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sexta-feira, 9 de março de 2012

A crucificação do crucifixo 0



Mesmo nestes tempos áureos que desfrutamos da democracia no Brasil ainda nos deparamos com situações que beiram o totalitarismo. É o caso que narro a seguir.

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determina retirada dos crucifixos dos órgãos judiciais

Acatando um pedido feito pela LBL (Liga Brasileira das Lésbicas), o TJ-RS decidiu pela retirada dos símbolos religiosos das repartições da justiça no Estado. Segundo informado, a LBL alegou que a presença dos crucifixos nas dependências dos tribunais de justiça feriria o princípio constitucional da laicidade do Estado. Os magistrados que estavam presentes na ocasião aceitaram o argumento proposto e votaram unanimemente pela retirada dos objetos religiosos.

Entendendo o caso

O argumento era que a presença do crucifixo feria a Constituição no que se refere ao fato do Estado ser laico. Vejamos o que a lei diz:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

Isto tão somente diz que o Estado não patrocina nem incentiva uma determinada religião, e não que o Estado seja antirreligioso ou ateísta. O que deve ser perguntado é: a presença de crucifixos dentro dos tribunais é um estabelecimento governamental? É uma determinação da lei para que assim seja? Não é.

Como se sabe (ou deveria ser sabido), o Cristianismo é um grupo (um dos maiores e principais, por sinal) que participou da formação cultural do nosso país. Mesmo hoje, segundo dados do IBGE, a religião cristã é seguida por mais de 80% da população. Isto explica os feriados religiosos (Natal, Páscoa, São João, entre outros), nomes de lugares (São Paulo, Espírito Santo), esculturas (como o Cristo Redentor), citações sobre ‘Deus’ na Constituição e mesmo em cédulas do nosso dinheiro, onde aparece a expressão “Deus seja louvado”. A religiosidade é uma característica natural do brasileiro, e esta é manifestada nas mais diversas formas desde o descobrimento do Brasil.

Quando um crucifixo é encontrado em um tribunal de justiça no país, a razão para tal é puramente cultural - é como se fosse uma pintura de um artista. Isto faz parte da nossa história – é um costume. Não significa que o juiz vai impor o entendimento da moralidade cristã sobre cada caso (o que não seria, em si, errado, já que o Cristianismo é o sistema mais justo que há), nem que as partes envolvidas serão ‘convertidas’ simplesmente pela presença do símbolo lá. Se o nosso país tivesse sido colonizado pelos japoneses, talvez as referências religiosas nos tribunais de hoje fossem relacionadas a Buda, por exemplo. De maneira alguma isto faz proselitismo.

Perceba que a Constituição garante este apoio à cultura do nosso povo no seu artigo 215:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

Desta forma, a decisão tomada pelos senhores magistrados foi totalmente equivocada. Baseou-se em argumentos errados (laicismo) e desconsiderou o processo de formação cultural do nosso povo para não melindrar um grupo minoritário. É uma vergonha apagar 500 anos história do nosso país baseando-se em argumentos tão pífios. Mais uma vez vemos um grupo minoritário realizando uma patrulha ideológica com fim de impor sua visão sobre todos os demais, de forma intolerante, com a pretensão de – pasmem – combater a intolerância.
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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Pais e filhos 4

Provérbios 13:24 “Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga.”

Provérbios 22:6 “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”


Provérbios 29:15 “A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.”
Efésios 6:4 “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.”

Nos últimos dias, dois casos chamaram minha atenção. Ambos pelo amor (ou falta dele) dos pais aos seus filhos. O primeiro caso foi o daqueles rapazes cariocas de classe alta, que espancaram uma empregada doméstica no ponto de ônibus. Não bastasse o ato violento em si, repugnante foi ainda a justificativa, dizendo que se enganaram de alvo. Pensaram que a mulher era uma prostituta! Como se isso justificasse tal absurdo.


O pai de um deles, entrevistado pelos repórteres, primeiro se defendeu, dizendo que não era responsável pelo que seu filho fazia. E a seguir defendeu seu filho, colocando que seu filho era uma criança, e não deveria estar preso com os bandidos, pois era um garoto com estudo e caráter! Fiquei pensando: de quem é a culpa, então? Da mulher espancada?


O segundo episódio aconteceu em Porto Alegre. Uma mãe, moradora de um bairro pobre de Porto Alegre, denunciou seu próprio filho à polícia, pois ele havia matado uma amiga da família. O motivo da morte? Ela não quis dar dinheiro pro rapaz comprar drogas. A mãe, na TV, aos prantos, disse que não sabia mais o que fazer para tirar os filhos deste caminho (o filho mais velho também é viciado). A esperança é que ele, estando preso, fique longe das drogas.

Aparentemente, em ambos os casos houve falha na educação. A situação econômica deles é diferente. Um teve tudo o que o dinheiro pode comprar. O outro, nasceu na pobreza, sem oportunidades, num ambiente propício à marginalidade e às drogas. A sociedade até espera que o menos privilegiado se torne criminoso. Mas não um rapaz que teve tudo. Menos o amor e o cuidado de sua família.

O que me choca ainda mais é atitude dos pais diante do que seus filhos fizeram. Amor não é defender seus rebentos mesmo quando eles estão errados. Não é isentá-los da culpa pelo que fazem. Quem ama, corrige. Quem ama, quer o bem deles, mesmo que isto signifique algum tipo de punição, algum tipo de dor. Quem ama, faz tudo o que está ao seu alcance para que o seu filho ou filha siga o caminho correto.

Resumindo: quem amou mais? O pai que isentou a culpa de seu filho, mesmo sabendo que ele estava errado? Ou a mãe que mandou prender o seu caçula?

Em tempo: hoje, no Correio do Povo, vi mais um exemplo: um pai não paga a fiança do seu filho. Ele foi preso, no domingo, por dirigir embriagado e sem carteira (até porque está suspensa por outras infrações de trânsito). Ele mesmo o denunciou à Polícia Militar quando o rapaz, de 21 anos, pegou a caminhonete da família sem autorização. Palavras do pai: "Vamos deixar que ele reflita, na cadeia, sobre o que é melhor pra ele. Não dá pra passar a mão na cabeça, levar pra casa e amanhã ele fazer a mesma coisa. Como pai, quero que ele se recupere."
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