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sexta-feira, 28 de março de 2008

O amor tem prazo de validade? 4





Eu visito as bancas de revista com certa freqüência, além de assinar algumas delas. Olhando as capas das principais do país, verifico facilmente que alguns temas se repetem mais. Assuntos como sexo, religião e amor sempre chamam a atenção. Sexo atrai principalmente os homens; amor, as mulheres, e religião atinge as pessoas que seguem alguma ou querem desculpas para se livrar dela. De qualquer forma, são de fácil vendagem.

Vejam o sexo. Outro dia escrevi um post sobre uma reportagem que falava do sexo sem compromisso, da ligação entre a igualdade entre os sexos e a libertinagem que aumenta entre as mulheres. Havia também uma ligação com a repressão sexual e a religião. A reportagem, resumindo, culpava a religião por ter privado a mulher de seu direito de dispor do seu corpo como quiser: a religião é machista. Curioso é que o que os homens, de forma geral, querem mais é que as mulheres se liberem sexualmente. A reportagem acusa os homens de inibirem o relacionamento sexual feminino, sendo que eles são os mais interessados em que a mulher seja "fácil".

E há o amor. Pesquisadores de todos os lugares do mundo buscam descobrir o que é o amor, e como o ser humano age quando ama. Percebo que os "profissionais" pesquisadores tentam diminuir o amor, que é muito mais do que um sentimento, é também um ato de vontade, em uma simples descarga química no nosso corpo. Não estou dizendo que quando amamos o nosso corpo não aja de forma diferente, com sensações causadas por substâncias químicas. Mas a premissa que estes pesquisadores estão levando em conta é que são estas substâncias que causam o que chamamos de amor, e não o contrário, que o amor desencadeia o uso destas mesmas substâncias. É quase como dizer que a água é responsável pela geração de calor na fervura dela, e não o calor ao qual o líquido é submetido.

Então me deparo com notícias como a acima [link não está mais disponível]. Não é que o "sentido do amor" está sendo perdido. Amar JÁ SIGNIFICA outra coisa. Existem 4 "tipos" de amor, que são aplicados para relações diferentes e em níveis diferentes. Procure o post sobre os tipos de amor, publicado aqui anteriormente. Mas, basicamente, existe um tipo de amor que existe em todos os níveis, seja ele entre pais e filhos, amigos, familiares, cônjuges e até entre pessoas que se consideram "inimigas": o amor ágape. Nesta postagem, estarei me referindo a este tipo de amor (quando estiver falando do amor correto).

As pesquisas e os psicólogos dizem que a grande crise de um casal surge sempre aos sete anos... se o relacionamento durar tanto tempo, é claro. No entanto, nem todos estão de acordo com esta afirmação. Um estudo recente restringe o amor a quatro anos. Se o amor é alimento para a alma, lembre-se de que, como os iogurtes, também tem prazo de validade.

O "amor" já virou ciência exata? Dura sempre 7 anos (ou 4, como querem alguns)? O "amor" destes estudiosos pode ser comparado com um iogurte? Inclusive o amor-próprio? O amor à família, aos filhos? Compromisso, fidelidade, respeito, dedicação, cumplicidade... tudo isto tem data de validade?

Isso tem explicação, segundo especialistas da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) que analisaram as implicações neurológicas do amor, este sentimento que dura no máximo quatro anos e se caracteriza por ser um "estado de atordoamento temporário".

A despeito da instituição, da qual nunca ouvi falar, o que estes "especialistas" estudaram não foi de pessoas que amam. No máximo, pessoas apaixonadas. Ou pior, pessoas que sentem atração sexual por outra, ou algum outro interesse excuso. "Estado de atordoamento temporário"? Nada pode estar tão longe do amor.

No Brasil, enquanto o número de casamentos aumenta, o de divórcios segue o mesmo fluxo. Dados do registro civil coletados pelo IBGE indicam que entre 2002 e 2005 as separações judiciais aumentaram 2,8%, de 99.693 para 102.503 ao ano.

Isto significa o que, exatamente? Aparentemente, que os relacionamentos estão sendo feitos talvez de forma prematura, sem compromisso, sem amor, baseado em interesses (não necessariamente materiais), por confundir paixão com amor... Estes dados não podem advogar em defesa de uma pretensa alteração química/biológica do "amor".

O amor deve ser diferenciado de apego e atração sexual, pois estar apaixonado ativa substâncias químicas no cérebro que ocupam todos os neurônios e não se consegue mais pensar no ser amado, afirmou em comunicado Georgina Montemayor Flores, da Faculdade de Medicina da Unam. (...) Este estado físico químico também termina, disse Montemayor. "Costuma durar um máximo de quatro anos ou até que apareça outra pessoa que desperta essa paixão romântica, e só persiste o apego ou a companhia para uma pessoa", afirmou.

Pelo escrito acima, a promiscuidade virou problema químico e biológico, não mais problema ético/moral. Quanto mais um compromisso ou ato de vontade. Como falei anteriormente, o amor romântico possui também o que chamamos de amor ideal, o amor ágape. Então, se o amor ágape é químico, a assertiva da especialista acima justifica inteiramente alguém largar sua esposa e filhos por "incompatibilidade química". Justifica também um pai abandonar o filho, ou o filho abandonar seus pais num asilo. Justifica trair os amigos.

(...) o amor origina uma obsessão de tais dimensões "que as pessoas deixam de ser produtivas... de fato, as grandes obras de arte nunca foram criadas quando os autores estavam apaixonados, mas depois, no processo do desamor" (...)

Com certeza... escritores e pintores criaram suas obras primas quando não sentiam nenhum tipo de amor pelas suas "inspirações"...

"O espantoso é que o encéfalo se acostuma com as substâncias liberadas, pelo que, em seu caso, está à espera de que outra pessoa inicie este processo", ressaltou. "Embora isso não tenha sustento moral, acontece com todos os seres humanos".

Promiscuidade de novo? Claro que não tem sustento moral, nem poderia. Agora, a nobre pesquisadora testou todos os seres humanos, em todas as épocas, para saber se isto realmente ocorre com TODOS os seres humanos? Isto é transferir a responsabilidade dos nossos atos pra cima do coquetel de substâncias químicas do nosso corpo. Se tudo o que pensarmos ser certo ou errado decorre de processos químicos que ocorrem no nosso corpo, como posso afirmar que um determinado pensamento meu é certo ou errado? O que faz o pensamento da pesquisadora ser melhor ou mais acertado do que um de outra pessoa? Se nossas decisões são baseadas inteiramente na química, não há o que falar sobre certo ou errado, verdadeiro ou falso. Minhas idéias são o que são, porque não poderiam ser de forma diferente. Pura química. A água ferve porque é aquecida. Eu violento porque os processos químicos em mim dizem para fazer isto. Eu sou o que sou, e ninguém tem nada a ver com isso, até porque "moral" não existe.  São só substâncias.

Para a especialista, "o amor tem um preço. Perde-se a liberdade e também torna-se dependente de outra pessoa e, por isso, deve-se lembrar que o desamor liberta".

Quem ama às vezes precisa ceder. Se você não quer ceder em favor de alguém, você quer usar esse alguém, e não amar. Ser completamente livre e independente, no sentido dado pela pesquisadora, te deixa infinitamente sozinho.

comment 4 comentário(s):

Jairo Larroza on 4 de abril de 2008 23:10 disse...

Olá, Leandro. Boa noite. Estou agradecendo sua visita e escrevendo pra dizer que também gostei muito do seu blog. Devo dizer que, neste assunto (internet), sou neófito. Gostaria depois de informações sobre a postagem de imagens e a organização que você tem. Seu blog é muito prático e intuitivo. Bem, fico aqui orando por tua vida e aguardando as bênçãos que certamente virão através des5te relacionamento. Deus abençoe tua vida, meu irmão. Fique na paz de Cristo.

rubenita on 9 de abril de 2008 10:32 disse...

vcs dois estão confirmando o texto do mainard (VEJA da semana passada) onde ele cita o fato que os "blogueiros" fazem mesmo essa "visitinha" uns aos outros!! rsrsrsrsr!

abraço.

Leandro Teixeira disse...

Oi Rubenita!
De fato, da lista de blogs que há ao lado direito da tela, eu visito todos diariamente!

É interessante perceber que, às vezes, sem prévia combinação, vários de nós escrevem sobre assuntos afins!

Abraços!

Marízia disse...

Olá,

Nossa.......arrepiei te lendo. Bom, é sua forma de perceber e manifestar sua percepção sobre o assunto.

Estou pesquisando pra escrever CORPO-MENTE- ALMA no artigo sobre SEXUALIDADE que comporá meu livro,versão em inglês.

Veja bem, cada pesquisador, tem UM FOCO. No caso da visão QUÍMICA, creio faltou sim uma abordagem mais ampla, até porque, como você mesmo mencionou, não somos meramente REAÇÕES QUÍMICAS, ou não poderíamos nos enquadrar no RACIONAL. Embora, percebamos que a natureza PERVERSA e PERVERTIDA do Ser Humano, através de atos de VIOLÊNCIA nos mostre que a REAÇÃO QUÍMICA do momento de explosão, ela fala sozinha.

Bom............continue blogando, isto só faz bem.
Abraços,

Marízia Bonifácio

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