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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Deus é o autor do mal? 3

Deus é o autor do mal?


Is 45:7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

Jr 18:11 Ora, pois, fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que estou forjando mal contra vós; e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações.

Lm 3:38 Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem?

Am 3:6 Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o SENHOR o tenha feito?

Alguns cristãos encontram grandes dificuldades em entender estes versículos acima. Não só eles, mas os descrentes também, inclusive usando-os para indicar contradição na Palavra Inspirada. Vejamos como podemos resolver tais dificuldades e torná-las mais claras de serem compreendidas.

A Bíblia é clara quando afirma que Deus é perfeitamente moral (Dt 32:4 - Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é; Mt 5:48 - Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.) e que é impossível que Ele peque (Hb 6:18 - Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta). Ao mesmo tempo, Sua justiça absoluta exige que Ele puna o pecado. Este julgamento alcança as formas temporais e eternas (Mt 25:41; Ap 20:13-15). Na sua forma temporal, a execução da justiça Divina é às vezes chamada de “mal” porque ela parece ser mal às pessoas a quem ela é submetida (Hb 12:11 - E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela). Contudo, a palavra para mal em hebraico sem sempre é usada significando “mal moral”. Ao invés disto, o contexto indica que ela poderia ser traduzida (como de fato o é em algumas traduções) como “calamidade”. Deste modo, Deus é apropriadamente dito como o autor do “mal” neste sentido, mas não no sentido moral – pelo menos não diretamente.

Além disso, há um sentido indireto no qual Deus é o autor do “mal moral”. Deus criou seres morais com livre-arbítrio, e o livre-arbítrio é a origem do mal moral no universo. Então, no final das contas, Deus é o responsável por criar seres morais que são responsáveis pelo mal moral. Deus torna o mal possível pela criação de seres livres, mas os seres livres fazem o mal efetivamente. Naturalmente, a possibilidade do mal (isto é, o livre-arbítrio) é, em si mesmo, uma coisa boa. Então Deus criou somente coisas boas, uma das quais é o poder do livre-arbítrio, e as criaturas morais produziram o mal. Contudo, Deus é o autor da possibilidade do mal. Naturalmente, Deus somente permitiu o mal, mas não o promove, e Ele, no final das contas, produz um bem maior através dele (Gn 50:20; Ap 21 e 22).

Resumindo:

Deus não é o autor do mal:

  • No sentido de pecado;

  • Como mal moral;

  • Como perversidade;

  • Diretamente;

  • Como mal efetivo.


Deus é o autor do mal:

  • No sentido de calamidade;

  • Como mal não-moral;

  • Pragas;

  • Indiretamente;

  • Como possibilidade do mal.



Referências:

Bíblia Almeida Corrigida e Fiel
When critics asks: A popular handbook on Bible's dificulties - Norman Geisler


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sábado, 3 de novembro de 2007

Jesus - o filósofo e apologista 2

Jesus requer uma fé irracional?

por Douglas Groothuis.

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

Artigo original pode ser encontrado aqui.

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Ao contrário da visão dos críticos, Jesus Cristo foi um pensador brilhante que usou argumentos lógicos para refutar os seus críticos e estabelecer a verdade das suas visões. Quando Jesus elogiou a fé das crianças, Ele incentivou a humildade como uma virtude, não a crença religiosa irracional ou um pulo cego de fé na escuridão. Jesus empregou habilmente uma variedade de argumentos estratégicos nos seus debates em vários tópicos. Estes incluem escolhas difíceis, argumentos “a fortiori”, apelos à evidência, e argumentos reductio ad absurdum. Jesus usou de argumentos persuasivos demonstrando que Ele foi filósofo e um apologista que defendia racionalmente a sua visão de mundo em discussões com alguns dos melhores pensadores dos seus dias. Esta aproximação intelectual não prejudica a Sua autoridade divina, antes a aumenta. A alta estima da racionalidade de Jesus e a sua própria aplicação de argumentos indica que o Cristianismo não é uma fé anti-intelectual. Os seguidores de Jesus hoje, então, deveriam imitar o seu zelo intelectual, usando os mesmos tipos ou argumentos que Ele usou. As estratégias argumentativas de Jesus têm aplicações em quatro debates contemporâneos: a relação entre Deus e moralidade, a confiabilidade do Novo Testamento, a ressurreição de Jesus e o relativismo ético.


JESUS FOI FILÓSOFO E APOLOGISTA?

Eu tive que enfrentar a pergunta de que se Jesus foi filósofo e apologista de frente quando me pediram para escrever um livro sobre Jesus para a Wadsworth Philosophers Series. Eu já sabia que Jesus articulou uma visão de mundo desenvolvida e argumentava brilhantemente com os seus adversários. Como eu estudei cuidadosamente o assunto, porém, comecei a apreciar Jesus, o filósofo, mais que nunca. Quando Jesus defendeu as reinvindicações cruciais do Cristianismo de que Ele era seu fundador, afinal de contas, Ele estava se ocupando de apologética, freqüentemente com as melhores mentes do Judaísmo do primeiro século.


Alguns cristãos podem relutar em etiquetar Jesus como filósofo ou apologista porque eles se preocupam que tal referência pode humilhar o Deus do universo. Um filósofo cristão famoso me falou que enfatizar as habilidades racionais de Jesus podia distanciar Jesus como um revelador, uma fonte de conhecimento sobrenatural. Eu respeito sua preocupação, mas discordo pelas razões seguintes.


Jesus foi a encarnação do Logos, a quem os teólogos chamam de A Segunda Pessoa da Trindade. Como o filósofo cristão e teólogo Carl Henry e outros enfatizaram, o apóstolo João usou o termo Logos para personalizar a visão grega da sabedoria, lógica e racionalidade do universo 1. Nossas traduções inglesas dizem, No princípio era o Verbo [Logos] (João 1:1)2. Jesus encarna a comunicação racional (Verbo) da verdade de Deus. Ele é cheio de graça e verdade (João 1:14). Nós deveríamos esperar que Deus Encarnado fosse uma pessoa sábia e racional, não obstante Ele pudesse contrariar a natureza da presunção humana, orgulho e mentira. Além disso, Jesus foi divino e humano. Como um humano, Jesus argumentou com outros seres humanos. Ele não fugiu de um argumento bom na teologia ou ética, mas cativou seus ouvintes brilhantemente.


Jesus não era um filósofo no sentido de tentar construir um sistema filosófico em cima da limitada mente humana. Ele recorreu a revelação prévia de Deus na Bíblia hebraica (Mt. 5:17-19; Jo. 10:34) e revelações autorizadas emitidas por Ele mesmo como Deus Encarnado. Por outro lado, Jesus argumentou cuidadosamente sobre as coisas que importavam mais a uma conveniente definição da filosofia. Na realidade, os seus ensinos cobrem os tópicos básicos da Filosofia 3. Como um apologista para a verdade de Deus, Ele defendeu a verdade da Bíblia hebraica tanto quanto os seus próprios ensinos e ações.


Quando nós analisamos a mente de Jesus em ação em várias histórias familiares dos Evangelhos, nós vemos que o Seus pensamentos eram perspicazes, claros e irrefutáveis. Não devemos apenas acreditar no que Ele ensinou porque Ele é nosso Mestre divino, mas através de aplicação, oração e confiança no Espírito Santo, nós devemos nos esforçar para também imitar as Suas virtudes intelectuais, porque nós somos chamados para andar como Ele andou (1 Jo 2:6).


Apresentar Jesus como um notável pensador pode ser uma ferramenta apologética poderosa aos incrédulos que injustamente assumem que a fé cristã é um problema de fé cega ou crença irracional. Se o fundador do Cristianismo é um grande pensador, os seus seguidores nunca deveriam desprezar a mente humana (Mt. 22:37-39; Rm. 12:1-2). Além disso, a estratégia argumentativa de Jesus pode servir como um modelo para a nossa própria defesa apologética da verdade e racionalidade do Cristianismo, a qual eu discutirei.


JESUS DESPREZOU A RACIONALIDADE?

Jesus se ocupou de extensas disputas, algumas bem acirradas, principalmente com os líderes intelectuais judeus dos seus dias. Ele não hesitou invocar a opinião popular se estivesse errado. Ele falou freqüentemente e apaixonadamente sobre o valor da verdade e os perigos do erro, e Ele articulou argumentos para amparar a verdade e opor-se ao erro 4.


O uso da lógica por Jesus teve um sabor particular, observa o filósofo Dallas Willard:


O objetivo de Jesus em utilizar a lógica não era ganhar batalhas, mas suscitar a compreensão ou discernimento nos seus ouvintes. Ele apresentava as questões de um modo tal que esses que desejavam aprender poderiam achar os seus próprios caminhos para poderem chegar à conclusão apropriada, como algo que eles mesmos descobriram, sendo ou não algo que eles particularmente se preocupavam 5.


Willard também discute que um interesse pela lógica não só requer certas habilidades intelectuais, mas também certas obrigações de caráter relativas à importância de lógica e o valor da verdade na vida de cada um. Uma pessoa pensante avaliará a lógica e o argumento através da concentração focada, diálogo racional e uma disposição de seguir a verdade onde quer que ela possa conduzir. Esta orientação mental estabelece exigências na vida moral. Além de resolução, tenacidade e coragem, a pessoa tem que evitar a hipocrisia (defendendo a si mesmo contra fatos e lógica por motivos dissimulados) e superficialidade (opiniões adotadas com uma volúvel negligência para o seu sustento lógico). Willard tem Jesus como o modelo supremo, como faz também o filósofo cristão James Sire 6.


O filósofo ateu Michael Martin, em contraste, alega que o Jesus dos Evangelhos (confiabilidade a qual ele contesta) não exemplifica virtudes intelectuais importantes. As suas palavras e ações parecem indicar que ele não preza a razão e a aprendizagem. Jesus fundou o seu ministério inteiro na fé 7. Martin interpreta as declarações de Jesus sobre a necessidade de se tornar como crianças para entrar no reino dos céus (Mt. 18:3) como exaltando a crença acrítica. Martin também desfere que, quando Jesus dava qualquer razão para aceitar seu ensino, era ou que o reino estava perto, ou que esses que acreditassem iriam para o céu, mas os que não acreditassem iriam para o inferno; supostamente, nenhuma justificativa racional foi dada para estas alegações 8. De acordo com Martin, para Jesus, fé irracional era boa; demonstração racional e crítica eram errado.


Estas acusações contra a reinvindicação de que Jesus era um filósofo que prezava o raciocínio e mantinha uma visão de mundo bem-desenvolvida são incriminativas. O mesmo Jesus que estimava as crianças, porém, também disse, Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento (Mt. 22:37; ênfase adicionada).


Jesus elogiou as crianças pelas mesmas razões que nós as elogiamos habitualmente. Nós não vemos as crianças como modelos porque elas são irracionais ou imaturas, mas porque elas são inocentes e sinceras no seu amor, devoção e entusiasmo pela vida. As crianças também são estimadas porque podem ser sinceramente humildes, não tendo aprendido as ambições do mundo adulto. A história em Mateus 18 tem somente esta visão favorável das crianças em mente. Jesus é questionado pelos seus discípulos “Quem é o maior no reino dos céus?” Depois de chamar uma criança e ter se levantado entre eles, Jesus respondeu:


E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. (Mt. 18:3-5)


O significado de se tornar como menino não é tornar-se acrítico e irracional (como Martin afirma), mas ao invés disto, tornar-se humilde. Jesus falou muito de humildade, como faz a Bíblia hebraica. Ele nunca associou humildade com estupidez, ignorância ou ingenuidade 9. Jesus agradeçeu a Deus por revelar o Evangelho para os humildes e não para os supostamente sábios e entendidos. Porém, isto não implca que inteligência é um detrimento a acreditar na mensagem de Jesus, mas que muitos dos dirigentes religiosos daqueles dias não podiam compreendê-la, em grande parte porque desafiou o orgulho intelectual deles (veja Mt. 11:25-26).


Martin também afirma que as únicas razões que Jesus deu para aceitar o seu ensino eram que o reino de Deus estava próximo e que os que não crerem não receberão os benefícios divinos outorgados aos que tiverem fé 10. Isto é verdade?


Primeiramente, Jesus falou freqüentemente sobre o reino de Deus usando isto como uma justificativa para alguns dos seus ensinos e pregações (Mt. 4:17). Jesus estava admoestando as pessoas para reorientar as suas vidas espiritual e moralmente porque Deus rompeu a história de uma maneira inigualada e dramática. Esta necessariamente não é uma alegação irracional ou infundada se (1) Deus estivesse agindo desta maneira nos dias de Jesus e (2) alguém podia achar evidências para o aparecimento do reino, principalmente pelas ações do próprio Jesus.


Os Evangelhos apresentam o reino como exclusivamente presente no ensino e ações de Jesus o qual Ele mesmo alegou que “se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus é chegado” (Mt. 12:28). Considerando que os seus ouvintes o viram expulsando demônios com autoridade singular, Jesus estava lhes dando uma boa razão para acreditar nas suas afirmações. Ele não estava apenas fazendo assertivas ou ameaças não estabelecidas esperando complacência de um modo infantil ou covarde.


Segundo, Jesus usou o conceito de julgamento de Deus ou recompensa não o supervalorizando ou em substituição ao uso de seus argumentos. A sua forma normal de argumentação não era a seguinte: Se você acreditar no que eu digo, será recompensado. Se você não acreditar no que eu digo, perderá esta recompensa. Então, acredite no que eu digo. Quando Jesus emitiu advertências e fez promessas relacionando a conduta nesta vida à vida após a morte (veja Jo 3:16-18), Ele falou mais como um profeta do que como filósofo. Se as palavras de Jesus nesta questão são fidedignas, depende da Sua autoridade moral e espiritual, não nos seus argumentos, especificamente. Se nós temos razão para O julgar autorizado (como fazemos), porém, nós podemos racionalmente acreditar nestes pronunciamentos, da mesma maneira que acreditamos em várias outras autoridades que julgamos fidedignas com base nas suas credenciais e no seu passado 11.


ESCAPANDO DAS ESCOLHAS DIFÍCEIS

Nós precisamos consultar os Evangelhos para determinar se Jesus valorizou ou não o pensamento crítico bem-desenvolvido. Vários exemplos ilustram a capacidade de Jesus para se libertar das escolhas difíceis quando desafiado. Nós olharemos para uma12.


Mateus registrou uma situação traiçoeira para Jesus. Os Saduceus haviam tentado encurralar Jesus em uma pergunta sobre a vida após a morte. Ao contrário dos Fariseus, eles não acreditavam em vida depois da morte, nem em anjos ou espíritos (embora eles fossem teístas), e eles concederam autoridade especial somente aos primeiros cinco livros da Bíblia hebraica. Os Saduceus lembraram Jesus do mandamento de Moisés de que, se um homem morrer sem ter filhos, o irmão dele tem que se casar com a viúva e ter filhos para ele. Então eles propuseram um enredo no qual a mesma mulher se casa progressivamente e enviuva dos sete irmãos, e de nenhum nasceu qualquer filho por ela. A mulher morre subseqüentemente. Agora, então, à ressurreição, de qual dos sete ela será esposa, desde que todos eles se casaram com ela? - questionaram sugestivamente a Jesus (Mt. 22:23-28).


O argumento deles é bastante inteligente. Os Saduceus sabiam que Jesus respeitava a lei de Moisés, como eles o faziam. Eles também sabiam que Jesus, ao contrário eles, ensinava que haverá uma ressurreição dos mortos. Eles pensaram que estas duas convicções são logicamente conflitantes; não podem ambas ser verdade. A mulher não podia se casar com todos os sete na ressurreição (a lei Mosaica não permitia muitos maridos), nem havia qualquer razão por que ela deveria se casar com qualquer um dentre os sete (assim honrando a monogamia). Eles imaginaram, então, que Jesus teria que se levantar contra Moisés ou negar a vida após a morte para permanecer livre de contradição. Eles estavam apresentando este enredo como um dilema lógico: ou A (autoridade de Moisés) ou B (vida após a morte).


Martin e outros afirmaram que Jesus elogiou a fé acrítica13. Se estas acusações estivessem corretas, a pessoa poderia esperar que Jesus (1) evitasse a pergunta com uma declaração piedosa e sem conexão, (2) ameaçasse com o inferno esses que ousaram questionar sua autoridade, ou (3) simplesmente aceitar ambas as proposições logicamente incompatíveis sem hesitação ou vergonha. Ao invés disto, Jesus disse francamente que os Saduceus erravam porque não conheciam as escrituras e nem o poder de Deus:


Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt. 22:30-32)


A resposta de Jesus tem uma astúcia que pode não ser imediatamente óbvia. Primeiro, Ele desafiou a presunção deles que a crença na ressurreição significa que alguém é obrigado a acreditar que todas nossas instituições pré-mortem serão retidas no post-mortem, no mundo ressuscitado. Nada da Bíblia hebraica ensina isto e Jesus não acreditava nisto. O problema, portanto, se dissolveu. É um falso dilema porque Jesus declarou uma terceira opção: Não há casamento na ressurreição.


Segundo, como parte da sua resposta para a armadilha lógica deles, Jesus comparou o estado ressuscitado de homens e mulheres a aquele dos anjos, desafiando a descrença dos Saduceus em anjos. (Embora os Saduceus não acreditassem em anjos, eles sabiam que os judeus contemporâneos a eles, que acreditavam em anjos, pensavam que anjos não se casavam ou procriavam.)


Terceiro, Jesus citou um texto que os próprios Saduceus estimavam na Bíblia (Ex. 3:6), onde Deus declarou a Moisés do arbusto ardente que Ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Jesus poderia ter citado uma variedade de textos escritos fora dos primeiros cinco livros da Bíblia para apoiar a ressurreição, tais como os profetas (Dn. 12:2) ou Jó (19:25-27), mas ao invés disto Ele argumentou primorosamente das próprias fontes de confiança deles, as quais Ele também endossou (Mt. 5:17-20; Jo 10:35).


Quarto, Jesus destacou o tempo verbal do versículo que Ele citou. Deus é (tempo presente) o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, todos os quais já haviam morrido na ocasião em que Deus havia emitido esta declaração a Moisés. Deus não deixou de ser o Deus deles na suas mortes terrestres. Deus não disse, eu era o Deus (tempo passado) deles. Deus é o Deus dos vivos que inclui até mesmo os patriarcas mortos. Mateus adicionou: E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina. E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. (Mt.22: 33-34).


A habilidade de escapar logicamente de escolhas difíceis é aplicável a muitos desafios apologéticos. Considere um deles; os filósofos discutem freqüentemente que fazer de Deus a fonte da moralidade resulta em um dilema desesperador. Se a moralidade é baseada na vontade de Deus, eles afirmam, Deus poderia fazer qualquer coisa, inclusive homicídio, estupro e blasfêmia e isto seria bom. Esta visão é absurda. Por outro lado, se nós deixarmos os padrões morais separados da vontade de Deus, então Deus perde a sua supremacia moral, porque Deus ficaria debaixo destes padrões morais absolutos, impessoais e objetivos. O dilema, então, é este: (A) qualquer moralidade é arbitrária ou (B) Deus não é supremo. Uma vez que ambos são inaceitáveis ao Cristianismo, o Cristianismo é refutado.


A pessoa pode escapar das escolhas difíceis mostrando que é um falso dilema. A fonte de moralidade não separa a vontade de Deus do caráter eternamente perfeito de Deus; antes, os mandamentos divinos emergem intrinsicamente de Deus. Considerando que o caráter de Deus é imutavelmente bom, Deus não pode alterar padrões morais porque Ele não pode se negar (Ml. 3:6; Tg 1:17). Além disso, uma vez que Deus é o Criador do mundo e dos humanos, Deus sabe o que é melhor para os humanos prosperarem. As ordens dele para nós são para nossa bênção como também para a própria glória de Deus (Mt. 5:1-16; Col. 3:17)14. O problema acabou.


ARGUMENTOS A FORTIORI

Jesus era apaixonado pelo que é chamado de argumentos a fortiori (do latim: do mais forte) os quais freqüentemente aparecem em formas expressivas, mas persuasivas nos evangelhos15. Nós os usamos freqüentemente em argumentos cotidianos. Estes argumentos têm a seguinte forma:


  1. A verdade da idéia A é aceita.

  2. O sustento para a verdade da idéia B (que é relevantemente semelhante à idéia A) é até mais forte do que aquela da idéia.

  3. Então, se a verdade da idéia A deve ser aceita, então assim deve a verdade da idéia B ser aceita.


Considere o argumento de Jesus contra os Fariseus, relativo à legalidade de executar um milagre de cura no Sabbath (Sábado sagrado):


Fiz uma só obra [no Sabbath], e todos vos maravilhais. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem? Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça (Jo 7:21-24).


O argumento de Jesus pode ser posto simplesmente assim:


  1. Os Fariseus endossam a circuncisão, até mesmo quando é feito no Sábado, o dia de descanso. (A circuncisão era executada oito dias depois do nascimento de um macho, o qual às vezes caía no sétimo dia da semana, o Sábado.) Isto não viola a lei sabática, porque é um ato de bondade.

  2. Curar a pessoa inteira é mais importante e benéfico do que a circuncisão, que afeta só um aspecto do macho.

  3. Então, se a circuncisão no Sábado não era uma violação do Sábado, tampouco é a cura, feita por Jesus, de uma pessoa no Sábado.


O comentário final de Jesus, deixar de julgar através da aparência e fazer um julgamento justo, era uma repreensão à inconsistência ilógica deles enquanto aplicando a sua própria moral e princípios religiosos.


Jesus discutiu de uma forma semelhante em várias outras conversações relativas ao significado do Sábado. Depois que Ele curou uma mulher aleijada no Sábado, os regentes da sinagoga ficaram indignados, e disseram que há seis dias para o trabalho. Assim venha e seja curada nesses dias, não no Sábado! Jesus lembrou-lhes que podem legalmente desamarrar o boi ou burro de alguém no Sábado e levá-lo à água. Então não deveria esta mulher, uma filha de Abraão, a quem Satanás manteve presa por dezoito longos anos, seja libertada no dia de Sábado da sua prisão? O argumento Jesus foi parecido com isto:


  1. Os judeus legalmente libertam os animais do seu confinamento no Sábado sem preocupação, pelo bem-estar dos animais.

  2. O bem-estar de uma mulher (libertação de uma doença crônica, debilitante) é mais importante que dar de beber a um animal.

  3. Então, se dar de beber a um animal no Sábado não é uma violação, então a cura que Jesus deu à mulher no Sábado não é uma violação do mesmo.


Lucas registrou que, quando o Jesus disse isto, todos seus adversários foram humilhados, mas as pessoas estavam encantadas com todas as coisas maravilhosas que ele estava fazendo (Lucas 13:17, veja 13:10-17).


Um apologista sábio fará um bom e repetido uso de argumentos a fortiori. Aqui está um exemplo de religião comparativa. Muitos rejeitam o Evangelho porque eles são documentos antigos que são, supostamente, historicamente incertos. Muitas destas mesmas pessoas, porém, confiam no antigo budista e outros documentos religiosos orientais. Além de dar razões boas para confiar nos Evangelhos, nós podemos usar o seguinte argumento a fortiori relativos às suas crenças nos textos orientais. As escrituras sagradas budistas não foram escritas até aproximadamente 500 anos depois da vida de Buda (563-483 d.C). O estudante budista Edward Conze nota que enquanto o Cristianismo pode distinguir sua tradição inicial encarnada no Novo Testamento de uma tradição contínua que consiste em reflexões dos pais de igreja e concílios, os budistas não possuem nada que corresponda ao Novo Testamento. A tradição contínua é tudo aquilo é claramente atestado16. Se as pessoas confiam nos anciãos e nos documentos budistas pobremente atestados, quanto mais eles deveriam confiar nos Evangelhos que são arraigados mais firmemente em história verificável17? O apologista, então, espera que esses que leram os Evangelhos como historicamente seguros, descobram a sua incompatibilidade com, e sua superioridade aos ensinos budistas.


USO DE ARGUMENTOS APELANDO ÀS EVIDÊNCIAS POR JESUS

Apesar do freqüente retrato de Jesus como uma figura mística que chamou as pessoas para adotar uma fé acrítica, Ele recorreu freqüentemente às evidências para confirmar as suas afirmações. João Batista, que estava abatido na prisão depois de desafiar Herodes, enviou mensageiros para fazer à Jesus a pergunta: Você é o que era de vir ou nós deveríamos esperar outra pessoa? (Mt. 11:3). Esta pode parecer uma pergunta estranha de um homem a quem os Evangelhos apresentam como o precursor profético de Jesus e como o que havia proclamado que Jesus era o Messias. Porém, Jesus não reprovou a pergunta de João. Ele não disse, você tem que ter fé; elimine suas dúvidas. Nem Ele o repreendeu, Se você não crê, você irá para o inferno e perderá o céu. Ao invés disto, Jesus recontou as distintivas características do ministério dele:


Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim. (Mt. 11:4-6; veja também Lucas 7:22)


O trabalho de cura e ensino de Jesus servia como evidência positiva da sua identidade messiânica, porque eles cumprem as predições messiânicas das escrituras hebraicas18. O que Jesus reivindicou é isto:


  1. Se alguém fizer certos tipos de ações (os atos citados acima), esse alguém, então, é o Messias.

  2. Eu estou fazendo esses tipos de ações.

  3. Então, eu sou o Messias.


Esta sucessão lógica é chamada uma forma modus ponens (modo de afirmar) de argumento e é uma ferramenta conveniente de pensamento: Se P, então Q; P, conseqüentemente, Q. O argumento recorre às afirmações empíricas do trabalho poderoso de Jesus como sua base efetiva. Os atos que Jesus citou apontam as suas credenciais apologéticas cruciais como o Messias, o que era de vir.


Em outra ocasião, Jesus curou novamente no Sábado e os dirigentes religiosos o desafiaram novamente por quebrar o dia sagrado trabalhando. Ele respondeu, Meu Pai ainda está trabalhando e eu também trabalho. Os contestadores de Jesus viram as suas afirmações como blasfêmias não só porque ele que quebrou o Sábado, mas ele estava chamando a Deus como seu próprio Pai, se fazendo igual com Deus (Jo 5:17-18). Os judeus antigos às vezes recorreram a Deus como Pai, mas não com o possessivo “meu Pai”, uma vez que eles pensavam que isto sugeriria uma relação muito íntima entre o Criador e a criatura.


Em vez de negar esta conclusão, Jesus fez seis outras afirmações que reforçam a sua conclusão de que Ele estava, na realidade, se fazendo igual com Deus:


1. Ele age da mesma maneira como o Pai dando vida aos mortos (Jo 5:19-21).

2. Ele julga como um representante do Pai e com a autoridade dele (Jo 5:22, 27).

3. Se Ele não for honrado, Deus Pai não é honrado (Jo 5:23).

4. O que acredita em Jesus também acredita em Deus (Jo 5:24-25).

5. Tal como Deus (veja Deut. 30:19-20), ele tem vida em Si mesmo (Jo 5:26).

6. Ele está em completa concordância com o Pai, a quem Ele agradou perfeitamente, uma afirmação que nenhum judeu nas escrituras hebraicas tinha feito (Jo 5:30).


Jesus, porém, não deixou a questão somente com as assertivas dele. Ele acionou a apologética para recorrer à evidência a qual os seus ouvintes teriam tido acesso:


1. João Batista, um profeta respeitado, testemunhou a identidade de Jesus (Jo 5:31-35).

2. Os milagres de Jesus também testemunharam a identidade dele (Jo 5:36).

3. O Pai testemunhou a identidade de Jesus (Jo 5:37).

4. As Escrituras testemunharam igualmente a identidade dele (Jo 5:39).

5. Moisés testemunhou quem Jesus é (Jo 5:46).


Jesus argumentou com os seus adversários intelectuais e não recuou da emissão de evidências para suas afirmações19. Ele não fez simplesmente afirmações, ameaçou com punições a esses que discordaram ou atacou os seus adversários como um não-espiritual. Ele dava muito valor aos argumentos e evidências.


A apologética cristã dispõe de muitos tipos de evidências na defesa racional da verdade cristã. Nós não precisamos acreditar no evangelho por fé cega. Negando estes fatos, porém, Robert Millet, antigamente o reitor de educação religiosa da Brigham Young University, defendeu afirmações mórmons, apesar da sua admitida falta de prova, dizendo que a fé cristã é dependente da aceitação de um milagre divino que aconteceu na manhã de Páscoa para qual não há nenhum evidência20. Ele argumenta, então, se a crença cristã na Ressurreição não tem prova, mas é aceitável, então o pulo mórmon de fé está justificado também.


Isto é um argumento a fortiori; mas é falso que não há nenhuma prova da ressurreição de Jesus. Jesus ensina, como também a história da apologética, argumentando contra este tipo de fideísmo (fé contra ou sem prova objetiva) que Millet associa injustamente com o Cristianismo e justamente associa com Mormonismo. O próprio apóstolo Paulo citou muitas testemunhas que viram o Cristo ressuscitado, algumas das quais ainda estavam vivendo na ocasião em que ele escreveu (1 Cor. 15:5-8). O filósofo contemporâneo e apologista William Lane Craig escreveu amplamente sobre a prova histórica para a ressurreição de Jesus. Ele também publicou debates com estes que negam esta verdade. A prova inclui a confiabilidade histórica geral dos Evangelhos, como também os específicos e bem-atestados fatos individuais da tumba vazia, os muitos aparecimentos de Jesus para várias pessoas em tempos diferentes e a proclamação da Ressurreição pelos apóstolos apesar do fato que era contrário ao que eles esperavam do Messias. Outras explicações para a crença na Ressurreição, tais como isto sendo uma alucinação ou um mito criado mais tarde, simplesmente não se ajusta ao fatos21. Uma vez que a crença na ressurreição de Jesus deveria ser e é baseada em prova histórica, o argumento de Millet que as doutrinas mórmons fundamentais não requerem nenhuma prova é refutada22.


O USO DE ARGUMENTOS REDUCTIO AD ABSURDUM POR JESUS

Os filósofos e outros debatedores usam argumentos redutio ad absurdum. O termo significa redução ao absurdo. Quando bem aplicados, eles são uma poderosa refutação de uma posição ilógica. O argumento toma uma ou mais idéias e demonstra que elas conduzem a uma conclusão absurda ou contraditória. Isto prova que as idéias originais devem ser falsas. Para tal argumento funcionar, tem que manter a relação lógica entre as condições e o suposto absurdo deve ser verdadeiramente absurdo. Considere o uso apologético de Jesus de redutio ad absurdum defendendo a sua identidade como o Messias.


Jesus perguntou aos Fariseus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?. Citando o Salmo 110:1, Jesus recorreu a uma fonte que os Fariseu aceitavam. Ele concluiu com a pergunta: Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?, a qual, como registrou Mateus, silenciou a platéia (veja Mt. 22:41-46). O argumento pode ser declarado como segue:


1. Se Cristo for somente o humano descendente de Davi, Davi não o poderia tê-lo chamado Senhor.

2. Davi chamou Cristo de Senhor em Salmos 110:1.

3. Acreditar que Cristo era Senhor de Davi e somente seu descendente humano (que não poderia ser o seu Senhor) é absurdo.

4. Então, Cristo não é somente o humano descendente de Davi.


Jesus indicou que não negava a conexão ancestral de Cristo para Davi, uma vez que o próprio Jesus é chamado de Filho de Davi nos Evangelhos (Mt. 1:1), e Jesus aceitou o título sem objeção (Mt. 20:30-31). Jesus mostrou suficientemente que Cristo não é somente o Filho de Davi. Cristo também é Deus e era assim nos tempos de Davi. Usando este argumento reductio ad absurdum, Jesus ampliou as suas platéias discernindo quem Cristo é e que Ele mesmo é o Cristo23.


Jesus empregou outro reductio ad absurdum quando os Fariseus tentaram desacreditar a sua reputação como exorcista o acusando com expulsar demônios pela ação de Belzebu, o príncipe de demônios. Em outras palavras, a reputação de Jesus como um milagreiro santo era imerecida. O que pareciam ser milagres divinos realmente provinha de um ser demoníaco. A respeito desta acusação, Jesus pegou as premissas deles e tirou como conclusão um absurdo:


Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. (Mt. 12:25-27)


Nós podemos colocar isto, passo por passo, deste modo:


1. Se Satanás fosse dividido contra ele mesmo, seu reino seria arruinado.

2. O reino de Satanás, porém, não está arruinado (uma vez que a atividade diabólica continua). Pensar de outra forma é absurdo.

3. Então, (a) Satanás não expulsa Satanás.

4. Então, (b) Jesus não pode livrar as pessoas de Satanás através de poder satânico.


Além disso, os Fariseus também praticavam o exorcismo e, se Jesus expulsou demônios por Satanás, então os Fariseus têm que concordar que eles também poderiam estar expulsando demônios por Satanás (Mt. 12:27). Os próprios Fariseus têm que rejeitar esta acusação como absurda. Então, Jesus não podia ser acusado de exercer poder satânico através de seus exorcismos. Jesus dispôs dois poderosos argumentos reductio em apenas algumas poucas frases.


Argumentos reductio ad absurdum são ferramentas poderosas para defender a verdade cristã. Esses que afirmam que a moralidade é completamente relativa ao indivíduo pensam que esta visão defende a tolerância, evita o dogmatismo e é preferível à crença cristã em absolutos morais. A afirmação, contudo, que (1) toda a moralidade é relativa logicamente insinua que (2) a crença de qualquer um é certa se estiver certa para ele e que não há nenhum padrão mais alto para o qual se é responsável. O relativismo, porém, conduz a muitas conclusões absurdas como: (3) a moralidade de Osama bin Laden é certa para ele, assim nós não deveríamos julgá-lo, e (4) a moralidade nazista é certa para os nazistas, então, nós não deveríamos julgá-los. Em outras palavras, o relativismo moral é reduzido a niilismo moral, mas o niilismo moral é absurdo e é, consequentemente, falso. Através de contraste, a moralidade cristã é de longe mais convincente.


ADAPTANDO-SE À MENTE DE CRISTO

Este breve artigo não faz justiça à riqueza dos argumentos filosóficos e apologéticos de Jesus através uma extensa variedade de pontos importantes. Porém, nossa amostragem de Jesus argumentando traz em si uma séria questão à acusação de que o Jesus elogiou a fé acrítica no lugar de argumentos racionais e que Ele não teve nenhuma carga com consistência lógica. Pelo contrário, Jesus nunca desconsiderou o apropriado e rigoroso funcionamento de nossas mentes dadas por Deus. O seu ensino recorreu à pessoa inteira: à imaginação (parábolas), à vontade, e às habilidades de argumentação.


Com toda sua honestidade em informar as excentricidades dos discípulos, os escritores do Evangelho nunca narraram uma situação na qual Jesus foi intelectualmente impedido ou sobrepujado em um argumento; nem Jesus encorajou uma fé irracional ou mal informada por parte dos seus discípulos. Com Jesus como nosso exemplo e Senhor, as Escrituras Sagradas como nosso fundamento (2 Ti. 3:15-17), e o Espírito Santo como nosso Professor (Jo 16:12-15), nós deveríamos, prazeirosamente, sanar as dúvidas bíblicas para estar em vantagem ao mundo, por Cristo e o pelo seu reino (2 Cor. 10:3-5).


NOTAS


1. Veja Carl F. H. Henry, God, Revelation, and Authority (Waco, TX: Word Books, 1979), 3:164247.

2. Todas as citações da Bíblia são da Almeida Corrigida e Fiel (alteração do tradutor. No artigo original, as citações são da NVI)

3. Veja Douglas Groothuis, On Jesus (Belmont, CA: Wadsworth/Thomson Learning, 2002), cap. 47.

4. Veja John Stott, Christ the Controversialist (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1970), 18.

5. Dallas Willard, Jesus, the Logician, Christian Scholars Review 28, 4 (1999): 607.

6. James Sire, Habits of the Mind: Intellectual Life as a Christian Calling (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000), 203.

7. Michael Martin, The Case against Christianity (Philadelphia: Temple University Press, 1991), 167.

8. Ibid.

9. Veja o Mt. 23:1-12; Lucas 14:1-14; 18:9-14.

10. Martin, 167.

11. Nas afirmações e credenciais de Jesus, veja Douglas Groothuis, Jesus in an Age of Controversy (Eugene, OR: Harvest House, 1996; Wipf and Stock reprint, 2002), especialmente os capítulos. 13-14.

12. Outro exemplo de Jesus escapando de escolhas difíceis é encontrado em Mt. 22:15-22. Veja Groothuis, On Jesus, 26-27.

13. Veja Groothuis, On Jesus, caps. 1 e 3.

14. Veja James Hanick and Gary Mar, What Euthyphro Couldnt Have Said, Faith and Philosophy 4, 3 (1987): 24161.

15. Por exemplo, veja Lucas 11:11-12; 12:45; 67; 24; 27-28; 54-56; 13:14-16; 14:16; 18:18.

16. Introdução, em Escrituras budistas, ed. Edward Conze (New York: Penguin Books, 1959), 1112.

17. Os textos budistas estão muito distantes do tempo do Buda e são tão ambíguas com mitos que, fora o ensino das Quatro Nobres Verdades, eles são provavelmente nada fidedignos.

18. Veja Is. 26:19; 29:18-19; 35:46; 61:12.

19. Veja Sire,191-192.

20. Citado em Lawrence Wright, Lives of the Saints, The New Yorker, 21 January 2002, 51.

21. Veja Paul Copan and Ronald Tacelli, eds., Jesus Resurrection: Fact or Figment: A Debate between William Lane Craig and Gerd Ldeman (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000).

22. Para uma história esclarecedora de Mormonismo, veja Richard Abanes, One Nation under Gods: A History of the Mormon Church (New York: Four Walls Eight Windows, 2002).

23. Também veja Atos 2:29-36; 13:3-9; Heb. 1:5-13.



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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lascívia 0


Definição tradicional (Aurélio)
Sensual, libidinoso, lúbrico; desregrado; luxúria.
Luxúria: Dissolução, corrução, libertinagem, Incontinência.

Definição bíblica

Aselgeia (no grego) = denota excesso, licenciosidade, ausência de restrição, indecência, libertinagem sexual, às vezes incluindo outros vícios.

Passagens bíblicas



Ler todo o texto de 2 Pedro, capítulo 2E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas); Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades; Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça; Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva. Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama.. Este texto, em geral, fala sobre viver uma vida imoral.


O mal que ela faz

Em Efésios 4:19 Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. , Paulo fala que alguns tinham perdido a sensibilidade e se entregaram a dissolução. Perder a sensibilidade, neste caso, significa que eles perderam a capacidade de sentir o grau da gravidade do seu pecado. Ele não incomoda mais.

Há um sentido, o de licenciosidade, nesta palavra. Dá a idéia que a pessoa dissoluta tem direito de fazer o que faz. Em Gálatas 5:1 Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. , está escrito que é para a liberdade (eleutheria – liberdade legítima, principalmente a moral ou cerimonial) que Cristo nos libertou. Mas que não devemos usar desta liberdade para dar ocasião à carne (Gálatas 5:13 Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. ).

Ela é base para muitos pecados. Não somente pecados sexuais, mas qualquer um, devido a ‘licenciosidade’ (o que eu faço não importa para os outros; se eu fizer, não é errado; ‘no meu caso é diferente’). Assim, se forma uma base para que a pessoa firme sua conduta errada, de um modo que pareça ‘legal’. Na verdade, se tornou escravo dela, pois o que é vencido pelo pecado torna-se escravo dele (2 Pedro 2:19 Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. ).

Exemplos teóricos

Na Igreja

Infelizmente é comum vermos em algumas igrejas a manifestação deste pecado sem muitas reservas. A lascívia apresenta-se nas pessoas que levadas por sentimentos diversos deixam-se moldar pelos costumes comuns aos ímpios e lançam mão de roupas inadequadas aos servos do Eterno.

É a moda que obriga as mulheres a usarem saias curtíssimas; calças justíssimas; fazerem uso de vestidos curtos e decotes que expõe os seios e costas. É a sensualidade que se manifesta com grande intensidade.
“Portanto, usem o seu corpo para a glória dEle.” 1Co 6.20

Qual o objetivo de estar na moda e usar roupas que não condiz com os ensinamentos do Senhor Deus? Com certeza, despertar no próximo uma série de sentimentos “carnais” perturbando-o, chamando para si as atenções e fazendo renascer nos corações a velha natureza. O exemplo de Paulo deve ser observado, quando ele afirma: 
“Mas eu me orgulharei somente da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, por meio da cruz, o mundo está morto para mim, e eu estou morto para o mundo.” Gl 6.14

No trabalho

Se o temor a Deus não foi suficiente para coibir o uso de vestimentas inadequadas na igreja, com certeza, no dia-a-dia, na rua, trabalho e nas obrigações sociais a situação torna-se mais grave. Geralmente é preciso apresentar-se bem e quando o Espírito Santo não está no controle (Romanos 12:2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. ), a carne manifesta-se com toda a sua força. Entra em cena todo um conjunto de roupas e ações sensuais; algumas sentem satisfação em despertar no próximo à cobiça e sentimentos baixos; alegram-se com “cantadas” e insinuações maliciosas feitas por colegas; assemelha-se com os ímpios, impossibilitando visualizar o senhorio de Jesus Cristo na vida (Romanos 13:14 Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências. ).

No lar

A lascívia também encontra lugar nos lares, na intimidade dos casais, que levados por desejos incomuns aos servos do Senhor, procuram fazer uso de diversas práticas mundanas que por sua natureza imunda, afasta o Espírito Santo da vida.
“Vocês fazem parte do povo de Deus; portanto, qualquer tipo de imoralidade sexual, indecência ou cobiça não pode ser nem mesmo assunto de conversa entre vocês.”
Ef 5.3; “Que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus.” 1Ts 4.4,5). 
É inconcebível que o nosso agir apague o Espírito de Deus em nossa vida, porém, entre as “quatro paredes” muitos têm feito uso de fetiches, tais como: filmes pornôs; revistas de sexo; novelas eróticas; objetos; com o objetivo de despertar e satisfazer o desejo sexual, de forma antinatural.

Exemplo prático

Uma das palavras mais populares do vocabulário dos jovens e adolescentes é amor. Porém poucos deles realmente sabem o que é amor de verdade. Muitos confundem amor com lascívia, desejo, cobiça. Amor é de Deus - lascívia é do diabo. O amor liberta - a lascívia lhe prende na armadilha.

Adolescentes cheios de lascívia e desejo têm produzido contextos que chocam qualquer senso de decência. Uma onda de promiscuidade sexual varre o país e o mundo. Os jovens conversam abertamente sobre viver juntos sem estarem casados, anticoncepcionais, gravidez, fornicação vergonhosa. As doenças venéreas estão atingindo milhares de adolescentes. As escolas estão alarmadas. Os pastores se preocupam. Os pais estão horrorizados. Os adolescentes estão sendo lançados numa órbita de luxúria e de paixões abomináveis e implacáveis.

Eis uma história verídica de dois jovens que confundiram lascívia com amor. 
Ele era filho de um homem rico. Ela era a bela filha de uma família destacada socialmente. Ele achava difícil conseguir fazer alguma coisa com ela. Isso o incomodava dia e noite. Começou a elaborar e desenvolver planos sobre como possuí-la. Ela era completamente inocente; desejava mais do que nada encontrar o amor de sua vida.
Ele era bom de papo e tinha muitos amigos. O seu primeiro passo foi ganhar a confiança dos pais. Se transformou num tremendo fingido; usou todos os truques que havia nos livros; disse aos amigos que estava apaixonado por ela -- que não conseguia nem dormir e nem comer. Ele teria de possuí-la de qualquer jeito.
Um dia o mundo desabou em cima dela. Ele falou suave como o diabo, e foi astuto como uma raposa. Era mais forte do que ela. Os registros dizem que ele a forçou. Mais tarde soube-se que ela tentou fugir mas não conseguiu.
Ela chorou dizendo da vergonha terrível que seria, de como estariam ofendendo os pais dela, da loucura que ele estaria fazendo a si mesmo -- mas ele não quis ouvir. O amor ouve, mas a lascívia jamais. O amor é cauteloso - a lascívia é cega e descontrolada.
Era amor de verdade? Você mesmo vai responder. Cinco minutos após tê-la desonrado, ele subitamente muda. Ela vê nele o animal que ele realmente era. Ele ordena que ela suma. Ela chora histericamente; suplica que ele não faça uma coisa assim tão odiosa. Ele tinha sido muito amoroso - mas agora que havia conseguido o quê desejava, a odiava.
Perguntas começam a se formar nos lábios dela. "Para onde irei? E a minha família? Já foi mal o jeito que você me tratou, mas por que agora se volta contra mim?" Suas palavras caem sobre ouvidos surdos. Ele diz que não suporta nem vê-la, e começa a lhe dizer palavrões e até se recusa a levá-la para casa. Ela é levada à casa de parentes. A última coisa que ele lhe diz é: "Não quero nunca mais te ver". Ela foi pêga na armadilha!
Esse não é o fim da história. Nunca é. Alguém quis se vingar. O irmão dela ficou furioso, e o pai quase morreu. O fim trágico veio num "coquetel" promovido pelo irmão da garota. Um criminoso contratado assassina o moço. Ele morre instantaneamente.

Isso soa como uma história dos jornais de hoje, não é? Mas essa é a história bíblica de Amnon e Tamar. (Você pode lê-la em 2 Samuel 13). Também é a história de um número incontável de adolescentes por todo lado. A Bíblia diz: "Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte" (Tiago 1:14-15). A cobiça produz a morte!

Entenda, leitor - você sabe o resultado do jogo. A rota da cobiça, da lascívia - é a rota do inferno. E o inferno é a armadilha final do diabo! A atitude moderna em relação ao pecado não é nova em absoluto. Satanás enlaçou Eva com as mesmas mentiras que usa para prender na armadilha os adolescentes de hoje. Uma mesma rota sempre leva ao mesmo final. Flertar com o pecado sempre o levará àquele ponto onde você se verá subjugado por ele, incapaz de dar um jeito. Quando o jovem tenta se livrar das leis de Deus, ele só acaba pego na armadilha pelo diabo.

O mais triste de Tamar é que ela só buscava o amor - todo adolescente o busca. E os que buscam o amor nos pecados e prazeres da satisfação própria, cairão na armadilha exatamente como ela caiu.

Relação com outros pecados

Quando a Bíblia fala na lascívia, ela está envolvida em um número muito grande de outros males, tão ruins quanto a própria lascívia.
Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura – Mc 7.22
Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias - Gálatas 5.19-21
Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias - 1Pe 4.3

Algumas destas palavras, no grego, dizem mais do que uma leitura rápida destas passagens diz. Vejamos:
  • Imundícia (impureza física ou moral)- akatharsia
  • Prostituição – (incluindo adultério, incesto e fornicação = corporal. Espiritual = ‘idolatria’) – porneia
  • Bebedeiras – intoxicações em geral, não somente o álcool - médse
  • Emulações – ciúmes, inveja – zélos
  • Dissensões – divisões – dixostasía
  • Concupiscência – desejo, paixão pelo que é proibido - epidsumía
  • Glutonaria – também significa orgia (descontrole) – o que acompanha e é consequencia da embriaguez - kómos
  • Idolatria – adoração à imagem ou ídolo (literal ou figurativamente) - eidolatreía
  • Feitiçaria – medicação mágica (por extensão) - farmakeía

Fontes utilizadas:

http://www.estudosdabiblia.net/a11_4.htm
http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/tspego.htm
http://www.vivos.com.br/207.htm
Novo Testamento em Grego
Dicionário de português Aurélio
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Igreja "Alcoólicos anônimos" X Igreja "Lions Clube" 2

Igreja 'Alcoólicos anônimos' X Igreja 'Lions Clube'


Nesta semana começei a ler o livro "Evangelho Maltrapilho", de Brennan Manning. Trata do objeto do evangelho proclamado por Jesus Cristo: os pecadores. Meditando um pouco sobre o livro, e lembrando de ter lido algo assemelhado em "Maravilhosa Graça", de Philip Yancey, pesquisei na Internet sobre os A.A. (Alcoólicos anônimos) e sobre o Lions Clube. Cheguei a estes textos abaixo:

Programa dos 12 passos do Alcoólicos Anônimos

01. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
02. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.
03. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.
04. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
05. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
06. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
07. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
08. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
09. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses Passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as nossas atividades.


Fonte: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

Código de ética do Lions Clube


01. DEMONSTRAR fé nos méritos da minha profissão esforçando-me para conseguir honrosa reputação mercê da excelência dos meus serviços.
02. LUTAR pelo êxito e pleitear toda remuneração ou lucro que, eqüitativa e justamente mereça, recusando, porém, aqueles que possam acarretar diminuição de minha dignidade, devido à vantagem injusta ou ação duvidosa.
03. LEMBRAR que, para ser bem sucedido nos negócios ou empreendimentos, não é necessário destruir os dos outros. Ser leal com os clientes e sincero consigo mesmo.
04. DECIDIR contra mim mesmo no caso de dúvida quanto ao direito e a ética de meus atos perante meu próximo.
05. PRATICAR a amizade como um fim e não como um meio. Sustentar que a verdadeira amizade não é o resultado de favores mutuamente prestados, dado que não requer retribuição, pois recebe benefícios com o mesmo espírito desinteressado com que os dá.
06. TER sempre presente meus deveres de cidadão para com a minha localidade, meu Estado e meu País, sendo-lhes constantemente leal em pensamento, palavras e obras, dedicando-lhes, desinteressadamente, meu tempo, meu trabalho e meus recursos.
07. AJUDAR ao próximo, consolando o aflito, fortalecendo o débil e socorrendo o necessitado.
08. SER comedido na crítica e generoso no elogio, construir e não destruir.

Fonte: http://www.lions.org.br/nacional/eticas.html

Com que objetivo postei os dois textos acima? Pelo seguinte: com qual a igreja que congregamos mais se parece?

Se for com a Igreja "Alcoólicos anônimos":
1- Todos estão bem conscientes de estão ali por que não são boas pessoas;
2- Estão ali para conseguir ajuda;
3- Todos estão conscientes de podem falhar, e ninguém critica quando isto acontece; antes os ajudam e ficam muito felizes quando o "caído" volta;
4- Não importa a classe social; todos estão ali pelo mesmo motivo;
5- Praticam a humildade, o perdão e o arrependimento - diariamente.
6- Recebem muito bem a todos os que chegam, pois são tão iguais em fraquezas quanto os que já estão lá.

Se for com a Igreja "Lions Clube":
1- Todos ali devem ser bons o suficiente, tão bons que podem ajudar os outros;
2- Devem mostrar a todos o quão bons eles são;
3- Seguir a risca as regras, e fazer boas obras, mesmo que elas sejam feitas por exibicionismo e para criar uma imagem respeitável perante à sociedade;
4- Fazer parte de um grupo restrito, que não aceita ninguém que não seja de boa índole e que não possa vir a acrescentar ao grupo;
5- Os outros é que são fracos e necessitados;
6- Se não seguir as normas, é separado do grupo.

Em qual destas igrejas o evangelho tem dado resultado na vida das pessoas? Qual destas igrejas entendeu o propósito das boas-novas?


Soli Deo Gloria

Leandro Teixeira.
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"O segredo" - parte 2 12

O segredo 2 - despedaçado

Em virtude de inúmeras colocações a favor e contra a tão famigerada publicação chamada "O Segredo", venho aqui esclarecer alguns pontos que parecem que não ficaram claros.
No primeiro post eu me posicionei de uma maneira mais "standard", como me disse uma pessoa nos comentários. Fiz isto porque a mensagem não era exatamente voltada para os cristãos, mas para todos, de forma geral. Como teve muitos cristãos que se manifestaram a favor da publicação, quero publicar mais este post para ver se consigo me fazer entender do porquê acho esta obra dispensável.

Alguns irmãos colocaram que, como a obra cita a Bíblia, ela é cristã e, portanto, não contraria ou nega a Deus. Incrível como não tiveram discernimento em ver que o 'deus' insinuado no livro é um deus estranho, um tipo de 'gênio da lâmpada do universo'. Não tiveram discernimento em ver que o livro transforma Deus em um servidor, obrigado a satisfazer as vontades mais egoístas. Foram engodados e atraídos pela sua própria cobiça (Tg 1.14). O fato do livro citar a Bíblia não quer dizer que o conteúdo e as propostas do mesmo sejam biblicamente defensáveis.

Em Mt 17.20 está escrito: "SE TIVERDES FÉ... NADA VOS SERÁ IMPOSSÍVEL". Jesus fala de uma fé que pode remover montanhas, operar milagres e curas, e realizar grandes coisas para Deus. Que fé é esta de que Jesus fala?

(1) A fé genuína é uma fé eficaz que produz resultados: nada vos será impossível (v. 20).
(2) Esta fé não é uma crença na fé como uma força ou poder, mas fé em Deus (Mc 11.22).
(3) Esta fé é uma obra de Deus que tem lugar no coração do cristão (Fp 2.13; Mc 9.24). É a plena certeza que Deus transmite ao coração, de que nossa oração é respondida (Mc 11.23). Esta fé é criada interiormente no crente, pelo Espírito Santo. Não podemos produzi-la em nós mesmos por meio da nossa mente (Rm 12.3).
(4) Uma vez que esta fé em Deus é um dom que Cristo comunica ao nosso coração, importa-nos estar unidos a Jesus e à sua Palavra e ser mais consagrados a Ele (Rm 10.17; Fp 3.8-14). Dependemos dEle em tudo: Sem mim nada podereis fazer (Jo 15.5; Jo 3.27; Hb 4.16; 7.25). Noutras palavras, devemos buscar a Cristo que é o autor e o consumador da nossa fé (Hb 12.2). A real presença de Cristo conosco e nossa obediência à sua Palavra são a origem e segredo da fé (9.21; Jo 15.7).
(5) A verdadeira fé opera sob o controle de Deus. Ele no-la concede à base do seu amor, sabedoria, graça e propósito soberano, para a execução da sua vontade e como expressão do seu amor por nós. Não deve ser usada para nosso próprio proveito egoísta (Tg 4.3).

Segundo o livro:

Afirmação 1: pensar positivamente atrai felicidade.
Afirmação 2: pensar positivamente atrai amigos.
Afirmação 3: pensar positivamente atrai riqueza.
Afirmação 4: pensar positivamente atrai um bom emprego.
Afirmação 5: pensar positivamente atrai um bom cônjuge.
Afirmação 6: pensar positivamente atrai saúde.

A fé, que alguns associam ao tal 'segredo' como sendo a mesma coisa, é uma fé bem diferente do que Jesus quis dizer. Não confundam, irmãos, os dois tipos. A 'fé do segredo' é uma fé auto-centrada, como se tivéssemos a capacidade por nós mesmos de conseguir tudo o que queremos. Não estou fazendo apologia ao comodismo, esperando tudo vir prontinho, sem esforço algum de nossa parte, mas deixar claro que tudo o que recebemos vem de Deus, que nos dá (ativa ou passivamente) segundo a sua graça e misericórdia. Deus é onipotente e soberano, fazendo tudo o que lhe apetece.

O fato de pensar positivamente é, com certeza, melhor do que pensar negativamente. Isto é lógico: pessoas bem humoradas e positivas atraem outras pessoas. Pessoas mal-humoradas e pessimistas não atraem ninguém. Pessoas positivas têm maiores chances de conseguir um bom emprego, um bom cônjuge. Qual é o segredo?

Ser feliz é estar livre da condenação que nos era justa e merecida pela graça de Deus. Ser feliz é saber que nós nunca estamos sozinhos. Ser feliz é saber que o Nosso Criador se preocupa particularmente com a nossa vida. Ser feliz é saber que tudo não acaba aqui, nesta vida, mas que teremos uma eternidade para gozar junto com nossos irmãos e irmãs, e junto com o nosso Pai.

Soli Deo Gloria

Leandro Teixeira

Referências bíblicas: Bíblia de Estudo Pentecostal.
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sábado, 20 de outubro de 2007

O orgulho 7

O orgulho

Introdução

Existe um vício do qual homem algum está livre, que causa repugnância quando é notado nos outros, mas do qual, com a exceção dos cristãos, ninguém se acha culpado. Já ouvi quem admitisse ser mal humorado, ou não ser capaz de resistir a um rabo de saia ou à bebida, ou mesmo ser covarde. Mas acho que nunca ouvi um não-cristão se acusar desse vício. Ao mesmo tempo, é raríssimo encontrar um não-cristão que tenha alguma tolerância com esse vício nas outras pessoas. Não existe nenhum outro defeito que torne alguém tão impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.

O vício de que estou falando é o ORGULHO ou a PRESUNÇÃO.

A virtude oposta a ele, na moral cristã, é chamada de humildade. Trata-se do centro da moral cristã. De acordo com os mestres cristãos, o vício fundamental, o mal supremo, é o orgulho.

A devassidão, a ira, a cobiça, a embriaguez e tudo o mais não passam de ninharias comparadas com ele. É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é (Is 14.11-14). O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.

Parece que estou exagerando?


Se você acha que SIM, pense um pouco mais no assunto.

Agora há pouco, observei que, quanto mais orgulho uma pessoa tem, menos gosta de vê-lo nos outros. Se quer descobrir quão orgulhoso você é, a maneira mais fácil é perguntar-se:

"Quanto me desagrada que os outros me tratem como inferior, OU não notem minha presença, OU interfiram nos meus negócios, OU me tratem com condescendência, OU se exibam na minha frente?"

A questão é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho de todos os outros. Se me sinto incomodado porque outra pessoa fez mais sucesso na festa, é porque eu mesmo queria ser o grande sucesso. Dois bicudos não se beijam. O que quero deixar claro é que o orgulho é essencialmente competitivo — por sua própria natureza – ao passo que os outros vícios só o são acidentalmente, por assim dizer. O PRAZER DO ORGULHO NÃO ESTÁ EM SE TER ALGO, MAS SOMENTE EM SE TER MAIS QUE A PESSOA AO LADO.

Dizemos que uma pessoa é orgulhosa por ser rica, inteligente ou bonita, mas isso não é verdade. As pessoas são orgulhosas por serem mais ricas, mais inteligentes e mais bonitas que as outras. Se todos fossem igualmente ricos, inteligentes e bonitos, não haveria do que se orgulhar. É a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres. Eliminado o elemento de COMPETIÇÃO, o orgulho se vai. E por isso que eu disse que o orgulho é essencialmente competitivo de uma forma que os outros vícios não são.

O IMPULSO SEXUAL pode levar dois homens a competir se ambos estão interessados na mesma moça. Mas a competição ali é acidental; eles poderiam, com a mesma facilidade, ter se interessado por moças diferentes. Um homem orgulhoso, porém, fará questão de tomar a sua garota, não por desejá-la, mas para provar para si mesmo que é melhor do que você. A COBIÇA pode levar os homens a competir entre si se não existe o suficiente para todos; mas o homem orgulhoso, mesmo que tenha mais do que jamais poderia precisar, vai tentar acumular mais ainda só para afirmar seu poder. Praticamente todos os males no mundo que as pessoas julgam ser causados pela cobiça ou pelo egoísmo são bem mais o resultado do orgulho.

Veja a QUESTÃO do DINHEIRO. A cobiça pode fazer com que o homem deseje ganhar dinheiro para comprar uma casa melhor, poder viajar nas férias e ter coisas mais apetitosas para comer e beber. Mas só até certo ponto. O que faz com que um homem que ganha 100.000 reais por ano fique ansioso para ganhar 200.000 reais? Não é a cobiça de mais prazer. A soma de 100.000 reais pode sustentar todos os luxos de que ele queira desfrutar. É o orgulho — o desejo de ser mais rico que os outros ricos e, mais do que isso, o desejo de poder. Pois, evidentemente, é do poder que o orgulho realmente gosta: nada faz o homem sentir-se tão superior aos outros quanto o fato de poder movê-los como soldadinhos de brinquedo.

Por que uma moça bonita à caça de admiradores espalha a infelicidade por onde quer que vá? Certamente não é por causa de seu instinto sexual: esse tipo de moça é quase sempre sexualmente frígida. É o orgulho. O que faz um líder político ou uma nação inteira quererem expandir-se indefinidamente, exigindo tudo para si? De novo, o orgulho. Ele é competitivo pela própria natureza: é por isso que se expande indefinidamente. Se sou um homem orgulhoso, enquanto existir alguém mais poderoso do que eu, ou mais rico, ou mais esperto, esse será meu rival e meu inimigo.

OS CRISTÃOS ESTÃO COM A RAZÃO: o orgulho é a causa principal da infelicidade em todas as nações e em todas as famílias desde que o mundo foi criado. Os outros vícios podem, às vezes, até mesmo congregar as pessoas: pode haver uma boa camaradagem, risos e piadas entre gente bêbada ou entre devassos. O orgulho, porém, sempre significa a inimizade – é a inimizade. E não só inimizade entre os homens, mas também entre o homem e Deus.

Em Deus defrontamos com algo que é, em todos os aspectos, infinitamente superior a nós. Se você não sabe que Deus é assim — e que, portanto, você não é nada comparado a ele –, não sabe absolutamente nada sobre Deus. O homem orgulhoso sempre olha de cima para baixo para as outras pessoas e coisas: é claro que, fazendo assim, não pode enxergar o que está acima de si.

Isso levanta uma questão terrível: Como podem existir pessoas evidentemente cheias de orgulho que declaram acreditar em Deus e se consideram muitíssimo religiosas?

Infelizmente, elas adoram um Deus imaginário. Na TEORIA, admitem que não são nada comparadas a esse Deus fantasma, mas na PRÁTICA passam o tempo todo a imaginar o quanto ele as aprova e as tem em melhor conta que ao resto dos comuns mortais. OU SEJA, pagam alguns tostões de humildade imaginária para receber uma fortuna de orgulho em relação a seus semelhantes.

Suponho que é a esse tipo de gente que Cristo se referia quando dizia que pregariam e expulsariam os demônios em seu nome, mas no final ouviriam dele que jamais os conhecera. Cada um de nós, a todo momento, vê-se diante dessa armadilha mortal. FELIZMENTE, temos como saber se caímos nela ou não. Sempre que constatamos que nossa vida religiosa nos faz pensar que somos bons — sobretudo, que somos melhores que os outros —, podemos ter certeza de que ESTAMOS AGINDO COMO MARIONETES, NÃO DE DEUS, MAS DO DIABO. A verdadeira prova de que estamos na presença de Deus é que nos esquecemos completamente de nós mesmos ou então nos vemos como objetos pequenos e sujos. O melhor é esquecer-nos de nós mesmos.

É uma coisa terrível que o pior de todos os vícios insinue-se assim no próprio centro de nossa vida religiosa. Mas é fácil saber por que isso acontece. Todos os vícios menores VÊM do DIABO quando trabalha sobre o nosso lado animal. Este vício, porém, não nasce em absoluto da nossa natureza animal. VEM DIRETAMENTE do INFERNO. É puramente espiritual: conseqüentemente, muito mais sutil e perigoso.

Pela mesma razão, o orgulho é usado com freqüência para vencer os vícios mais simples. Os professores, que sabem disso, apelam costumeiramente para o orgulho dos meninos, ou, como dizem, para seu amor-próprio, a fim de fazê-los se comportar direito. Mais de um homem conseguiu superar a covardia, a luxúria ou o mau humor pela crença inculcada de que tudo isso estava abaixo da sua dignidade. Ou seja, venceram pelo orgulho. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma DITADURA do ORGULHO. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar as frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual: ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso.

Esclarecendo certos mal-entendidos


1) O PRAZER DO ELOGIO NÃO É ORGULHO.

A criança que recebe um tapinha nas costas por fazer bem o dever de casa, a mulher cuja beleza é elogiada pelo marido, a alma salva para quem Cristo diz "Muito bem": todos ficam contentes, e têm todo o direito de ficar.

Em cada uma dessas situações, as pessoas não se comprazem naquilo que são, mas no fato de terem agradado a alguém que (pelos motivos corretos) queriam agradar. O problema começa quando você deixa de pensar "Eu o agradei: tudo está bem", e substitui esse pensamento por outro: "Eu sou mesmo uma pessoa magnífica por ter feito isso." QUANTO MAIS VOCÊ SE COMPRAZ EM SI MESMO E MENOS NO ELOGIO, PIOR VOCÊ FICA.

Quando todo o seu deleite vem de você mesmo e você não se importa mais com o elogio, chegou ao fundo do poço. É por isso que a VAIDADE, embora seja o tipo de orgulho mais visível no exterior, é também o menos grave e mais facilmente perdoável. A pessoa vaidosa deseja demais o elogio, o aplauso, a admiração, e está sempre em busca dessas coisas. É um defeito – mas é um defeito quase infantil e (estranhamente) bastante modesto. Demonstra que a pessoa não está inteiramente satisfeita com a admiração que nutre por si mesma. Levando em conta a opinião alheia, ela mostra que ainda valoriza um pouco as outras pessoas. EM RESUMO, ELA AINDA É HUMANA.

O orgulho plenamente desenvolvido pode até coibir a vaidade; afinal o diabo adora "curar" um defeito menor com um maior. Devemos nos esforçar para não sermos vaidosos, mas não devemos jamais nos valer do orgulho para curar a vaidade.

2) TER ADMIRAÇÃO POR ALGUÉM NÃO É ORGULHO.

Dizemos que um homem tem "orgulho" de seu filho, de seu pai, de sua escola, de seu regimento. Podemos nos perguntar se, nesse caso, o "orgulho" é um pecado. Acho que isso depende do que queremos dizer com "ter orgulho de algo". Com muita freqüência, essa expressão significa "ter uma calorosa admiração por algo ou alguém". Tal admiração, evidentemente, está bem distante do pecado.

Mas talvez signifique que a pessoa "empine o nariz" por ter um pai ilustre ou pertencer a um regimento famoso. Isso com certeza é um defeito; mesmo nesse caso, entretanto, é melhor isso que ter orgulho de si mesmo. Amar e admirar algo exterior a nós mesmos é um passo para longe da ruína espiritual, desde que esse amor e admiração não sobrepujem o que sentimos por Deus.

3) NÃO DEVEMOS JULGAR QUE DEUS PROIBIU O ORGULHO PORQUE ELE O OFENDE, OU QUE A HUMILDADE NOS FOI PRESCRITA POR CAUSA DE SUA DIGNIDADE — COMO SE O PRÓPRIO DEUS FOSSE ORGULHOSO.

Ele não está nem um pouco preocupado com sua dignidade. A questão é simples: Ele quer que nós O conheçamos, quer Se doar para nós. O ser humano e Ele são feitos de tal modo que, no momento em que efetivamente entramos em contato com ele, nos sentimos de fato humildes: deliciosamente humildes, aliviados de uma vez por todas do fardo das falsas crenças sobre nossa dignidade, que só serviam para nos deixar desassossegados e infelizes.

DEUS tenta nos tornar humildes para que esse momento seja possível: o momento de lançarmos fora a tola e horrenda fantasia com que nos adornamos e que nos entravava os movimentos, enquanto a exibíamos por aí feito idiotas. Gostaria de ter mais experiência da humildade. Assim, provavelmente poderia falar mais sobre o alívio e o consolo de despir essa fantasia – de lançar fora esse falso eu, com todos os seus "Olhem para mim" e "Eu sou um bom menino, não sou?", todas as suas poses e falsas posturas. O mero fato de estar próximo disso, ainda que por um breve momento, é tão reconfortante quanto um gole de água fresca no deserto.

4) NÃO PENSE QUE, SE VOCÊ CONHECER UM HOMEM VERDADEIRAMENTE HUMILDE, ELE SERÁ O QUE AS PESSOAS CHAMAM DE "HUMILDE" HOJE EM DIA:

Não será nem uma pessoa submissa ou bajuladora, que vive lhe dizendo que não é nada... Provavelmente, o que você vai pensar dele é que se trata de um camarada animado e inteligente, que realmente se interessou pelo que você tinha a lhe dizer. Se você não simpatizar com ele, será porque sente um pouco de inveja de alguém que parece contentar-se tão facilmente com a vida. Ele não estará pensando sobre a humildade; não estará pensando em si mesmo de modo algum.


Baseado na obra Cristianismo Puro e Simples – C.S. Lewis.
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