trans. (Minneapolis: Fortress, 1994); uma rendição mais popular foi escrita em colaboração com Alf Ozen, What Really Happened to Jesus: A Historical Approach to the Resurrection, John Bowden, trans. (Louisville: Westminster John Knox, 1995).
[16] Ludemann, The Resurrection of Jesus, 50, 37; cf. What Really Happened to Jesus, 103.
[17] Ludemann, The Resurrection of Jesus, 106-107, 174-175.
[18] Jack Kent, The Psychological Origins of the Resurrection Myth (London: Open Gate, 1999).
[19] Kent, 6-11, 49-61, 85-90.
[20] Ibid., 89-90.
[21] Michael Goulder, "The Baseless Fabric of a Vision," 48-61; uma versão resumida foi publicada como parte de uma debate com James Dunn em Resurrection, G. N. Stanton and S. Barton, eds. (London: SPCK, 1994), 58-68.
[22] Goulder, "The Baseless Fabric of a Vision," 48-52. Casualmente, Goulder argumentou que os discípulos, especialmente considerando as aparições em grupo, experimentaram “desilusões coletivas”. Estas são significantemente diferentes das alucinações subjetivas a que eles se referiam aos equívocos com objetos físicos e reais (52-55).
[23] Visões similares são dadas por: Willi Marxsen, Jesus and Easter: Did God Raise the Historical Jesus from the Dead? (Nashville: Abingdon, 1990), 65-74; Willi Marxsen, The Resurrection of Jesus of Nazareth, Margaret Kohl, trans. (Philadelphia: Fortress, 1968), esp. Chapters III-IV; Don Cupitt, Christ and the Hiddenness of God (Philadelphia: Westminster, 1971), 143, 165-167; Thomas Sheehan, The First Coming: How the Kingdom of God became Christianity (New York: Random House, 1986), 95-118; John Shelby Spong, Resurrection: Myth or Reality? (San Francisco: Harper San Francisco, 1994), 255-260; John Shelby Spong, The Easter Moment (San Francisco: Harper and Row, 1987), esp. 39-68.
[24] Spong, The Easter Moment, 196; Sheehan, 262-263, nota final 38; cf. Marxsen, Jesus and Easter, 71-74.
[25] Leonard Zusne and Warren Jones, Anomalistic Psychology: A Study of Extraordinary Phenomena of Behavior and Experience (Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1982), 135–136.
[26] Para um número de observações críticas e respostas a tais fenômenos, veja Elliot Miller e Kenneth Samples, The Cult of the Virgin Mary: Catholic Mariology and the Apparitions of Mary (Grand Rapids: Baker, 1992), esp. Capítulos 11-14 e Apêndice A.
[27] Aqui Zusne e Jones repetidamente se referem às alucinações coletivas, ainda que eles concluam de modo oposto, que estes grupos podem ter visto um fenômeno real. Então, a “resposta final para estas questões não foi obtida ainda” (135-136)!
[28] Ibid., 135.
[29] A réplica poderia ser feita talvez com uns poucos indivíduos alucinados individualmente, por meio da indução da excitação em outros, preparando-os para as alucinações. Da nossa crítica abaixo, uma resposta multifacetada pode ser elaborada. Eu sugeriria especialmente as críticas 4 e 5 na próxima seção em relação aos casos de Paulo e Tiago, os quais seriam altamente problemáticos para esta visão por causa do ceticismo inicial em conversão posterior destes apóstolos, acrescentando (com suas variações) as críticas de 2 a 8 na seção “Problemas adicionais”.
[30] Ibid., 136; cf. 134–135. Para explicações mais exatas contra as alucinações em grupo, veja Phillip Wiebe, Visions of Jesus: Direct Encounters from the New Testament to Today (New York: Oxford, 1997), 210; J.P. Brady, "The Veridicality of Hypnotic, Visual Hallucinations," in Origins and Mechanisms of Hallucinations, Wolfram Keup, ed. (New York: Plenum, 1970), 181; Weston La Barre, "Anthropological Perspectives on Hallucinations and Hallucinogens," in R. K. Siegel and L. J. West, eds., Hallucinations: Behavior, Experience and Theory (New York: John Wiley and Sons, 1975), 9–10.
[31] Harold Kaplan, Benjamin Sadock, e Jack Grebb, Synopsis of Psychiatry, Seventh ed. (Baltimore: Williams and Wilkins, 1994), 621.
[32] Cf. Ibid., 621-622. Eu também agradeço à clínica psicológica Gary Sibcy, Ph.D., pelas últimas duas respostas.
[33] S. J. Segal, "Imagery and Reality: Can they be Distinguished?" in Keup, 103-113. Mesmo se as pessoas ficassem alucinadas em grupos, Zusne e Jones também notam que nem todos teriam estas experiências (135).
[34] Segal, 103; unpublished study of hallucinations by Shea Lambert, "Hallucinations and the Post Death Appearances of Jesus," 20 September, 2000, 2-5, 8-9.
[35] Para mais detalhes, veja Wiebe, 199-200, 207-211. Repetindo nosso ponto inicial, muitas das objeções através desta seção pode ser aplicada também ao que eu tenho chamado de Teoria da Iluminação.
[36] Gary Collins, em conversa pessoal, 21 de Fevereiro de 1977.
[37] Ibid.
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sexta-feira, 28 de março de 2008

O amor tem prazo de validade? 4



Eu visito as bancas de revista com certa freqüência, além de assinar algumas delas. Olhando as capas das principais do país, verifico facilmente que alguns temas se repetem mais. Assuntos como sexo, religião e amor sempre chamam a atenção. Sexo atrai principalmente os homens; amor, as mulheres, e religião atinge as pessoas que seguem alguma ou querem desculpas para se livrar dela. De qualquer forma, são de fácil vendagem.

Vejam o sexo. Outro dia escrevi um post sobre uma reportagem que falava do sexo sem compromisso, da ligação entre a igualdade entre os sexos e a libertinagem que aumenta entre as mulheres. Havia também uma ligação com a repressão sexual e a religião. A reportagem, resumindo, culpava a religião por ter privado a mulher de seu direito de dispor do seu corpo como quiser: a religião é machista. Curioso é que o que os homens, de forma geral, querem mais é que as mulheres se liberem sexualmente. A reportagem acusa os homens de inibirem o relacionamento sexual feminino, sendo que eles são os mais interessados em que a mulher seja "fácil".

E há o amor. Pesquisadores de todos os lugares do mundo buscam descobrir o que é o amor, e como o ser humano age quando ama. Percebo que os "profissionais" pesquisadores tentam diminuir o amor, que é muito mais do que um sentimento, é também um ato de vontade, em uma simples descarga química no nosso corpo. Não estou dizendo que quando amamos o nosso corpo não aja de forma diferente, com sensações causadas por substâncias químicas. Mas a premissa que estes pesquisadores estão levando em conta é que são estas substâncias que causam o que chamamos de amor, e não o contrário, que o amor desencadeia o uso destas mesmas substâncias. É quase como dizer que a água é responsável pela geração de calor na fervura dela, e não o calor ao qual o líquido é submetido.

Então me deparo com notícias como a acima [link não está mais disponível]. Não é que o "sentido do amor" está sendo perdido. Amar JÁ SIGNIFICA outra coisa. Existem 4 "tipos" de amor, que são aplicados para relações diferentes e em níveis diferentes. Procure o post sobre os tipos de amor, publicado aqui anteriormente. Mas, basicamente, existe um tipo de amor que existe em todos os níveis, seja ele entre pais e filhos, amigos, familiares, cônjuges e até entre pessoas que se consideram "inimigas": o amor ágape. Nesta postagem, estarei me referindo a este tipo de amor (quando estiver falando do amor correto).

As pesquisas e os psicólogos dizem que a grande crise de um casal surge sempre aos sete anos... se o relacionamento durar tanto tempo, é claro. No entanto, nem todos estão de acordo com esta afirmação. Um estudo recente restringe o amor a quatro anos. Se o amor é alimento para a alma, lembre-se de que, como os iogurtes, também tem prazo de validade.

O "amor" já virou ciência exata? Dura sempre 7 anos (ou 4, como querem alguns)? O "amor" destes estudiosos pode ser comparado com um iogurte? Inclusive o amor-próprio? O amor à família, aos filhos? Compromisso, fidelidade, respeito, dedicação, cumplicidade... tudo isto tem data de validade?

Isso tem explicação, segundo especialistas da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) que analisaram as implicações neurológicas do amor, este sentimento que dura no máximo quatro anos e se caracteriza por ser um "estado de atordoamento temporário".

A despeito da instituição, da qual nunca ouvi falar, o que estes "especialistas" estudaram não foi de pessoas que amam. No máximo, pessoas apaixonadas. Ou pior, pessoas que sentem atração sexual por outra, ou algum outro interesse excuso. "Estado de atordoamento temporário"? Nada pode estar tão longe do amor.

No Brasil, enquanto o número de casamentos aumenta, o de divórcios segue o mesmo fluxo. Dados do registro civil coletados pelo IBGE indicam que entre 2002 e 2005 as separações judiciais aumentaram 2,8%, de 99.693 para 102.503 ao ano.

Isto significa o que, exatamente? Aparentemente, que os relacionamentos estão sendo feitos talvez de forma prematura, sem compromisso, sem amor, baseado em interesses (não necessariamente materiais), por confundir paixão com amor... Estes dados não podem advogar em defesa de uma pretensa alteração química/biológica do "amor".

O amor deve ser diferenciado de apego e atração sexual, pois estar apaixonado ativa substâncias químicas no cérebro que ocupam todos os neurônios e não se consegue mais pensar no ser amado, afirmou em comunicado Georgina Montemayor Flores, da Faculdade de Medicina da Unam. (...) Este estado físico químico também termina, disse Montemayor. "Costuma durar um máximo de quatro anos ou até que apareça outra pessoa que desperta essa paixão romântica, e só persiste o apego ou a companhia para uma pessoa", afirmou.

Pelo escrito acima, a promiscuidade virou problema químico e biológico, não mais problema ético/moral. Quanto mais um compromisso ou ato de vontade. Como falei anteriormente, o amor romântico possui também o que chamamos de amor ideal, o amor ágape. Então, se o amor ágape é químico, a assertiva da especialista acima justifica inteiramente alguém largar sua esposa e filhos por "incompatibilidade química". Justifica também um pai abandonar o filho, ou o filho abandonar seus pais num asilo. Justifica trair os amigos.

(...) o amor origina uma obsessão de tais dimensões "que as pessoas deixam de ser produtivas... de fato, as grandes obras de arte nunca foram criadas quando os autores estavam apaixonados, mas depois, no processo do desamor" (...)

Com certeza... escritores e pintores criaram suas obras primas quando não sentiam nenhum tipo de amor pelas suas "inspirações"...

"O espantoso é que o encéfalo se acostuma com as substâncias liberadas, pelo que, em seu caso, está à espera de que outra pessoa inicie este processo", ressaltou. "Embora isso não tenha sustento moral, acontece com todos os seres humanos".

Promiscuidade de novo? Claro que não tem sustento moral, nem poderia. Agora, a nobre pesquisadora testou todos os seres humanos, em todas as épocas, para saber se isto realmente ocorre com TODOS os seres humanos? Isto é transferir a responsabilidade dos nossos atos pra cima do coquetel de substâncias químicas do nosso corpo. Se tudo o que pensarmos ser certo ou errado decorre de processos químicos que ocorrem no nosso corpo, como posso afirmar que um determinado pensamento meu é certo ou errado? O que faz o pensamento da pesquisadora ser melhor ou mais acertado do que um de outra pessoa? Se nossas decisões são baseadas inteiramente na química, não há o que falar sobre certo ou errado, verdadeiro ou falso. Minhas idéias são o que são, porque não poderiam ser de forma diferente. Pura química. A água ferve porque é aquecida. Eu violento porque os processos químicos em mim dizem para fazer isto. Eu sou o que sou, e ninguém tem nada a ver com isso, até porque "moral" não existe.  São só substâncias.

Para a especialista, "o amor tem um preço. Perde-se a liberdade e também torna-se dependente de outra pessoa e, por isso, deve-se lembrar que o desamor liberta".

Quem ama às vezes precisa ceder. Se você não quer ceder em favor de alguém, você quer usar esse alguém, e não amar. Ser completamente livre e independente, no sentido dado pela pesquisadora, te deixa infinitamente sozinho.

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quarta-feira, 26 de março de 2008

De quem é a culpa? 3

De quem é a culpa?




Sou assassino, estuprador e ladrão porque nasci assim!





Deus nos criou perfeitos; éramos criaturas para as quais o Criador olhou e disse: "É bom!". Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, e isto não é qualquer coisa. O valor da vida humana é, perante Ele, incalculável. Mas em um ponto no tempo e no espaço, este homem caiu, estando inteiramente degradado. Ao contrário da visão tomista (v. Tomás de Aquino), a capacidade intelectual do homem também foi prejudicada pela queda. Isto dá a entender que nossas decisões diárias podem ser afetadas pela corrupção do nosso ser. Mas isto de forma alguma anula a responsabilidade que o ser humano tem perante suas decisões. O livre-arbítrio não nos foi tirado, e, portanto, ele avaliza toda e qualquer escolha que façamos.


Alguns dias atrás, assisti uma reportagem na TV sobre uma pesquisa que está sendo feita por cientistas aqui no Rio Grande do Sul, com os menores infratores da FASE (Fundação de Atendimento Sócio-Educativo, antiga FEBEM ). O objetivo desta pesquisa é avaliar se existe alguma predisposição genética nos menores que os levaram à criminalidade. Assim, um menor é assassino porque nasceu assim, não tinha escolha.




Se, de fato, ficasse comprovado que as pessoas nascem com genes "ruins", isto tornaria tais pessoas inimputáveis. Entenda-se por inimputáveis os não podem sofrer punição por seus atos. A Constituição Brasileira de 88 declara que os menores de 18 anos, os doentes mentais e as pessoas que possuam desenvolvimento mental incompleto ou retardado são inimputáveis perante a lei, ou seja, são inteiramente incapazes de entender o caráter ilícito de suas condutas. Da mesma forma, se todo aquele que nascer com aquela tendência criminosa praticar algum delito, tal indivíduo não poderia ser responsabilizado pelo ato, uma vez que ele não poderia agir de forma diversa da qual foi "geneticamente programado".




Quando a Bíblia fala que somos seres destituídos da glória de Deus, não significa dizer a mesma coisa que os cientistas gaúchos estão tentando provar. As Escrituras afirmam que temos todo o "equipamento" para pecar, mas não diz que não temos escolha. Os cientistas querem provar que, além do "equipamento", não temos escolha. Para deixar mais claro, a corrupção afeta nosso corpo, através das doenças e da morte física, e afeta nosso intelecto, nas nossas escolhas morais, entre o bem e o mal.




Não é de hoje que o homem vem tentando, sem sucesso, colocar a responsabilidades dos seus atos sobre as outras pessoas. Em Gênesis 3, capítulo que discorre sobre a queda do homem, aparece Adão tentando esquivar-se da responsabilidade que era pessoal, sua, atribuindo-a a Eva, e enfim, a Deus, que a tinha criado. E Eva colocou a culpa sobre a serpente, que a tinha enganado.




Quem são os culpados de hoje




A seguir listarei 4 principais "desculpas" usadas pelas pessoas, crentes e não-crentes, na tentativa de esquivar-se das responsabilidades econsequências dos seus atos.




1.) Meus pais, avós e/ou antepassados são/eram assim.


É uma variante da "herança genética" da maldade, alvo da pesquisa dos cientistas. Culpa os antepassados pelos atos do indivíduo. Era uma escapatória já conhecida dos judeus no tempo de Jesus, quando questionaram Cristo sobre o motivo do cego de nascença ter nascido daquela forma (João 9). Verdadeiramente, há muito tempo isto já havia sido descartado como possibilidade real.Deuteronômio 24.16 diz: "Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais; cada qual morrerá pelo seu pecado". Esta desculpa tem tido repercussão inclusive nos arraiais evangélicos, no ensino de teorias como a "maldição hereditária", já discutida neste blog. Veja abaixo nos posts relacionados mais informações sobre este ensino (post 'Os dois reinos').




2) Minha educação familiar/escolar foi problemática.


Aqui vemos que a responsabilidade dos atos cai sobre a educação recebida em casa. Podemos inclusive estender esta educação àquela recebida na escola também. Pense friamente: todas as pessoas que receberam uma péssima educação, e tem péssimos exemplos em família, estão obrigatoriamente predestinados a agirem errado? Não estou dizendo que a educação não tem importância; é claro que ela tem. O que estou tentando deixar claro é: a educação recebida em casa e na escola (ou faculdade) anula o livre-arbítrio, a capacidade de fazer escolhas? Ora, creio que muitos de nós já vimos pessoas maravilhosas que saíram de famílias desestruturadas, e vimos também pessoas terríveis oriundas de grupos familiares exemplares. Então, a resposta é não. Além disto, a Palavra de Deus afirma que todos nós temos a noção de certo e errado (a lei) impressa em nossas mentes e corações (Romanos 2:15; 7:21), embora alguns tenham a consciência "cauterizada" devido ao seu pecado (1 Timóteo 4:2; Efésios 4:17-19), não sabendo mais discernir entre o bem e o mal.




3) Fui levado pelas más companhias.


Esta é uma desculpa muito dada pelos pais de filhos que agem de forma errada ao andar com alguns "amigos". "Meu filho(a) não é assim! Ele(a) mudou quando começou a andar com fulano(a)". Pais, mães, prestem atenção: os amigos de seus filhos não apontaram nenhuma arma na cabeça deles, os obrigando a agir de forma errada. Eles agem mal porque QUEREM. ABíblia ensina que devemos nos afastar de "escarnecedores", de "falsos irmãos", não nos colocar em jugo desigual, etc. O objetivo é evitar que você caia na tentação de pecar, VOLUNTARIAMENTE, da mesma forma que eles. Não fala que vão OBRIGÁ-LO a fazer o mal.




4) O culpado é o Diabo.


Campeão de bilheterias entre os crentes. O "diabo me fez beber", o "diabo me fez bater na minha mulher", "me prostituir", "me drogar", "roubar", etc. É um ser que tem as "costas largas", pois a maioria dos pecados de alguns crentes é, na verdade, culpa dele! Agora, falando sério: Satanás é mal, mas ele não coloca um cigarro na sua boca, por exemplo, nem usa o sua mão para asfixiar alguém até a morte. Ele não coloca as palavras na sua boca quando você mente. Não é ele que tira dinheiro da caixa registradora da loja quando ninguém está vendo. Quem faz isto são as pessoas. O Diabo lhe incita, é verdade, mas você é quem faz. Ele cava um buraco no seu caminho; você escolhe desviar ou se atirar dentro dele. O crente que prostitui não precisa expulsar o "espírito da prostituição"; tem é que se arrepender e deixar de ser sem-vergonha mesmo, e assumir que o erro foi dele e de ninguém mais. O primeiro passo para receber a salvação e o perdão não é reconhecer que somos pecadores? Então deixemos de ser hipócritas.




Cada um é responsável pelo mal e pelo bem que faz no seu corpo (2 Coríntios 5:10)




Em Jeremias 31:30 está escrito: "Mas cada um morrerá pela sua iniquidade; de todo o homem que comer uvas verdes os dentes embotarão". Em Jó 19.4, "Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro". Romanos 14:12 diz: "De modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus". E o versículo mais claro da Bíblia sobre este assunto: Ezequiel 18:20 - "A alma que pecar, essa morrerá. O filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele".




Estamos, então, indesculpáveis perante Deus.
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terça-feira, 11 de março de 2008

Células-tronco embrionárias 3 2

Notícia veiculada ontem, dia 10/03/2008, no jornal O Estado de São Paulo:

http://br.noticias.yahoo.com/s/10032008/25/manchetes-celulas-tronco-preserva-vida-diz-nobel.html

O ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2007, Oliver Smithies, declarou o seguinte:

"Existe muita discussão sobre matar embriões. Mas, na verdade, trata-se de preservar a vida do embrião". Smithies esclarece seu ponto de vista com um exemplo. "Se eu morresse em um acidente de carro, algumas partes do meu corpo poderiam ser transplantadas. Desta forma, parte de mim continuaria vivendo em outras pessoas".


O nobre senhor ganhador do Nobel está usando um 'argumento' puramente emocional. Realmente, as pessoas dizem, sentimentalmente falando, que alguém está vivendo em outra pessoa, referindo-se a algum órgão doado. Mas isto não significa, na realidade, que a pessoa que doou o órgão vive, no sentido estrito. Exemplificando: uma pessoa "A" sofre um acidente e tem sua morte cerebral detectada. Uma pessoa "B" precisa de um coração. A família do indivíduo "A" resolve doar o coração para a pessoa "B". Sentimentalmente, a família do indivíduo "A" diz que "A" ainda vive, pelo menos em parte, no indivíduo "B". Mas é bastante óbvio que "A" não está mais vivo.

O prêmio Nobel de 2007 está dizendo, então, que devemos matar o embrião, dividí-lo em partes e espalhar para várias pessoas, de forma a preservar a vida do mesmo.

Não pode ser sério. Ele pode até ser bom o suficiente para ganhar um Nobel em Medicina, mas com certeza ele passaria longe de qualquer outra disciplina que envolva lógica simples.
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Quando destituímos Deus do seu papel 1

Quando destituímos Deus do seu papel
Quando destituímos Deus do seu papel de criador e mantenedor da vida, todo tipo de absurdo pode ser feito. O homem assume a tarefa de estipular o que é vida humana e quando ela começa ou termina. As implicações disto são aterradoras.

Se a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias (CTE) no Brasil for aprovada, o primeiro passo já terá sido dado. O homem terá definido o que é vida humana. Sendo que teremos este poder, nada impede que, cedo ou tarde, criemos outras definições para o que signifique ser uma pessoa.

Se um embrião fora do útero pode ser morto, nada impede que ele possa ser morto dentro dele também.
Se eu definir que vida humana começa com a atividade nervosa (lá pela 12ª, 13ª semana de gestação), eu posso definir que aqueles que vão nascer com problemas neurológicos (inclusive os anencéfalos, os com problemas de retardo mental, os com síndrome de Down) não são seres humanos, pois não terão condições de socializar, não vão acrescentar nada à sociedade, serão 'inviáveis' como seres humanos.
Se eu usar a idéia da dificuldade de socializar, eu posso querer evitar que bebês com algum tipo de deficiência, seja ela física ou mental, nasçam. Posso até mesmo pensar que bebês de famílias pobres, miseráveis, que não têm condições apropriadas de se sustentarem e se desenvolverem, podem não vir ao mundo também, pois serão existências sofridas. O aborto, nestes casos, seria uma atitude de misericórdia da nossa parte: estaremos evitando que estas pessoas sofram desnecessariamente.

Poderíamos alegar, inclusive, que isto diminuiria a criminalidade, a desigualdade social, o risco da propagação de doenças genéticas, o sofrimento desnecessário da família com parentes parcial ou completamente dependentes deles. Sobraria mais dinheiro para investir em pesquisa na saúde, já que não se gastaria tanto com pacientes que não são passíveis de cura. Os fins justificam os meios.

Enfim, todo o tipo de atrocidade poderá ser feito contra as pessoas a pretexto de estarmos fazendo bem à elas, pois se dirá que não existir é melhor do que existir sem qualidade. O aborto e a eutanásia serão comuns.

É claro que muita gente pensará que a ciência deve se desenvolver a qualquer custo, que a moralidade e a ética não se aplicam a ela. Os médicos e cientistas nazistas da 2ª Guerra Mundial pensavam da mesma forma. Muita gente diz que devemos ser racionais, e não ser fundamentalistas religiosos. O que eles não vêem é que a tal racionalidade deles está retirando o que nos diferencia dos animais: a própria racionalidade humana. Estamos deixando de ser humanos. Somos pedaços de carne. Como os zumbis, mortos-vivos, representados no cinema, que precisam sobreviver a qualquer custo, mesmo ao custo de destruir tudo e todos que estão à sua volta.
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Células-tronco embrionárias 2 4

Celulas-tronco embrionarias 2

A Constituição Brasileira de 1988 defende o direito à vida, inclusive dos nascituros. Para contornar tal problema, os pesquisadores a favor do uso de células-tronco embrionárias querem desclassificar o embrião como sendo um ser humano. Consideram-no, no máximo, como um ser humano em potencial.

O argumento pró-pesquisa diz que o embrião não é ainda um ser humano, pois ainda não exerce nenhuma atividade neurológica. Cientificamente, o embrião começa a ter alguma atividade neurológica a partir do 12º dia de gestação, quando o Sistema Nervoso Central (SNC) inicia sua formação. A motivação que leva os indivíduos argumentarem que um ser sem SNC não é ser humano decorre da condição de estipular a morte ou não de um ser humano ao se detectar sua morte cerebral. Sem atividade cerebral, a morte é decretada.

Mas as situações são diferentes. O embrião pode não ter SNC, mas vai desenvolvê-lo, no decorrer do tempo. Há expectativa para ela. O embrião não está indo em direção à morte, mas à vida. A pessoa nascida, que tem suas atividades cerebrais extintas, não tem mais possibilidade de seu SNC voltar a funcionar. Não há expectativa para ela. Está indo em direção à morte total. Então, usar este tipo de argumentação é um mero jogo de palavras, um engodo, um erro.

Outro argumento dos militantes pró-pesquisa é de que não podemos voltar aos tempos do obscurantismo, da Idade Média. Aqui reside um tipo de preconceito, de que uma pessoa que defenda idéias ditas religiosas são contra o desenvolvimento científico. É bem verdade que, na Idade Média, tivemos uma pausa por causa da religião. Mas esta pausa não foi movida pelos mesmos motivos de agora. Não são interesses políticos que estão em jogo hoje, mas vidas humanas. O que não se quer permitir é liberar a pesquisa com seres humanos sendo usados como cobaias, com o propósito de atingir um 'bem maior'. Este argumento quer intimidar as pessoas de forma que elas não aceitem ser manipuladas pelos grupos religiosos como em outras épocas já aconteceu. Veja a diferença: não é um interesse institucional que está sendo defendido, mas a vida de um embrião, uma vida humana.

Uma desculpa jogada na mídia é a de que os embriões estão congelados há muito tempo, e são inviáveis para a geração da vida. Pergunta-se: se são inviáveis, por que fazem tanta questão de usá-las para extração de células para salvar vidas? Divulga-se que o destino de tais embriões será o lixo ou o congelamento eterno; então, porque não utilizá-los? O que não se explica também é que, mesmo juntando os cerca de 30 mil embriões congelados hoje no Brasil, não seria possível arrecadar mais de 4,5 milhões de células-tronco embrionárias (CTE). E o que tem isto a ver? Uma única injeção com células-tronco adultas (CTA) para tratamento de coração, por exemplo, tem cerca de 40 milhões de CTA, muitas vezes mais do que o temos em 'estoque'. Como conseguiriam mais CTE? Através de clonagem. Clonagem humana. Criaria-se mais seres humanos só para em seguida serem destruídos. E, vamos lembrar, a clonagem tem inúmeros problemas de ordem prática; nem mesmo os cientistas podem afirmar com certeza qual seria o resultado de uma clonagem de embriões ditos 'inviáveis'.

Os tratamentos feitos com células-tronco que estão tendo êxito hoje são as feitas com CTA, provenientes do próprio paciente. Não há nenhum resultado de sucesso feito com CTE, mesmo nos países onde a pesquisa é liberada há vários anos. Ninguém fala que o tratamento com CTE gera o mesmo tipo de problema que um órgão transplantado, ou seja, há a necessidade de se tomar imunodepressores o resto da vida. Ninguém fala também que as CTE, em especial as provenientes de embriões congelados, alteram seu comportamento no corpo que as recebe, podendo se reproduzir descontroladamente, criando tumores e até mesmo câncer. Que o local onde as CTE são inseridas pode as rejeitar e causar grandes infecções, até mesmo piorando o estado do paciente. Nem mesmo falam que as inúmeras vantagens propagandeadas pela mídia são fruto da imaginação dos cientistas, pois são apenas especulações sem respaldo prático.

Mesmo que houvesse casos reais de cura com a utilização das CTE, isto não justificaria a morte de um ser humano inocente para que outros se salvem. O grande paradoxo que os defensores da pesquisa com as CTE enfrentam é que eles querem seus direitos constitucionais garantidos, como o direito de viver com dignidade, o direito à saúde, ao mesmo tempo que querem negar estes mesmos direitos aos embriões, que são protegidos pela mesma Constituição.

Na Segunda Guerra Mundial, Hitler conseguiu convencer um país inteiro de que os fins justificavam os meios. A pesquisa científica feitas com as pessoas, nos campos de concentração, era de conhecimento da maioria. Porque ninguém se manifestou contra este tipo de atrocidade contra a vida de seres humanos? Simples. Eles simplesmente declararam que os judeus, por exemplo, não eram pessoas. O mesmo tipo de coisa está sendo feito aqui no Brasil. Querem declarar que o embrião não é ser humano, logo, a Constituição Federal não cobre seus direitos e não há nenhum problema ético envolvido. O ser humano está definindo quem é humano e quando começa a vida. Deus está sendo destituído do seu papel.
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sexta-feira, 7 de março de 2008

Células-tronco embrionárias 6

Células-tronco embrionárias
Em pleno furor da atividade de apreciar o assunto da liberação ou não do uso de células-tronco embrionárias, a divulgação de uma pesquisa encomendada ao IBGE declara quão grande é a discrepância entre a posição oficial da igreja católica e das diversas denominações evangélicas, e as pessoas que fazem parte destas entidades, vulgarmente denominados 'fiéis'. Ao passo que as lideranças dos grupos religiosos são, em sua maioria, contra o uso dos embriões em pesquisas e tratamentos, o povo brasileiro que professa alguma religião cristã é esmagadoramente a favor. Algumas considerações podem ser ponderadas sobre este fato.

Um possível motivo para esta notória discrepância talvez seja a divisão entre o sagrado e o profano. O que está ficando evidente é que os brasileiros estão dividindo cada vez mais a sua vida religiosa da sua vida comum, dita secular. Deus e seus ensinos são importantes quando vamos à igreja, mas fora dela sou eu que determino o que é melhor para mim. Desta forma, tranquilamente posso estar alinhado com Deus ao concordar que a vida humana deve ser valorizada e, ao mesmo tempo, concordar em eliminar pequenas vidas humanas em prol da sobrevivência de outras. Com isto, a ciência (cuja maior parte da população erradamente pensa ser contrária e/ou desligada da religiosidade) deve ganhar terreno sempre, em detrimento de regras morais e éticas que já foram úteis algum dia, mas hoje não mais suprem as necessidades do homem moderno.

Outra razão que posso ver é que há muita falta de informação, nas igrejas mesmo, aos seus membros, a respeito da vida humana, seu valor e seu conceito. Mescle esta falta de informação com a filosofia do utilitarismo, que ensina que 'os fins justificam os meios'. Junte ainda a visão relativista do mundo, onde cada indivíduo tem sua própria verdade, e não existe uma verdade absoluta: misturando tudo, esta receita indigesta vai se transformar num bolo onde o cristão já não sabe o que um ser humano é, quando adquire, quando perde e quem determina o valor de cada um e, para corroer todo senso ético e moral, ainda precisa aceitar a visão do mundo secular, para não se sentir isolado num gueto religioso e ser taxado de retrógrado, anti-cultural, irracional e contrário ao desenvolvimento.

Talvez o povo brasileiro não seja tão religioso assim. Deus é interessante quando se precisa de Suas bênçãos, quando se precisa do Seu socorro. Mas na hora em que é necessário lutar firme contra a destruição dos valores morais, que são atemporais, pois procedem da natureza eterna de Deus, abandonamos o Pai, pois Ele já não sabe o que é melhor para nós.

Talvez estejamos desgostosos com as falhas dos nossos líderes, e já não escutamos o que eles ensinam. Podemos pensar que o que aprendemos nos cultos, retiros, escolas bíblicas não seja matéria de origem divina, que é eterna e boa, mas de origem humana, falha e temporal. Pode ser por este motivo que nos alinhamos contra a igreja em casos como o uso das células-tronco. Achamos que é a 'velhice' da igreja que não aprova, e não os preceitos puros e eternos de Deus.

A aprovação do uso destes embriões em pesquisas e tratamentos pode abrir um precedente perigoso no Brasil. Quando começa a vida humana? E quem define quando ela começa? São as principais questões que estão por trás desta discussão.
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O amor-próprio do cristão 2


O amor-próprio do cristão

Centenas de obras já foram publicadas a respeito do desenvolvimento do amor-próprio, da auto-estima das pessoas. Algumas delas são obras sérias, mas a maior parte faz parte do que comumente denomina-se 'autoajuda', onde quem recebe os benefícios da ajuda efetivamente são os próprios autores dos livros. Este tipo de leitura tem se tornado muito mais presente hoje, já que o mundo e a sua pressão por produção e rapidez complica e muito o nosso desenvolvimento pessoal, pois sobra-nos pouco tempo para meditar, descansar, pensar sobre nós mesmos e sobre o que nos cerca. É evidente que a autoestima é importante. Uma pessoa que não é bem resolvida consigo mesma tem problemas de relacionamento.

Mas e o cristão? Deve nutrir um amor-próprio? O que a Bíblia nos diz?


Muitos cristãos têm escrito sobre este tema. O que se percebe são duas tendências bem opostas. Uma das linhas de pensamento defende que o cristão, hoje, depois de salvo e redimido, se torna um 'super-homem'. Deve ser rico, não adoecer, não ter problemas familiares... nada o abala. 'Tudo podem nAquele que os fortalece'. A outra vertente coloca o cristão como um 'coitadinho', que é tão miserável que não tem direito a nada, a não ser esperar o futuro lhe reserva, exibindo uma espécie de humildade exagerada e artificial. 'Porque eu sei que em mim, na minha carne, não habita bem algum', diz Paulo na carta aos Romanos. Mas nem todas as coisas podem ser pintadas em preto ou branco. Existem os tons de cinza, e há cores também.

O primeiro tipo citado parece esquecer-se que ainda temos corpos corrompidos pelo pecado. Parece esquecer-se que continuamos e sempre vamos continuar dependendo de Deus para tudo. Esquecem-se que Deus é soberano sobre tudo e todos, e é Ele quem, em última instância, permite ou concede. Mas, de repente, as pessoas que se enquadram no primeiro caso chegam à conclusão que Deus é obrigado a fazer o que querem, como se Ele fosse o grande gênio da lâmpada. O amor-próprio se torna insuportável, esquecendo de serem humildes perante o Criador e Mantenedor de todas as coisas.

Já o segundo tipo se baseia em passagens na Bíblia que falam sobre humildade, abnegação e abandono do 'eu'. Jesus mesmo falou sobre isto. Quer que neguemos a nós mesmos e tomemos a nossa cruz. Que quem amar a própria vida, vai perdê-la. Outras passagens falam sobre o egoísmo e o orgulho, dos quais devemos nos manter longe. Isoladamente, estes versículos dão a entender que, realmente, amar a si mesmo é mal. Mas será que é isso mesmo que a Bíblia ensina?

Há bons motivos, bíblicos, pelos quais nutrir amor por si mesmo é bom. Primeiro, porque o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1.26 e Sl 8.5). E por este mesmo motivo é que devemos amar todas as outras pessoas, mesmo aquelas que não nos parecem dignas do nosso amor e atenção, como um homicida serial não arrependido, por exemplo. Em segundo lugar, amar a nós mesmos é uma base para que possamos amar os outros. Jesus afirmou categoricamente: "Amem os outros como a si mesmo". Ele não disse "ame os outros em vez de a si mesmos". Percebam que o amor-próprio não é ensinado; ele é pressuposto. É como se Cristo tivesse dito: "Você se ama, e isso é muito bom. Agora, vá e ame os outros da mesma forma". E em terceiro lugar, é bom nos amar porque o próprio Deus nos ama. Não amaríamos o que Deus ama? Parece-me fora de propósito.

Uma das obrigações mais básicas do cristão é cuidar de si mesmo. Em Efésios 5.29, Paulo diz "Ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja". É normal e necessário que os crentes alimentem até amadurecerem física, mental, social e espiritualmente, e se protejam dos elementos prejudiciais. Verifique na sua Bíblia. Deus quer que cada uma de nós se preocupe acerca de si mesmo. E esta consideração que temos conosco fornece uma base simples para usar com as outras pessoas.

Amor-próprio é trabalhar diligentemente para se sustentar e sustentar a família, e contribuir com a obra de Deus. Significa também investir tempo no seu desenvolvimento espiritual a fim de preparar-se para ensinar os outros. Significa proteger-nos mental, física, social e espiritualmente dos elementos prejudiciais. Até mesmo medidas simples como colocar o cinto ou o capacete antes de sair de carro ou moto, cuidar da sua higiene, evitar a gula, assistir bons filmes, ler bons livros, escutar boas músicas, evitar fazer parte de grupos de pessoas que podem prejudicar o seu crescimento na fé... tudo isto revela um cuidado consigo mesmo que será refletido no seu amor por outras pessoas.

Cuidado com os extremos

Como escrevi acima, o problema não é ter amor-próprio, mas sim tê-lo em excesso ou com escassez. Paulo escreveu muito bem sobre isto em 1 Coríntios, capítulo 12, onde ele fala sobre o uso dos dons espirituais na igreja. 1 Co 12.12 compara cada membro da igreja com uma parte de um corpo. Em seguida, nos versículos 15 e 16, cuida de não desmerecer a importância de cada um, evitando que algum membro se sinta inferior aos outros. E, no versículo 21, Paulo fala sobre não amar demais a si mesmo, pois todos são importantes, não importando o que cada um é ou faça. O bom mesmo é agir sempre com moderação e equilibrio (Rm 12.3-5)

Ninguém dá nada que não possua. Pense nisto. Antes de 'tentar' amar as pessoas, veja se ama a si mesmo, e se é um amor sadio. Depois disto, você saberá como amar as outras pessoas. Você terá o que oferecer.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Devemos provocar o milagre? 2

Devemos provocar o milagre?

Certa vez assisti um pregador, destes que vão de igreja em igreja, fazendo campanhas, afirmar que Deus não faz nada a não ser que o "provoquemos". A frase que ele usou, exatamente, foi "Para haver um milagre, devemos provocar o milagre". Muitos estavam precisando de um milagre na área financeira, e então "provocaram" o milagre fazendo uma oferta de sacrifício, com um valor talvez alto para as suas possibilidades atuais, mas confiantes de que Deus, mais adiante, faria o ressarcimento.

Quero ressaltar que não tenho nada contra o fato de fazermos ofertas de sacrifício. A viúva deu tudo o que tinha como oferta e Jesus chamou a atenção dos discípulos para isso. Mas devemos nos atirar do pináculo do templo confiando que Deus mandará Seus anjos para nos segurarem? Foi isso que Satanás tentou induzir Jesus a fazer, enquanto ele esteve no deserto. Mas Jesus disse: "Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mt 4.7). Então, da mesma forma que Jesus respondeu, deveríamos responder a estas tentativas de "provocar" o milagre. Outra analogia útil para compreensão deste absurdo seria pedir a cura divina para alguma doença, como a cirrose. Mas, antes, teríamos de "provocar" o milagre entornando uma garrafa de bebida alcoólica atrás da outra até adoecer. Ou se atirar a algum relacionamento amoroso, querendo que Deus "dê um jeito" para que o casal possa ficar junto. Ou comprar muitos bens, mesmo sem dinheiro, confiando que Deus vai lhe dar condições de pagar tudo. Os exemplos são muitos.

Se devemos "provocar" o milagre para cada desejo nosso, para que Deus aja na nossa vida, faríamos muitos absurdos. Devemos confiar em Deus, acima de tudo, para que Ele endireite todas as nossas veredas (Pv 3.5-6).

A viúva entregou tudo o que tinha para que ela pudesse confiar plenamente na provisão e proteção de Deus. Ela não deu tudo com a intenção de que Deus lhe devolvesse o dinheiro corrigido mais tarde. Ela não deu com o propósito de comprar bençãos de Deus, mas sim para se livrar de algo que estava lhe impedindo de confiar plenamente no Senhor. É bastante óbvio que o Senhor nos suprirá todas as necessidades (Fp 4.19), mas para isso não devemos tentar à Deus, pois nisto pecamos.

"Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." (1Pe 5:6-7)
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